sábado, 29 de dezembro de 2012

portuguese nightmares com carisma - 35

Só para se aperceberem da minha boa vontade e da minha boa disposição, quero dizer instantaneamente e já que não gosto de milho. Não gosto mesmo. Só se fôr em pipoca. Aí até que marcha, desde que não seja dentro daqueles pacotes horrorosos que fazem um barulho do caraças no cinema, acompanhado da mastigadela de boca aberta e respectivos sons de que está a saber bem. Aí apetece-me pegar no pacote e na pessoa e pô-los na respectiva rua. "Quer comer pipoquinhas, quer? Então vá comer pipoquinhas para sua casa que eu paguei para ver e ouvir o filme sem sons que não sejam os de origem! Leve também o raio do pacotinho, sim?". Bem, dizia eu: não gosto de milho. Logo, se me disserem "És boa como o milho" eu não sei se me estão a insultar ou não. Até podem nem estar porque a pessoa que o disser até pode gostar de milho, milho assado, milho em açorda, milho frito, ...mas aí vem outro problema. Como não gosto de milho, sei lá se o sabor , por exemplo, do milho assado é bom de tal forma que se possa comparar à minha pessoa dita eu?? Pode ser uma grande porcaria prá pessoa que o disse e aí continua a insultar-me, só que de forma delicada. Quer dizer, aqui também se põe o problema da expressão do indivíduo que a diz. Pode dizer "És boa como o milho" e piscar o olho, arreganhar a tacha, sei lá. Aí , enfim, milho eu seja, né? Mas pode dizer "És boa como o milho" e fazer "blãã" ou "dãã" ou franzir o sobrolho, certo? Aí vou-lhe às ventas de certeza. Agora, tudo isto é muito filosófico, muito lindo, mas ponham-se na posição dum turista (não sei lá muito bem como é essa posição, mas pode ser sentado) que quer ser simpático, ou malandreco, com uma oriunda ( oriunda? Credo!Ao sábado só me sai disto!)) deste país, que o que não faltam são belas oriundas, aí não há grego, nem irlandês, nem espanhol que nos bata!! Então vai googlar ou dicionar o que pode utilizar no seu galanteio e pumba, sai-lhe "You are as good as corn" ou "You are very good!", ou "Hi, you big good!". Francamente! É que levava logo uma lamparina! Ou nem chegava a dizer, que isto de andar a chamar "bons" à malta, seja no que fôr, é sempre seguido de vaias e "UUUUs". Portanto, já viram que comigo, milho não cola. Mas há bué de outras expressões que poderão usar, estejam à vontade. "Lagarta verde!", por exemplo. Ou um anelzito.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Mau feitio

Acabou-se. Pronto. Está feito. Done.
Eu, rir-me mais alguma vez? Nem esboço. Na, não. Então se me dizem que as pessoas com mau feitio vivem mais tempo, eu vou agora andar a rir? Nem pó. Preparem-se que a partir de agora é só trombas. Também pode ser só meias trombas porque, pensando bem, se a malta vive mais tempo se andar de mau humor, então esse mau humor tem de ser distribuido em anécimos. Ah, pois, eu preciso de menos tempo de mau feitio do que uma jovenzita de vinte anos, é ou não é? Pressupôe-se que ela precise praí, pelo menos, de cinquenta anos de maus fígados. Eu não, já não os podia gozar. Por isso, antes que mos tirem, quero-os já. Também não é dificil, para exemplificar, gravo aí uns seis programas com o Pacheco Pereira, duas, bastam duas porque é dose para caramba, duas novelas da Sic e da TVI, três Malatos, quatro telejornais, qualquer um, uma Constança e cinco Mendes e passo-os de vez em quando para evitar que me ria e me mantenha de trombas. Bem, às tantas escolhi mal os exemplos. Vendo bem, ainda me desmancho a rir. Não pode ser. Vou fazer como a prima Fedúncia. Como tem os dentes todos uma miséria, anda sempre com um algodão na boca e um papel escrito na mão :"Não posso rir, pus implantes, senão caem. Estão frescos.Obrigada.". E tem resultado. Só se chateou o outro dia porque não quis dar parte fraca e não pode abrir a boca quando lhe disseram "Olha a gaja a armar-se". Esteve para se armar, mas não armou. Conteve-se. Sendo assim, vou já preparar as pessoas lá do prédio para o meu novo estado. A começar pelo Pio, o cão do Agapito. " Cala-te senão mordo-te". Pendurado à porta deve resultar, porque assim o Agapito lê alto e o cão morde-lhe a ele. Esperteza é comigo. E  ponho outro cartaz a dizer "Prá semana estou de trombas para viver mais tempo". Quem não vai gostar é o senhorio. "Ah, já te entendi! Queres viver mais! E eu que fique mais tempo sem arrendar a casa, né?". Vai ser óptimo. Até posso poupar uns euritos, já não preciso de comprar lenços de papel. Só aquela chatice de ir até ao café a dizer " Olá, tudo bem?"e limpa mão, "Olá, como está?"e limpa mão, "Tudo nos conformes, dona Pancreática?" e limpa a mão. Puxa, acabou. Não há cá cumprimentos nem sorrisos. Mas primeiro vou saber dessa dos anécimos e vou comparar. Talvez, quem sabe,  já me bastem os duodécimos de- não -sei -quê para ficar de trombas. Queres ver que estive a perder tempo?

As escolhas

Que raio de país! Começa a meter-me nojo. A sério. Fiquei de boca aberta com as imagens que suas excelências duns fotógrafos de imagens na RTP escolheram como mais marcantes de 2012. E o que é que suas excelências escolheram? A da "carga" policial a 15 de Setembro - esquecendo-se das pedras que voaram -, a da menina com o polícia, a de uma greve com um cartaz a dizer "É criminoso o que estão a fazer ao país" e, pasme-se, pela novidade, a do cartaz na volta à França a dizer "Vai estudar Relvas". Eu já nem discuto a escolha de cada uma delas, o que me enoja é pensar que suas excelências se esqueceram dos prémios a nível literário, a nível da investigação científica, a nível da medicina e até a nível desportivo, que nós, nós país, nós, portugueses, tivemos ao longo do ano. Mas também não sei porque é que me admiro. Quanto mais achincalhanço melhor, quanto mais porcaria melhor, que o que é bom, esconde-se, esquece-se, não vende, não cola. Ainda se admiram do "brain drain", da saída de algumas "cabeças" daqui para fora? Eu não. Aplaudo. Vão-se lixar com o Relvas, já não há saco! E vão estudar.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Portuguese nightmare - 34-B

Isto necessita duma análise apurada. Beeem apurada. Hoje em dia "tirar alguém do sério" pode ser muito problemático. Primeiro não vou agora perguntar a alguém "Olha, posso tirar-te do sério? "porque me mandam logo à fava. Anda tudo muito sério, muito circunspecto, muito gaspariano,  parece mal andar de tacha arreganhada, que isto de encher os centros comerciais não quer dizer nada, ainda hoje vi um senhor perguntar a outro senhor porque é que ele estava a rir e foi uma confusão do caraças porque o homem não gostou e disse-lhe que ele o estava a tirar do sério. "Você não me chateie, você não me tire do sério!". E o outro disse-lhe logo "Mas você não estava sério, estava a rir!", "Pois, mas agora não estou" e o outro disse " Eu é que estava sério e como você se estava a rir feito parvo, você é que me tirou do sério!". "Olhe então volte a ficar sério, pisgue-se!". E eu não achei graça aquilo porque vi outras pessoas a rir, a passear, a lanchar torraditas e coca cola e hamburguers e bolos e não tinham nada que estar, deviam estar sérios. E em casa.  Até eu, que não estava séria, pedi a uma pessoa "Não se importa de me tirar do sério?". E essa pessoa disse-me logo, "Se quiser tirar-se do sério, é fácil, chegue a casa e ligue a televisão, ainda não se paga nada!". Está bem, mas essa da televisão também é uma gaita porque às vezes vejo programas que em vez de me tirarem do sério, me fazem rir . Por exemplo, a mensagem de Natal do nosso PM tirou-me do sério, mas a mensagem do senhor Seguro fez-me rir. Ora, não está certo. Não há expressão nenhuma para "tira-me do riso", é uma desigualdade tremenda. E causa-me desconforto. Rio ou não rio? Estão a ver? Ao menos aquele senhor do norte já não tem com que se preocupar, já tem rio no nome, não tem sério . É por isso que diz o que lhe apetece, nunca pode dizer "Você tira-me do sério", não pode, estão a ver? Por isso, cuidado: pare, escute e olhe. Veja os surroundings ( lindo!!) e decida da sua vida. Se ouvir "UUII", tire-se do sério. Se ouvir "AHHH, ria. Não pode é destoar. Parece mal. Já o Afonso não gostava nada nada de destoamentos. Toda a gente tinha de andar de espada como ele, não havia cá fisgas para uns e espadas para outros. Alguma vez viram uma foto dele a rir, já? Ah, pois é.

domingo, 23 de dezembro de 2012

Bom Natal? Dão-me licença?

Ando aqui num dilema desgraçado. É que me dá mesmo cabo do juízo. Acreditem. Não sei se hei-de desejar bom Natal às pessoas ou não. "Então Bom Natal!". " Olhe que bom não é de certeza, com esta crise..". Mau... "Então, olhe, um Natal bom, dentro do possível, não é? " Dentro do possível? Natal é sempre bom. Haja saúde!". Mau...  " "Então um Bom Natal". " Só se fôr para si, eu vou estar a trabalhar". Mau....  "Então, enfim, olhe tenha um Feliz Natal". "Feliz? Acho que nunca foi táo triste!". Mau....  "Então, não sei, olhe tenha um Natal, enfim, nem sei que lhe diga..". "Ah o Natal é natal, a gente até esquece tudo!". Mau....  "Este Natal é complicado, não é?". "Ah, não, desde que haja saúde e familia por perto!". Mau.... " Então, temos saúde, não é? E trabalho. Bom Natal!". " Bom em quê? Saúde não chega, trabalho, vamos ver. Enfim". Mau.....  " é lindo o espírito de Natal, não é? E toda a gente na rua e a comprar presentes..". " Está enganada. Só andam a ver. O Natal este ano, com esta crise...". Mau.... " Então vê-se tanta gente, mas andam só a ver, não é?". " Só a ver? Não. Compram. Mais barato, mas compram. Não vemos diferença". Mau..... " Então este ano não há diferença nenhuma, não é? Tanta gente nas lojas!". " Nem pense. É só a ver. Ninguém compra nada!". Mau.....
Fico completamente à nora. Umas vezes olham para mim assim, tipo, filha da mãe, devias era estar em casa e não comprar nada. Mas podes, não é? Outras vezes, olham para mim como se eu fosse um bicho agoirento e raro, Natal é Natal, o que é que vens cá com essa história da crise e da falta de dinheiro e não sei quê? Õ valha-me Deus. Até fico a pensar que vivo numa sociedade de hipócritas e de cataventos. Daqueles que vão fazer as reportagens em carralhões, que escrevem cartas a toda a gente, que criticam tudo e mais alguma coisa, mas depois escondem uma das mãos, a tal que bem podiam usar para ajudar a melhorar a vida daqueles  que eles preferem que sejam "os outros" a mudar, é mais fácil. Mais "in", mais "anti". Passo-me com isto.

sábado, 22 de dezembro de 2012

Suores frios

Com que então julgavam que eu não ia gostar do OE para a AR? Só se fosse uma lagarta inconsciente. E não sou. De todo. E até se me brilhavam os olhos enquanto lia aquele relambório. Até me desafundei do sofá. Até abri uma garrafita de anis, por sinal uma porcaria, mas enfim, sempre é anis. E dizer "anis" é giiiroo. Até fui buscar umas fatias douradas que fiz pelo Natal no ano passado e que de douradas já não tinham nada mas também, congeladas, quer-se o quê? Ou seja, preparei um cenário de festa-meeting-happening-e-mais-não-sei-quê (vi numa revista, não posso?) para a Fedúncia, que ela tem a mania que é toda tia mas só é minha prima e mesmo assim afastada mas  eu não a posso contrariar senão fico sem os sequones que ela faz quando tem happenings ou meetings lá em casa para discutir quem leva o lixo naquela semana. Ás vezes também tem vernissages mas nunca fui, cheira-me a cera de móveis ou verniz para as portas, ainda me põem a limpar as escadas. Está queta. E chamei-a. Como deve ser: por sms. Dos meus, claro. Ou seja, mandei-lhe com um osso à janela. Veio a correr ( julgou que era para comer, de certeza).
"Fedúncia, estamos salvas. Até estou emocionada. Olhe aqui. O OE da AR..."
" O OE da AR? O que é isso, prima?
" São abreviaturas. São..."
"Ah, e abrem como?"
"Abrem? Mas eu não falei em abrir coisa nenhuma!"
"Então não disse abre-viaturas?"
" Puxa! Que às vezes a prima amofina-me. É o orçamento de estado para a assembleia da republica, entendeu?"
" QUÊ? Credo. Vou-me já embora!É que é jázinho!""
"Espere aí, mulher. espere aí. Veja bem. Já viu alguma vez tanto número junto, já? Eu nem sei ler isto! mas que me interessa, interessa. "
"Ai, prima, já se me estão a subir os calores. Números e AR tudo junto provocam-me tonturas. O Agapito Ribeiro com números...ai, prima!"
"Qual Agapito qual carapuça. Puxa que você é ignorante. Isto refere-se à Assembleia da República, já lhe disse!.Deixe lá estar quietinho o frasco dos sais que eu já a esclareço. Ó mulher, estão aqui coisas muita boas para nós! Olhe aqui, Fedúncia. Abono para falhas. Já viu quantas vezes falha a luz nas nossas casas, já? E a água? E o móneizito? A gente pode pedir este abono!"
" Mas isso é genial. E até para as falhas nos dentes e tudo. Boa!"
" Mas espere, tenho mais, prima! Olhe: Abono de fixação. Já viu o que era a gente fixar-se ali, já viu? A gente desfixar-se deste prédio de segunda e fixarmo-nos num de primeira? E podemos levar o Agapito e tudo. Diz aqui: Abonos variáveis e Eventuais. Tá a ver? Ora o Agapito tem grandes variações de temperamento, ou não tem? E é eventual, ou seja, quando formos ricas, eventualmente mandamo-lo dar o fisga. E também não lhe fazemos grande mal porque também está aqui "Subsídio de reintegração", logo ele pode reintegrar-se sem aflição. Está bem que diz que é para deputados, mas são tantos, que mais Agapito, menos Agapito, não faz diferença! Portanto, está feito!"
" Ó prima Lagarta, e como fazemos? Como concorremos? Diga-me?"
"Não é dificil, Fedúncia. Deixe-me cá arranjar um "ex" qualquer. Tem algum "ex" na familia?
" Tenho. O meu irmão dá explicações.."
" Ex, Ex!! Ex qualquer coisa, caramba! Eu só tenho um sobrinho que já foi amigo dum ex-funcionário de um ex-ministro, ou presidente, ou lá  que era! Vou ver se serve!"
" Tudo bem, prima. Exceda-se à vontade. Vou nessa. E agora também vou é a correr para casa que esta excitação deu-me a volta aos intestinos. Depois diga-me o que arranjou ! Com a sua argúcia e a quantidade de "ex" que andam por aí, náo vai ter dificuldade! Avance, avance!".

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Portuguese nightmares- 34

É que não faço mesmo. Não faço, pronto. Onde é que já se viu alguém fazer uma coisa "por dá cá aquela palha?". Para já, não se tratam assim as pessoas por "tu" sem mais nem menos. Quanto muito devia dizer-se "por dê cá aquela palha". Não há cá confianças dum pé para a mão, ainda pode ser algum jornalista disfarçado a reportar (vem do inglês "to report", é mais fino) sobre a forma como a gente anda a viver este Natal e ainda vai dizer "Ah, ah, eu sabia! Palha! Palha ! Bem me cheirava a burros!". E eu não sou burra. "Olha, dá-me aí uns trocos, se faz favor!". "Não te vou dar uns trocos por dá cá aquela palha, não achas?". "Mas não me pediste palha nenhuma, quanto mais "aquela" palha. Ao menos especifica". Que isto de especificar torna as coisas mais transparentes, não é? Por isso, ou especificam ou não há nada para ninguém. E também não acho piada nenhuma quando me dizem "não te vou dar isso assim sem mais nem menos" porque também é muito vago. Sem mais o quê? O "nem menos", borrifo-me, já estou habituada. Tem sido um fartato de "menos" ultimamente- Aqui há uns tempos, o "menos" funcionava benzinho - dez menos dez igual a zero - e pronto,  mas agora tecnologiou-se, modernizou-se e passou a ser "dez menos dez igual a 00", é giro, é digital, parecem uns olhinhos, ou uns óculos a ver navios. O "Sem mais" também não é especificado. Se não há "mais" como é que se fica "sem mais", hein? Ou seja, não é transparente. E também não gosto que me digam "Não te vou agora dar isso do pé para a mão"! Era o que faltava! Ainda apanho algum fungo! E por outro lado, valha-me Deus, como é que alguém equilibra alguma coisa num pé e atira para a mão? Só no circo. Ainda se fosse de mão para mão, enfim, ainda podia ser, mas também talvez  seja um risco, que eu sei lá por onde andaram as mãos. Nem toda a gente é como Pilatos. Nem toda a gente lava as mãos antes de fazer uma trapalhada qualquer, podem estragar os anéis ou as unhas ou apanhar sarna. Embora haja cada vez mais as pessoas a assobiar pró ar e a dizer  "lavo daí as minhas mãos". Lavam do daí e do dali e do daqui. Lavam tudo. Menos as mãos. E andam por aí muitas mãos sujas. Ó se andam! De quem é a culpa, de quem é? Do Afonso. Claro.

OEs

Depois daquela humilhação toda e depois de chegar a casa a bufar, com os saltos tortos, o cabelo desgrenhado, os folhos do meu pobre vestido a pingar de suor e a voz rouca dos UIs e AIs que dei pelo caminho (quer dizer, alguns UIs e AIs até nem foram tão UIs e AIs quando o Agapito me segurava para não cair..) e depois de termos estado escondidos atrás dum banco de jardim quase uma hora para ver se ninguém nos via a entrar em casa para não termos que dar à língua e ao mesmo tempo ter tempo para inventar qualquer coisinha sobre o fracasso do almoço na assembleia, depois disto tudo, entrei no meu humilde larzito e afundei-me num sofá. Afundei mesmo. Ah, mas não foi por muito tempo! Lagarta que se preze não afunda facilmente. Na, não. Vim logo à tona ( à tona? ca raio de palavra! Adiante). Olhei em volta, olhei, ainda me detive por segundos no martelo de bater os bifes..e, de repente fez-se luz! Bem, fez-se luz porque estava a ficar escuro e acendi o candeeiro. Mas aqui esta cachimónia não pára! Esperem. Esperem que já vos digo. Deixa-me ir aqui ao meu mail. Sim, que eu também tenho mails. Não tenho e-mails porque não tenho computador, mas tenho mails, ora essa.Até me dão menos trabalho que os vossos porque o carteiro traz-mos a casa e cumprimenta-me e ausculta-me o pensamento e tudo. "Tudo fino, dona Lagarta? Ainda tem o mesmo emprego, tem?". Vá para o raio que o parta com a pergunta, mas enfim, como logo a seguir diz "A senhora hoje está uma espantadela! ah se não fosse a minha Alcina...". Eu rio, rio pouco, mas rio. Acho graça. Não posso? Bem. Então dizia eu: fui ver os mails. O primeiro que abri vinha dum primo meu que é porta estandartes em Boiças, lá pró norte, e dizia assim: "Prima Lagarta, leia com atenção estas folhitas que lhe envio. Depois queria saber do seu pensar. Cumprimentos. Pessoa.". Olha-me que este Pessoa é cá uma pessoa!  Então não é que me enviou um relambório sobre o OE de 2013? Nem quero ler! Foge!! Ao menos hoje que durma um pouco, livra! Ah, mas esperem aí. É sobre o OE da AR. E o OE da AR não deve ser igual ao OE da MN porque a MN não tem acesso a um OE da AR porque não está na AR. A malta normal não deve encaixar ali. Vou já ler. Pessoa, filho, não há orçamento que arda sem eu ver. Silêncio. Vou fazer uma leitura apurada. Já venho.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Puxa!

Isto não se faz, puxa! Ia a dizer "Isto não se faz, porra", mas é feio, por isso digo antes "puxa". Então anda aqui uma pessoa a preparar vários artigos de opinião, com sacrifício muitas vezes da familia e dos amigos, para nada? Cum caramba! Ainda hoje os imprimi e até ensaiei à frente do espelho as pausas, os ais, os toma que já levaste, os Isto é uma vergonha, para nada? Anda aqui uma pessoa a gastar tempo para isto? Ai, não, isto não fica assim, não fica não! Queriam privatizar, privatizavam, olha questa. Não se anda agora aqui a dizer privatizo, sim, para depois dizer não privatizo, não. E agora? Que gaita esta. Como é que eu vou explicar à Fedúncia que já não casco na privatização uma vez que não houve privatização? Ela até já tinha comprado um pífaro e um tambor para ir fazer barulho no mercado logo de manhã. Tinha, pois. E como é que vai ser à noite? Hein? que chatice! Coitados. Olha o pobre do nóia. E o ressabiado-mór? Vai ser lindo. Vai, vai. Ou melhor, olhem que até vai ser mesmo mesmo lindo! Ca raio irão inventar para não ter que dizer que afinal até foi bom? Isto é uma dúvida socrática, disso não tenho dúvida. Cheira-me que hoje ainda vou libertar muita daquela hormona que faz muita bem à saúde que é a hormona do riso. Sendo, assim, até que me calo. Privo-me de dizer mais alguma coisa. Também me privaram da privatização, por isso, tomem.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Transparências

Já estou pelos cabelos! E venho manifestar a minha indignação contra as pessoas que dizem que os processos devem ser transparentes, que o governo deve ser transparente, que esta ou aquela venda ou aquisição deve ser transparente, e por aí fora. Estou totalmente contra. Não se pode agora a andar a pedir às pessoas que sejam transparentes. A transparência pode provocar doenças. Se a gente não come, fica transparente e podemos estar a ir desta para melhor. Quer dizer, até que neste caso, pensando bem, talvez não fosse mau, a malta não comia, não comia e de repente, pumba, ia para melhor. Olhem que vendo bem, até que talvez. Mas também estou contra porque ninguém ainda me explicou bem, assim como se eu fosse muito burra, o que é isso da transparência. É que isto é tudo muita lindo mas não vejo ninguém a andar com os interiores à mostra. Faz-me lembrar os desfiles de moda, sobretudo da Fátima Lopes, a malta só vê poucas vergonhas à mostra, ali ao dependuro e a baloiçar e vejam se ela anda assim. Ó andas. E até a malta que vai assistir, arregala os olhos, arregala, tosse, mexe-se na cadeira, bate palmas, mas depois ninguém os vê com aquelas transparências todas. E dizem logo que aquilo é só para quem pode deixar transparecer alguma coisa sem parecer que deixou transparecer. Mas transpareceu. É a mesma coisa. Só ouço falar em transparência disto, transparência daquilo, mas a gente pergunta "E tu és transparente?" e dizem "Sou" e eu digo" Então porque é que eu não vejo nada?" e dizem " Porque és burra". E eu não me conformo. Burra será a tia deles. E se pedem transparência, então também deviam andar com qualquer coisita à mostra, não é só pedir aos outros que isso é muita feio, já dizia a minha avó que Deus tenha que transparências sim mas sim para todos, não há cá distinções. "Olha aquele que não é transparente!", pois, e a gente olha logo porque julga que vem de alguém que é transparente mas fica logo de orelha murcha porque também não vê nada, só vê opaquice, néspias. Sou contra. Já disse.

domingo, 16 de dezembro de 2012

portuguese nightmares do Agapito- 33

Antes de vos contar as agruras do meu regresso a casa com o Agapito, achei importante que soubessem que aquele camelo que nos recebeu à porta da Assembleia ainda teve o desplante de nos mandar pentear macacos! "Vão pentear macacos, seus malandros!", foi o que ele disse. Tal e qual. Vejam só. Claro que eu percebi logo que não era mesmo para irmos pentear macacos, que eu sei que os macacos nem se penteiam, até porque os macacos têm pouco cabelo, são um pouco parecidos com a prima Fedúncia, ou melhor, ela é que é arraçada de macaco, até a comer bananas, eu que o diga que fico logo sem elas se não as escondo mal ela entra na cozinha. Só lhe falta saltar para o candeeiro do tecto e ainda bem que não salta senão caía-me a dona Esgorvina cá em baixo, em cima do lava louças e ainda se podia magoar com alguma faca e lá vinha a polícia e era um cabo dos trabalhos porque ainda descobriam que eu alugo um bocado da sala aos vizinhos do 5º andar para quando eles querem discutir e náo querem que ninguém ouça. Livra! Nem pensar! Mas dizia eu então do ir pentear macacos. E não é que o Agapito julgou que era a sério? "Vá lá, dona Lagarta, ao menos o homem não foi indelicado. Podia-nos ter mandado àquela parte que a senhora sabe e eu não digo por consideração expressa para consigo! E..". "Essa agora!", disse eu. E disse ele: "Essa não-agora, nem agora nem nunca. É feio dizer asneiras. O problema é que nem táxi temos para casa quanto mais para o zoológico!". Ih Jasus. Ca nervios. "Ó homem, não é isso! É a mesma coisa que dizer "vá ver se chove", entendeu? Vá ver se chove!". " Não chove não. Nem preciso de ir ver. Não me caiu pinga nenhuma no cabelo. Bem, nem no cabelo nem no gargalo! E eu que ia tão afoito ao champanhito!".  "Afoito? Afoi-se, quer o senhor dizer. Viste-lo. Néspias. Mas olhe, vamos parar por aqui. temos de ir para casa". "Mau, dona Lagarta. Ou paramos por aqui ou vamos para casa, não é? Decida-se. Paramos ou vamos?". Olhem, nem vos digo nada. Nem a vocês nem a ele. É só confusão. "Bem, vá indo que eu vou já atrás de si, senhor Agapito". E ele: " Mas porquê atrás de mim se podemos ir juntos, dona Lagarta?". Desisti. 

400

Estou absolutamente a favor dos 400 carros que a malta das águas tem. Absolutamente a favor. O que é que estão praí já a praguejar? Que coisa! Ora vejam ( se fosse o Mendes dizia já "Concordo, por três coisas fundamentais", mas não vou em modas) : eu concordo por três coisas fundamentais. Primeiro: olhem este gráfico (não vêem? pois não, é virtual! Olhem que vocês! Credo!). Como vêem, tem vindo a decrescer o uso de carros nas águas. Passou-se de 401 em 2011, para 400 em 2012. Isto é significativo. Mostra que as pessoas estão atentas. Segundo: alguém viu os carros? Alguém andou nos carros? Ora olhem este gráfico: coluna da direita - aumentou o uso dos sapatos na classe média, logo, mais solas, logo mais gasto de dinheiro dos contribuintes que por acaso até são eles, mas isso agora não importa; coluna da esquerda - diminuiu o número de peões, logo menos passadeiras, menos tinta, menos semáforos, menos gastos dos dinheiros públicos, certo? É que as coisas não são assim tão lineares, às vezes são meio-lineares, o que faz toda a diferença!.Terceiro: como é que se pode acudir à agua sem ir de carro? Corria-se o risco de chegar depois da água desmaiar ou até falecer, Sim, que a água também falece, às vezes até vai falésia abaixo. E olhem este último gráfico. Este então é espantoso. Estão a ver? Pois. Ah, pois é. Quando escrevemos quatrocentos, está provado que não escrevemos quinhentos. E mais. Quatrocentos e poucos euros é o salário mínimo da nação. Ora vejam aqui no gráfico. Está absolutamente proporcional aos quatrocentos carros. Certo? Um por cada euro. E ainda sobram euros! Portantos, vamos lá a acalmar, malta. Ainda ficamos sem banho. E valha-nos isso, caramba! Levamos cada banho todos os dias!

sábado, 15 de dezembro de 2012

CSI Miami

O fulano acordou de manhã, olhou-se ao espelho e disse" Espelho meu, espelho meu, diz-me  como é que eu me vou safar amanhã"!É que o programa é à 5ª feira e o fulano estava desesperadinho de todo. Não tinha havido nenhuma escandaleira digna de nota e o Mendes já tinha cascado no Soares. "Que diabo! Aquele tipo está-me a chatear. Fala antes de mim e rouba-me as ideias. É pequeno mas chato. Livra!". Então resolveu ver todas as notícias, todos os apontamentos, todos os rabiscos. E encontrou. "Espera lá. Esta fulana diz aqui umas coisas interessantes. Será que a posso ligar ao governo? Que diabo, eu tenho de dizer pelo menos quinze vezes a palavra governo e praí umas seis ou sete primeiro ministro. Vamos lá a ver se consigo. Não sei lá muito bem quem é, mas não interessa. Ora deixa cá ver...Ah, ah, está aqui uma frase. Uma frase suspeita. Hum, será que posso, será? Podeu. E telefonou logo ao CSI Miami, sempre é uma praia e pode ser que tenham algum "cupon" para o Verão. " Está lá? É do CSI? Olhe, faz favor, posso enviar uma frase suspeita para vocês verem se tem DNA do governo? Não, não, do nosso! Isso! e mandam a resposta ainda hoje? Ah, obrigado, sim?". Que alívio. E esperou umas horitas só, que ali as coisas funcionam quase sempre bem, não ficam para dali a uns anos. São uns manientos. E então lá veio a resposta. " Uau! Não encontrou nada mas....Gosto desse "mas". É o suficiente! Pode ser que ninguém note! Tanqiú". E lá foi todo satisfeito. E não é que conseguiu enfiar a palavra governo praí umas quinze veses e duas ou três primeiro ministro? Ah, valente! Está bem que  desta vez não deu para dizer manuela, mas a culpa não foi dele. Foi dos outros dois, que lhe toparam logo o esquema. Um deles disse-o abertamente, o que foi muito chato porque não se descobrem assim as carecas às pessoas. Sobretudo a quem não é careca, pelo contrário, tem cabelo a mais.

Coisas de bacalhau

Eu venho hoje aqui manifestar o meu desagrado contra o bacalhau. É isso mesmo. Está bem que não é contra todo o bacalhau, por exemplo, se alguém agora me dissesse "Toma lá de volta o teu subsídio de Natal", eu dizia loguinho "É pá, boa, aperta aqui o bacalhau!". Deste bacalhau eu gosto. Ou melhor, gostava, porque já ninguém aperta o bacalhau por receber qualquer coisinha, aperta o bacalhau, sim, para dizer que isto está uma grande porcaria . Até já vai no futebol. "Achas que o Sporting vai ao fundo com aquele gajo?" e eu digo logo "Acho!", "Ah, então aperta aqui o bacalhau!". Viram? Aqui houve uma partilha manifestamente feliz. Portanto, não estou contra todo o bacalhau. Então qual é o bacalhau que me incomoda? É o bacalhau importado. Não devia haver anúncio nenhum sobre bacalhau que não fosse português! Que é isso de dizer "Compre bacalhau da Noruega"?. Da Noruega? E como é que ele veio para cá? Teve de passar pela Alemanha! Humm, cheira-me a esturro. Tem visa? Não tem visa, não tem visto. No vista, no visto. Bem, eu acho indecente. E se não temos bacalhau na nossa costa, cultive-se. Contrata-se um casal de bacalhaus, faz-se aí um incentivo à natalidade bacalhoeira, oferecem-se uns subsídos, cria-se o Observatórios de Bacalhaus Estranhos e deixa de haver bacalhaus estrangeiros por tudo quanto é sítio, é ou não é? É que depois ainda nos sujeitam a vergonhas. "Onde fica a Noruega?". "Lá pró norte, acho!". E saltam logo os lisboetas como eu "Pró norte porquê ? Porqué que não há-de ser pró sul, hein?". E instala-se a confusão. Noruega práqui, seu camelo prá acolá e a gente não precisa de mais chatices do que as que já temos. Por outro lado é também muita chato se eu não ponho bacalhau da Noruega na mesa no Natal. "É donde?". E eu: " Da Islândia". "Da Islândia? Porque é que não é da Noruega?". E eu: " E onde fica a Noruega?". "Lá pró norte, acho". E começa tudo outra vez! E há mais: como é que vou explicar a entrada deste bacalhau no país? Ainda me vêm cá revistar o frigorífico e a arca e por baixo do colchão e no autoclismo e nas cassetes VHS que guardei na despensa, não, não. Está bem que bastava eu dizer "Noruega? ´Não conheço! Nunca ouvir falar. Deve ser alguma cabala, ou alguma vesta que me quer mal!" e eles iam logo embora. "Ah mas nem corrompeu ninguém para o ter?". "Essa agora! Cá em casa não há corrupção, só temos corrução, já adotámos o acordo. Vê? Adotámos. Não é adoptámos. Vá aos meus vizinhos. Acho que eles ainda têm "ps". Eu não!". Em conclusão: fora os bacalhaus intrusos. Ainda por isso cima Noruega só rima com bodega. E bacalhau português rima com "Era uma vez..". Viram?

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

JAMAIS!

" Bom dia! Desejam alguma coisa?"
" Bom dia! Nós vimos almoçar à Assembleia! Agapito Pires e Dona lagarta. Temos marcação!"
"Como?"
" Ai também vai comer? é que..."
" Desculpe. Senhor..Agapito, certo? O senhor tem marcação para vir almoçar? Deve haver engano. Aqui ninguém almoça por marcação. Aqui toda a gente come porque come. Não precisam marcar. "
" Ah mas nós marcámos. Falámos com uma prima da sobrinha dum tio dum senhor que trabalha cá e ela disse que eramos convidados dela e cá estamos como convidados dela. Já entendeu?"
" Entendi. Então não entendi. Entendi que o senhor náo entendeu o que eu disse. Não há marcações. Ponto final. Entra-se para aqui e come-se. Come-se à vontade. E não há convidados. São todos eleitos. Deve haver engano. Ouviu isso aonde?"
" Desculpe lá eu meter-me. Bom dia. Lagarta do Castelo. Como está? Eu estou bem. E quero entrar.Tá?"
"Não tá não, ora essa! Para já, a senhora e o senhor que a acompanha não estão vestidos a preceito nem para aqui entrar quanto mais almoçar! Isto desculpe a franqueza.."
"Essa agora! O senhor passou-se? Já viu bem o calibre do meu traje? E já viu a gravata deste senhor, já? E as meias? E.."
" Ora aí está! Náo pode entrar de gravata, Hoje é 5ª feira. O senhor é do Governo?"
" Do Governo? Acha? Acha mesmo? Ena pá"
"Quais ena pá, ó senhor Agapito. O senhor é mole, puxa! Para que é que o senhor quer saber se ele é do Governo, hein? Quer almoçar também? Quer champanhito é?"
" Não. Até já estou farto de champanhe. É que à 5ª feira vem tudo sem gravata. A não ser que sejam membros do Governo. É para a gente os distinguir, percebe? São muitos. Não é fácil. Tudo a comer ao mesmo tempo não é fácil. Faço o quê?"
" Quero lá saber! E mais não digo. Ora então com licença.."
" Nem com licença nem sem ela! Eu vi logo. A chegarem de taxi só podia dar nisto!"
" Que gracinha, viu? Qual é o mal de vir de taxi, hein, hein?"
" Nenhum. Só que aqui ninguém usa taxi, só carro próprio. E grande. E.."
" E..e..o quê' Também tenho carro próprio, ouviu?"
" Também eu! Mas ..e a marca, a marca?"
"A marca? Ó senhor Agapito, segure-me.Segure-me. Dou-lhe autorização! A marca? Agora quer ver a marca que eu tenho ao fundo das costas a que propósito? Aqui também é preciso mostrar as marcas que cada um tem? Que pouca vergonha é esta? O que é que se passa aqui? Ah isto é grave!!!"
"Grave? Gravíssimo é se eu a deixo entrar! Aqui ninguém tem marcas, ouviu? É tudo limpinho, ouviu? Quais marcas, quais quê! Embora. Chega. Vão almoçar à praia, ao Chinês, aqui JAMAIS!"
" Jamé??? Agapito, embora. Embora já. Afinal já não quero almoçar. Enjoei. "
" Dona Lagarta, é para já. É para já. Andor. E você cuide-se! Ainda vai ouvir falar de nós, viu?"
" Então não vou. Ui que medo!".

A chegada

Bem. Nós iamos os dois tão contentes, tão contentes que vocês nem imaginam! Ainda por cima quando eu e o Agapito saímos do prédio, Jesus!, foi uma festa. Tudo à porta, a bater palmas, a dizer"Força, comam pela gente! Afifem-lhe!" e com cartazes muito elaborados!  " Comam antes predis!", "Coube de Bruxelas, viva!", " Acima a Truta!"!". Lindo! Tomem que não é só o Passos que tem cartazes, viram, viram?. Só não gostei de me pedirem para trazer uma garrafita de champanhe ou de tinto, mesmo que fosse aberta e também não gostei de terem dito para não palitar os dentes, que eu sei que ali ninguém palita dentes, ninguém tem buracos, só arranjam buracos para a malta e são muito altruístas  porque eles não os querem. Eu também não ia agora palitar dentes, olha quessa, ali a comida deve ser tão fina e tão elegante que nem dá confiança a dente nenhum. Além disso, eu e o Agapito caprichámos na indumentária! Bem, o homem até conseguiu ficar apetitoso. De gravata e tudo. E meia branca branca como a neve! Vá lá que eu também não estava mal. Até pus uns brincos a dizer Merry Christmas. E pintei a boca. Ah pois pintei! Não que quando começar por lá nos cumprimentos toda a gente vai saber que está lá a Lagarta e não vão esquecer tão depressa porque o baton é à prova de àgua e custou um dinheirão porque disseram-me que só saía depois de beijocar praí umas cem pessoas! Tomem! E lá fomos no nosso táxi, quietinhos que eu sei lá, para não amarrotar nada e para eu não borrar a pintura. Foi uma viagem silenciosa mas com grande abundância de pensamentos! Alguns um bocadito tortos depois do senhor Euclídio nos relembrar que ainda deviamos a última viagem e que só nos levava agora porque queria dizer a toda a família que tinha levado uns clientes à Assembleia, para não lhe andarem sempre a azucrinar o juízo a dizer que só leva pategos sem dinheiro. Quer dizer...Bem, adiante. Lá chegámos. Foi uma chegada em beleza. Parámos e tudo. E a subida da escadaria? Nem vos conto! O fru fru do meu vestido por ali acima é inesquecível! Foi pena o Agapito espirrar a meio, ia caindo o pobre. Valeu-lhe segurar-se a mim. Só não percebo porque se segurou com tanta força mas isso é uma coisa para eu tirar a limpo depois. E agora...agora...pasmem, estamos à porta. E se é uma porta! Porta de Assembleia não é uma porta, é uma senhora porta! Vem aí alguém ter connosco. Apruma-te Lagarta! "Senhor Agapito, fale o senhor que é homem". " Pois se acha que sou, dona Lagarta, aí vai".

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Eu acho que...outra vez

Há tempos disse aqui que o "Eu acho que.." era um desporto nacional. Continua a ser. Não se pagam impostos, não se pagam quotas, não se pagam taxas, é porreiro, basta praticar um pouco todos os dias. Eu não disse é que emagrecia. Ah pois não disse. Malandrice. É que, de facto, até engorda. A gente fica a modos que inchada, com um ego muita grande, muita grande, às vezes até tem dificuldade em entrar no carro ou sentar-se na cadeira do cinema. É certo que também passa depressa. Passa, pois. Basta alguém dizer que  aquele que disse "Eu acho que..." é um ranhoso mal encarado. Por isso eu também "Acho que...", mas o meu Acho que...é mais lindo, menos pagodeiro e foi muito pensado, muito mesmo. Ui, foi cá um pensamento!! Até doeu. Então:  Eu acho que devia ser proibido as pessoas andarem em compras de Natal de trombas. Já nem os elefantes têm trombas, só têm nariz, são muito espertos, ai são, são, porque não se querem arriscar a levar nas trombas, sim, porque hoje em dia é o que se ouve mais e eles deixaram de usar trombas. Estão congeladas. Não mudam para trombas maiores tão depressa. Por isso, nem as pessoas deviam andar de trombas. As pessoas deviam andar de cara alegre, sorriso arreganhado, até deviam segurar os cantos da boca às orelhas com um cordel, mesmo com dentes amarelos. Amarelo  é a cor da moda, logo, sorriso amarelo. "Ora põe lá um sorriso amarelo, pá!". Já tenho. Ando sempre com ele. E também acho que devia ser proibido gastar dinheiro em prendas, é uma chatice porque ficam embrulhadas, ninguém as vê. Ou então compravam-se e ficavam para nós, a vida está cara e escusavamos de ouvir " ai que giro!" e ser um "Ai que porcaria!", ao menos ouviamos um "Ai que giro!" mas era mesmo giro porque fomos nós que quisemos comprar aquilo e era o que faltava que a gente não gostasse daquilo que comprou para a gente. Era estranho. E a música de fundo também não devia ser de Natal, quais Jingle Bells nem meio Jingle Bells, devia ser " Chamó António!" porque assim a malta talvez comprasse menos, que a gente não sabe o que o António vai fazer e ainda ficamos mal da nossa vida. E também devia ser proibido o Pai Natal  chatear as criancinhas nos chopingues. Aliás eu acho que é inconstitucional e até perigoso, sabe-se lá donde veio, pode ser um espião vindo do frio para ver se a malta anda a comprar prendas. Então tirar fotos com ele nem pensar, só se fôr sem a barba para termos a certeza que não é alguma flausina estrangeira loura e de olhos azuis. Nã, não. Comigo não. E também deviam ser proibidos os enfeites. Ainda ontem o meu vizinho senhor Armandrino, mais conhecido por Rino pois segundo dizem tem um par de chifres na cabeça, não percebo porquê, nunca os vi, valha verdade, o senhor caiu-lhe uma bola de Natal em cima e até lhe estragou a popa de gel que tinha feito e ainda se estatelou no chão quando lhe pôs o pé em cima. Por isso, para quê os enfeites? Merry Christmas? Isso é English, não é nosso; para ser nosso devia-se pôr em todo o lado "Merry Austérity" . Assim a gente sabia a quantas anda, ora essa. E também  não devia haver à venda bolo-rei, devia ser bolo-podre, porque não estamos em monarquia nenhuma e porque precisamos de poupar, comprava-se já podre para o estômago se habituar. Quer dizer, às tantas até dava jeito um reizito. Sempre havia torneios e tudo e a gente podia deitar os cavaleiros ao chão e tudo. Era muita giro. Eu acho que era muuuuita giro. E saudável para a mente. Tumba, já levaste. Ihih, era giro. Eu acho que era giro.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Buzinas e buzinadelas

Buzinas e buzinadelas vão ser o meu tema de hoje. Porquê? Porque sim. Ou habitualmente também se costuma sair do carro e perguntar"Ó sua besta, porque é que apitou, hein?". Não costuma. Sendo assim, também não me apetece justificar a escolha do tema. Ou melhor, até apetece.  Hoje levei com duas buzinadelas. Uma foi "Pi, Pi". Mas foi um Pi de jeito e suave, porque me chamou a atenção para o sinal que tinha acabado de ficar verde. Claro que eu já devia ter adivinhado, já devia ter arrancado aí a uns 200 à hora no momento exacto em que ficou verde. Já devia estar no "Vrum, vrum, vrum "..aí vai disto!. Mas pronto, foi um fulano qualquer que quis ver se a buzina estava boa ou matou algum mosquito sem querer. Que nem os mosquitos têm culpa de andar tudo meio fulo ao volante. Uns porque trabalham, que chatice, e outros porque não trabalham e outros porque são uns camelos. A segunda buzinadela foi tipo "Póóóóóóóóóó" e mais "Póóóóóóó" que nem queiram saber! Vá lá que pus o ouvido à escuta e não ouvi nenhum miminho dos habituais, tipo, "Anda lá com essa gaita, pá!". ( a gaita é minha, porque costuma ser um bocadito mais forte). E o que é que eu estava a fazer? Ora perguntem lá: "O que é que tu estavas a fazer?". Eu? Nada. Ou melhor, estava a tirar o carro do lugar onde o tinha estacionado. Juro. Pelas santas almas. A tirar o carro donde o tinha estacionado. "Então porque te apitaram?".  Porque não o tirei mais depressa. Ou melhor, porque devia ter raspado o carro do lado todinho, ainda por cima um carralhão grande comó caraças e sair apressadamente, desvairadamente, do sítio onde estava, para o outro senhor que entretanto chegou meter o dele, que o tempo é curto. Bem. às vezes tenho pena de não saber assim uns Karatés ou uns judos ou não ter uma fisga à mão ou um balde de exterco, qualquer coisinha que me animasse a parar o carro, sair, abrir a porta do outro, tirá-lo para fora, agarrá-lo pelos colarinhos ou pelas golas e perguntar: "Buzinou alguma coisa? Buzinou?". Valha-me santa Paciência! Livra! Ao menos personalizem as buzinas e assim a malta já sabia se era só um aviso, uma ajuda ou uma murraça. Facilitava muito a vida dos condutores. Umas buzinas diziam " Olhó sinal!", outras " Olhó meu carro!", outras "Ó seu urso!", outras " Ó giraça, olha práqui!", outras " Anda lá com isso, gaita". Enfim, várias versões. e até podiam ter música de fundo! Um vira, um fado, um hip-hop, eu sei lá! Não sei como ainda ninguém se lembrou disto! Tenho pena. Quase todos os dias usava "És homem mas conduzes mal!!". Ai usava, usava. Ao som dos Xutos e Pontapés, já agora.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Portuguese nightmares-versão-cold-32

Vocês já viram que está um frio de rachar?
Pois é. Também estou geladinha ,mas tenho sorte. Ainda não senti nada a rachar. Já introspeccionei todos os cantinhos deste metro e meio de gente e felizmente nem sequer um dente rachou. Nem uma unhita nem um ossito. Já não é mau! Sendo assim, o melhor é olhar para esta coisa de outra forma. E se é para andar à procura do frio e rachá-lo?  Hum, pode ser. O Afonso era maluco suficiente para julgar que era algum Bond. Ele até dizia sempre: Henriques. Afonso Henriques. Tinha a mania das grandezas. Aliás, vê-se. Então resolvi andar à procura do frio para ver se o rachava de alto abaixo. Fui à Primark e tudo, mas nada. Até que alguém me disse "Olhe que às tantas emigrou. Aqui é natural que não tenha grande futuro porque só arranja trabalho a sério na Serra da Estrela e mesmo assim é pouco e só duas ou três vezes por ano. ". Ai o malandro, hein? Uma pessoa agasalha-se toda para o receber bem e ele pisga-se? Já vais ver, pá. Ou esqueceste-te que às vezes também dizemos "está frio até dizer chega!"?  Ai é? Então toma. "Chegaaaa!!". "Chegaaa!!" Não ouviste?Parece que não. Continuo a tiritar de frio. Brrr...Olha, friinho lindo, vai-te lixar. Treme tu, pode ser que raches sózinho. Que língua!

domingo, 9 de dezembro de 2012

Mudança

Nós devemos ser maluquinhos. Então temos um oásis à frente do nariz e escolhemos o deserto? Não entendo. Acho que realmente está na altura de pôr dali para fora todos os partidos e políticos que nos têm governado até agora e dar a oportunidade aos outros dois, ao PCP e ao Bloco de Esquerda. Que diabo, deixem-nos lá mostrar como se governa sem meter o país num buraco. Tudo quanto se faz ou se fez é sempre uma porcaria. Têm a cultura do "Não", do contra, do se é branco devia ser preto, se é preto devia ser branco. Está sempre tudo mal, e todos os seus "colegas" são umas bestas, apátridas, submissos, corruptos, não vêem nada à frente do nariz e não percebem nadinha de economia nem finanças. Não entendo como não se lhes dá uma oportunidade. Senão vejam: quem não gostava de ganhar tanto ou mais do que há 2 anos? Quem não quer ter de volta os dois subsídios? Qual o reformado que quer que lhe descontem nos descontos que descontou durante quase 40 anos para a Caixa Geral de Aposentações? Qual o professor que não quer que descongelem as carreiras e o coloquem onde devia estar há mais de 5 anos? Qual o professor que não quer continuar a ter o seu lugar no ensino, com turmas mais pequenas e sem a porcaria dos agrupamentos? Quem é que não quer que o ensino seja todo gratuito desde o básico ao superior? Quem é que não quer que todos aqueles que, mesmo assim, não podem estudar, tenham bolsas pagas pelo Estado? Quem é que não quer que todos os jovens licenciados tenham emprego e não tenham de ir para o estrangeiro à procura de oportunidades de trabalho? Qual o cidadão que não quer recuperar o seu emprego, a sua casa, o seu carro, ou, simplesmente, a sua dignidade? Quais as Instituições, Observatórios e Fundações que não querem continuar a receber subsídios do Estado? Quantas empresas não quereriam não ter que fechar e assegurar o emprego a milhares de funcionários? Quem não quer que o Banco Alimentar e outros estivessem às moscas porque ninguém passava fome? Quem não quer que o estado apoie a cultura , dando trabalho a todas as companhias, grupos de teatro, futuros e actuais entusiastas de cinema? Quem não quer uma televisão pública de qualidade, jornais que não fechem, que a Lusa continue como está? Quem não quer dizer à Troika "olhem, não precisamos de vocês para nada, pisguem-se"? Quem não quer dizer à Srª Merkle que nos esqueça? Quem não quer voltar a ter o escudo, o nosso escudo, em vez do euro? Quem não acha que não precisa da Europa para nada, nem para importar nadinha, nem das ideias capitalistas malucas de que o dinheiro é que põe tudo a funcionar? Quem não quer igualdade a todos os níveis? Quem não quer precisar de patrão nenhum e ser dono de si próprio? Etc, etc..
Acho que ninguém.
Mas ...é verdade, esqueci-me: e o dinheiro para isto tudo? Donde vem?

sábado, 8 de dezembro de 2012

Está decidido

Logo vi. Aquela Fedúncia não dá ponto sem nó. O que ela queria era entrar para tomar um cházinho. Bem, mas já que vou ter de fazer um cházinho, rais a partam, então que seja uma coisa de jeito. Lá fui fazer uns sequones - vi no programa do Gordon, é fácil e posso roubar ao açúcar e à farinha, que a vida está cara  - e trouxe a margarina que manteiga é para dias de festa, por exemplo, quando recebo no fim do mês. Ainda é uma festa. Chateou-me um bocado deixar aqueles dois na sala no tréu, téu e só me apetecia dar um suporífero ao Pio que veio atrás de mim e não parava de ganir. Ás tantas queria xixi. Queria, porque me barimbei por completo. Grandes !Ah, Oh, Ui" quando voltei à sala e lá começámos a falar do tal corrompimento. Prefiro dizer assim porque corrupção rima, por exemplo, com aldrabão, enquanto que corrompimento só rima com jumento, é mais delicado.
"Então vamos lá ver. O que é que a prima Lagarta tem para corromper?"
" Bem, tenho aí umas geleias e um par de meias que ainda não usei que posso oferecer em troca!"
" Nem pense, prima. Tem de ser uma coisa em grande!"
"Então mas as meias são tamanho XL, não chega?"
" Qual XL, nem meio XL. Tem de ser mais uma coisa fina. Senhor Agapito, pare de comer e diga lá o que tem você, pode ser que seja chamativo. Ó homem, largue os sequones, puxa!".
" Largo, largo, ainda lhe deixo um. Ora então vejamos. Eu tenho uma casa na aldeia, uma moradia e..."
"Ena pá, moradia? Aldeia? Já é melhor. Onde é?"
" A senhora não me deixou acabar! É uma moradia mas está a cair aos bocados e não tem água nem luz. Acha que serve?"
" Mas tem piscina?"
" Quer dizer, tem lá uma poça enorme que ainda fica maior quando chove, mas água tem, portanto. Não tem é escadas para descer mas anda por lá um tronquito que pode bem fazer as vezes!"
" Hum, não sei não. Só se vocês levarem uma foto de uma das deles. São tantas que nem dão por isso!"
" Ó Fedúncia, lembrei-me agora. e peixe? Uns robalitos ou uma pescadinha de rabo na boca ou ...?"
"Ó prima, isso não. Não é original. Vamos lá a ver. Um ofechore? Alguém tem?"
" Eu só choro quando o Pio me morde. Não tenho em ofe."
" E eu, prima, nem isso. Só se descascar uma cebola, o que é que acha?"
" Livra, até me fazem engasgar! Não é nada disso! É uma conta, uma conta!"
"Ui, Fedúncia, isso tenho muitas! Mas estão bem guardadas, só as vejo quando bebo um copito ao almoço e mesmo assim é só de relance! Mas não me importo de as trocar pelos privilégios que eles lá têm. Um qualquer. Não sou esquisita!"
" E eu, palavra de Agapito, se não lhes dou logo o meu escalão de IRS ! Assim como assim, o deles é maior mas ainda fico a ganhar! Que rica ideia!"
" Então, prima e senhor Agapito, está decidido. Trocam os vossos ordenados e os Ierresses e os Imises e as tachas e os tachos todos pelos deles! Está feito!"
"Ok, prima. Não sei é se vão aceitar o tacho que tenho de ir limpar as escadas do prédio ao lado numa acumulação indevida com o meu ordenado. Não sei não. Acho que é ilegal!".
" I..quê? Ah, não, não, não se importam nada. Estão habituados."
" Prontos. Fedúncia e senhor Agapito, peço desculpa mas agora retirem-se. Tenho de ir pôr os papéis à mão. Senhor Agapito, faça o mesmo, sim? Vá, agora adeusinho. Faltam só uns dias para o almoço. Ao trabalhooo!"
E lá foram. Livra, estava a ver que tinha de fazer mais sequones.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

G.N.

Ora esta! Julguei que o Contra Informação da RTP já tinha acabado e afinal não! Pelo menos todas as semanas vejo um dos bonecos. Está giríssimo! Parece mesmo mesmo que é ele a falar. Quase nem mexe a boca. Perfeito! E continua a ter um sucesso enorme. É certo que dantes toda a gente se ria e gozava e agora toda a gente copia e cola. Bem, as tecnologias avançaram muito, não é? E a mexer-se? Ui, continua um mimo. Muito bem feito. Ainda se vêem os cordelitos nos braços e nas mãos, mas é muito bem  manejado, nem parece uma marioneta. Aliás, todas as semanas há grandes ensaios, sobretudo nas deixas que vão ficar para a posteridade! Há quem diga que há mais a quererem mas eu não acredito, sempre é mais fácil ficarem na sombra à espera dos cacos. Ah, não sabiam? É um boneco de vidro. Ah pois é. Quando cair ao chão vai ser lindo: ou o deitam para o lixo outra vez ou o colam outra vez ou é uma algazarra a ver quem fica com o melhor bocado! Vai ser um pagode!

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

A troca

Já descobri como vou conseguir ir almoçar à Assembleia. Sim, porque ainda não desisti. Ainda por cima aproxima-se o Natal e aquele luxmenu ainda deve ter mais iguarias inconfessaveis e sobretudo fora da bolsa duma triste como eu que recebo ao fim do mês sem mais uma parcelita dum extra qualquer, assim, um subsidiozito de tempo de espera do meu carro se pôr a trabalhar, tempo de espera de andar às voltas à procura dum lugarzito sem uma multa do caraças, etc. Coisas de lagartas.  Por isso resolvi propôr ao Agapito uma coisa muito em voga e que não faz moça a ninguém: a corrupção. Aliás, foi a prima  Fedúncia que se lembrou disso, ou julgam que ela não metia o bedelho no assunto? Assim que ouviu a barulheira do Pio e os trambolhões do Agapito veio logo escadas abaixo perguntar o que se passava e se podia ser útil. Apeteceu-me dizer-lhe "Então não pode? Pisgue-se!", mas a Fedúncia não é propriamente pessoa para se ter como inimiga, livra! Ficava sem uns pacotitos de açúcar de vez em quando! E quando ela soube do que se tratava, disse logo: "Ó prima, use a corrupção! É o que está a dar, prima!". E eu: "A Corrupção? Quem é essa? Vive cá no prédio? Não conheço!". "Prima Lagarta, lá está você a desconversar. A corrupção não é uma pessoa. É uma coisa, percebe? A prima pode corromper alguém para lá entrar!". " Ó Fedúncia, tudo bem, é uma coisa, mas acha que eu vou andar ou o Agapito a romper os fundos das calças a alguém? Parece mal!". " Ai, valha-me Deus! Não é cu-romper! É cô- romper! CÔ, cô!." " AH quer ir à casa de banho? Já podia ter dito!". "Ó prima, livra! Corromper significa dar uma coisa em troca de outra. Assim, tipo, tu dás-me isto e eu dou-te aquilo e não se fala mais nisso. Ficam ambos a ganhar. E ninguém sabe. Só os doises!". " Ah, isso está bem, Fedúncia! Mas ninguém fica a saber mesmo?". " Não, é sigiloso. Espere aí. Não diga já asneiras. Quero dizer que não se pode saber mas se se sabe ambos os doises dizem que não sabem e que sejam ceguinhos se alguma vez souberam. Percebeu?". " Então não percebi! Isso agrada-me. Ó senhor Agapito, está tão calado porquê? Gosta desta da corrupção ou não?". "Ah Dona Lagarta e Dona Fedúncia! O que seria dum Agapito sem as duas? Claro que gosto. Falam nisso na televisão e nos jornais e nas rádios todos os dias! Deve ser bom! Até porque nunca ouvi alguém dizer que se lixou por causa disso! Boa, Donas! Vamos a ela!". " Bem, senhor Agapito, vamos a ela também não. Não se extravase. Agora vamos ter que pensar na troca, percebe? O que é que nós temos para trocar com a entrada e com o almoço? A gente não pode usar mal a corrupção. Ou se usa ou não se usa. Deve ter regras e eu não quero ficar mal vista!". "Nem eu, dona Lagarta!". E diz a Fedúncia: " E se a gente entrasse, tomasse um cházinho enquanto se pensa no corrompimento?". Boa. E entrámos.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Não damos sacos

Hoje vou ser muito rápida, tá? Vou falar de sacos. Sacos, sacos, não é do grande saco de me aturarem. É de sacos mesmo, daqueles que carregam comprinhas. Imaginem o cenário: cesto com compras. Caixa. Eu. "Olhe, faz favor, ponha-me isto num saco e isto noutro, porque uma das coisas não é para mim". Menina da caixa: "Não posso". Eu:" Não pode porquê?". Menina da caixa: "Porque aqui não podemos dar sacos". Eu: " Como? Então não pode pôr isto num saco e isto noutro? Eu pago tudo junto". Menina: "Não posso mesmo.". E moi je: "Ok. Então aqui a minha filha paga este e já leva o saco". Menina da caixa: " Pode ser". E levou.
Parece mentira, mas é verdade. Diálogo de loucos em país de loucos. Vá lá que não foi preciso a filha ir outra vez para o fim da fila, mas o cúmulo é que paguei eu outra vez com o meu cartão!!!!! Vocês já viram coisa mais ridícula?

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

A Carta aberta do Agapito

"Ó Dona Lagarta, e sé nós escrevessemos antes uma carta aberta em vez de levarmos as perguntas num envelope?"
"Nem pense! Onde já se viu enviar uma carta aberta? Isso seria má educação, senhor Agapito. "
"Má educação? Pelo contrário, é muito fino, está muito na moda. Aberta é que é."
" Quer que lhe diga outra vez que nem pense? Então uma pessoa vai agora pôr no correio uma carta já aberta! assim toda a gente lê pelo caminho e além do mais estamos a prejudicar muita gente!"
"A prejudicar muita gente? Agora não estou a perceber."
"Não admira, você às vezes é burrito. Então veja, não se compram envelopes nem se põem selos nem se dá que fazer às pessoas que carimbam as cartas e por aí fora e depois queixam-se que as coisas fecham, qualquer dia até se mandam encomendas abertas, querem ver?"
"A senhora às vezes desliga-me o juízo. Uma carta aberta não quer dizer que vá aberta! Ora veja a carta aberta que o Dr Soares mandou ao nosso Primeiro, veja. Veja se..."
" Primeiro estou eu. E segundo, você já sabe que o nosso vizinho Dialécio Soares está velhote e às vezes até pede à prima Fedúncia para lhe coçar as costas porque sofre de reumatismo. E também já está um bocado com os fusíveis parados. O homem sabe lá escrever alguma coisa! Se mandou aberta é porque nem se lembrou de a fechar! Estou mesmo a ver a Fedúncia a esfregar as mãos de malandreca por lhe ficar com os euritos do selo e do envelope. Ela é bem capaz disso, ai não, não é.!"
" A senhora não me ouve, pronto. Está visto!"
"Mau, não ouço ou não vejo?"
" Irra. espere aí. Eu não falei desse Soares, bolas. Falei do outro. Aquele que até já foi Presidente e tudo! Aquele que fala muito na televisão e escreve umas coisas e tudo! Ora se ele manda uma carta aberta é porque sabe que pode mandar uma carta aberta. Uma carta aberta é uma carta aberta."
" Ah, já podia ter dito. Sabia lá que se referia ao senhor Salpico Soares, presidente da Junta que até escreve na gazeta da Bóina que eu compro todas as semanas?"
" Dona Lagarta. Agora irritei-me. Também não é esse! Livra! É aquele que pede a demissão do Primeiro, Segundo e Terceiro e que mandou uma carta aberta ao Primeiro para ele saber que ele e dezenas de outros que escreveram com ele querem que ele mande embora o Segundo e o Terceiro mas que primeiro tem de ir ele que é o Primeiro, percebe?"
" Então não percebo! Percebo bem que você sem gasolina não funciona. Vá lá tomar o seu café que a gente já fala. Onde é que já se viu dezenas de pessoas escreverem a mesma carta? É uma linha cada um, é? "
" Não é assim, não. Um escreve e os outros assinam."
"Então mas tiram à sorte? Acho isso mal. E para assinarem? Já viu a trabalheira? Mais valia escreverem "Soares e Companhia". Ou "Nóses"."
" Como queira. Já não digo mais nada. Esqueça a carta aberta, pronto".
"Ah, pois esqueço, esqueço. Eu gosto de coisas sérias. Não estamos em tempo de andar a brincar, senhor Agapito".
"Engana-se, dona Lagarta. Olhe que o Dr Mário Soares não brinca, ele.."
"Ah era esse? Ó homem, já podia ter dito, caramba! Esse realmente não brinca! Goza! Nã, não. Agora é que esqueça mesmo essa da carta aberta. É que eu ia lá pôr que ganho pouco e não tenho direito a nada e não tenho mesmo e ganho pouco mesmo! Nem pensar! Pensemos noutra!"

sábado, 1 de dezembro de 2012

Outro Portuguese nightmare mesmo- 30

Sabem onde fica Almeida? Não, não é "o" Almeida. É Almeida vila. Ou, a vila de Almeida. Ah, não sabem!! Pois, pois, é só Maldivas e Caparicas e Havais e depois, népias, do nosso pais nada! Pois eu sei e até já lá passei várias vezes. Por fora, é certo, mas passei. É pertinho da Guarda e duma fronteira que eu gosto muito de atravessar. Não digo porquê. Queriam! Ora então agora já sabem onde fica e sabem que é uma vila. E..e...depois? É o que  é que eu tenho a ver com isso?- dirão vocês. Têm. E muito. Preciso da vossa ajuda. Hoje ouvi uma expressão que não ouvia há muito tempo e fiquei baralhadinha de todo. Diria mesmo, mais do que o habitual. Sabem qual foi? "Aquela fulana tem pernas até Almeida". Até quê? Até Almeida? Vocês desculpem, mas alguém tem pernas até Almeida? Nem que viva em Viseu ou em Mangualde, é sempre uma distância do caraças! E mais, vejam a pobreza de linguagem: porque é que não dizem "Tem pernas até à Guarda"? Sempre era uma cidade, era ou não era?  Mesmo assim, ajudem-me. Eu sei que as aulas de fitnesses e as danças do varão e os pilates e aquelas maquinetas onde a malta corre e transpira mais aquelas onde pega em dois paus e parece que vai a subir uma encosta pelas escadas, fazem bem e às tantas até alongam as pernas, para falar só das pernas. Não havia no meu tempo, senão vocês haviam de ver como eu era espigada! Ah, caraças! Mas agora chegarmos ao exagero de dizer que se fica com pernas até Almeida, acho que é uma imprudência, eu sei lá se em Almeida querem pernas daquelas?? E também uma violência psicológica das grandes! Eu, por exemplo, não queria ter pernas até Almeida, preferia ter pernas até Madrid ou Paris, sempre era mais fino. Mas também não me importava de ter só até Vila Franca ou até ao Areeiro, já eram umas pernas bem longas. E então o que eu quero é que me ajudem a classificar melhor as pernas da malta. Pode ser só curtas, meio curtas, meio longas e longas? Ou vice-versa? Pronto, sabia que podia contar convosco.