sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Upgrade

Julguei que já tinha passado a Relvomania, mas ontem recebi mais mail  sobre ele., mais uma foto com legenda, a habitual, porque a imaginação começa a faltar. A não ser que  descubram que o homem fez alguma coisa escabrosa quando era bebé, como, por exemplo, fazer chichi para a cara da mãe quando mudava a fralda. Claro que já nem o encaminhei, até porque, felizmente, ainda não há nenhum que no final diga "ou passas este mail ou perdes 5 amigos em 3 dias", ou " se não passares este mail, algo de muito grave te acontece dentro de 23 minutos". Aí, penso duas vezes, tenho receio que o muito grave seja repetirem o concurso do Malato toda a tarde. Livra!
Mesmo assim, já há uma evoluçãozita nas legendas. Esta dizia "upgrade". Uau, estamos ficar muito fashion.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Convite

Se há profissão para a qual toda a gente julga estar habilitado é a de professor. É vulgar ouvir dizer "olha, se não encontrar mais nada, vou dar aulas".
 Primeiro:  ser PROFESSOR não é dar aulas. É muito, muito mais do que isso. Dar aulas, realmente, confesso, toda a gente pode dar: ponham-me um livro de Matemática, ou Biologia, ou História, ou Geografia, à frente, digam para abrir na página tal, fazer os exercícios tais e ver as soluções, que eu consigo. Ou ponham-me uma turma à frente, dêem-me uma bola e ponho-os a jogar futebol. E passaram 90 minutos. E foi "porreiro", dei uma aula. Mas isso, garanto-vos, não é ser professor.
Segundo: já viram alguém dizer " olha, se não arranjar nada, vou fazer umas operações",  ou "vou dar umas consultas no Centro de Saúde", ou "vou construir umas casas", ou "vou gerir um banco"? Etc, etc.  Não, pois não? Pois.
É por isso que fico piurça quando ouço falar sobre o ensino. A maioria das vezes os tatebitaites são ditos por pessoas que nunca estiveram no ensino, nunca estiveram numa escola, nunca foram professores. Passo-me dos carretos. Sobretudo quando, com ar doutoral, enjoado, erudito, desconfiado ou irónico, com uns papéis à frente e de caneta na mão, se referem à desmotivação dos alunos. "É preciso motivá-los, ir de encontro às suas necessidades, incentivá-los..". Agarrem-me! Então e o que é que a maioria do triste do professor faz todos os dias? Motivar como? Ó filho, deixa lá, não fizeste o trabalho que te mandei há 8 dias? Não trouxeste o livro nem o caderno? Não trouxeste a máquina de calcular nem papel para escrever? Deixa lá, não te traumatizes! Também quem é que se lembra de pedir para fazeres alguma coisinha? Tens o telemóvel? Então chega. Assim nem vens tão carregado. Faz mal às costas, bolas!". Agora pergunto: quem MOTIVA o professor? E porque é que ele tem de estar sempre, sempre motivado, sempre de sorriso na boca? Não pode perder a cabeça de vez em quando? Não pode EXIGIR nadinha? Querem experimentar? O que vale é que ainda há muuuuiiitos bons alunos. E não me refiro só às notas. Refiro-me também  à educação, ao empenho, ao saber estar. Bem hajam! Eles e os Pais deles.
E também já não posso ouvir falar das "crianças" que vão ser obrigadas a ir para um ramo vocacional depois de chumbarem ( cuidado, não se pode dizer "chumbar"ou "reprovar", é "não transitar" - com reservas - ou "sem aproveitamento") duas vezes até ao 6º ano! É que nessa altura já serão "crianças" de 13-14 anos! Ainda não sabem o que querem. Pois não sabem não, só lá para os 50, com sorte. Claro que não podemos correr o risco de generalizar. Há casos e casos. Alguns não têm nada a ver com falta de estudo. Esses merecem reflexão e respeito.
Por mim, fazia um Decreto-Lei a proibir qualquer pessoa de legislar, sobre o ensino, sem ter passado uns anitos numa escola. Mas não numa escola - modelo, claro. Numa escola onde não há aquecimento, onde se escreve de luvas por causa do frio, onde há um computador para cada 100 alunos, onde se ouvem palavrões de fazer corar qualquer um, onde os estores não funcionam e não se vê nadinha para o quadro ou para a televisão, onde é melhor passar no corredor com um capacete no caso de levar com alguma coisa na cabeça, onde os funcionários se arriscam a ser puxados pelos colarinhos ou a levar uma peitaça à Luisão, onde é uma festa quando as cadeiras teem 4 pernas e não há desenhos ou palavras para maiores de 21 escritos nas carteiras e nas paredes, onde o professor é melhor assobiar para o lado ou espirrar desalmadamente a fingir que não viu aquele apalpanço ou beijocanço, etc, etc. E não tinham dificuldade em ser colocados. Há por aí destas aos montes. E pode começar por ti, ó Mário!
 O problema é que a geração dos que têm agora 50-60 anos, são todos uns traumatizados por não terem podido fazer nada daquilo. Taditos.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Desculpa lá, ganda nóia

Já bati com a cabeça na parede várias vezes. Burra, burra, burra! Afinal meti todos no mesmo saco e não devia. Pelo menos desta vez... Claro que falo nos ex-qualquer coisa, comentadores eruditos de TV. Pensei eu de que...em relação à RTP, que todos tivessem de acordo. Não é legal, constitucional, moral, cristão, tirar os ordenaditos chorudos àquela gente sem mais nem menos! Que diabo, o que faziam assim dum dia para o outro, a viver com mil euritos, por exemplo? E que faziamos nós sem os programas estupendos de serviço púdico, perdão, público, que vemos todos, todos os dias? Como passamos sem a 2? Sim, a 2, porque é duas vezes mais chata que a outra! Acham bem que deixemos de contribuir para os 3,7 mil milhões de euros que a malta paga para eles? Acham bem considerar indecente 1,7 mil milhões de euros um prejuízo grande ? Não são 1,8 mil milhões. São 1,7. Há uma diferença, não é?
 Mas ontem o ganda nóia encheu-me as medidas e poupou-me uma ida ao médico. Pensei que estava tolinha. Afinal estamos os dois ou , então, temos os dois razão. Aquilo é insuportável. E só não vê quem não quer.
E, já agora, se os senhores administradores não concordam, demitam-se, como disse o ganda nóia. Pois, mas tens de lhes dar tempo, homem. Andam à procura do tacho certo antes de sair. Aposto.

Sporting Assápintado

Hoje estou perigosamente rabugenta. Ainda bem que o meu Sporting jogou à noite e tive tempo de dormir para me acalmar ligeiramente. Sim, porque ontem apetecia-me ir às trombas, ao focinho, o que quiserem - quero lá saber se me fica bem dizer estes" mimos " - a toda aquela gente. Dirigentes, jogadores, treinador, o homem do roupeiro, os apanha bolas, os vendededores das bilheteiras, todo e qualquer ser humano que tenha o desplante de uasr o emblema do clube seja onde fôr, até pode ser só no lenço de assoar. E não me venham dizer que só estamos no início, que é a 2ª jornada, que o Real Madrid também perdeu! Esta então mata-me. Querem trocar um Getafe por um Rio Ave, querem? Onde fica o Rio Ave? Ainda por cima é uma ave e eu detesto aves, faz-me logo lembrar águias e fico de cabelos em pé.
Futebol é assim mesmo, né? E porque é que é assim mesmo sempre com aquela malta? Porque é que não é "assim mesmo" porque ganham? Porque se esfarraparam para ganhar ? Então o Sá Pinto - de quem gosto bastante - parecia que tinha tomado Xanax. Às tantas tomou, sei lá. Ele viu o mesmo jogo que eu vi? O homem tem a coragem de dizer que a equipa "está muito forte, muito confiante"? Puxa, deve querer dizer dizer que está confiante em continuar a fazer figuras de urso, ou ursos. O que vale é que ainda há comentadores que ficam piurços como eu. Não me refiro ao Dias Ferreira, até mudei de canal. O homem só se irrita quando fala do Benfica ou do Porto. Big deal. Quero lá saber deles. Parecia uma mosca morta. Preferi ver o Barroso. Ah, valente! Disse o que lhe ia na alma, com garra, com uma tristeza enraivecida, com alma de Sportinguista . Eu punha o Sá Pinto de quarentena, o homem deve estar doente. Onde anda o Sá dos socos? Preferia que esperasse os jogadores à entrada do tunel e desse um murro a cada um, ou um belisco, ou um pontapé no rabo, ou uma carta de despedimento!  Aliás, eu mandava-os a todos para a Patagónia ou para o Tibete. Estão a precisar de meditar! O problema é que, meditando ou não, no fim do mês lá estão uns milhreszitos no bolso.
Tenham vergonha, bolas! É muita pressão? Quero lá saber! Despressionem-se e rápido! E quero lá saber do que vão fazer na 5ª feira ou na 3ª jornada! Quero saber é o que é que vão fazer todo o ano!!
No futebol não há lay-off? É pena. Mandava-os todos embora por uns tempos - sem ordenado - e punha os juniores a jogar. Os juniores ou os apanha bolas. E enquanto estavam fora tinham aulas todos os dias. 12 horas por dia. Primeiro vocabulário a aprender: bola, baliza, jogar, correr, saltar, rematar, ganhar, emblema, leão, adeptos. E, já agora, Sporting.
Esqueci-me. Mandem também o Godinho e companhia.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Portuguese nightmares-2

Esta é muito engraçada. Já nem me lembrava disto se não tivesse ouvido ontem outra vez. Ora vejam:
- "Então adeus e obrigada".
- " Obrigado nós".
E...então? Qual é a graça? Só esta: quando nos despedimos de alguém a quem pedimos ou agradecemos alguma coisa e esse alguém está sózinho.......que raio, para que é o "obrigado nós?" Nós" quem? Uma pessoa, bolas, fica um bocadinho insegura a pensar: querem ver que estava mais alguém e não vi? Nem sequer vi nenhum emplastro a espreitar! Juro. E também podemos pensar que às tantas é o novo acordo ortográfico a funcionar e que eu devia ter dito "adeus e muito obrigadas". Queres ver?...

domingo, 26 de agosto de 2012

Não percebo nada outra vez!

Ora então vamos lá ver o que tenho no meu mail.
Xi, patrão, aqueles fulanos da RTP ganham aquilo tudo? E não fazem nada de jeito? Có horror!
Xi, tanta Fundação, tanto Instituto! Boa, vou já passar isto. Assim não admira que não haja dinheiro para os meus subsídiozinhos.
Pois é. Puro engano. Para a próxima estou quietinha que nem um rato. Assobio para o lado e não vejo mail desses nenhum. Para quê? Toda a gente berra e barafusta, os senhores comentadores fartam-se de adiantar soluções para a crise, que passam sempre, sempre, sempre, por desengordar o estado, por acabar com os muitos Institutos e Fundações que por aí há, por acabar com ordenados chorudos que são uma vergonha porque não correspondem ao serviço que as pessoas prestam, mas....oh, valha-me Deus, mal se diz que esta ou aquela fundação vai desaparecer, pois esta ou aquela é que nunca! E a RTP? Credo! E a RTP 2? Sacrilégio! Faz muuuita falta! Quanto mais não seja para ver a canoagem.
Está tudo doido.
Ou eu.

Não percebo nada!

Tenho o cartão Fnac. Dá-me jeito. 10% de cada vez que compro um livro - e são muuuitas vezes - é uma poupança considerável. Mas hoje ia renovar o cartão, porque a empresa com quem trabalhavam quando as pessoas pedem crédito para alguma coisa, a Credibom, já era. Passaram para a Cetelem. Tudo bem. Big deal. E onde posso renovar?- perguntei eu. Ali, no balcão do crédito Fnac. Ok. Lá vou eu. Mas quando lá cheguei...uau, estavam para aí umas vinte pessoas à espera à minha frente. Decidi esperar um bocadito. Pensei para comigo que renovar um cartão, coisa e tal, seria rápido, mais vale esperar, não vai demorar assim tanto.
Está bem, abelha. 5,10,15 minutos e ainda só tinham atendido uma pessoa! Foi então que, naquelas conversas de chacha que invarialvelmente se seguem aos olhares de soslaio, ao roer da unha, ao bater com o pé, ao bocejar levemente, ao bufar ruidosamente a ver se o empregado ouve e se despacha ou se o senhor à nossa frente desiste (sempre é menos um), perguntei a um casal, com um sorriso um bocadito estúpido: Estão aqui há muito tempo? Também é para renovar o cartão?". "Não, não, é para um crédito. Deve demorar, creio que os outros também".
UUppps! Crédito? 20 pessoas? Crédito, crédito, daquele em que se adianta o tlim tlim e se vai pagando?? Nos tempos que correm? Nah, pensei eu, isto é para ver se vou embora. Queriam! Fico.
E fiquei. Mas ao fim de 1 hora resolvi ir perguntar a um funcionário: isto é tudo para crédito? Não posso renovar o cartão? É só entregar uns papéis" - " Para isso é melhor vir durante a semana, ao almoço ou demanhãzinha."
Percebi. O crédito ao domingo é mais barato.
Ou pedir crédito ao domingo dá menos nas vistas.
Ou durante a semana não há crédito para ninguém.
Ou anda tudo doido.
Ou eu.

sábado, 25 de agosto de 2012

Portuguese Nightmares

A nossa língua é mesmo mesmo traiçoeira. E chata. Tem cada uma que valha-me Deus. Vejam só: há tempos falei da forma como a maioria das pessoas agora se despedem de nós: "Então boa continuação" (brrr...). Mas há uma outra forma - a de cumprimentar as pessoas -  para mim tão horribilis e enervante e perplexante como a outra. Está "instalada" há alguns anos e parece-me, não tenho a certeza, que coincidiu com a leva das novelas brasileiras, daquelas que nos prendiam ao ecrã com a história e não precisavam de doenças, acidentes, pancadaria ou sequeso (sexo é as de agora) para ter sucesso (lembram-se de "O Casarão", do "Roque santeiro", da viúva Porcina, da Gabriela? Pois). Vejam se já ouviram: "Olá, então tudo bem?", "Tudo bem?", "Bem disposto" ou - esta é hoooorrível: "Olá, então?". Então o quê, gaita? Uma vez perguntei mesmo "então o quê?". Resposta:" Então, tudo bem ou assim assim?". Arre! E o "Bem disposta?". Não, não estou. Ora bolas. Às vezes não estou mesmo. Só que é melhor nem dizer nada porque depois perde-se imenso tempo a explicar ou põe-se em risco a vida de quem nos interrogou e que partiu do princípio que estava bem disposta. Não estava. Só que a pessoa ia a andar muito depressa, não esperava pelo meu "não" e pumba, na ânsia de saber ou por delicadeza ou ambas, de saber o porque não, bateu com a cabeça na porta que ia abrir porque parou de repente. Não estou a inventar. Foi mesmo assim.
O pior, o pior mesmo, mesmo, mesmo, é que isto é contagiante. Já dei por mim a dizer "Olá, tudo bem?". Logo a seguir apetece-me morder a língua ou puxar-me a orelha ou pôr-me sem o programa do Malato um mês. Mas, pronto, saiu.
Tenho de ensaiar mais o que aprendi quando comecei a ser gente. "Olá, como está? Passou bem?"
(vendo bem...e se não passou???!!! Bolas)

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Tímidos e arrumadinhos

Para já, ainda só enchem o carrinho de comida. Por pouco tempo que tivessem estado fora, a verdade é que falta o leite, o pão, os cereais, a carne, enfim, os ingredientes necessários para o dia-a-dia normal. E, para já também, ainda proliferam os risos, a boa disposição, apimentada pela tal côrzita de verão, tão saudável e descontraída.
No entanto, de longe e ao longe, assim como não quem não quer nada mas quer, meio tímidos e ainda muito apertadinhos nas prateleiras, muito arrumadinhos, muito limpinhos, espreitam os livritos, as canetitas, as borrachitas, as pastistas com ou sem animal ou estrela rock, os estojitos, os lapizitos de côr ou sem côr, as esferografitas, os cadernitos - grandes, pequenos ou assim assim - , os dossiezitos, as fititas cola, os marcadorzitos, as colitas, os agrafadorzitos, as capitas de plástico, o papelzito de encadernar, e, ó doce tentação, a mochilita com os Morangos ou as Morangas da moda, com rodas, sem rodas, mais coloridas ou menos coloridas, mais pesadas ou menos pesadas, mais espaçosas ou menos espaçosas. Tudo isto já está à entrada de qualquer supermercado ou papelaria que se preze. Mas não é para comprar. É só para ir lembrando que daqui a pouquito estão aí as aulas. E com elas, os carrinhos vão cheios de tudo aquilo - sim, que o que sobrou do ano anterior não serve ou é para o "mais novo". Outra vez o mesmo dossier? Credo! É pouco estimulante para a criança, valha-me Deus! Nem pensar.
Então aí..cheira-me, hummm, não sei, cheira-me que os sorrisos desaparecem, bem como a boa disposição (aliás, a pessoa até já está branquinha de todo, já nem se lembra das férias). E começam os atropelos a ver quem chega mais depressa às coisitas mais baratas ou às que estão mais na moda. E começam os berros, o "está calado ou vamos já embora", o " mas tu julgas que podes ter tudo?" (julga), o " ou levas este ou usas a do ano anterior", etc, etc,. Certo?
Daqui a uns dias veremos.

sábado, 11 de agosto de 2012

Os Pais dos esforçadinhos

Para muitos Pais, ir para a Faculdade, uma qualquer, ainda é sinal de "serviço cumprido". Conseguiu que o seu menino ou a sua menina entrasse para a Universidade. É sempre de bom tom dizer ele/ela entrou. Pois entrou. O pior é que muitas, mas mesmo muitas vezes, prestaram um mau serviço a si próprios, como Pais, e aos seus filhos. Eu explico.
Quantas vezes ouvimos dizer "está na Faculdade tal, a tirar o curso tal. Não vai ter emprego, mas olhe, vai indo. Até já lhe disse para mudar, até porque é mauzito a Matemática e esta disciplina naquele curso é fundamental. Já chumbou este ano. Diz que é muito difícil, mas olhe, vai-se aguentando. Também trabalha pouco, mas é da adaptação, deve ser. É malandro. Já lhe disse olha que para o ano é que é! É jovem, sabe?.."- E você, é jovem, que diabo? Não está lá para dizer que o menino está onde está para estudar, não para brincar? Não é capaz de lhe dizer que, se não gosta ou não sabe  nada de Matemática e está num curso que tem a Matemática como base, devia ter escolhido outra coisa? Ou devia, ao menos, esforçar-se por saber? Isto é a mesma coisa que ir para Educadora de Infância e não gostar de crianças ou ir para um curso de Inglês sem saber Inglês ou ir para Medicina e detestar ver sangue! Mas não, coitadito," lá vai indo".
Com um bom quartinho para dormir, dinheiro no bolso para estafar, comida feita para não se maçar, livrinhos caros para passear, carrito na mão para não fazer quinhentos metros a pé ou não estar ao frio´e à chuva....e os Papás a trabalhar e a pagar tudo isto sem retorno! Azares, todos têm, mas os "esforçadinhos" vivem de azares.
Se por cada caso deste se desse uma bolsa de estudo a quem quer mesmo estudar....outro galo cantaria.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

I WANT MY WRINKLES BACK, asshole!

Escrevi o título em Inglês para não ser tão amarfanhante escrever o que acho que algumas mulheres devem dizer para si próprias depois de recorrerem ao nosso amigo botox. Acordam, olham-se ao espelho e - duvido, duvidêódó - que algumas não fiquem aterrorizadas, em pânico, mesmo. "Oh, valha-me Deus, pareço o Shrek, puxa, só me falta ser verde e cheirar mal, porque estou feia comó caraças!". Mas o problema ´também é que algumas nem falar conseguem quanto mais gritar! Só se lhes puxar o dedo do pé!
Metem dó. Ou aquilo saiu mal feito, ou o médico enganou-se e julgou que estava a enxertar uma orelha, ou a senhora explicou-se mal. Era para ficar mais nova, bolas, não era para parecer a minha avó ou que levei um arraial de pancada na boca e no nariz!
Os pescoços sempre são mais fáceis, estica-se a pele, esconde-se o excesso atrás das orelhas, passa-se a usar cabelo comprido e finge-se que se está a ficar surdo com a idade porque não se ouve quase nadinha.
Esta relação actual com o espelho anda um bocado inquinada. Antigamente, o espelho servia para vermos se estavamos bem arranjadas, para nos pentearmos, maquilharmos, tirar o pelo do bigode e da sobrancelha, etc, etc. Hoje não, o espelho serve para ver se temos rugas!(será que aquilo é uma ruga? Ai que vou ficar sem croquete!!!) E o drama surge primeiro, podem ter a certeza, na perfumaria. Quando uma triste duma empregada, para nos ajudar a escolher pela primeira vez um cremezito de jeito para a cara, tem a infeliz ideia de dizer "talvez este, para essas primeiras  ruguitas à volta da boca e dos olhos, não?". Burra! Três vezes burra! Isso diz-se? Mas há mais: e quando diz "talvez este com efeito lifting"? Ela lá sabe o que quer dizer lifting! E mesmo que saiba, alguém lhe pediu um efeito lifting? HÃ?
Uma pessoa chega a casa, vai direitinha ao espelho e pensa: ca raio, não tinha visto que tinha esta gaita descaída! E agora? Talvez se puser uma bandolete repuxe um bocadinho. Deixa ver...deixa ver...ah,ah, serve! Mas..espera aí. Eu não vou de bandolete para a rua, só se estivesse na pausa do Xanax. Não. Assim não. Vamos se alguém me diz alguma coisa , se alguém me fala no tal do lifting ou se foi só a palerma da empregada para vender. Foi isso, foi para vender! Que alívio!
O problema é que, depois desta, outras dizem o mesmo e até a nossa melhor amiga, aquela que nós julgávamos que nunca veria nada, nada descaído em nós, também o diz!
Instala-se o drama. Drama que, felizmente, ainda muuuiiitas aceitam e agradecem. Se está descaído é porque já vivi o suficiente para isso, se tenho rugas é porque ainda cá ando, graças a Deus (Tu bem podias ter pensado em pô-las lá para os 80 e tal, mas isso é outra história). Pelo menos, ainda posso rir, berrar, gargalhar, bocejar, lavar os dentes, cantar, falar, comer, trincar e beber sem terem que me apertar o dedo do pé!

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Adultos pouco Adultos

Só agora me apercebo das figuras tristes que fiz quando tinha crianças pequenas. Eu explico. Por exemplo: na praia ou na piscina é obrigatório, mesmo mesmo obrigatório que toda e qualquer criancinha, pelo menos até à idade de dizer "não queria ir `a agua.." ("queria", não é" quero", porque já sabe que vai na mesma) goste de tomar banhinho. É isso, banhinho. "Anda cá, não fujas, anda à aguinha, é tão bom!". É tão bom o tanas. Às vezes a água está geladinha de todo, bolas. Porque é que é  "tão bom" se algumas crianças vê-se mesmo que, se pudessem falar, diziam mas é "vai-te lixar, puxa que está gelada, vai tu, ora essa!". Então os bébés é de riso: "vês, é bom não é? Ai tão lindo o menino, que gosta tanto da aguinha" - isto enquanto o dito às vezes berra a plenos pulmões ou foge a sete pés. Mas não, a criatura tem de gostar de água, bolas! tanto gasto, tanta bóia, tantas braçadeiras, tantos bonequinhos de plástico, tanta fotografia prá vóvó ver e nada?
E , mais tarde, quando algumas gostam mesmo mesmo de ir ao banhinho, esperar pela digestão feita à frente da piscina ou do mar ? Bem, essa não lembra ao diabo! É mesmo um suplício para as pobres crianças!"Já posso ir? Quanto tempo falta? Posso só molhar o pé?". Não, não pode. Que se entretenha com...sei lá...com ..a ler ou a jogar ou a saltar ou a cantar ou a fazer caretas ou ..enfim, tanta coisa que o Adulto, sentadinho ou deitadinho comodamente na sua toalhinha se lembrou que a criança poderia NÃO fazer enquanto espera. Ás vezes lá vem o ralhete ou o berro ou, em casos extremos, a bofatada ou a promessa de "queres ficar sem ver televisão toda a semana?". Promessa, vírgula. É uma pergunta. Ridículo, não?

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Os calções à Ronaldo

Puxa! Mas será que até os homens andam tolinhos com as "modas"?(retiro o "até"..) Basta ir a qualquer praia ou piscina para ficarmos severamente preocupadas com a sanidade mental do pobre bicho masculino. Aqui à atrasada, o Cristiano - esse, o da bola - resolveu, ou porque estava com calor, ou porque tinha de sair à noite com os tais calções Gucci que ainda não tinha estreado, ou porque simplesmente quis coçar melhor a perna (alguma pulguita, sei lá), resolveu puxar os calções de banho para cima, ficando assim, tipo, pisador de uvas, com uma auréola branquinha à volta de cada perna (convenhamos, talvez a única coisa que se aproveita do físico, digo eu).
Tudo teria passado despercebido se não fosse apanhado por fotógrafos e se não tivesse aparecido em tais figuras nas revistas. Se fosse o Zé da esquina, olhavam para aquilo e diziam " o homem tá tolo, que coisa tão bera!". Mas não, era o Ronaldo. E aí a malta pensou " é pá, se o tipo põe assim os calções é porque é fino, é fashion,  também vou pôr". E não é que virou moda? Mas porque raio é que não compram uns calções mais curtos? Tinham menos trabalho e não panhavam um grandessíssimo escaldão junto das partes gagas, como eu já vi. Alguns ficam com um rolo à volta de cada perna que até parece um turbante!
Ainda por cima, porque raio é preciso queimar mais a perninha? É para usar calção quando regressam ao trabalho? É? Ná, não acredito. Só se agora virou moda mostrar a perna aos vizinhos que ficaram em casa para confirmar que sim, que esteve muito bom tempo, esteve muuuuiiito sol, apanhei gandas banhos , queres ver?
Não basta vir achocolatado na carinha, não?

sábado, 4 de agosto de 2012

"in" and "out"

Uma das coisas que qualquer veraneante nunca, mas nunca deve fazer é ir ao computador. Está completamente "out". Nem que lá vá todos os dias espreitar por uns minutos, não deve nunca mostrar que o  fez. O que é "in" é "desligar" da vida normal, não se ter horários para nada, dizer que até se deixou o relógio em casa, que não vai ler jornais, nem revistas, nem ver televisão (talvez só a novelazita do prime time). Não quer saber de nada. É giro, é tal qual o Jet 7(?) - bem, mas esse nunca, nunquinha, lê nada, a não ser a revistita onde aparece, para ver se está nos conformes, senão lá vai outra capa a desmentir o que a outra capa (da mesma empresa) revelou - e , vendo bem, quando é que aparece um Ronaldo ou uma Carbonero ou uma Lencastre ou um Mourinho a ler qualquer coisinha, hein? Quando? Só saltitos para a água, muito trabalho de bronze, um certo ar de enfado (este também dá um certo status), umas fotozitas em família e o último grito em chinelos. Assim, sim, isto é que são férias. Bem, o telemóvel..esse, não sei não, às vezes ainda é bom mostrar que se vai usando (sobretudo se for de qualidade e muuuito fashion) porque também, que diabo, uma pessoa precisa de mostrar que está em contacto com a família ou com a empresa ou com os amigos, é responsável, bolas, é digno, dá um certo ar de empreendedorismo, de não poderem passar sem nós, de ter muitos contactos importantes. Então desde que se viu o Jorge Mendes sempre, sempre, sempre ao telemóvel...bem, é porque é "in", também quero.
Mas calma, que temos uma outra categoria de pessoas: os chamados "ex". Ex- qualquer coisa, ex- primeiro ministro, ex- presidente da República, ex- lider da oposição, ex- secretário de estado, ex- ministro das finanças, ex- candidato-a-qualquer-coisa, e por aí fora. Para estes, é "in" ler, ler muito, mostrar que mesmo depois do mergulhito e com o rabo ainda molhado, já estão de livro  ou de revista (cor-de-rosa não, livra!) ou de jornal na mão. Então se forem fotografados a ler o Financial Times, ou um clássico como "Guerra e Paz"( estão a reler, esclarecem logo; marcou-lhes muito a juventude, pois então!) ou o Expresso, Jesus !, sobem logo de categoria, deixam logo de ser uns simples veraneantes e passam a ser uns veraneantes eruditos, interessados, actualizados, profundos! Sim, que depois é preciso ir para a televisão ou a rádio ou os jornais, opinar, comentar, esclarecer, dar uma de "agora que eu sei tudo e que tinha solução para tudo é que sou ex!". Bolas, um homem não é de ferro - nem uma mulher, que também as há, mas essas é raro serem "ex", são só "comentadoras", taditas.
Portanto, um conselho: se querem estar "in" desapareçam do mapa, nada de tecnologias, nada de "coltura. ". Se querem passar vergonhas e estar "out"(fora as excepções que apontei), leiam, vão ao computador todos os dias, usem o telemóvel, não tirem o relógio, almocem e jantem a horas decentes e, sobretudo, não vejam os Jogos Olímpicos. Isso é para o pobre que ficou em casa.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Não, não me apetece! E pronto!

"Então não vais de férias?". "Mas eu estou de férias!" "Não, não vais de férias, quero dizer, não vais para lado nenhum?"
Mas porque é que eu hei-de ir para "algum lado" quando estou de férias? Não posso passá-las onde vivo? Não posso só ir ali a dois passos ou ir ao cinema ou ir sentar-me sossegadinha numa esplanada ou ler um livro...tanta coisa que poderia apontar como alternativas ao velho "então onde vais este ano?" Ainda por cima, com" a crise" que estamos a passar, é quase impensável dizer "este ano, não, fico por aqui" porque olham logo para nós de alto abaixo, tipo "coitada, não pode".
Que chatice! O mesmo se passa com a praia. "Ah, estás tão branquinha! Ainda não foste à praia?". Mas porque é que eu tenho de ir à praia ? Para ficar queimadinha? E porquê? Para sair tudinho num instante e ficar outra vez branquinha? Que trabalheira. Gasto creme, tenho de comprar as últimas novidades em "beach wear"senão dizem que aqueles calções já não se usam, que aquele biquini é muito grande, que tenho de comprar um que se veja quase tudo que é o que as "tias" usam, como umas sandezitas embrulhadas em papel de alumínio (é um "must", dá "status", caramba!) ou vou até ao restaurante da praia comer uma saladinha depois de secar à espera de uma mesa e perder a fome, tenho de comprar o último grito em chapéus de sol, mais uma geringonça para não o deixar fugir com o vento, mais uma toalha grande e giríííssima, mais um saco de praia que se veja que é deste ano senão estou perdida, mais um saco térmico com imeeennsas prateleiras e mooonnntes de espaço para um dia de praia ( comprar água num bar é impensável, o preço é altíssimo, mais vale morrer de sede até casa), mais uns chinelos iguais aos da Irina ( caros, mas indispensáveis numa veraneante que se preze), mais uns vestiditos ou calções ou túnicas que não me envergonhem (não por aquilo que deixam à mostra, mas por não estarem na moda as "saídas de praia" e , prontos, tenho de as guardar para outro ano), etc, etc. Isto para não falar no corpinho que temos de ter! Ele foi idas ao ginásio(cursos intensivos de 1 mês), ele foi "queima gorduras", ele foi massagens(às vezes pelo massagista até vale a pena..), ele foi corridas à volta do quarteirão, ele foi bicicletadas em casa à tardinha depois do dia de trabalho (a bicicleta até estava a metade do preço e tudo), ele foi saladitas e grelhados e cozidos intensivos (ca fome do caraças!), ele foi tira pêlos até dizer chega ( aí por acaso o biquini até tapa), ele foi idas constantes aos saldos para ver se aqueles calções curtinhos já entravam no rabo para os poder experimentar...eu sei lá! E tudo isto para poder passar por entre as resmas de pessoas na praia e conseguir um, ao menos um, olhar de admiração. Sim, resmas; depois daquilo tudo ia para uma praia com pouca gente? Livra!
Mas não chega: ainda temos a questão do alojamento!
Mas isso fica para depois.
Que eu fico por aqui.