A nossa língua é mesmo mesmo traiçoeira. E chata. Tem cada uma que valha-me Deus. Vejam só: há tempos falei da forma como a maioria das pessoas agora se despedem de nós: "Então boa continuação" (brrr...). Mas há uma outra forma - a de cumprimentar as pessoas - para mim tão horribilis e enervante e perplexante como a outra. Está "instalada" há alguns anos e parece-me, não tenho a certeza, que coincidiu com a leva das novelas brasileiras, daquelas que nos prendiam ao ecrã com a história e não precisavam de doenças, acidentes, pancadaria ou sequeso (sexo é as de agora) para ter sucesso (lembram-se de "O Casarão", do "Roque santeiro", da viúva Porcina, da Gabriela? Pois). Vejam se já ouviram: "Olá, então tudo bem?", "Tudo bem?", "Bem disposto" ou - esta é hoooorrível: "Olá, então?". Então o quê, gaita? Uma vez perguntei mesmo "então o quê?". Resposta:" Então, tudo bem ou assim assim?". Arre! E o "Bem disposta?". Não, não estou. Ora bolas. Às vezes não estou mesmo. Só que é melhor nem dizer nada porque depois perde-se imenso tempo a explicar ou põe-se em risco a vida de quem nos interrogou e que partiu do princípio que estava bem disposta. Não estava. Só que a pessoa ia a andar muito depressa, não esperava pelo meu "não" e pumba, na ânsia de saber ou por delicadeza ou ambas, de saber o porque não, bateu com a cabeça na porta que ia abrir porque parou de repente. Não estou a inventar. Foi mesmo assim.
O pior, o pior mesmo, mesmo, mesmo, é que isto é contagiante. Já dei por mim a dizer "Olá, tudo bem?". Logo a seguir apetece-me morder a língua ou puxar-me a orelha ou pôr-me sem o programa do Malato um mês. Mas, pronto, saiu.
Tenho de ensaiar mais o que aprendi quando comecei a ser gente. "Olá, como está? Passou bem?"
(vendo bem...e se não passou???!!! Bolas)
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