terça-feira, 11 de junho de 2013

Não há nada como realmente

Ás vezes penso que tenho pancada. Quer dizer...... ter, tenho, mas apesar de tudo fico mais aliviada quando vejo que há outros que também têm pancada. Sobretudo quando me ponho a questionar certas coisas e de repente, pimba, digo cá para mim "Olha que afinal até nem estás sozinha, pá, não estás assim tão nhurra, descontrai, anda. "
Por exemplo, há muito pergunto a mim própria de que vivem os sindicalistas e de como é possível andar sempre em greves se o dinheiro faz falta. A última vez que fiz greve, lixei-me. Fiquei sem receber 2 dois de trabalho e néspias, não vi resultado nenhum. O único resultado foram uns bons euros a menos que até fiquei vesga quando vi o recibo. E não estávamos em crise...
Pois no Correio da Manhã de 6ª feira passada, li um artigo que me deu um certo alívio. Dizia o colunista que já tinha escrito previamente sobre a necessidade de se fazer uma reportagem sobre a vida sindical, reportagem que respondesse a perguntas que eu já tinha feito a mim própria: "Quem paga os salários dos dirigentes? O Estado? Nós? Bancos? Porquê? Há ajudas de custo? Fazem os sindicatos investimentos? Por exemplo, imobiliários? Porquê? Quem beneficia?". E não é que soube que houve na RTP1 uma reportagem sobre isso, no "Sexta às 9"?. Não vi. Tenho imensa pena. Mas fiquei pasmada com algumas conclusões dessa reportagem, nomeadamente esta: somos nós que pagamos os salários dos sindicalistas da função pública : 6,5 milhões de euros por ano...
E mais não digo.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

O meu inginheiro proforido

É que nem sonhem! Então eu alguma vez ia abandonar o meu inginheiro proforido??? Nem sonhem! Eu tenho visto e revisto todos os seus cumentários (não é erro, falta-me o "o") tim tim por tim tim. Ah pois tenho. Tomo um ansiolítico antes, sento-me amarrada a uma cadeira própria, daquelas que não se partem nem deslocam (estão a ser vendidas resmas delas, chamam-se cadeira anti-murro, e foram inventadas para ver comentários de comentadores que comentam na nossa TV) e lá estou eu, de bloco e caneta para apontar o que o meu inginheiro diz. Ora até aqui tudo bem. O problema é que ainda não escrevi nadinha no bloco. Sim, não vou agora estar a apontar o que outros já disseram, não acham? Eu queria novidades, coisas estrambólicas, ameaças, propostas, sugestões, palavrões, murros na mesa, suspiros, cheliques, eu sei lá, mas não, o homem anda-me ali a dizer o mesmo que outros já disseram. Ora bolas. Aliás "ora bolas" deve ser o que ele próprio deve andar a pensar. E com toda a razão. Isto não se faz. É uma deshonestidade muito deshonesta. Uma falta de consideração, tem toda a razão, senhor inginheiro! Então convidam-no para comentar o desgoverno deste país, vem Vexa de malita de cartão por aí afora, com uns magros restos do empréstimozito que pediu para ir passear, perdão, estudar filosóficas, vem Vexa convencido que teria um programa inovador, inspirador, profundo, metafísico, metaquímico, metabólico, eu sei lá..e fazem-lhe assim uma concorrência tão desleal nos outros canais??? E não só. Até no seu lhe pregaram a partida! "Queres comentar? Cilindra o Marcelo!". Toma! E já o desrespeitaram também com futebol à mesma hora! Isto faz-se? Não faz.
 E é por isso que eu nem tenho falado com ele. Noto-o abatido, nervioso, merdoso, perdão, medroso, até já usa  gráficos como o Mendes e tudo!! É natural, caramba! Por outro lado, ele já deve ter percebido que o pessoal sente muito mais gozo ver malta da área do governo a dizer mal do governo, do que uma pessoa da chamada oposição, embora eu não saiba muito bem onde encaixa o Vexa, tenho a impressão de que só o senhor é que sabe, se é que sabe, mas eu acho que sabe, finge é não saber.
Vamos a ver se isto muda. Não acredito muito. Eu sei que ele se tem esforçado, até já cita o Marcelo e o Bagão, mas com franqueza, daqui a pouco acaba-se-lhe o sustento e depois como é?
Isto sou eu a falar, claro, porque o meu inginheiro não é parvo. Ou, ou. Já se pôs na fila.....
Depois falamos.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Ou entra mosca ou sai asneira

Tenho de confessar que estou a ficar mal educada. Mal educada mesmo. Aqui há poucos anos apenas as palavras "gaita" e bolas" faziam parte do meu vocabulário de mal educadice. E até eram ditas apenas em momentos de extrema ansiedade ou arrelia ou desaforo. Agora não. Entraram no meu vocabulário várias palavras impróprias para consumo doméstico. Uma delas é "m**a. Não há dia nenhum que não diga "mas que grande m***a" ou " olha, vai mas é à m***a". Ora isto é chato. Para já tenho de estar sempre com um mata moscas na mão porque como diz o ditado popular "ou entra mosca ou sai asneira". Ora eu prefiro que entre mosca, não quer dizer que goste de comer moscas mas não tenho outro remédio se não quero que me saia asneira.
Mas o problema, o grande problema mesmo, é que por enquanto há poucas moscas, só lá mais para o verão é que há mais moscas, o que leva a que eu diga mais asneiras do que coma moscas. E outro problema ainda, grave, gravíssimo, é que vimos do inverno - primavera viste-la, logo por azar - e portanto habituei-me à falta de moscas. Logo, aprendi a dizer cada vez mais asneiras. O problema começou a ser tão grave que cheguei a pensar em encomendar moscas cá para casa. Caramba, se andam prali moscas no computador e ratos e aranhas e sei lá mais o quê ( ainda por cima com direito a prémio se se acertar nos ditos bichos), achei que poderia encomendar algumas. O lógico seria ir ao Zoo, pensei eu, deve haver por lá muita mosca e não se devem importar de me venderem algumas. Mas enganei-me. Não havia moscas disponíveis para venda, todas já tinham dono. E aí começou a minha desgraça. Não havendo mosca...começou-me a sair asneira. E foi logo lá no Zoo, claro. Como me mandaram para um sítio que não quero confessar, comecei logo ali a dizer " Mas que grande m***a, já nem moscas se arranjam neste país de m***a". Estão a ver? foram logo duas vezes numa só frase. Ora uma pessoa que é pessoa e não é bicho - é o caso - ganha hábitos num instante. Vai daí e apesar de ter feito um grande esforço para não me irritar, vim-me embora de mata moscas na mão e um olho negro porque houve lá um palerma que não gosto que eu o mandasse à m***a, não sei porquê, nem percebeu que até estava a olhar pelos interesses dele, menos moscas menos asneiras, logo, melhor atendimento ao publico.
Seja como for, desde então, e já lá vão uns tempos, que toda a gente me pergunta "Tu estás mal educada, não estás?", o que me chateia porque estão a dizer que os meus pais me educaram mal, ora eu não fui mal educada, eu tornei-me mal educada. Não é a mesma coisa. Podiam perguntar "Tu ficaste mal educada, não ficaste?" e aí eu já podia dizer "Fiquei, porquê?". este "porquê" traz água no bico, claro, que eu não sou burra, na não. O que eu quero é que me dêm um pretexto para dizer uns impropériozitos, porque me sinto tão, mas tão aliviada quando digo " vai à m***a que nem queiram saber. Ponho-me em frente à TV a ver os telejornais e tenho poupado imenso dinheiro em psicólogos ou psiquiatras, garanto-vos. É só zappingar de um canal para outro e dizer a cada 5 segundos "olha, vai à m***". É óptimo, até porque se aplica a quase toda a malta que por ali pulula no falatório. Ultimamente até me tenho esquecido do mata moscas e deixo sair a asneira ou finjo que não acertei na mosca ( tenho uma guardada num frasquito, que isto até para as moscas está mal, é tanta porcaria que as tristes nem sabem para onde se virar e andam sempre a despedir-se, ou a pedir aumento de cláusulas de contrato, credo, é um horror!) e sai-me asneira. Tenho outras para alem de m***a, mas esta, apesar de tudo, encaixa em qualquer circunstância que nem ginjas.
E agora, se quiserem, podem-me mandar a mim que eu não me importo. É que nem preciso de emigrar.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Bacalhau à Brás

Comprou 8 carros no valor total aproximado de 1 milhão de euros. Comprou uma casa no Algarve por cerca de 700 mil euros. Comprou um terreno avaliado em cerca de 600 mil euros. Comprou uma vivenda e uma casa abandonada contígua por cerca de 1 milhão de euros. Vai fazer uma pequena viagem por cerca de 2500 euros e pagar uma estadia de cerca de 5 mil euros ao dia. Vai fazer um cruzeiro de 3 meses no valor total aproximado de 25 mil euros.
 
De quem se trata?????
Não. Não é um politico, não é um empresário, não é um banqueiro..........não é um desses "ricos" que enchem o país e que são a causa de todos os males. Não é também um qualquer "patrão" que enche os bolsos à custa do trabalho de empregados mal pagos e com más condições de trabalho. Mas poderá vir a ser.
Quem é, então??
Uma empregada de limpeza. A quem saíram 52 milhões de euros, lembram-se?
Falei aqui dela nessa altura e perguntava: será que agora que passou a ser rica passou a ser uma besta?? Será que vai distribuir o dinheiro pelo povo ou vai concretizar os seus sonhos como o comum dos mortais??
 
Claro que concretizou os seus sonhos. Claro.
 
Agora eu interrogo-me outra vez: quem sabe se esta senhora não teria estado numa manifestação contra a crise e não teria tido um cartaz a dizer " Os ricos que paguem a crise"??? A partir do momento em que passa ela a ser rica, passa a ser - por inerência" do cargo...- uma déspota, uma culpada de tudo o que acontece???
 
Irónico, não?
 
Ou seja, não gosto nem nunca gostei de generalizar em nada. Neste caso, nem todos "os ricos" são uns fulanos da pior espécie, certo?
 
Quem me dera a mim poder provar isso. Como ela pode.
 
Bacalhau à Brás num casamento de milhares de euros?? Abençoada!! E que seja feliz.

O regresso da Fedúncia

Xi, patrão! Que saudades da minha Fedúncia e do meu Agapito! Aqueles meus dois personagens enchem-me as medidas! Aí vêm eles outra vez!! Iupi!


- Fedúncia, amiga, onde você tem andado, mulher? O prédio sem si nem parece o mesmo!
- Ai, dona Lagarta, vejo bem que não!! Está tudo uma porcaria, tudo!
- Mau, ó Fedúncia, não comece. Não está também assim tudo... tudo... uma porcaria, bolas!
- Está pois. Olhe ali, é só lixo, cheira mal, nem se pode pôr a mão no corrimão..
- Fedúncia. Chega. Que mania das limpezas, livra! Deixe-se disso e diga mas é por onde tem andado!"
- Então... sabe bem que emigrei, ou não sabe?
- Emigrou? Homessa! Então não disse que ia para Pioto, a sua terra lá prós nortes?
- Disse. Disse e fui. Mas ainda são uns quilómetros valentes, por isso posso muito bem dizer que emigrei. Se eu disser ao Agapito que fui para Pioto o homem nunca mais me convida para ir lá a casa porque ele julga que eu estive lá fora, percebe?
- Percebo. Mas isso é lógico. Se não esteve em casa é porque esteve fora, não é? Também não é preciso exagerar com as finuras.
- Quais finuras? O que eu quero é gorduras. Gorduras! Ui, comi tão mal lá em Pioto que nem queira saber! Estou bem a precisar dumas sopitas e duns feijões do Agapito para ver se se me aumentam um pouco aqui os quadris e as bolas, percebe?
- As bolas? Quais bolas??
- As bolas, pôcha. Não percebe? Isto aqui..está a ver? Não tenho cheta para pôr éplantes, sabe bem disso!
- Èplantes?Ó mulher, não é éplantes, é implantes, im-plan-tes!
- Ó isso. Com "é" ou com "i" não tenho dinheiro para isso. A modos que então o melhor é comer, engordar um bom bocado para encher a porcaria da roupa.
- Olhe que você...então foi para fora e não ficou com  nada aí dentro? Não aproveitou a estadia??
- Aproveitei, pois, então não vê como até pareço mais nova? Olhe a pele, olhe!
- A pele? Qual pele? A carteira é de plástico..ou está a querer comer-me por parva, hein?
- Livra, que chata. Quero engordar mas também escusa de estar praí a falar que a quero comer! Puxa, olhe se alguém ouve, bolas!! Eu estou a falar da minha pele na minha face, na minha carinha, não parece pele de bébé, não?
- Só se for a do rabo depois de levar pó de talco, ihihih.. Bem, desculpe. Pronto. Está linda. Ok. Seja. E que vai fazer agora?
- Agora vou descansar da viagem, tirar as coisitas da mala, ver os meus mails - já deve ser uma porrada deles - e depois..ala..Agapito. Preciso de jantar. Pecebe?
- Pecebo. Vá lá então. Depois falamos. Tem lá cada mail que lhe enviei!! Vá ver! Vá! Até logo!
-Até logo. Trate-se. Parece-me magrita e avelhada.

(Rais a partam. Já começa.)


A fama em 3D

É giríssimo como se consegue fama hoje em dia. Giríssimo e facílimo. Basta seguir um de três passos simples. O primeiro é dizer mal do governo. À bruta ou a puxar ao sentimento. À bruta dá muito resultado, sobretudo se for para dizer mal do Gaspar. Ou se fazem umas montagens giras, a puxar ao máximo o ridículo - tipo ao colinho da Merkle a mamar, ou a fazer cócó e a limpar-se num papel com a cara do Zé Povinho - ou põe-se o tipo a dizer baboseiras e palavrões, ou contam-se anedotas ou piadas secas...bem, é tiro e queda. Ele é por mail, ele é facebook, ele é jornais, revistas, programas radiofónicos...parece uma gripe das aves. A malta farta-se de rir e intimamente - eu pelo menos às vezes penso - pensamos "Toma lá que já levaste!" ( no mínimo..). Até há pouco tempo era o Relvas. Era Relvas por tudo quanto é sítio, mas infelizmente o homem foi-se embora, há que malhar noutro. Este até que é um bom substituto, confesso, bastava compará-lo com o meu querido Mr Bean para dar logo pica.
Mas, dizia eu, uma das formas de ter sucesso fácil é dizer mal do governo. Dizer mal, ponto. Quanto pior, melhor. Até me faz lembrar o triste do Pacheco que utiliza a palavra "governo" ou "o governo" pelo menos umas 50 vezes de cada vez que fala. Mas, portanto, qualquer pessoa que queira hoje em dia ter direito a um "Ena pá, viste o que o tipo escreveu, disse, leu sobre tal e tal? Ena pá, valente, hein?" ou se quiser ser famosa, notada, apreciada, falada, comentada, citada, levada ao colo, é só dizer mal do governo. É um must. È giro, é actual, é politicamente correcto e símbolo de mente sadia, bem pensante, solidária, muuuuuiiiiiiiiiiiiito preocupada socialmente, sobretudo com os velhinhos e as crianças.
O segundo passo para a fama é desrespeitar qualquer coisa, qualquer pessoa, qualquer instituição. Mas tem de ser aos berros, se for em local público. Pode ser em pé ou sentado, mas tem de ser sempre duma falta tão grande de educação que provoque imediatamente a reacção de lhe darem uma palmadinha nas costas "Força, pá, é assim mesmo! Ah, valente, sem papas na língua. Ganda cena, meu!". É que a pessoa não é mal educada...é transparente ou, melhor um pouco, é frontal.
 Se for por escrito, tem de forçosamente dizer palavrões, se possível a "bold" para se ver bem, e metendo lá umas coisitas relacionadas com sexo. Ui, aí então, é tiro e queda mesmo. Quanto mais picante melhor, porque parece mal chamar a atenção e realmente ninguém chama para não ser tido por cota ou parvalhão que tem a mania ou "mal resolvido nessas questões". Então a malta acha muito giro e mostra por baixo da mesa o mail ou a foto ou o texto ou o filme,  meio envergonhada mas tremendo de riso e de gozo.  
E finalmente (por hoje..) há outra forma de obter fama rápida. É entrar num show qualquer com as mamas quase de fora, ou o rabo quase todo ao léu e dizer que a maldade e a pouca vergonha está é na mente das pessoas, que são umas maldosas, rais as partam. Salta logo para a ribalta. Tem direito a títulos, subtítulos, facebooks, rabobooks, tudo.
 
Agora.......... a forma como estes "requisitos" se fazem notar nas redes sociais.....bem, é de gritos. Fica para depois. Garanto-vos que é um tratado.

sábado, 1 de junho de 2013

Olha lá ó Mark!

Olha, Zuckerberg, hoje é contigo que venho falar, pá. Mas para estarmos mais à vontade e eu poder chamar-te os nomes que me apetecer, vou tratar-te por Mark. Ok?... Não? Ai não? Quero lá saber.
 
Ora então aí vai. Eu acho, pá, que tu inventaste uma grande porcaria, sabes? Andas para aí todo satisfeito da vida, todo milhãozado, todo "upa, upa" do caraças, e afinal criaste uma trastice. Toma! Eu explico-te. Ouve. Ouve com atenção, pá. Olha lá, então uma pessoa quer aquilo para quê? Tu achas bem que eu, eu que tenho uns míseros quarenta e tais amigos, não consiga ver nem metade do que eles fazem ou dizem ou não dizem ou publicam ou não publicam ou comentam ou não comentam?? Tu achas isso bem? Ah,.. vou à página deles, pois, pois, está bem abelha, é que tenho mesmo paciência e tempo para isso, pá! Não, tu tens de concordar comigo, tens de rever esta coisa. Pega lá noutra equação, noutro sistema qualquer porque assim não dá!!! Bolas, homem! Até te posso dar uma sugestão. É só uma sugestão, não te abespinhes nem te ponhas praí em bicos dos pés a dizer que és o maior que tu é que sabes e coisa e tal que eu ponho-me em cima dum banco e fico ao teu nível, ouviste, ó Markito? Então ouve: porque é que tu não inventas outro facebook?? Diz-me, porquê? Assim uma coisa mais ajeitada, puxa. Por exemplo, punhas lá um quadradinho ou um círculo ou uma gaita qualquer que permitisse a malta saber, para cada um dos nossos amigos, quando é que eles lá estão, ou vão, ou falam, ou comentam, ou bisbilhotam, ou jogam, ou falam contigo...estás a ver a cena, meu??  O quê? Não pode ser? Por causa de quem tem centenas de amigos, dizes tu? Era impossível? Impossível uma ova, pá! Se tiveste cabecinha para inventar aquele facebook, também deves ter ainda os neurónios afinados para pensares em melhorá-lo, não achas??? O que tu precisavas era de concorrência, sabes? Ah pois é. Precisavas era de alguém que fizesse outro, sabes? Assim tipo Facenote, ou Mouthbook, ou Shitbook, ou Book da chita, estás a ver? Pecebes, filho??
 
Isso, faz-te desentendido. Estás-te nas tintas, não é? São resmas e resmas a encherem-te a contita, não é?? Pois é. Mas olha que eu volto à carga. Não te safas. Aguarda. 

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Olá blogue. Cá estou outra vez. Já tenho saudades de escrever aqui as minhas patacuadas!
Passei algum tempo sem o fazer, por vários motivos, um deles porque me dediquei mais a outras actividades , se é que se podem chamar assim... Nomeadamente ao Facebook. Mas cansei. Acho que estou a ficar abrutalhada. Aqui, ao menos, não tenho que passar a vista por cima de porcaria verbal ou fotográfica. Se houver porcaria...é minha. Aguento-a.
Ora então vamos lá a isto outra vez.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Portuguese nightmares- T.2- Ep. 10

Foi no Café que ouvi esta expressão, no dia a seguir à entrevista de Sócrates. Dizia um senhor para o amigo: " Ó pá, assim que ele começou a falar, "tirei-lhe logo pela pinta" que só vinha chatear!". Achei piada. Não ao tal fulano da entrevista, porque escrevi o nome dele uma vez e já me chega. Achei piada à expressão "tirar a pinta". E resolvi investigar. Deixa cá ver quantas expressões há com o verbo "tirar". Deve haver muitas. Pois fiquem sabendo que apenas encontrei cinco:" tirar o chapéu", "tirar a vez", "tirar partido de", "tirar as palavras da boca" e a outra, "tirar a pinta". Confesso que julguei que havia mais, até talvez haja, mas apenas encontrei estas num site próprio. Então pensei: já agora, deixa-me ver quantas expressões há com o verbo oposto, ou seja, o verbo "dar". E fiquei embasbacada! Realmente nós somos um povo muito hospitaleiro....Então, sabem quantas expressões encontrei nesse mesmo site com o verbo "dar"? 68! Leram bem. 68. Vejam só. E realmente são usadas quase todos os dias, ou podiam ser.. Por exemplo....
Esta situação política actual "dá-nos água pela barba" porque o governo só "dá barraca" constantemente e a oposição "dá ares" de grande sabedoria, mas muitas vezes também "dá o dito por não dito" e "dá-nos cabo" da cabeça; diria mesmo que todos eles nos "dão voltas à cabeça" e não "damos vazão" a tanto disparate! Ambos "dão cartas" no que diz respeito a falta de respeito para connosco.O melhor é não "dar confiança" a nenhum deles porque são mestres em "dar ao dente" de baboseiras e promessas e muitas vezes empurram uns para os outros, nenhum deles "dá a cara" pelo que fez ou disse. Então antes de eleições..só "dão graxa" mesmo e "dão o litro" a percorrer o país e mais tarde "dão o dito por não dito" e nós é que pagamos. Isto realmente "dá Deus nozes a quem não tem dentes" porque para fazer estas figuras qualquer um de nós "dava conta do recado". E olhem que às tantas nem "davamos tantos pontapés na gramática" como eles, que alguns até metem dó pelo desconhecimento de regras básicas da nossa língua. E depois há os comentadores que parecem umas baratas tontas a "dar uma no cravo e outra na ferradura" para terem sempre um tacho assegurado. Isto enquanto não se lembram de "dar o nó" com a filha ou a prima ou a tia ou a ex de algum deles. Bem, deixa-me calar, não quero "dar com a língua nos dentes" que ainda "dou a impressão" de estar para aqui a armar-me .Por isso, mais vale às vezes não "lhes dar confiança nenhuma", ignorá-los pura e simplesmente. Até "darem à luz" alguma ideia luminosa. Querem que lhes "dê um lamiré"? Eu dou. Sejam honestos convosco e connosco. Mas não sei porquê, acho que este conselho não"vai dar em nada", eu, pelo menos, não "dou nada" por nenhum deles.
E, sem "dar conta", usei o verbo "dar" uma série de vezes. Nós realmente, somos muito mais de "dar" do que de "tirar". Menos na politica. Certo?

sexta-feira, 22 de março de 2013

Grupo coral

Foi tudo corrido daqui para fora! Tudo! Cão e tudo! Onde é que já se viu uma coisa destas? Isto é a casa da sogra, ou quê? Primeiro foi a Fedúncia, depois o Agapito e cão, depois a Lulu, depois a Escolástica...livra! É que já não podia mais! Bolas! E sabem o que eles queriam, sabem? Ah, não sabem? Então eu digo, mas digo já, antes que me dê o desarringanço que me costuma dar quando estou mui nerbiosa, mui nerbiosa e que me leva ausentar para um local donde saio passado um tempito. Mais leve e mais calma, é certo. Mas mais esquecida. Talvez por estar tanto tempo com a mão no nariz por causa.....Adiante. Dizia eu, ou melhor, vou dizer agora porque é que aquela malta me veio chatear. Queriam convidar-me para um grupo coral. Ouviram bem. Um grupo coral, uma coisa dessas de cantorias. Mas sabem para cantar aonde? Nas manifestações. Ouviram bem. Nas manifestações que por aí andam. Chatearam-me o juízo até dizer chega! Que se tinham inscrito à borla, que iam à borla para todo o lado, que era uma maneira airosa de conhecer o país, eu sei lá!
- Venha, dona Lagarta. Venha connosco. Comidinha da boa, pinguita da boa, vai ser uma maravilha!
- Ó mulher, mas eu nem sei cantar, bolas!
- E quem lhe disse que é preciso saber cantar? Nós também não sabemos. Eu até quando me ponho a cantarolar lá em casa, levo logo com a vassoura do vizinho de cima que até o outro dia se me caiu um bocado de cimento do tecto e fez uma poeirada de tal ordem que até tive de abrir a porta o que foi uma grande gaita porque ia a dona Lulu a sair e sujou-se toda com a poieirada e tudo e teve de voltar para trás e ainda tive que a ouvir a mais a tia dela que é maluca e que julgou que estava o prédio a cair e saltou-me para o colo a gritar "AI, ai, é o fim do mundo!". Está a ver? Eu também só acompanho a letra, mais nada!
- Pois, aí está outra coisa! Não sei letra nenhuma, tá a ver? Percebe?
- Percebo mas também não faz mal. Eles disseram que nos dão um papelito prá mão e a gente nem tem de saber nada de cór. É só lá,lá,lá. o que lá estiver. E,ó dona Lagarta, já viu o que é aparecermos na televisão, valha-me Deus? Já viu? E poder dizer adeus ao senhor Felismino da mercearia e à mulher dele, a Ludovina, que até se vai roer de inveja e tudo . Quer melhor?
- Quero. Quero não fazer figura de parva, Fedúncia.
- Pois, mas vê, nem isso fazemos. Já somos meio aparvalhados e também ,no meio de tanta gente, ninguém nota, né? Ande lá, carambas, venha daí ao portugal desconhecido.
- Não, não e não. Por exemplo, onde dormem? Vá, diga lá, onde dormem?
- Depende donde estivermos e da agenda.
- Da agenda? Qual agenda, Fedúncia?
- Das marcações, né? Haverá meses mais cheios e outros menos. É conforme as barracadas do governo, mas não se aflija, como são muitas não devemos ter parança. Olhe, este mês temos ai umas 40 agendadas. E algumas no Algarve, já viu? Praia, solinho, calorzinho, e coisa e tal. Já viu?
- Já vi. Não quero. Não quero mesmo, gaita. Prefiro a minha casinha.
- Eu também, ora essa. Mas sempre se poupam uns tustes na comida e na bebida, e sempre dá para compensar a falta dos subsídios!
- Quais subsídios, Fedúncia? Você não trabalha!
- Pois não. Mas devia ter subsídio por não trabalhar, homessa. Poupo dinheiro ao estado, ou não poupo? Homessa! Que coisa chatarrona, gaita! Ande daí!
 - Ó senhor Agapito: e o senhor porque está tão calado? O senhor também vai com a Fedúncia? E o cão, acompanha-vos, é? e também há ossitos pró cãozinho, é?
- Dona lagarta, eu vou sim. Acabou-se-me ontem o leite e o peixe e a carne e o feijão e o vinhito, tudo, tudo, enfim, olhe, é uma obra de misericórdia, sabe? Para comigo, sabe? Mas não quero falar porque a Fedúncia disse para eu calar a boca aqui ao pé da dona Lagarta ou não me levava, percebe?
-Então não percebo. O senhor saiu-me cá um traste. Faz tudo o que a Fedúncia quer! Pois eu não. E não vou mesmo. Chega. Leve lá o cão, está-me a fazer xixi na alcatifa. Vá, chou, embora. Tenho mais que fazer!.
E foi assim. Lá foram. Mas fiquei incomodada, caramba. De qualquer modo fazem-me falta aqui no prédio. Agora a quem é que eu cravo umas comiditas? Assunto a pensar com o travesseiro. Infelizmente só com o travesseiro.. não há meio de ver aquele lugar ocupado, bolas!

terça-feira, 19 de março de 2013

"Os ricos"

É o dinheiro que põe tudo a funcionar. Se não existissem os tais "ricos" neste país, queria ver como era. Não me importava nadinha de ser rica. Não me importava nadinha de ter um carralhão, motorista, uma grandessíssima casa ou duas ou três, férias a meio do ano, no fim do ano, no princípio do ano, quando me apetecesse. Vestir Pradas e Guccis. Calçar Vouittons e Miguel Vieiras. Acordar e saber que não precisava de mexer uma palha para ter a vida ganha. Não me importava nada de ter tudo o que os tais ricos têm. Nada. Porquê? Porque sou humana, tenho sonhos e desejos "normais". E de certeza que não passava a ser uma besta. Ou será que aquela empregada de limpeza que ganhou 52 milhões de euros passou a ser uma besta? Será que distribuiu o dinheiro todo? Tomem lá! Não quero ser rica ? Não acredito. E faz ela muito bem se realizar todos os sonhos dela, todos.
 É por isso que me irrita tudo que seja generalizar. Há ricos bons e ricos que são uns sacanas; há patrões bons e patrões que são uns sacanas; há gente que ficou rica sem saber como e há gente que lutou para ficar rica. Lutou, só. Ponto final. Nem todos ficam ricos por serem corruptos. Há quem tenha lutado toda uma vida para ter dinheiro. Uns conseguem, outros não. E falo com conhecimento de causa. Trabalhei durante 38 anos da minha vida e não tenho nada do que têm "os ricos". Como tantos outros. Mas vou estar a chamar nomes a quem o conseguiu? Sim e não. Quem o conseguiu honestamente, quem conseguiu realizar os seus sonhos, parabéns! Dos outros não falo. Esses sim, são umas bestas. Invejo-os? Não. Prefiro dormir descansada e ter o que tenho. E é tanto, meu Deus, em comparação com outros!
Agora, o que me põe de cabelos em pé são os falsos pobres, os ricos encapuçados, de cartaz na mão e Ipad no bolso. Os defensores dos pobres da boca para fora. Há tantos. Em todo o lado, em todos os partidos. Em todos os sindicatos e todas as manifestações. Esses pôem-me possessa. Têm a voz rouca de cantar o Grândola e nem a letra sabem. Vão a pé e deixam o BMW na garagem. Vão de sapatilhas e deixam os DG debaixo da cama. Metem-me nojo. Esses não pagam a crise, nem deixam pagar. Fizeram-na.

sábado, 16 de março de 2013

Novo tipo de mail

Qualquer dia não saio de casa. Ou então só saio de noite. Estou fartinha de querer ir à minha vida e apanhar com a malta cá do prédio nas escadas. Puxa. Já não há privacidade nenhuma! Hoje foi a sarna da Fedúncia. Eu bem que apressei o passo que até ia caindo escada abaixo o que não seria nada bom porque resolvi pôr uma saiita bem apertadinha e ainda se me viam os interiores que, convenhamos, são um bocadito frouxos, em comparação com o exterior, altamente preparado para arrasar. Nunca arraso coisa nenhuma, mas tento. Já não é mau. Mas dizia eu que fiz os possíveis para não apanhar com aquela tola. Não tive sorte. "Ó dona Lagarta! Pssiu! Espere aí!". Ó sorte macaca...
- Diga, diga. Bom dia. Tão cedo a pé? Não era melhor voltar para a caminha,não?
- Ah, não, nem pensar! Acordei a correr para lhe vir contar uma ideia que tive! Até estava a ver que já não a apanhava!
- Ah, pois, seria uma pena. Olhe que seria mesmo uma pena, viu? Mas apanhou. Então qual foi a ideia? Estou curiosa! Você não é muito farta em ideias, não é muito idiota.
- Pois não. Reconheço. Mas excedi-me. Deve ter sido do jantar de ontem, sabe? Passei a noite na casa de banho e é sempre aí que me surgem as ideias. Não sei porquê. E são sempre boas!
- Ah pois são. São as chamadas ideias de m..., de magnificência!
- Magnif...pois...ai ca lindo! Bem, deixe-me contar. Eu vou propôr um outro tipo de mails. É assim que se diz, não é? Então. Cada mail que a gente recebe devia ter um quadradito ou uma cruzinha ou um bonequito prá gente carregar e dizer que gostou . Ou não. E outro para dizer "Vai-te lixar" e outro com " Isso querias tu", ou " Ai ca lindo" ou " Se me mandas isto outra vez, levas". Era uma maravilha. Poupava trabalho. Era só carregar. Tá a perceber?
- Olhe que até...você tem de ir à casa de banho mais vezes. Fica veborreica, sabe?
- Pois fico. Não sei o que é, mas da sua boca só vem coisa fina. Por isso aceito. Fico seborreica.
- Veborreica, mulher. Ve. Ve.
- Está com soluços? Já passa.Mas não acha que era bom? É que eu farto-me de mandar mails ao Agapito e o homem nunca me responde. Nunca. Fico assim a modos que sem saber se gostou ou não. Ainda ontem lhe mandei um convite para vir cá almoçar e nada, o homem não se descoseu!
- Ainda bem. A roupa está cara. Pois. Mas porque não vai lá acima perguntar-lhe?
- Porque prefiro levar um Não por mail, sabe? Ao menos não lhe posso ir às ventas. Só descarrego na louça. Cada Não já me custou quase um serviço inteiro. Não há quem aguente, né?
- Então repita o mail. Mas eu se fosse a si, punha também a ementa. Pode servir de isco.
- Pois pode. Realmente não mandei a ementa. Só mandei dizer que ele é que trazia o almoço. Fiz mal?
- Ele é que.....Olhe, Fedúncia. Agora não posso, mas depois eu escrevo-lhe o mail. Sim?
- Faz-me isso, faz? Ah grande amigona. Já ganhei o dia!!Assim sempre posso escolher a ementa com mais calma  e a dona Lagarta pode dar-me umas ideias. Ele vai gostar de certeza. E não lhe vai ficar muito caro.Até...
-Fedúncia. Até logo. Ciao.

quinta-feira, 14 de março de 2013

A criança

- Ó senhor Agapito! Quem é esse menino tão lindo? Quem é?
- É lindo, não é? É meu afilhado, sabe? Filho da Joaquina ali da mercearia.
- Ah, sim? Olá meu lindo. Estás bom?
-.......
- Pois. Então e porque é que o tem cá hoje?
- Porque, coitadito, veja lá, mandaram-no embora da escola e a Mãe não podia ficar com ele. Vai daí ofereci-me. Faz-me companhia e jogamos uns joguitos e tal.
- Olhe que bom, vê? Mas diga-me, porque é que ele veio para casa? Alguma doença, diarreia, coisa assim melindrosa? Palpitações?
- Não, não. Veja lá que o menino, coitadito, deu uma murraça na professora e sem mais aquelas, mandaram-no para casa.
- Não me diga! Só por dar uma murraça na professora? Isto realmente!
- É o que está a ver. E quase nem lhe tocou. Só lhe partiu 2 dentes. Só dois, veja lá. Ainda faltavam trinta e tal. E o empurrão que lhe deu também não foi coisa demais, ela só caiu para cima da mesa e esmurrou o nariz e até nem deitou sangue. Depois caiu no chão, mas mais nada. Nada. Só partiu a cabeça. Mas, valha-me Deus, só um rachozito de nada, parece que só levou vinte pontos. Portanto, tá a ver. Isto anda tudo maluco. Coitadinho do Felismino. Não é, meu lindo? Ora diz lá boa tarde à senhora, diz.
-.................
- Pois. Deixe estar, senhor Agapito. A criança deve estar combalida, deixe lá. Então porque é que tudo isso se passou? Como é que ele, enfim, se exaltou?
- Nem me fale. Uma boa estaferma aquela professora, sabe? Veja lá que o Felismino, tadito, estava só a ouvir música na aula e nem sequer estava cantar muito alto. Pois aquela fulana teve o descaramento absolutamente descarado de o mandar parar a música. Agora a senhora veja, então como é que o Felismino se podia concentrar com ela para ali blá, blá, blá, a falar de coisas que ele não sabe nem quer saber? Olhe que realmente! Não acha?
- Eu estou pasmada, homem. Pasmada.Ela queria o quê? Que a criança tivesse com atenção, queria? Valha-me Deus. Só visto!
- Só visto mesmo, dona Lagarta. Só visto e ouvido.O que vale é que ela já foi internada e parece que vai demorar uns tempos a recompôr-se da murraça e do empurrãozito. gente fraca, sabe? Agora fica-me a criança sem aulas, já viu?
- Pois já vi, já. E ele veio para casa porquê? De castigo?
- Não, dona Lagarta. Acabou-se-lhe a carga do telemóvel. Como é que podia ouvir música nas outras aulas, diga-me? Sim, porque lá na escola, diga-se a verdade, foram muito prestáveis, até disseram que por eles, ele até ficava já em casa, mas que estivesse descansado porque não podiam fazer nada contra ele a não ser recomendar um psicólogo ou lá o que é. Já viu? Um psicólogo. De borla! Simpáticos, são ou não são?
- Muito, senhor Agapito, muito. E já agora, que idade tem o Felismino?
- Só quinze anitos. É uma criança.
- Pois é. Isto não se faz. Não deixar agora um menino ouvir musica nas aulas. Assim não se desenvolve, valha-me Deus.
- Pois não. E ele até está meio nhurrito, mas é da idade, sabe?
- Sei, sei. Bem, senhor Agapito, prazer em vê-lo. Vou indo, sim?
- Eu também. Até à próxima. Vou só lá acima com a criança carregar o telefone. Tchauzinho.

Espero que ele não tenha ouvido o berro que eu dei mal entrei em casa. Não deve ter ouvido. Foi na cozinha para dentro da chaminé.

terça-feira, 12 de março de 2013

1,5 milhões

Bem...quando eu, moi je, com estes olhinhos meus, vejo escrito por - pasme-se! - Pacheco Pereira que "a comunicação social, que entrou em comício durante o sábado, deu cobertura a estes números absurdos de manifestantes, que só servem para desprestigiar a inciativa", eu fico mais sossegada, porque ás vezes chego a pensar que sou eu que tenho a mania de ver para além do que me impingem. Claro que ele se refere à manifestação do 2 de Março e ao "absurdo" dos números que sairam cá para fora pela boca daqueles "jornalistas", bem como à sua atitude inqualificável, que me tinha deixado de cabelos em pé! E claro que tudo isto não tira importância nenhuma a essa manifestação, mas fragiliza-a. Concordo.
Mas há mais. Nessa mesma revista, sob o título "O que são 1,5 milhões", li um artigo que me deixou completamente de cara à banda. Sobretudo porque não tinha pensado nisso. 1,5 milhões de pessoas corresponde a um sétimo da população portuguesa. Como seria realmente possível que àquela hora um sétimo da população portuguesa tivesse saído à rua contra a troika? Nem pensei nisso. Comi o que me deram. Felizmente que ainda vai havendo quem questione as coisas, porque chegar-se à conclusão que em Lisboa, por exemplo, dificilmente o número de pessoas terá chegado às 100 mil, é obra!
Volto a repetir que não menosprezo essa manifestação. Claro que não. Mas tenho um sonho. Que um dia, nem que seja por um dia, as pessoas sejam honestas. Só têm a ganhar, podem crer.

domingo, 10 de março de 2013

Hello! Is anybody there?

Esta história do mundo virtual é uma grande história! Qualquer páginazita que eu consulte, pumba, lá está um anúncio, ou um convite, ou um evento, ou um rabo, ou uma dentadura, ou um carralhão, ou uma mota, ou uma loja, ou uma porcaria duma fulana com oitenta anos que, rais a partam, parece mais nova do que eu, ou um fulano a picar-me o olho, ou um restaurante, ou um telemóvel que já ganhei não sei como, ou uma maneira de perder trinta quilos sem morrer,.. eu sei lá! É que até chateia! É certo que já acabaram com as moscas e as baratas no Facebook, mas continuo a dividir a minha página com pessoas que não conheço e não convidei e a ganhar prémios comó caraças! Livra, ao menos podiam pedir-me "Dá-me licença que faça parte da sua página? É só um bocadito", mas não pedem, entram por ali adentro e eu que os aguente. Mas enfim, já sabia que era assim, não ganho nada em barafustar. Agora, quando vou ao Google consultar uma triste de uma página, um simples dicionário, por exemplo, apanhar com a publicidade das novelas da Sic ou da TVI já é obra! Estão por todo o lado, parecem uma praga!
 Mas há outra coisa que me incomoda neste mundo virtual. Sabem qual é? Precisamente o facto de ser virtual. E refiro-me a mails, a faces e a blogues. A certa altura sinto um frio no estômago quando vejo pessoas a pedirem que náo lhes mandem mais pedidos ou fotos ou convites ou publicações disto e daquilo e aí sim, penso para mim: o que será que as pessoas pensam quando abrem o mail ou o Face? Já pensaram nisso? Até porque da maioria se recebe o silêncio por resposta e uma pessoa fica sempre na dúvida se nos mandaram dar uma volta ou se acharam piada ou se gostaram, apoiam, concordam, rejeitam, aceitam...Olhem que realmente este mundo virtual é muito estranho1 Muito virtual mesmo! Tão virtual como eu estar para aqui a escrever estas baboseiras e ficar sem saber se são baboseiras ou não. Claro que quem escreve num jornal, por exemplo, já está habituado a não ter feedback, já não reclama, entre aspas. Mas eu não estava habituada e ainda não consegui engolir direito este face-to-face virtual. No fundo, no fundo, até acho piada. Antigamente escreviam-se cartas e também náo viamos a cara das pessoas quando a recebiam. E telefone, aqui há uns anos, só o da casa e era um pau. Mas a diferença está em que nos escreviam de volta ou, se não o faziam, nós perguntavamos logo: Então? Recebeste a minha carta? Não respondeste! Que se passa?". Ou telefonavamos.. Hoje não. Admitimos que a pessoa suma. Se evapore. É só carregar no "mouse" e click, que se lixe.
Mas tenho a sensação que isto é coisa de cota. A malta nova com quem lido, desde muito novos que falam para a parede. Mas lidam perfeitamente com isso. Será defeito meu.

sábado, 9 de março de 2013

Bactérias, vermes e outros condimentos

Bem. Estou que nem posso! Andava eu preocupada com as facturas e não sei quê. Quais facturas, qual carapuça! Eu passo é a pedir a certidão de nascimento da vaca, porco, galinha, perú, sardinha, carapau, cherne, ..que compro! Na não! Então, ando eu aqui a comer um belíssimo hamburguer de vaca que afinal de vaca só tem o nome porque devia era chamar-se hamburguer de bactérias ou hamburguerbacterio ou, como diria o outro, um burguerbacterium porque em latim não choca tanto e sempre se adoece de forma mais fina e os médicos que nunca tiveram latim até julgam que é uma doença nova e enquanto consultam o Google vou parar aos anjinhos que se devem estar a rir às gargalhadas porque eles tiveram latim e sabem que se trata duma porcariorum que andamos a comer? Valha-me Santa Ingrácia! Uma sardinhita com um vermezito chamado Anisakis? E dizem que se vê a olho nu e tem o aspecto duma fina minhoca?? Tenho que ir mudar de óculos! Urgentemente! Eu quero ver o Anisakis, bolas! E nos peixes maiores, também "frescos", encontraram arsénio, um metal mesado classificado como cancerígeno? Na minha dourada linda que como uma vez por semana? Acudam!! E já nem se pode confiar num triste dum açafrão que afinal não é açafrão e num triste dum queijo de ovelha ou de cabra que afinal tem por lá leite de vaca até dizer chega?' Já chego a duvidar das tetas da vaca. Mostra lá as tetas, pá! E a minha alheirinha de caça? Ai ó valha-me Deus! Anda aqui uma triste a dizer "Alheira de faisão. Hum. Muito bom. Comam" e sai-lhe frango?? E o javali é carne de porco??E o bacalhau - Ah, ingrato! - não é bacalhau? É peixe-caracol? Como? Nunca ouviram falar? Não admira, parece que é um peixe estranhissimo que se pesca na China!! Realmente às vezes o bacalhau parecia-me achinesado mas julguei que era assim porque ficava danado de o salgarem e de o porem ao sol, sem protecção nem nada! E o patê? "Quer um patêzinho de pato para pôr nas tostas?". "Quero, quero". Burra. Ai Senhor, que burra. Se de pato não tinha nada, o que é que eu comi? Cisne? Avestruz? O papagaio da vizinha?
Realmente os vestígios de carne de cavalo nas almôndegas, nas lasanhas e canelonis e o diabo a quatro, agora até já me parecem de pouco valor. ´" A vaca tem cavalo?". "Tem sim". "Está bem". Sempre é melhor do que perguntar "O carapau tem bactérias? Tem sim". "Quantas? "Milhões". "Ah, pronto, então quero".
Eu digo-vos. Estou a ficar sem fome. E sem vontade de comer. É o que eu digo. Certidão de nascimento, amostra de DNA, Pedigree, sei lá, vou passar a pedir isto tudo!!
Seria de riso se não fosse tão dramático!! O que é que andamos a comer??

quinta-feira, 7 de março de 2013

Portuguese nightmares-T2- Ep 10

Deixou de ter piada. Como está sempre a chover, qual é a piada de dizer "Vai ver se chove?". Nenhuma. Ora isto dificulta o trabalho duma triste que quer gozar com a língua de Camões. Quer dizer, gozar, não. Mas é que realmente há expressões de partir a rir. Ainda há pouco ouvi dizer "Vou rápido. Corto caminho e chego lá num instante". Pois. Corta caminho. Com quê? Uma tesourita? Não é um pagode? E quando queremos dizer que estão a falar mal de nós ou de alguém? "Olha que te estão a cortar na casaca!". Eu gosto é do pormenor da casaca. Não é casaco, é casaca. Mais fino. Ai, valha-te Deus, Afonso! Sempre tiveste a mania das grandezas! Mas só a mania, infelizmente! Porque logo a seguir dizes-me que "Não me posso dar ao luxo" de fazer ou ter qualquer coisa! Achas bem? Que não me posso dar ao luxo de nada, sei eu e sabe toda a gente. Escusavas é de nos obrigar a relembrar isso quase todos os dias. Não tens vergonha na cara! Não tens mesmo. Já viste? Vergonha na cara. Homessa! Então e podes ter vergonha aonde, hein? No rabo? Na cabeça? É tudo aos pingos, homem. Tu valha-me Deus. E já agora, que é isso de "dar a cara" quando queres dizer que não nos importamos que saibam que fomos nós? Que é isso? Agora sou eu que te digo: hoje em dia não se dá nada a ninguém. Óbiste? A cara! Olha que tu. Nem sequer o nariz! Até porque não podemos "meter o nariz" onde não somos chamados! Lembras? Ai, lembras? E podes-me dizer como é que eu meto o nariz numa coisa que nem sei qual é e ainda por cima para a qual não fui chamada? Não percebo bóia. Mesmo que me chamem, meto o nariz onde, onde, dizes-me?? Malandro, hein?
Olha: vai ver se chove.

Como???'

Anda-me a fazer confusão o "apelo" às armas que andam por aí. Confusão porque penso assim: mas esta gente está pura da cabeça?? Armas? Sabem o que são armas? Daquelas que matam? É isso? É isso que querem? E por acaso já passaram por isso? Eu já. E não desejo passar pelo mesmo. Já soube o que era recolher obrigatório, já soube o que foi revistarem-me o carro e atirarem-me com tudo, mas tudo, do bébé que levava no carro, para o chão, inclusivé o leite! Já me deitei no chão da sala com medo de levar com alguma bala perdida da rua! A tapar o bébé!!Mas estão a brincar ou quê?
Alguma malta nova precisava mesmo mesmo de saber o que era isso. Só estão mas é no bem-bom, só têm facilidades e querem que tudo lhes venha parar às mãos!! Lutem mas é com as armas que têm à mão e na mão! Falem, berrem, gritem! Cantem! E trabalhem! Ou antigamente também se arranjava trabalho do pé para a mão? Imbecis ignorantes. Armas? Eu não quero isso para o meu País! Seja com que governo fôr. Quero paz. Paz. É o que tem havido e alguns não merecem!
Depois não digam que não avisei. Vão ver se gostam! Continuem.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Pergunte-me "como?"

Só eu. Hoje foi a vez do Agapito me vir chatear a móina. Parece que tenho mel, livra! Veio para aí com uma conversa que só vos digo. Que tinha pensado, pensado (coisa rara..) e que tinha descoberto como ganhar um dinheirto extra (extra não sei como, não trabalha, mas está bem, enfim).
"Ó dona Lagarta, a senhora empresta-me o seu computador para eu ganhar um dinheirito extra, empresta? Olhe que até podemos vir a ser sócios!".
"Senhor Agapito. O computador até posso emprestar, mas não sai daqui".
"Ó minha rica senhora, não me importo nada, até já vou buscar o cãozito, faço já a mudança, jázinho!".
"Ò homem, você está puro da tola? Eu disse que não sai daqui é o computador!" ( quer-se dizer, se ele me pusesse uma coisita redonda em ouro no dedito, até que podia cá ficar, ...).
" Ah, pronto. Percebi mal, não é? logo vi que era areia a mais!".
" Cale-se lá, homem. Afinal o que é que quer? Despache-se. ".
"Eu queria pôr um anúncio nessa coisa dos Face. O outro dia estava sentado ali ao pé do Manel das Arrudas, com quem costumo tomar café e que naquele dia tinha levado o computador dele e até fiquei vesgo com o que vi, dona lagarta!".
 "Ah ficou? não admira. Já é  meio vesgo da tola, só lhe faltava dos olhos! Bem, adiante. Então porque é que ficou meio vesgo?"
 " Porque vi ali uma janela de oportunidade, uma janelona, diria mesmo! Sem mais nem menos apareciam ali anúncios e anúncios e até falavam connosco e tudo. Queres viajar? Queres ser chefe? Queres uns sapatos de marca? Queres ir ao Egipto? Á Tailândia? A Badajoz? Eu sei lá! Nem tinha tempo de responder, lá estava já outro! Aquilo é uma janela, dona Lagarta! Uma varanda!"
" Uma varanda? Olhe que você tem cada uma!"
"Ainda não tenho mas vou ter!! Quer dizer...cada uma...o quê?"
" Cada tirada, homem, cada parvoeira! Bolas! Mas deixe lá isso. Afinal onde está a tal varanda?"
" Ui, nem queira saber o que se me passou por aqui por esta cabeça! Então se eu puser lá um anúncio meu, também toda a gente vê, certo?"
"Certo"
" Então vou pôr. Até trago já escrito aqui neste papelito. É só a senhora pô-lo lá, se fazia o favor!"
" Eu? Não sei lá pôr isso, homem. Tem de ir ter com a Fedúncia. Ela é que percebe das netes. Eu só vejo mails. E pouco mais. Mas  que anúncio é que lá ia pôr?"
" É fácil de ver. Olhe o que eu escrevi aqui. Veja se não é genial. "Quer põr aqui um anúncio? Pergunte-me como". Agapito e tal e telefone e já está. Que tal?"
"Que tal? Você é doido? Então se não sabe pôr lá um anúncio, como é que quer ensinar a alguém a pôr lá o que nem você sabe pôr? Como?"
" Fácil. As pessoas telefonam e eu digo : "Como?" e já está! IHIHIH. Se eu lá ponho "Pergunte-me como", não estou a mentir. E entretanto, pumba, tlim tlim no bolso, da chamadita.É uma mina! Uma mina!"
" Pois deve ser, deve e você ficou lá soterrado e faltou-lhe o oxigénico e já toldou das ideias!"
" Ah quando tiver uma grande casa e uma varandona, ponho lá um toldo, ponho, ponho!"
" Senhor Agapito. Please. Vá andando, sim? Vá ter com a Fedúncia, e etc, porque eu já ouvi o suficiente, sim?
" Está bem. Faço-lhe o please. Mas vai-se arrepender, ai vai, vai. isto era uma mina!
" Com certeza. Era, era. Então não era? Chauzinho".

Pifou, o triste.

Cambada

Em má hora carreguei no "Gostei" da TVI, no Facebook. Ninguém me mandou. Podia continuar a ir ver a página sem lá pôr nada. Fui burra. Agora sou inundada por publicações constantes daqueles Palermas de barriga cheia. É raro ver a TVI, chateia-me a falta de isenção daqueles pseudo-jornalistas, fico sempre agoniada de raiva. Mas nunca pensei, mesmo assim, que chegassem ao ponto miserável a que chegaram. Se há estação que ofende os portugueses com uma enorme e gritante folga de eurinhos nos bolsos, é aquela. E depois vêm-se para ali armar com o maior dos descaramentos! Mas deixem estar que a SIC não lhes está a ficar atrás. é tudo uma cambada. Tudo ao osso que lhe atirarem na altura. A preparar o terreno para não ficar sem tacho. Então, tacho por tacho, prefiro o Ramsay.

terça-feira, 5 de março de 2013

Não basta ser ladrão

Chegou precisamente à mesma hora, com os mesmíssimos presentes, e a maçar do mesmo modo.
Dª Purificação tinha uma carta para lhe entregar, mas tinha também que depenar uma galinha para o jantar, que isto de ser dona de uma pensão não é brincadeira nenhuma. Ainda para mais estava sózinha. Faltara a cozinheira, que tinha ido ao casamento de uma irmã. E também não estava a ajudante, que tinha ido comprar canela para o leite creme, mais uma fruta e umas nozes.
-"Chegou a falar com a sua filha, como me prometeu, Dª Purificação?"
Aí estava ele, a bater no mesmo, apaixonadíssimo, obcecado, à espera de saber o que ela dissera, se o queria ou não. Como sempre, entregou-lhe um pacotinho de bombons. "Coma, Dª Purificação, coma! Eu sei que gosta muito!".
Dª Purificação gostava realmente muito, era muito gulosa, tinha esse defeito. Tirou o papelinho a um, meteu-o na boca, e foi pondo o avental, que tinha de ir depenar a galinha sem demoras.
-"Falou-lhe, Dª Purificação? Transmitiu-lhe tudo o que eu disse? Para ganhar o amor dela até nem me importava de ser ladrão!"
Dª Purificação demorou a chupar o bombom, que isto de se transmitir uma recusa tinha as suas dificuldades e ela não queria magoá-lo, coitado do sujeito, assim tão apaixonado, que às vezes até fazia dó!
-"Falei sim senhor, eu falei!"- acabou por dizer, sem rodeios, que o melhor era perder os acanhamentos, despachar o recado e pronto. "Até tenho aqui uma carta para lhe entregar...".
Tinha uma carta no bolso do avental, com duas a quatro palavras, quem diz estas diz pouco mais; conhecia bem as intenções da filha, que não gramava, que o mandava passear.
Levou tempo a entregar-lha. Tinha mesmo pena do sujeito. Um hóspede tão amável, que lhe dava bons presentes, que se desfazia em atenções, bem gostaria que a filha o gramasse, mas ela não ia nisso, ria-se dele à sucapa, chamava-lhe nomes feios, uma autêntica negação. Dª Purificação pedira-lhe que ao menos não o ofendesse muito, que escrevesse com cuidado, com moderação e tinha pelo menos essa confiança.
"Aqui tem a carta...". Ele pegou nela com as pontas dos dedos, mirou-a com um carinho transbordante e foi vê-la no silêncio do quarto, talvez sonhando com páginas cheias de arrebatamento.
Dª Purificação começou a depenar a galinha num ritmo acelerado, aflita por dentro, a tremer e a suar, que não sabia até se o homem não se iria sentir mal. Mas ele apareceu em seguida e não vinha mal disposto. Tinha até um sorriso animado, saltitava de mãos nos bolsos, e oferecia-se para ajudar a depenar a galinha. Da carta não dizia nada e Dª Purificação já não sabia o que pensar. Mas também não queria pensar muito, o melhor era fazer perguntas, que não dava trabalho nenhum, e foi exctamente o que fez.
-"Agradou-lhe a carta, pelos vistos??"- ensaiou interessada.
-"Não foi uma festa, não foi!" - respondeu ele a coçar a cabeça." Mas também não a considero uma recusa ou uma desilusão. Eu vou ler-lhe umas palavras".
Tirou do bolso a folha de papel e leu pausadamente: "Agradeço querer até fazer-se ladrão por minha causa. Mas sabe? é que não basta ser ladrão..."
Dª Purificação engoliu em seco; ela sabia o que isso queria dizer. Mas ele não. Ele ficou enternecido, compreendeu de outra maneira.
-"Terei que ser mais que ladrão"- confessou - "agora só tenho é que pensar: além de ladrão, o quê mais?? É assunto para rever, com muito cuidado e atenção!"

segunda-feira, 4 de março de 2013

Março malandro

Ó seu mentiroso! Seu Março duma figa! Com que então "Março marçagão: de manhã cara de cão, ao meio dia de rainha e à noite fuinha"? Uma ova! Ainda não vi nada disso! Tens mais 24 dias para provares que o provérbio está certo, ouviste? Mas também olha que...onde já se viu "cara de cão"? Cara de cão com fome, com raiva, com mimnho, qual, qual? Homessa! E não me venhas cá com essa de "cara de rainha," pá! A pobre da Isabel está no hospital, com uma gastroenterite, achas que a cara dela é toda sorrisos, e nhã nhãs?' Achas? Espero que fique boa, é? "Olhe, ponha aí uma cara de Rainha!". E se for a Letícia? Essa parece que está sempre mal dos figados! Livra! Tem cara de fuinha mesmo. Por isso nem preciso de esperar pela noite para saber o que é cara de fuinha. Só mentirosices. E já agora, ó senhor Março, o que é essa de "Março virado do rabo é pior do que o diabo"? Mas tu julgas que vou agora a andar a olhar para o teu rabo, julgas? Na não, não sou uma ranhosa qualquer e também prefiro não conhecer o diabo para saber se és pior do que ele. Deixa-o lá estar sossegadiho, já há por aí muita malta a fazer de diabo. Mais um? Já chega! E não me venhas também dizer que " Em Março tanto durmo como faço" porque vocemecê não manda em mim, se me apetecer, só durmo, óbiste? Não faço nada. Toma! Mas confesso-te que fiquei preocupada com aquela do "Páscoa em Março, ou fome ou mortaço"! Pelo sim, pelo não, vou já comprar um cabritito e umas amêndoas. Fica o mortaço para ti. Ofereço-te. Ñão sei quando to vou entregar porque como "Em Março chove cada dia um pedaço", não sei quando me apetecerá fazer-te uma visita. Sim, porque tu és malandro. Malandreco mesmo. Primeiro dizes esta e depois é só fofuras, só miminhos, né? "Março amoroso faz o ano formoso". Não vejo nada. Despacha-te, hein? Queremos ver esse teu lado amoroso, como tu dizes. Dava jeito ter o ano formoso, sabes? Andam por aqui nuvens para caramba! Anda lá, deixa-te de politiquices e fala verdade. Ao menos tu! Pá!

( curiosidade: há, pelo menos, 29 provérbios sobre Março)

Palhaçada

Ando cá com uma nervoseta que nem queiram saber. Não gosto, nunca gostei, de ir na onda, de não ter voz própria. E detesto sentir que, ou penso como a maioria das pessoas, ou levo na cabeça. Sou mal vista. Provavelmente apelidada de vários nomes . Provavelmente, não. Sou mesmo. Mas estou-me nas tintas. Já não tenho saco para Relvas e afins. Já vomito Victores e Vitinhos e Grândolas. Já não suporto piadas ao Sócrates e à Troika. O problema é que ouço dizer o mesmo a muita gente, mas sinto no ar um autêntico medo de o dizer. É que não me faltava mesmo mais nada! Já aqui disse que acho que este governo está a fazer coisas muito boas e coisas muito más. Sofro na pele porque sou reformada e sinto-me roubada. Preto no branco. Mas também acho que o governo anterior não fez tudo mal, não foi um descalabro, apesar de nos ter metido num buraco donde não sei quando saimos. E aqui está o problema. É que não tenho memória curta e não gosto que me façam de parva. Por outro lado, só se for burra é que não quero que "se lixe a Troika", mas pergunto sempre:  e quem me paga? Há dinheiro? Ainda não obtive resposta. Só "achos que". Só palavreado translúcido e desmiolado. Cmo detesto cada vez mais os políticos e a politica, tanto me faz este ou aquele. São todos iguais. Quero é que me paguem. A mim e aos restantes funcionários publicos, porque não houver dinheiro para esses quero ver, quero.
Por outro lado, revolta-me cada vez mais a hipocrisia reinante nos meios de comunicação. As reportagens feitas na ultima manifestação foram o cúmulo. Mais pareciam manifestantes do que "jornalistas"! É isso que aprendem ou é isso que lhes dá jeito? Nunca se sabe quem vem atrás, não é? E convém manter os "carritos", perdão, andam todos de bicicleta. Bastava ter ido assistir à gala de suas excelências da TVI ! Que solidariedade para com a pobreza!
Que tempo este! Que falta de valores! Que falta de dignidade! Sete cães a um osso, é o que é. É tão mau ser politico e viver da politica que ninguém quer! Até aquele senhor que escreve cartas me começa a meter nervos. Apareceu agora. Deseja tudo e mais alguma coisa. Cara de pau. Onde andou ele para impedir este descalabro? Cheira-lhe a poder. Pudera. Não haverá por aí um palhaço que faça as vezes desta gente toda? Voto nele.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Espiral recessiva de trombas

Isto assim não pode ser! Não pode, pronto. Sou contra. Ninguém devia estar contente por trabalhar. Que é lá isso de eu ir a algum lado e ser recebida com um sorriso? "Olá, está boazinha? Muito gosto em vê-la!". Mas qué isto? Primeiro: boazinha??? Porque não "boa"? É por ser pequenina, é? E se eu não estiver boazinha nem boa? É uma ratoeira, de certeza. Devia era dizer "Olá, tudo mal?", sempre podia responder "Tudo" e acabava-se ali a bisbilhotice. E depois, olha questa! Muito gosto em vê-la. "Muito gosto" não é "muito muito gosto" em vê-la, é um gosto pequeno, não é assim um gostão! E devia ser. Mas também pode ser outra ratoeira. Pode querer dizer muito gosto em vê-la daqui para fora, é só uma questão de tempo, de certeza... se eu ficasse mais um bocadinho, quem sabe?!. Ora isto tudo evitava-se se ninguém nos cumprimentasse,  ou dissesse antes "Que é que queres, pá? Andas às compras? Andas? E eu a trabalhar, né?". Assim é que era. Devia estar tudo mal disposto por ter trabalho, até porque há muita gente sem trabalho, infelizmente, e estes desgraçados que têm trabalho não deviam ter, por solidariedade. É uma chatice. Trabalham. Ganham dinheiro. Onde já se viu? Por isso eu digo que devia ser proibido ainda haver quem goste de trabalhar. Só à bofetada! " Ai, ao menos tenho emprego!". Pumba! Lambada! Mas a culpa não é deles, não é não. É de quem inventou essa coisa do trabalho para ganhar dinhiero, muito ou pouco. Não havia cá trabalho para ninguém. Ou então só iam trabalhar quando precisassem de trabalhar, mas enquanto não precisassem de trabalhar, só ganhavam dinheiro. Há por aí alguns assim. De qualquer modo, sou absolutamente contra o arreganharem-me os dentes seja onde for. Trombas. Apenas trombas. Uma espiral recessiva de trombas. Era assim. Ao menos eu sabia com o que contava. E não tinha que assistir a poucas vergonhas como a que se passou comigo o outro dia em Balouço, ao pé da fronteira com Badajoz. "Bom dia! Deseja alguma coisa?". E a menina arreganhou a tacha. Olhem, veio logo o encarregado e disse para mim : " A senhora desculpe a delicadeza, sim? esta funcionária é muito delicada. Desculpe o incómodo". E logo a seguir: "Ó Melinda! Rua! Não se recebe assim um cliente! Sua bem educadona!". Eu bem que a defendi,  mas o homem foi inflexível. O que vale é que foi muito educado logo a seguir. "Deseja alguma coisa ou só quer ver?", isto com umas trombas do caraças. Ah, assim, sim.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Multas

Hoje vou falar de multas. Ou melhor, da falta de multas. Há muitas multas, lá isso há, mas algumas ainda não foram inventadas e deviam ter sido. Aliás, a malta devia até ser consultada sobre isso. "Olhe, que multas é que acha que faltam?". E aí a gente sempre se podia pronunciar, nem que fosse para dizer "Vá-se lixar". Mas não, não perguntam nada. É uma coisa que me transtorna. Olha eu, por exemplo, se me perguntassem sobre as multas que faltam inventar, já tinha uma debaixo da língua, salvo seja, claro. Eu acho que devia haver uma multa para peões atravessantes nas passadeiras. Multa por desexcessiva velocidade. Eu explico. Há pessoas que atravessam as passadeiras a 1dcm por hora e a gente fica ali à espera, à espera, é uma ralação. Ás vezes até parece que fazem de propósito! "Para aí, filho, calminha, eu vou a pé e tu vais aí de rabinho sentado, na maior, a ouvir uma musiquinha, a laurear a pevide, por isso aguenta, que eu já passo". Já apanhei muitos assim e já me deu vontade de sair do carro, pegar na pessoa ao colo e colocá-la no passeio com grandes cumprimentos. O outro dia, um até teve o desplante de parar a meio a falar ao telemóvel e quando ouviu uma buzinadela - juro que foi só um toquetito com os dedos, a medo - ainda ouvi "O que é? Estou na passadeira! Tens pressa ou quê?". Tinha. E apeteceu-me responder-lhe ao "ou quê" com uma qualquer palavrita menos própria, mas ainda podia levar na cara e calei-me. Esperei calmamente a ferver por dentro que sua excelência se resolvesse a transitar para o outro lado, quando acabou a conversa. Ora, como vêem, falta uma multa. Devia ser posto um sinal nas passadeiras. " Proibido circular a menos de 2 passos por segundo". E até punham umas marcações no chão e tudo. Ao fim dum segundo os pés já deviam estar naquele traço senão, pumba, multa. Toma. Mas para conseguir isso, e como o civismo é coisa que não abunda e alguns nem sabem o que quer dizer, o melhor era haver aulas para peões crónicos. Daqueles que andam sempre a pé, não é daqueles que de vez em quando andam de rabo sentado porque esses compreendem melhor as trombas do condutor que até tem tempo para tirar cera dos ouvidos enquanto espera. Essas aulas eram muito boas, muito úteis e até concordo que aprendessem também alguns palavrões e alguns gestos, tipo " Já vai", " O que foi, hein?" ou " Então?" ou um olhar desmoralizante, ou um sobrolho franzido, sei lá, qualquer coisa mais educadita. Mas isto leva-me a outra multa que eu acho que também faz falta. A multa para o condutor de trás. Ele apita e a gente é que ouve.logo, faz falta outro sinal nas passadeiras. " Proibido o apito a condutores de 2ª". Eu sei que era chato, diziam logo, tréu, téu, porque é que nem aqui há igualdade, tréu, téu, mas evitava-se muita poluição sonora. E verbal. Certo? Ah, mas ainda há outra multa severa que não existe. É para o peão brincalhão. Aquele que está junto à passadeira, a gente pára, espera...e o tipo vai-se embora! Dá-me cá uns nervios!! Deviam trazer um cartaz a dizer "pode passar, não sou peão atravessante, sou só peão". Aí nós diziamos "Ah" e seguiamos. Devia lá estar outro letreiro: "Passadeira só para peões que atravessem a passadeira". Ou "Proibido não atravessar". Mas não, não há nada disso. Conclusão: o melhor é parar sempre. Roer as unhas nunca fez mal a ninguém.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Mistura de carnes

"O quê? Você vem-me maçar por causa da carne de cavalo em Portugal, mulher?"
" Ó Feduncia. Pense bem. Você já viu que temos andado a comer gato por lebre? Já viu bem?"
" Mau. Decida-se. Veio falar comigo por causa do cavalo ou do gato? Já não entendo! E a lebre está aí a fazer o quê?"
" Chata. Não é nada disso. Eu quero dizer que temos andado é a comer cavalo e afinal era vaca, percebe?"
" Ouça, ó Lagarta. Você actualize aí os neurónios, tá? Agora confunde-me vaca com boi?"
" Ou isso! Em vez de cavalo é boi".
" E depois? Está admirada? Eu não. Há muito tempo que vejo por aí muito cavalo a fazer de boi. Ou muito boi a fazer de cavalo, se preferir. Até entram em concursos e tudo. O problema é quando a gente julga que é boi e sai vaca. Aí sim é que está o busilis, aí..."
" Busilis? Ai essa não ouvi. É o quê? Boi com bilis ou algum espécime novo?"
" Você hoje está nhurra. O que eu quero dizer é que há uma perseguição indecente, diria mesmo, indecentíssima, aos cavalos. Eu sei que com as vacas não é preciso tanto queixume, são mais fáceis de distinguir. "Olhe ali uma vaca". E você olha logo para a  vaca porque já sabe que é uma vaca, tem tetas e tudo. Agora com os cavalos e os bois é mais dificil. "Olhe, um cavalo!". "Onde?" Tá a ver. Não é logo às primeiras até porque não se vai agora a andar para certos sítios menos próprios a medir o tamanho do..do..apêndice. Percebe? Além disso, acho isto tudo muito machista. Muito mesmo! Só se preocupam com os cavalos e bois. Então e as vacas? Não têm direito a serem examinadas, não? Daqui a pouco até já nem sei se estou a beber leite de vaca ou de boi, pelo andar da carruagem ainda sobra para o cavalo. Mas como os cavalos não dão leite, sei lá donde veio o leite, o melhor é começar a beber chá. "
" Já se calou, já? Posso falar?"
" Pode. Se lhe apetece, avance."
" Pois eu acho que você não está a ligar nenhuma a uma coisa bem grave, percebe? Bem grave! Então andamos aqui a comprar carne cem por cento de bovino e sai-nos uma misturaça do caramba? Até porco já encontraram!"
" Não admira! Adimira-se porquê? Não há por aí tanto porco? Fazer o quê? Mistura-se com os conterrâneos ou idênticos ou afins ou lá o que é. Os porcos até têm um rabo mais pequeno e encaracolado, são bem melhores para feijoada, olha quessa! Mas vê? Lá estamos outra vez. Os porcos, os porcos. Então e as porcas? Nada? Não podem dar um gostinho ao cavalo e ao boi, não? Sempre teria menos colesterol, homessa! Têm pouca gordura e quando têm, tiram-na. Põe-se só a febra. Só a febra"
" E pronto. Agora vem-me com febras. O que é que isso me interessa?"
" Interessa e muito! Já a minha tia Sacrista dizia" Olha que vaca leiteira!" e agora já só diz "Olha que vaca! Será boi? ". Já não há decência. E com as febras a mesma coisa. "Dê-me aí umas febras", "Concerteza. Quer de boi ou cavalo?" Está a ver? É uma maldição. Já não se sabe o que se põe numa feijoadita, gaita! E as almôndegas? Nem lhe digo! Dizem que podem ter salmonelas, já viu? Agora até o peixe se mete com a carne. E são logo salmonelas, aquelas doidas. Podia ser uma faneca ou coisa assim, mas não, tem logo que ser à grande! Salmonela! Onde já se viu?"
" Olhe, viu-se na carne picada, Fedúncia, sabe bem que foi na carne picada!"
" Picada..... pois pois, amassada é o que é! Tudo ali ao molhe, na máquina, tudo moidinho junto...Olhe, sabe uma coisa? Afinal concordo consigo, Lagarta! Afinal até fico preocupada. Já só vou comer frango e perú e o caraças."
" Tem a certeza que não é pomba e avestruz? Olhe que..."

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Contr. Ext. Solid. (??)

Nem tudo está a ser feito mal, nem tudo está bem, tal como nem tudo estava a ser mal feito antes e nem tudo estava bem. Procuro ao máximo não ter uma visão curta do que passa, sempre fui assim. Ensinaram-me a ser assim e gosto de ser assim. Daí que deteste as pessoas que só vêem para um lado, que encontram sempre, sempre, defeito em tudo e em todos. Está no Governo? É mau. Ponto final. Seja qual for o Governo. Há tanta gente assim. Mas assim não se vai a lado nenhum, é a minha opinião.
Muita coisa está a ser feita que está bem feita. Mas mexer em lobbies é terrível e apercebemo-nos bem de que o polvo tem imensos tentáculos, imensos. Talvez por isso me continue a interrogar como é possível estar a contribuir com o meu dinheirinho para as PPPs de má memória e nada ser feito, praticamente nada. Que interesses se movem ali? O que está por detrás daquele misterioso mundo? o que leva a que nada avance?
Agora, das coisas que mais me revolta neste momento não são os Relvas e afins. É a insultuosa, descabida, maquiavélica, ingrata, estúpida taxa de solidariedade que os reformados como eu têm de pagar. Solidariedade com quem? E porquê? Trabalhei uma vida sem solidariedade de ninguém. Paguei os meus descontos para a Caixa Geral de Aposentações. Como é possível alguém ter o desplante de me roubar o dinheiro que lá pus? É que aqui não vejo outro nome. Dei o meu dinheiro todos os meses, anos a fio. Onde anda? Que outros bolsos se encheram com ele? E estou a ser solidária com essa gatunagem? Creio que o iluminado que fez, pensou, executou isto, Victor Gaspar ou o raio que o parta de quem foi, devia estar doido. E preso. Contribuição Extraordinária de Solidariedade uma ova! De extraordinário não tem nada. Só de pouca vergonha.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Sabão azul

Não sei se já vos falei da dona Cesaltina, mas acho que não. Vive mesmo ao lado da Fedúncia e quase todos os dias se pegam. É uma barulheira nas escadas que nem queiram saber! "Sua esta" e "Sua aquela" são só dois dos palavrões que até fazem corar o cão do Agapito. E porqûe é que elas se pegam? Variadíssimas coisas. Hoje foi por causa de sabão. Segundo percebi, a Fedúncia foi pedir sabão emprestado à Cesaltina e esta pegou-se-lhe o fogo quando ela lho foi devolver. Mas isto só ouvido.

" Ó seu traste redondo! Sua engolirodora de sabão! Já viu o que fez, já?"
" Ouça, Cesaltina. Você não me exalte, ouviu? O que é que tem o sabão? Não foi esse que me emprestou, não, sua finória? Olha-me esta."
" Não, não foi. Este sabão é uma minúscula partícula do sabão que lhe emprestei, percebe? "
" Claro. Queria o quê? O sabão gasta-se, ou não? Se me lavei com ele e aproveitei a lavar os interiores íntimos e a louça e os vidros da sala e o chão e a carpete, queria o quê, hein? Que viesse inteiro?"
" Queria. Ah, pois queria. Não tinha nada que usar o meu sabão para isso tudo. Era a mãozita e chega. Você disse-me "Ò Cesaltina, empresta-me o sabão para lavar as mãos que se acabou o meu?". Foi para lavar as mãos, não foi para mais nada. Sua vigarista sabonetária!"
" Ai é? Só as mãos? Só? Então e depois de lavar on interiores, não lavei as mãos? E depois de lavar os vidros e o chão e a carpete não se lavam as mãos, não? Lavei. Viu? Lavei as mãos. Viu? Não menti coisa nenhuma. Você é que é uma ingrata. Uma ingrata!"
" Ingrata, eu? Essa agora! Então eu empresto o sabão e sou uma ingrata? Porquê? É que não descortino nada que a possa levar a dizer tal disparate! Ingrata porquê? Vá!"
" Porque lhe entrego o sabão lavadnho, olha quessa! Ora veja. Veja! Lavadinhooo! E bem cheiroso, ora cheire, cheire!"
" Cheiro coisa nenhuma! Quer que cheire essa coisa minuscula que me está a dar? Quero é o meu sabão de volta! Era um sabão azul da melhor qualidade, sua porcalhona! Se não tivesse coisas para lavar não precisava de ter gasto o meu rico sabão azul. Ponha os olhos em mim, ponha. Ando porca, por acaso? E não uso sabão!!"
" Por acaso até anda porca, mas isso nem vem ao caso. Mas agora disse-me uma que eu nem sei, nem sei como não lhe vou às fuças! Sabão azuuull? Azul? Azul porquê, hein?"
"Ora esta! Porque é sabão azul."
" Ai é? Azulinho? Ah você é das que tem a mania que lá nos nortes é que é tudo bom, não é? Pois, pois, vá indo, faça as malas e desloque-se. Ide indo! Sua nortista! Sua infiltrada!"
" Acabou-se a conversa. Acabou-se. Dê cá a porcaria do naco de sabão e saia da minha vista. Vá lamber sabão!"
" Ora aí está finalmente uma coisa acertada! Então empreste-me lá outra vez o sabão, sim?"

Vocês não calculam o estrondo. A Cesaltina atirou-lhe com a porta com tanta força que até se me cairam os copos da cristaleira. Não é que eu tenha cristaleira, mas sempre me fica melhor dizer assim. Para manter o nível. Se não for eu, este prédio é uma bandalheira.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Irrita-me

Escolhi realmente o nome certo para este "blog". estou a ficar cada vez mais rabugenta.
Irrita-me o meu Sporting. Creio que a única solução é cortar nos ordenados àquela malta toda. Ou ganham, ou ....não ganham. E duma vez por todas ponham lá um presidente com eles no sítio, porque o crime compensa! Cada vez mais!
Irrita-me o uso e abuso da canção de Abril. Nem escrevo o nome. A banalidade mata qualquer coisa importante. E a maioria dos fedelhos que a cantam estão de barriga cheia. Faz-me lembrar os hippies. Não queria era recordar os tempos em que não podiamos falar e nem era preciso cantarem nada. Eu vivi esse tempo. É isso que querem? Democracia uma ova.
Irrita-me o tempo de antena dado ao menino de côro. Irrita-me a falta de memória das pessoas. De tal modo que vou começar a apontar o que dizem agora para me rir depois. A bom rir.
Irrita-me que digam "Que se lixe a Troika" e não me digam claramente como é que eu vou continuar a receber a minha reforma se os mandarem embora. Realmente preferia não os ter cá, mas alguém assinou um acordo com eles. Quem foram? Porquê? Memória curta.
Irrita-me que Victor Gaspar ainda não tenha percebido que é preciso mudar de discurso, ser mais humano, menos números e mais pessoas. Muda, homem!
Irrita-me que ninguém toque nos senhores jornalistas de papo cheio. Há tantos.
Irrita-me não saber quanto ganha e quantas aulas dá o senhor professor do ISEG que vai à televisão cascar no governo. Virá de taxi? 
Irrita-me saber o número de contribuinte do Passos Coelho porque tremo só de pensar que podem descobrir o meu.
Irrita-me contar carneiros para adormecer. Tantos.
Irrita-me que os meus netos cresçam num mundo de hipócritas, desonestos, mentirosos e fanfarrões.
Irrita-me a riqueza escondida dos arautos da mudança.
Irrita-me a falta de respeito por tudo e por todos. Hoje eu, amanhã tu. As pessoas esquecem.
Irrita-me ter de me irritar. Espero que dure pouco tempo. Prefiro mudar para o verbo "gozar". Não tarda.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Não percebi muito bem...

Ai que grande gaita! Olha-me esta! parece que não tenho mais nada que fazer senão aturar aquela fulana! Livra! Agora é por causa da Gala da TVI.
"Ai, dona Lagarta, que gala! Viu aquilo, viu? Ca lindo! Ca luxos!"
" Eu? Mais que fazer! Estive nos mails."
"Nos mails? Nos maiiils?? Você perdeu uma festa daquelas, mulher?"
" A bem dizer, não perdi. Mas perdi. Só pus a imagem, sabe? Tirei-lhe o som. Assim que vi aquela fulana com voz de cana rachada e aquele fulano amalucado, pumba, tirei logo o som. Os otorrinos estão muito caros, sabe? e os sicólogos e os pesquiatras e isso. "
" Ui, então não sei. Eu também outorrindo outouchorando. É um horror. Já tive que ir a um. Mas também foi por isso que vi a Gala todinha, todinha. É que o pesquiatra disse-me para eu me distrair, sabe? "
" E você distraiu-se, por acaso? "
" Nem queira saber! Aquilo é que foi, xiii, aquilo é que foi! Só vestidos lindos, e grandes decotes, e grandes canções e grandes planos e grandes botoxes e grandes..."
" Planos? Botoxes? Pois olhe, eu só olhei de esguelha. Via um mail, esguelha, via outro mail, esguelha. Percebe?"
" Essa da esguelha não percebo muito bem, mas como você tem a mania das originalidades, já não digo nada! Não se está a referir ao cabelo, pois não? É que realmente está com uma guedelha que só lhe digo!"
" E eu só lhe digo que você tem de emigrar, sabe? Está a ficar atrofiada, mulher! O que eu quis dizer é que lia um mail daqueles que só falam em crises e mais crises e eu dizia cá para mim " Ca raio, se aquilo é crise vou ali já venho. Estou a ver bem?" e lia outro mail e voltava a olhar, até se me ficou aqui um torcicole para uns dias! Uns dias!"
" Ai um torce e cola! Olhe que bom! E ficou aonde? Ainda dá para mim?"
" Então não dá? Chegue-se aqui, chegue-se! Não lhe garanto é a cola!"

Devaneios

Hoje apetece-me pôr aqui uns "devaneios" meus. De vez em quando dá-me para isto.

- António Costa, ontem, na "Quadratura do Círculo": " Até parece que de nós os três eu é que votei neste governo". Citei. Agora já percebem o que tenho dito sobre aquele programa, em especial daquele ressabiado do Pacheco Pereira?

- Porque é que Marcelo Rebelo de Sousa se refere tantas vezes a outros comentadores e nunca a Pacheco Pereira?

- Porque é que não se pode considerar uma afronta à crise - a crise que aqueles fulanos da TVI tanto dissecam - a ostentação da Gala de domingo de suas excelências?

- Porque é que suas excelências aplaudiram de pé o J. Eduardo Moniz e a Manuela Moura Guedes? Hipocrisia? Medo? Gozo?

- Estou a começar de gostar de ouvir Marques Mendes. Está mais "solto". Elogia e critica, concorde-se ,ou não, com os elogios e com as criticas. E chamou mais uma vez a atenção para o tabu das discordâncias dentro do PS. Mas para o pobre do jornalista que com ele conversa deve ser uma "ganda nóia" porque às vezes ele "foge-lhe" do controle.

- Porque é que a minha pensão de reforma continua a sustentar os pançudos das PPPs? Porque é que ninguém vai mesmo ao fundo da questão saber que gente se move ali??

- Porque é que recebo mails e mails sobre os Institutos e Observatórios e afins, que nos comem o nosso dinheirinho e elas continuam lá? Que gente se move ali??

- Porque é que ainda não vi nenhum, mas nenhum, membro da AR prescindir de algumas das suas regalias? A minha taxa de solidariedade também vai para eles?? Que revolta!




quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

"Negócios da Semana"

Se não tenho possibilidade de ver no dia, gravo. Aliás, até prefiro ver depois, porque posso saborear bons momentos de debate, de discussão de ideias, de opiniões, com um pormenor que me faz gostar deste programa particularmente. Trata-se de "Negócios da Semana. " E esse pormenor é a educação. A ele têm ido pessoas de todas as áreas políticas, todas, mas nunca vi nenhum descontrolar-se ou elevar a voz ou dizer algo mais brejeiro. Na minha opinião, aquele Jornalista (pus com letra grande de propósito, para o distinguir dos fedelhos que por ali andam nas televisões) impõe um tipo de entrevista/debate claro, útil, agradável de seguir, onde expõe as suas opiniões, ouve a dos outros, questiona, provoca, aprofunda, duvida, mas sempre com educação. E o curioso é que as pessoas que entrevista parecem ser contagiadas por esse pormenor, de tal modo que também se mantêm numa postura composta, mas livre. Adorei o debate de ontem. Gosto de ouvir as opiniões de toda a gente, toda, mesmo que me contorça na cadeira ou roa as unhas. Claro que todos nós temos defeitos e ele não foge à regra, mas é realmente um exemplo daquilo que eu acho que deve ser um jornalista.
Ouvir e deixar ouvir, falar e deixar falar, está-se a tornar coisa do passado. Deixa-me lá ir saboreando estes momentos. Humm.. 

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Portuguese nightmares- T2-Ep.8

Hoje foi o Agapito que teve a culpa. Hoje não foi o Afonso. Foi o Agapito. Aquele fulano persegue-me. Ele e a palerma da dona Lagarta. Dona! É cá uma dona! É mas é uma triste. Mas enfim, às vezes aqueles dois têm a sua piada. Ainda há pouco estavam para ali a falar da ida do Agapito a uma entrevista para um emprego. Para um emprego, leram bem. O homem deve estar mesmo sem tuste porque detesta trabalhar, nem para o bronze trabalha, prefere o sofá a qualquer tipo de areia. Então estavam os dois na conversa e nunca ouvi tamanhos disparates!. Dizia ela:
 "Ai credo, o senhor parece uma barata tonta! Pare lá quieto e conte lá isso da entrevista, homem!".
"Ai dona Lagarta, a senhora bem me tentou abrir os olhos!"
" Eu? Abrir-lhe os olhos? Homessa! Eu não sou violenta! Ás vezes passo-me da cabeça, mas caio logo em mim e fico que nem carneirito, é só mé, més e fofices e tal"
" Não é isso, valha-lhe Deus! Tentou avisar-me, percebe? Que eu não devia ir de cabeça perdida e que isso era mau ir assim para uma entrevista. Devia ir calminho, muito senhor do meu nariz, para não me passarem a perna por dá cá aquela palha!"
" Lá isso foi. Disse sim senhor. Mas afinal o que é que se passou? Bateu com o nariz na porta? Trataram-no mal? Fizeram de si gato sapato? Conte lá, homem!".
" Ai, dona Lagarta, credo! Eu conto. Cheguei lá e pus logo as cartas na mesa! Tinha-as tirado duma caixita que lá tinha em casa por trás da sanita no caso de lá ir algum ladrãozeco e.."
" Alto aí! Aguente os cavalos, homem! Você levou cartas? Que cartas? Não era isso que eu quis dizer!"
" Pois já vi que não, já percebi que meti a pata na poça logo de início! Levei as cartas da minha falecida, sabe? Julguei que era para dar uma de pessoa assim a modos que de confiança, de bom trato, sim, que ela faleceu porque teve de falecer, não fui eu que a faleci, morreu sózinha. Sózinha não, eu estava lá!"
" Ui credo! Credo, homem! Então você não percebeu que eu queria dizer que não estivesse com rodeios, que fosse logo direito ao assunto??"
" Não. Mas também estiveram pouco tempo em cima da mesa, sabe? Que a menina que me atendeu - que, não desfazendo, era toda jeitosa e "não me toques" - olhou-me com uns olhos que enfiei logo a argola no saco, mais propriamente as cartas no bolso! Mas depois é que foram elas!"
" Elas quem? E foram aonde??Conte lá, mas abstenha-se de pormenores, tipo jeitosas e não sei quê, tá?"
" Tá. É que a menina começou a perguntar-me em que é que eu já tinha trabalhado e que experiência eu tinha e em quê....e eu olhe, fiquei assim a modos que a pensar "e agora Agapito? Tás feito ao bife. Mas arregacei as mangas e disse para comigo mesmo "aqui vai disto!" Só que a menina, como eu demorei a palavrear, perguntou-me "Está a pensar na morte da bezerra?" e eu aí disse-lhe "Da Bezerra? Não conheço. Não estou assim a ver, sabe?"
" Valha-lhe Deus, homem. E depois?
" E depois ...olhe, como ela tem a faca e o queijo na mão, pumba, mandou-me dar uma volta. E eu lá estive a tentar ainda convencê-la, a engolir sapos para caramba, que ela foi assim a modos que mal educada, fuínha mesmo, uma porca, sabe? E ainda lhe gritei a plenos pulmões "Vá lamber sabão, sua desaustinada! Sua política!"

Desta vez fui eu que me fui embora.......

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Satisfeitos da vida

Vá lá, vá lá. Afinal o homem não é tão burro quanto parece. Não senhor. E eu sou testemunha. Ouvi-o a ligar para as televisões e acho que até se saiu bem. Estou a falar do Agapito, claro! Ora vejam.

" Boa tarde. É da televisão? É da 1?"
"É sim. Faça favor de dizer."
" Eu sou o Agapito Pinto. Às suas ordens. Olhe, é para aí que posso fazer uma reclamação? É consigo?"
" Talvez. Se for uma reclamação que tenha pouca reclamação, pode ser. Se for uma graaande reclamação, assim daquelas que as pessoas usam para reclamar, então já não é. Tem de ser com outro".
"Ah, não, é coisa pequena. Um desagrado, sabe. E também uma sugestão".
" Uma sugestão? Bem, uma sugestão ou uma reclamação ? Ou ambas as duas?"
" Quer dizer, é um desagrado sobre uma coisa que me desagrada e uma sugestão que eu sugiro por causa do desagrado. Portantos..é uma ...uma..sugerência. Mas sem urgência nenhuma. Entende?"
" Não. É melhor desenvolver para ver se entendo. Comecemos pela reclamação, ou desagrado ou lá o que é. Comecemos.".
" Comecemos. Olhe, eu desagrada-me muito que estejam sempre a dar reportagens tristes. As pessoas choram, amofinam-se, queixam-se e isso está-me a dar cabo da vesícula porque quanto mais choram mais eu como, de nervos, sabe? De nervos! Unhas e tudo!"
" Está bem, senhor Agapito, mas as pessoas andam assim, sabe, e..."
" Ah, ah, pois aí é que se engana, viu? Não andam nada, viu? Nada. Ora pergunte-me se eu ando satisfeito, pergunte!"
" Anda satisfeito?"
" Ando. E muito. Estou feliz da vida! Agora pergunte porquê"
" Então porquê?"
" Porque ando eu e a dona Lagarta e a malta toda que eu conheço absolutamente radiantes por estarmos a contribuir para a melhoria do país! Percebe? E a seguir vem a reclamação, está a ver?"
"Não, não estou a ver nada, só estou é a ficar baralhado. Ora repita porque andam todos satisfeitos, repita. Devo ter ficado sem rede, sabe. Não encaixei muito bem o que disse"
" O que disse e o que repito, estamos muito contentes! Andamos alegremente a ajudar a pagar o BPN, as PPPs, as Fundações, os Observatórios, as reformas de milhares de euros, os subsídios vitalícios de alguns deputados, as mordomias da AR, as..."
" Espere aí. Não entendi bem. Disse que vocês...andam contentes? Ou percebi mal? Barulhitos, sabe?.."
" Não percebeu mal, não. Andamos delirantes por ajudar a pagar isto e muito mais! Delirantes! Até deliramos em grupo, assim, tipo delirioterapia. Percebe? E é por isso que também tenho uma reclamação-sugestão a fazer! Reclamo e sugiro. É giro. Reclamo porque ninguém nos dá uma medalhita, gaita, tipo bronze e tal, sempre se vendia na feira, né? E a sugestão? Ui, é mesmo sugestiva! Que tal fazerem uma reportagenzita em Paris? E que tal fazerem uma na AR para acabarmos de vez com este diz-que-diz? Que tal ver como passam lá o dia? Que tal fazer uma reportagem sobre as pessoas que fazem as reportagens? Que tal fazer uma reportagem sobre os vencimentos, as licenciaturas, os carritos, as fériaszitas, as ajudas de custo, das pessoas que reportam as reportagens? Que tal? Nunca fizeram, pois não? Porquê?. São intocáveis? Não são pessoas como a gente? Não? Deviam fazer, eu gostava de ver o que saía dali....Ei, ei!! está-me a ouvir?? Tá? Tá lá??"

"Dona Lagarta. O homem desligou. Disse alguma coisa que não devia, disse?"
" Não senhor. Disse tudo tudo como lhe escrevi aí. Deixe lá. Vamos ligar para outro canal. Não lhe garanto é que não lhe façam o mesmo! Já não se pode andar satisfeito, livra!".

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Resmas de facturas

"Ai ,estou tão tão cansado, dona Lagarta!Tão cansado! Nem imagina! Tenho os meus pés duma maneira que até parecem ferraduras, salvo seja!"
(olha-me este a armar-se. Deve estar é cansado de não fazer nada todo o dia)
" Ó senhor Agapito, credo, homem. Nunca o vi assim. Anda sempre tão jovial, tão pé-leve, tão aluado. Que se passa? Foi a Fátima a pé, foi ao Jardim Zoológico, esteve na fila do desemprego, conte lá, homem"
" Nada isso. Ai os meus pés, valha-me Deus. Espere aí que vou tirar os sapatos, se não se importa"
"Ah importo importo. Com essa maleita toda é melhor tirá-los em casa, não? Ainda agora borrifei as escadas com anti-moscas. Não é grande cheiro....mas quase que apostava que é melhor do o que das suas meiinhas, não?
" Não sei. Mas podemos ver. Eu..."
"Ei, espere aí. Calminha com os chanacos. Conte mas é porque está nesse sofrimento, homem. E até pode encostar-se a mim, se quiser, veja lá, não caia!"
( encosta, encosta..anda lá, pode ser que hoje te dês conta da minha beauty interior ..)
"Pois encostarei. Então com licença. Ai, que alívio, credo!"
(se chamas a isso encostar, filho da mãe. Ó sorte a minha ,macaca)
" Sabe, dona Lagarta. É que eu estive todo o santo dia em pé no café ali do Potássio. Todo o santo dia! Livra! Já não aguentava mais. Já nem esperei pelos jantares. É falta de hábito, sabe, estar em pé não é muito do meu feitio. É mais para o sofázito, sabe? Enroscadito e coisa e tal."
" Isso sei eu. Vá, agora diga qualquer coisa que eu não saiba, vá lá"
" Gosto muito de coelho assado com.."
" Ó senhor, que paciência. Diga-me o que se passou para estar todo o dia em pé, homem, ande lá, não tenho o dia todo!"
" Ah, pois, isso é verdade. Já são quase oito horas e o dia..Bem, vamos lá então. Eu conto. Tive uma grandessíssima ideia durante a noite quando me levantei para ir fazer um xi-xi que depois redondou noutra coisa o que até foi bom senão não tinha estado sentado naquele sossego algum tempito o que fez com tivesse tempo para pôr aqui umas coisas em ordem na minha cabeça que anda meio tonta por causa da vida que levo que não é vida que se leve porque só faço biscates e assim não vou a lado nenhum e.."
"Irraaa! Pare aí homem. Até estou ofegante. Vamos lá: xixi. Tudo bem E nos afters? Ou nos entrementes? O que é que pensou então?"
" Nas facturas, dona Lagarta.Nas facturas!"
" Logo vi que uma ideia dessas só lhe podia dar na casa de banho. Facturas...quais facturas, homem?"
" Dona Lagarta. Pense. Pense comigo. A gente tem de pedir factura de tudo o que consome, não é?"
" Quer dizer...eu hoje estou consumida por não ter nada para jantar mas não pedi factura a ninguém, né?"
" Sua brincalhona. Sabe bem do que estou a falar. E então é assim. Enquanto lá estava sentadito e tal e coisa fui pensando, fui puxando - pelas ideias, claro - e lembrei-me desta maravilha. Como quase toda a gente recebe a facturita disto e daquilo e a deita logo para o lixo ou finge que a leva na mão até ao próximo caixotito, lembrei-me - pasme, minha senhora dona - lembrei-me de ir para ali para o café do Potássio que até serve refeições e tudo e resolvi perguntar às pessoas" Olhe, quer a factura?" "Eu não", "Então dê cá!". Bem, nem queira saber o montante que devo aqui ter, nem queira saber! E assim, se fizer isto todos os dias, ena pá, vou poder apresentar os tais vinte e não sei quantos mil euros para o IRS. Tá a ver? Genial, hein? Só esta cabeça a pensar assim enquanto se aliviava!. Não acha?"
" Acho, acho. Acho que é altura de aliviar aí a encostadura a mim porque o senhor esteve a perder tempo e eu também" ( nem para o meu batonzito novo olhou, raios o partam!)
" A perder tempo, eu? A senhora está é com inveja, está, está. Sua marota.."
" Marota era a sua avó. Se é que teve avó. às tantas é filho do valha-me Deus! Ó homem, você não vê que não vai conseguir fazer tanto dinheiro, não? Cafés, bifitos a cavalo, arroz de polvo, alheira, maçãzita, ...está doido. Você precisa é duma coisa em grande, homem. Muita comida, muita viagem, muita roupita upa upa, muita cultura, muita..."
" Tenha calma, dona Lagarta. Isto foi hoje. Hoje foi o Potássio. Amanhã será num daqueles restaurantes onde se come pouco mas se paga balúrdios, tá a ver? E por aí fora, pecebe?"
" Pecebo. Então não pecebo. Aí nesses você não entra, ó, ó. Viste-los!"
" Detesto quando a senhora me desmoraliza. Fico sem moral nenhuma. Agora sou eu que lhe digo: apre!. Um apreçozinho não lhe ficava mal de vez em quando. Olhe, vou andando. Agradecido pelo apoio".
" De nada. Pode-se apoiar quando quiser!".
( não sei o que é que eu tenho....mas mais um que se raspou a correr. Estranho...)

"

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Portuguese nightmares- T.2- Ep. 7

Eu continuo a dizer que o Afonso é que tem a culpa. Não se faz isto a uma pobre pessoa que nos venha visitar, não se faz não. Já imaginaram a cara do triste se lhe dissermos "voltando à vaca fria..". Para já, é má educação, parece que nos estamos a referir a alguém com que já se esteve e parece que lhe estamos a chamar vaca. Eu não arriscava. Pode dar sarilho. Por outro lado, para que é o "fria"? Não tenho propriamente conhecimentos com nenhuma vaca, mas enfim, dá-me a entender que as vacas não são frias, são vacas só. Não sei qual a temperatura normal duma vaca mas não percebo porque é que temos de dizer "vaca fria" e não "vaca quente" ou " hot vaca" ou " vaca-assim-assim". Esta do fria moi-me o juízo. Mas mal o triste do homem ou mulher se recompõe e decide fingir de contas que não ouviu nada, atiramos-lhe com esta " Já deu com a língua nos dentes". "Olha lá, ó Marquelina, não sabias estar calada? Já deste com a língua nos dentes, mulher!". Puxa. Devo ser anormal. A minha língua juro que está sempre juntinha aos dentes, nem preciso de a atirar para eles, tipo, toma lá que já comeste. Alguma vez isso quer dizer que ando praqui a denunciar isto ou aquilo ou a quebrar segredos ou falar do que não devo? Não quer. Pois é. Viram? Tenho razão. Tal como tenho razão em me arrepiar todinha quando ouço dizer "Olha que me custou os olhos da cara!". Valha-nos Deus. Eu sei que está tudo muito caro mas daí a ficarmos sem os nossos olhinhos, vai uma grande distância, gaita. Prefiro não comprar. Prefiro "dar-me ao luxo" de dizer que não quero. Fico na mesma bem vista porque utilizei a palavra "luxo" que é uma palavra que se utiliza agora para descrever coisas muito muio caras e portanto luxuosas e portanto que- não -são -para -todos,  tipo pão, leite, peixe, carne, arroz..e se fôr, por exemplo,  um sumito então, ui, nem há palavra que descreva, é coisa das arábias mesmo. Aliás, no que respeita a dinheirito, a trocos, a tlim-tlim, até na nossa língua somos uns tristes. Quando há uma expressãozita qualquer que  inclua qualquer referência a quantidade, xi, credo, é sempre uma miséria! "Vou ter dois dedos de conversa contigo" ou " Olha lá, não tens dois dedos na testa, pá? estás maluco?", são exemplos dessa fatalidade. Dois dedos. Só dois. Não podia ser "vou ter três dedos de conversa?", não? Custava muito, custava? Até um simples pau "tem dois bicos!". Quer dizer, aqui é conforme a perspectiva, até pode ser bom, sei lá, mas se fosse um pau de três bicos, ao menos já era uma forquilha e já se espetava melhor no rabo de alguém, dava era muito trabalho a tirá-lo outra vez. Não tinha pensado nisso.....está bem, Afonso, pronto, ficas com o pau de dois bicos.