sexta-feira, 22 de março de 2013

Grupo coral

Foi tudo corrido daqui para fora! Tudo! Cão e tudo! Onde é que já se viu uma coisa destas? Isto é a casa da sogra, ou quê? Primeiro foi a Fedúncia, depois o Agapito e cão, depois a Lulu, depois a Escolástica...livra! É que já não podia mais! Bolas! E sabem o que eles queriam, sabem? Ah, não sabem? Então eu digo, mas digo já, antes que me dê o desarringanço que me costuma dar quando estou mui nerbiosa, mui nerbiosa e que me leva ausentar para um local donde saio passado um tempito. Mais leve e mais calma, é certo. Mas mais esquecida. Talvez por estar tanto tempo com a mão no nariz por causa.....Adiante. Dizia eu, ou melhor, vou dizer agora porque é que aquela malta me veio chatear. Queriam convidar-me para um grupo coral. Ouviram bem. Um grupo coral, uma coisa dessas de cantorias. Mas sabem para cantar aonde? Nas manifestações. Ouviram bem. Nas manifestações que por aí andam. Chatearam-me o juízo até dizer chega! Que se tinham inscrito à borla, que iam à borla para todo o lado, que era uma maneira airosa de conhecer o país, eu sei lá!
- Venha, dona Lagarta. Venha connosco. Comidinha da boa, pinguita da boa, vai ser uma maravilha!
- Ó mulher, mas eu nem sei cantar, bolas!
- E quem lhe disse que é preciso saber cantar? Nós também não sabemos. Eu até quando me ponho a cantarolar lá em casa, levo logo com a vassoura do vizinho de cima que até o outro dia se me caiu um bocado de cimento do tecto e fez uma poeirada de tal ordem que até tive de abrir a porta o que foi uma grande gaita porque ia a dona Lulu a sair e sujou-se toda com a poieirada e tudo e teve de voltar para trás e ainda tive que a ouvir a mais a tia dela que é maluca e que julgou que estava o prédio a cair e saltou-me para o colo a gritar "AI, ai, é o fim do mundo!". Está a ver? Eu também só acompanho a letra, mais nada!
- Pois, aí está outra coisa! Não sei letra nenhuma, tá a ver? Percebe?
- Percebo mas também não faz mal. Eles disseram que nos dão um papelito prá mão e a gente nem tem de saber nada de cór. É só lá,lá,lá. o que lá estiver. E,ó dona Lagarta, já viu o que é aparecermos na televisão, valha-me Deus? Já viu? E poder dizer adeus ao senhor Felismino da mercearia e à mulher dele, a Ludovina, que até se vai roer de inveja e tudo . Quer melhor?
- Quero. Quero não fazer figura de parva, Fedúncia.
- Pois, mas vê, nem isso fazemos. Já somos meio aparvalhados e também ,no meio de tanta gente, ninguém nota, né? Ande lá, carambas, venha daí ao portugal desconhecido.
- Não, não e não. Por exemplo, onde dormem? Vá, diga lá, onde dormem?
- Depende donde estivermos e da agenda.
- Da agenda? Qual agenda, Fedúncia?
- Das marcações, né? Haverá meses mais cheios e outros menos. É conforme as barracadas do governo, mas não se aflija, como são muitas não devemos ter parança. Olhe, este mês temos ai umas 40 agendadas. E algumas no Algarve, já viu? Praia, solinho, calorzinho, e coisa e tal. Já viu?
- Já vi. Não quero. Não quero mesmo, gaita. Prefiro a minha casinha.
- Eu também, ora essa. Mas sempre se poupam uns tustes na comida e na bebida, e sempre dá para compensar a falta dos subsídios!
- Quais subsídios, Fedúncia? Você não trabalha!
- Pois não. Mas devia ter subsídio por não trabalhar, homessa. Poupo dinheiro ao estado, ou não poupo? Homessa! Que coisa chatarrona, gaita! Ande daí!
 - Ó senhor Agapito: e o senhor porque está tão calado? O senhor também vai com a Fedúncia? E o cão, acompanha-vos, é? e também há ossitos pró cãozinho, é?
- Dona lagarta, eu vou sim. Acabou-se-me ontem o leite e o peixe e a carne e o feijão e o vinhito, tudo, tudo, enfim, olhe, é uma obra de misericórdia, sabe? Para comigo, sabe? Mas não quero falar porque a Fedúncia disse para eu calar a boca aqui ao pé da dona Lagarta ou não me levava, percebe?
-Então não percebo. O senhor saiu-me cá um traste. Faz tudo o que a Fedúncia quer! Pois eu não. E não vou mesmo. Chega. Leve lá o cão, está-me a fazer xixi na alcatifa. Vá, chou, embora. Tenho mais que fazer!.
E foi assim. Lá foram. Mas fiquei incomodada, caramba. De qualquer modo fazem-me falta aqui no prédio. Agora a quem é que eu cravo umas comiditas? Assunto a pensar com o travesseiro. Infelizmente só com o travesseiro.. não há meio de ver aquele lugar ocupado, bolas!

terça-feira, 19 de março de 2013

"Os ricos"

É o dinheiro que põe tudo a funcionar. Se não existissem os tais "ricos" neste país, queria ver como era. Não me importava nadinha de ser rica. Não me importava nadinha de ter um carralhão, motorista, uma grandessíssima casa ou duas ou três, férias a meio do ano, no fim do ano, no princípio do ano, quando me apetecesse. Vestir Pradas e Guccis. Calçar Vouittons e Miguel Vieiras. Acordar e saber que não precisava de mexer uma palha para ter a vida ganha. Não me importava nada de ter tudo o que os tais ricos têm. Nada. Porquê? Porque sou humana, tenho sonhos e desejos "normais". E de certeza que não passava a ser uma besta. Ou será que aquela empregada de limpeza que ganhou 52 milhões de euros passou a ser uma besta? Será que distribuiu o dinheiro todo? Tomem lá! Não quero ser rica ? Não acredito. E faz ela muito bem se realizar todos os sonhos dela, todos.
 É por isso que me irrita tudo que seja generalizar. Há ricos bons e ricos que são uns sacanas; há patrões bons e patrões que são uns sacanas; há gente que ficou rica sem saber como e há gente que lutou para ficar rica. Lutou, só. Ponto final. Nem todos ficam ricos por serem corruptos. Há quem tenha lutado toda uma vida para ter dinheiro. Uns conseguem, outros não. E falo com conhecimento de causa. Trabalhei durante 38 anos da minha vida e não tenho nada do que têm "os ricos". Como tantos outros. Mas vou estar a chamar nomes a quem o conseguiu? Sim e não. Quem o conseguiu honestamente, quem conseguiu realizar os seus sonhos, parabéns! Dos outros não falo. Esses sim, são umas bestas. Invejo-os? Não. Prefiro dormir descansada e ter o que tenho. E é tanto, meu Deus, em comparação com outros!
Agora, o que me põe de cabelos em pé são os falsos pobres, os ricos encapuçados, de cartaz na mão e Ipad no bolso. Os defensores dos pobres da boca para fora. Há tantos. Em todo o lado, em todos os partidos. Em todos os sindicatos e todas as manifestações. Esses pôem-me possessa. Têm a voz rouca de cantar o Grândola e nem a letra sabem. Vão a pé e deixam o BMW na garagem. Vão de sapatilhas e deixam os DG debaixo da cama. Metem-me nojo. Esses não pagam a crise, nem deixam pagar. Fizeram-na.

sábado, 16 de março de 2013

Novo tipo de mail

Qualquer dia não saio de casa. Ou então só saio de noite. Estou fartinha de querer ir à minha vida e apanhar com a malta cá do prédio nas escadas. Puxa. Já não há privacidade nenhuma! Hoje foi a sarna da Fedúncia. Eu bem que apressei o passo que até ia caindo escada abaixo o que não seria nada bom porque resolvi pôr uma saiita bem apertadinha e ainda se me viam os interiores que, convenhamos, são um bocadito frouxos, em comparação com o exterior, altamente preparado para arrasar. Nunca arraso coisa nenhuma, mas tento. Já não é mau. Mas dizia eu que fiz os possíveis para não apanhar com aquela tola. Não tive sorte. "Ó dona Lagarta! Pssiu! Espere aí!". Ó sorte macaca...
- Diga, diga. Bom dia. Tão cedo a pé? Não era melhor voltar para a caminha,não?
- Ah, não, nem pensar! Acordei a correr para lhe vir contar uma ideia que tive! Até estava a ver que já não a apanhava!
- Ah, pois, seria uma pena. Olhe que seria mesmo uma pena, viu? Mas apanhou. Então qual foi a ideia? Estou curiosa! Você não é muito farta em ideias, não é muito idiota.
- Pois não. Reconheço. Mas excedi-me. Deve ter sido do jantar de ontem, sabe? Passei a noite na casa de banho e é sempre aí que me surgem as ideias. Não sei porquê. E são sempre boas!
- Ah pois são. São as chamadas ideias de m..., de magnificência!
- Magnif...pois...ai ca lindo! Bem, deixe-me contar. Eu vou propôr um outro tipo de mails. É assim que se diz, não é? Então. Cada mail que a gente recebe devia ter um quadradito ou uma cruzinha ou um bonequito prá gente carregar e dizer que gostou . Ou não. E outro para dizer "Vai-te lixar" e outro com " Isso querias tu", ou " Ai ca lindo" ou " Se me mandas isto outra vez, levas". Era uma maravilha. Poupava trabalho. Era só carregar. Tá a perceber?
- Olhe que até...você tem de ir à casa de banho mais vezes. Fica veborreica, sabe?
- Pois fico. Não sei o que é, mas da sua boca só vem coisa fina. Por isso aceito. Fico seborreica.
- Veborreica, mulher. Ve. Ve.
- Está com soluços? Já passa.Mas não acha que era bom? É que eu farto-me de mandar mails ao Agapito e o homem nunca me responde. Nunca. Fico assim a modos que sem saber se gostou ou não. Ainda ontem lhe mandei um convite para vir cá almoçar e nada, o homem não se descoseu!
- Ainda bem. A roupa está cara. Pois. Mas porque não vai lá acima perguntar-lhe?
- Porque prefiro levar um Não por mail, sabe? Ao menos não lhe posso ir às ventas. Só descarrego na louça. Cada Não já me custou quase um serviço inteiro. Não há quem aguente, né?
- Então repita o mail. Mas eu se fosse a si, punha também a ementa. Pode servir de isco.
- Pois pode. Realmente não mandei a ementa. Só mandei dizer que ele é que trazia o almoço. Fiz mal?
- Ele é que.....Olhe, Fedúncia. Agora não posso, mas depois eu escrevo-lhe o mail. Sim?
- Faz-me isso, faz? Ah grande amigona. Já ganhei o dia!!Assim sempre posso escolher a ementa com mais calma  e a dona Lagarta pode dar-me umas ideias. Ele vai gostar de certeza. E não lhe vai ficar muito caro.Até...
-Fedúncia. Até logo. Ciao.

quinta-feira, 14 de março de 2013

A criança

- Ó senhor Agapito! Quem é esse menino tão lindo? Quem é?
- É lindo, não é? É meu afilhado, sabe? Filho da Joaquina ali da mercearia.
- Ah, sim? Olá meu lindo. Estás bom?
-.......
- Pois. Então e porque é que o tem cá hoje?
- Porque, coitadito, veja lá, mandaram-no embora da escola e a Mãe não podia ficar com ele. Vai daí ofereci-me. Faz-me companhia e jogamos uns joguitos e tal.
- Olhe que bom, vê? Mas diga-me, porque é que ele veio para casa? Alguma doença, diarreia, coisa assim melindrosa? Palpitações?
- Não, não. Veja lá que o menino, coitadito, deu uma murraça na professora e sem mais aquelas, mandaram-no para casa.
- Não me diga! Só por dar uma murraça na professora? Isto realmente!
- É o que está a ver. E quase nem lhe tocou. Só lhe partiu 2 dentes. Só dois, veja lá. Ainda faltavam trinta e tal. E o empurrão que lhe deu também não foi coisa demais, ela só caiu para cima da mesa e esmurrou o nariz e até nem deitou sangue. Depois caiu no chão, mas mais nada. Nada. Só partiu a cabeça. Mas, valha-me Deus, só um rachozito de nada, parece que só levou vinte pontos. Portanto, tá a ver. Isto anda tudo maluco. Coitadinho do Felismino. Não é, meu lindo? Ora diz lá boa tarde à senhora, diz.
-.................
- Pois. Deixe estar, senhor Agapito. A criança deve estar combalida, deixe lá. Então porque é que tudo isso se passou? Como é que ele, enfim, se exaltou?
- Nem me fale. Uma boa estaferma aquela professora, sabe? Veja lá que o Felismino, tadito, estava só a ouvir música na aula e nem sequer estava cantar muito alto. Pois aquela fulana teve o descaramento absolutamente descarado de o mandar parar a música. Agora a senhora veja, então como é que o Felismino se podia concentrar com ela para ali blá, blá, blá, a falar de coisas que ele não sabe nem quer saber? Olhe que realmente! Não acha?
- Eu estou pasmada, homem. Pasmada.Ela queria o quê? Que a criança tivesse com atenção, queria? Valha-me Deus. Só visto!
- Só visto mesmo, dona Lagarta. Só visto e ouvido.O que vale é que ela já foi internada e parece que vai demorar uns tempos a recompôr-se da murraça e do empurrãozito. gente fraca, sabe? Agora fica-me a criança sem aulas, já viu?
- Pois já vi, já. E ele veio para casa porquê? De castigo?
- Não, dona Lagarta. Acabou-se-lhe a carga do telemóvel. Como é que podia ouvir música nas outras aulas, diga-me? Sim, porque lá na escola, diga-se a verdade, foram muito prestáveis, até disseram que por eles, ele até ficava já em casa, mas que estivesse descansado porque não podiam fazer nada contra ele a não ser recomendar um psicólogo ou lá o que é. Já viu? Um psicólogo. De borla! Simpáticos, são ou não são?
- Muito, senhor Agapito, muito. E já agora, que idade tem o Felismino?
- Só quinze anitos. É uma criança.
- Pois é. Isto não se faz. Não deixar agora um menino ouvir musica nas aulas. Assim não se desenvolve, valha-me Deus.
- Pois não. E ele até está meio nhurrito, mas é da idade, sabe?
- Sei, sei. Bem, senhor Agapito, prazer em vê-lo. Vou indo, sim?
- Eu também. Até à próxima. Vou só lá acima com a criança carregar o telefone. Tchauzinho.

Espero que ele não tenha ouvido o berro que eu dei mal entrei em casa. Não deve ter ouvido. Foi na cozinha para dentro da chaminé.

terça-feira, 12 de março de 2013

1,5 milhões

Bem...quando eu, moi je, com estes olhinhos meus, vejo escrito por - pasme-se! - Pacheco Pereira que "a comunicação social, que entrou em comício durante o sábado, deu cobertura a estes números absurdos de manifestantes, que só servem para desprestigiar a inciativa", eu fico mais sossegada, porque ás vezes chego a pensar que sou eu que tenho a mania de ver para além do que me impingem. Claro que ele se refere à manifestação do 2 de Março e ao "absurdo" dos números que sairam cá para fora pela boca daqueles "jornalistas", bem como à sua atitude inqualificável, que me tinha deixado de cabelos em pé! E claro que tudo isto não tira importância nenhuma a essa manifestação, mas fragiliza-a. Concordo.
Mas há mais. Nessa mesma revista, sob o título "O que são 1,5 milhões", li um artigo que me deixou completamente de cara à banda. Sobretudo porque não tinha pensado nisso. 1,5 milhões de pessoas corresponde a um sétimo da população portuguesa. Como seria realmente possível que àquela hora um sétimo da população portuguesa tivesse saído à rua contra a troika? Nem pensei nisso. Comi o que me deram. Felizmente que ainda vai havendo quem questione as coisas, porque chegar-se à conclusão que em Lisboa, por exemplo, dificilmente o número de pessoas terá chegado às 100 mil, é obra!
Volto a repetir que não menosprezo essa manifestação. Claro que não. Mas tenho um sonho. Que um dia, nem que seja por um dia, as pessoas sejam honestas. Só têm a ganhar, podem crer.

domingo, 10 de março de 2013

Hello! Is anybody there?

Esta história do mundo virtual é uma grande história! Qualquer páginazita que eu consulte, pumba, lá está um anúncio, ou um convite, ou um evento, ou um rabo, ou uma dentadura, ou um carralhão, ou uma mota, ou uma loja, ou uma porcaria duma fulana com oitenta anos que, rais a partam, parece mais nova do que eu, ou um fulano a picar-me o olho, ou um restaurante, ou um telemóvel que já ganhei não sei como, ou uma maneira de perder trinta quilos sem morrer,.. eu sei lá! É que até chateia! É certo que já acabaram com as moscas e as baratas no Facebook, mas continuo a dividir a minha página com pessoas que não conheço e não convidei e a ganhar prémios comó caraças! Livra, ao menos podiam pedir-me "Dá-me licença que faça parte da sua página? É só um bocadito", mas não pedem, entram por ali adentro e eu que os aguente. Mas enfim, já sabia que era assim, não ganho nada em barafustar. Agora, quando vou ao Google consultar uma triste de uma página, um simples dicionário, por exemplo, apanhar com a publicidade das novelas da Sic ou da TVI já é obra! Estão por todo o lado, parecem uma praga!
 Mas há outra coisa que me incomoda neste mundo virtual. Sabem qual é? Precisamente o facto de ser virtual. E refiro-me a mails, a faces e a blogues. A certa altura sinto um frio no estômago quando vejo pessoas a pedirem que náo lhes mandem mais pedidos ou fotos ou convites ou publicações disto e daquilo e aí sim, penso para mim: o que será que as pessoas pensam quando abrem o mail ou o Face? Já pensaram nisso? Até porque da maioria se recebe o silêncio por resposta e uma pessoa fica sempre na dúvida se nos mandaram dar uma volta ou se acharam piada ou se gostaram, apoiam, concordam, rejeitam, aceitam...Olhem que realmente este mundo virtual é muito estranho1 Muito virtual mesmo! Tão virtual como eu estar para aqui a escrever estas baboseiras e ficar sem saber se são baboseiras ou não. Claro que quem escreve num jornal, por exemplo, já está habituado a não ter feedback, já não reclama, entre aspas. Mas eu não estava habituada e ainda não consegui engolir direito este face-to-face virtual. No fundo, no fundo, até acho piada. Antigamente escreviam-se cartas e também náo viamos a cara das pessoas quando a recebiam. E telefone, aqui há uns anos, só o da casa e era um pau. Mas a diferença está em que nos escreviam de volta ou, se não o faziam, nós perguntavamos logo: Então? Recebeste a minha carta? Não respondeste! Que se passa?". Ou telefonavamos.. Hoje não. Admitimos que a pessoa suma. Se evapore. É só carregar no "mouse" e click, que se lixe.
Mas tenho a sensação que isto é coisa de cota. A malta nova com quem lido, desde muito novos que falam para a parede. Mas lidam perfeitamente com isso. Será defeito meu.

sábado, 9 de março de 2013

Bactérias, vermes e outros condimentos

Bem. Estou que nem posso! Andava eu preocupada com as facturas e não sei quê. Quais facturas, qual carapuça! Eu passo é a pedir a certidão de nascimento da vaca, porco, galinha, perú, sardinha, carapau, cherne, ..que compro! Na não! Então, ando eu aqui a comer um belíssimo hamburguer de vaca que afinal de vaca só tem o nome porque devia era chamar-se hamburguer de bactérias ou hamburguerbacterio ou, como diria o outro, um burguerbacterium porque em latim não choca tanto e sempre se adoece de forma mais fina e os médicos que nunca tiveram latim até julgam que é uma doença nova e enquanto consultam o Google vou parar aos anjinhos que se devem estar a rir às gargalhadas porque eles tiveram latim e sabem que se trata duma porcariorum que andamos a comer? Valha-me Santa Ingrácia! Uma sardinhita com um vermezito chamado Anisakis? E dizem que se vê a olho nu e tem o aspecto duma fina minhoca?? Tenho que ir mudar de óculos! Urgentemente! Eu quero ver o Anisakis, bolas! E nos peixes maiores, também "frescos", encontraram arsénio, um metal mesado classificado como cancerígeno? Na minha dourada linda que como uma vez por semana? Acudam!! E já nem se pode confiar num triste dum açafrão que afinal não é açafrão e num triste dum queijo de ovelha ou de cabra que afinal tem por lá leite de vaca até dizer chega?' Já chego a duvidar das tetas da vaca. Mostra lá as tetas, pá! E a minha alheirinha de caça? Ai ó valha-me Deus! Anda aqui uma triste a dizer "Alheira de faisão. Hum. Muito bom. Comam" e sai-lhe frango?? E o javali é carne de porco??E o bacalhau - Ah, ingrato! - não é bacalhau? É peixe-caracol? Como? Nunca ouviram falar? Não admira, parece que é um peixe estranhissimo que se pesca na China!! Realmente às vezes o bacalhau parecia-me achinesado mas julguei que era assim porque ficava danado de o salgarem e de o porem ao sol, sem protecção nem nada! E o patê? "Quer um patêzinho de pato para pôr nas tostas?". "Quero, quero". Burra. Ai Senhor, que burra. Se de pato não tinha nada, o que é que eu comi? Cisne? Avestruz? O papagaio da vizinha?
Realmente os vestígios de carne de cavalo nas almôndegas, nas lasanhas e canelonis e o diabo a quatro, agora até já me parecem de pouco valor. ´" A vaca tem cavalo?". "Tem sim". "Está bem". Sempre é melhor do que perguntar "O carapau tem bactérias? Tem sim". "Quantas? "Milhões". "Ah, pronto, então quero".
Eu digo-vos. Estou a ficar sem fome. E sem vontade de comer. É o que eu digo. Certidão de nascimento, amostra de DNA, Pedigree, sei lá, vou passar a pedir isto tudo!!
Seria de riso se não fosse tão dramático!! O que é que andamos a comer??

quinta-feira, 7 de março de 2013

Portuguese nightmares-T2- Ep 10

Deixou de ter piada. Como está sempre a chover, qual é a piada de dizer "Vai ver se chove?". Nenhuma. Ora isto dificulta o trabalho duma triste que quer gozar com a língua de Camões. Quer dizer, gozar, não. Mas é que realmente há expressões de partir a rir. Ainda há pouco ouvi dizer "Vou rápido. Corto caminho e chego lá num instante". Pois. Corta caminho. Com quê? Uma tesourita? Não é um pagode? E quando queremos dizer que estão a falar mal de nós ou de alguém? "Olha que te estão a cortar na casaca!". Eu gosto é do pormenor da casaca. Não é casaco, é casaca. Mais fino. Ai, valha-te Deus, Afonso! Sempre tiveste a mania das grandezas! Mas só a mania, infelizmente! Porque logo a seguir dizes-me que "Não me posso dar ao luxo" de fazer ou ter qualquer coisa! Achas bem? Que não me posso dar ao luxo de nada, sei eu e sabe toda a gente. Escusavas é de nos obrigar a relembrar isso quase todos os dias. Não tens vergonha na cara! Não tens mesmo. Já viste? Vergonha na cara. Homessa! Então e podes ter vergonha aonde, hein? No rabo? Na cabeça? É tudo aos pingos, homem. Tu valha-me Deus. E já agora, que é isso de "dar a cara" quando queres dizer que não nos importamos que saibam que fomos nós? Que é isso? Agora sou eu que te digo: hoje em dia não se dá nada a ninguém. Óbiste? A cara! Olha que tu. Nem sequer o nariz! Até porque não podemos "meter o nariz" onde não somos chamados! Lembras? Ai, lembras? E podes-me dizer como é que eu meto o nariz numa coisa que nem sei qual é e ainda por cima para a qual não fui chamada? Não percebo bóia. Mesmo que me chamem, meto o nariz onde, onde, dizes-me?? Malandro, hein?
Olha: vai ver se chove.

Como???'

Anda-me a fazer confusão o "apelo" às armas que andam por aí. Confusão porque penso assim: mas esta gente está pura da cabeça?? Armas? Sabem o que são armas? Daquelas que matam? É isso? É isso que querem? E por acaso já passaram por isso? Eu já. E não desejo passar pelo mesmo. Já soube o que era recolher obrigatório, já soube o que foi revistarem-me o carro e atirarem-me com tudo, mas tudo, do bébé que levava no carro, para o chão, inclusivé o leite! Já me deitei no chão da sala com medo de levar com alguma bala perdida da rua! A tapar o bébé!!Mas estão a brincar ou quê?
Alguma malta nova precisava mesmo mesmo de saber o que era isso. Só estão mas é no bem-bom, só têm facilidades e querem que tudo lhes venha parar às mãos!! Lutem mas é com as armas que têm à mão e na mão! Falem, berrem, gritem! Cantem! E trabalhem! Ou antigamente também se arranjava trabalho do pé para a mão? Imbecis ignorantes. Armas? Eu não quero isso para o meu País! Seja com que governo fôr. Quero paz. Paz. É o que tem havido e alguns não merecem!
Depois não digam que não avisei. Vão ver se gostam! Continuem.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Pergunte-me "como?"

Só eu. Hoje foi a vez do Agapito me vir chatear a móina. Parece que tenho mel, livra! Veio para aí com uma conversa que só vos digo. Que tinha pensado, pensado (coisa rara..) e que tinha descoberto como ganhar um dinheirto extra (extra não sei como, não trabalha, mas está bem, enfim).
"Ó dona Lagarta, a senhora empresta-me o seu computador para eu ganhar um dinheirito extra, empresta? Olhe que até podemos vir a ser sócios!".
"Senhor Agapito. O computador até posso emprestar, mas não sai daqui".
"Ó minha rica senhora, não me importo nada, até já vou buscar o cãozito, faço já a mudança, jázinho!".
"Ò homem, você está puro da tola? Eu disse que não sai daqui é o computador!" ( quer-se dizer, se ele me pusesse uma coisita redonda em ouro no dedito, até que podia cá ficar, ...).
" Ah, pronto. Percebi mal, não é? logo vi que era areia a mais!".
" Cale-se lá, homem. Afinal o que é que quer? Despache-se. ".
"Eu queria pôr um anúncio nessa coisa dos Face. O outro dia estava sentado ali ao pé do Manel das Arrudas, com quem costumo tomar café e que naquele dia tinha levado o computador dele e até fiquei vesgo com o que vi, dona lagarta!".
 "Ah ficou? não admira. Já é  meio vesgo da tola, só lhe faltava dos olhos! Bem, adiante. Então porque é que ficou meio vesgo?"
 " Porque vi ali uma janela de oportunidade, uma janelona, diria mesmo! Sem mais nem menos apareciam ali anúncios e anúncios e até falavam connosco e tudo. Queres viajar? Queres ser chefe? Queres uns sapatos de marca? Queres ir ao Egipto? Á Tailândia? A Badajoz? Eu sei lá! Nem tinha tempo de responder, lá estava já outro! Aquilo é uma janela, dona Lagarta! Uma varanda!"
" Uma varanda? Olhe que você tem cada uma!"
"Ainda não tenho mas vou ter!! Quer dizer...cada uma...o quê?"
" Cada tirada, homem, cada parvoeira! Bolas! Mas deixe lá isso. Afinal onde está a tal varanda?"
" Ui, nem queira saber o que se me passou por aqui por esta cabeça! Então se eu puser lá um anúncio meu, também toda a gente vê, certo?"
"Certo"
" Então vou pôr. Até trago já escrito aqui neste papelito. É só a senhora pô-lo lá, se fazia o favor!"
" Eu? Não sei lá pôr isso, homem. Tem de ir ter com a Fedúncia. Ela é que percebe das netes. Eu só vejo mails. E pouco mais. Mas  que anúncio é que lá ia pôr?"
" É fácil de ver. Olhe o que eu escrevi aqui. Veja se não é genial. "Quer põr aqui um anúncio? Pergunte-me como". Agapito e tal e telefone e já está. Que tal?"
"Que tal? Você é doido? Então se não sabe pôr lá um anúncio, como é que quer ensinar a alguém a pôr lá o que nem você sabe pôr? Como?"
" Fácil. As pessoas telefonam e eu digo : "Como?" e já está! IHIHIH. Se eu lá ponho "Pergunte-me como", não estou a mentir. E entretanto, pumba, tlim tlim no bolso, da chamadita.É uma mina! Uma mina!"
" Pois deve ser, deve e você ficou lá soterrado e faltou-lhe o oxigénico e já toldou das ideias!"
" Ah quando tiver uma grande casa e uma varandona, ponho lá um toldo, ponho, ponho!"
" Senhor Agapito. Please. Vá andando, sim? Vá ter com a Fedúncia, e etc, porque eu já ouvi o suficiente, sim?
" Está bem. Faço-lhe o please. Mas vai-se arrepender, ai vai, vai. isto era uma mina!
" Com certeza. Era, era. Então não era? Chauzinho".

Pifou, o triste.

Cambada

Em má hora carreguei no "Gostei" da TVI, no Facebook. Ninguém me mandou. Podia continuar a ir ver a página sem lá pôr nada. Fui burra. Agora sou inundada por publicações constantes daqueles Palermas de barriga cheia. É raro ver a TVI, chateia-me a falta de isenção daqueles pseudo-jornalistas, fico sempre agoniada de raiva. Mas nunca pensei, mesmo assim, que chegassem ao ponto miserável a que chegaram. Se há estação que ofende os portugueses com uma enorme e gritante folga de eurinhos nos bolsos, é aquela. E depois vêm-se para ali armar com o maior dos descaramentos! Mas deixem estar que a SIC não lhes está a ficar atrás. é tudo uma cambada. Tudo ao osso que lhe atirarem na altura. A preparar o terreno para não ficar sem tacho. Então, tacho por tacho, prefiro o Ramsay.

terça-feira, 5 de março de 2013

Não basta ser ladrão

Chegou precisamente à mesma hora, com os mesmíssimos presentes, e a maçar do mesmo modo.
Dª Purificação tinha uma carta para lhe entregar, mas tinha também que depenar uma galinha para o jantar, que isto de ser dona de uma pensão não é brincadeira nenhuma. Ainda para mais estava sózinha. Faltara a cozinheira, que tinha ido ao casamento de uma irmã. E também não estava a ajudante, que tinha ido comprar canela para o leite creme, mais uma fruta e umas nozes.
-"Chegou a falar com a sua filha, como me prometeu, Dª Purificação?"
Aí estava ele, a bater no mesmo, apaixonadíssimo, obcecado, à espera de saber o que ela dissera, se o queria ou não. Como sempre, entregou-lhe um pacotinho de bombons. "Coma, Dª Purificação, coma! Eu sei que gosta muito!".
Dª Purificação gostava realmente muito, era muito gulosa, tinha esse defeito. Tirou o papelinho a um, meteu-o na boca, e foi pondo o avental, que tinha de ir depenar a galinha sem demoras.
-"Falou-lhe, Dª Purificação? Transmitiu-lhe tudo o que eu disse? Para ganhar o amor dela até nem me importava de ser ladrão!"
Dª Purificação demorou a chupar o bombom, que isto de se transmitir uma recusa tinha as suas dificuldades e ela não queria magoá-lo, coitado do sujeito, assim tão apaixonado, que às vezes até fazia dó!
-"Falei sim senhor, eu falei!"- acabou por dizer, sem rodeios, que o melhor era perder os acanhamentos, despachar o recado e pronto. "Até tenho aqui uma carta para lhe entregar...".
Tinha uma carta no bolso do avental, com duas a quatro palavras, quem diz estas diz pouco mais; conhecia bem as intenções da filha, que não gramava, que o mandava passear.
Levou tempo a entregar-lha. Tinha mesmo pena do sujeito. Um hóspede tão amável, que lhe dava bons presentes, que se desfazia em atenções, bem gostaria que a filha o gramasse, mas ela não ia nisso, ria-se dele à sucapa, chamava-lhe nomes feios, uma autêntica negação. Dª Purificação pedira-lhe que ao menos não o ofendesse muito, que escrevesse com cuidado, com moderação e tinha pelo menos essa confiança.
"Aqui tem a carta...". Ele pegou nela com as pontas dos dedos, mirou-a com um carinho transbordante e foi vê-la no silêncio do quarto, talvez sonhando com páginas cheias de arrebatamento.
Dª Purificação começou a depenar a galinha num ritmo acelerado, aflita por dentro, a tremer e a suar, que não sabia até se o homem não se iria sentir mal. Mas ele apareceu em seguida e não vinha mal disposto. Tinha até um sorriso animado, saltitava de mãos nos bolsos, e oferecia-se para ajudar a depenar a galinha. Da carta não dizia nada e Dª Purificação já não sabia o que pensar. Mas também não queria pensar muito, o melhor era fazer perguntas, que não dava trabalho nenhum, e foi exctamente o que fez.
-"Agradou-lhe a carta, pelos vistos??"- ensaiou interessada.
-"Não foi uma festa, não foi!" - respondeu ele a coçar a cabeça." Mas também não a considero uma recusa ou uma desilusão. Eu vou ler-lhe umas palavras".
Tirou do bolso a folha de papel e leu pausadamente: "Agradeço querer até fazer-se ladrão por minha causa. Mas sabe? é que não basta ser ladrão..."
Dª Purificação engoliu em seco; ela sabia o que isso queria dizer. Mas ele não. Ele ficou enternecido, compreendeu de outra maneira.
-"Terei que ser mais que ladrão"- confessou - "agora só tenho é que pensar: além de ladrão, o quê mais?? É assunto para rever, com muito cuidado e atenção!"

segunda-feira, 4 de março de 2013

Março malandro

Ó seu mentiroso! Seu Março duma figa! Com que então "Março marçagão: de manhã cara de cão, ao meio dia de rainha e à noite fuinha"? Uma ova! Ainda não vi nada disso! Tens mais 24 dias para provares que o provérbio está certo, ouviste? Mas também olha que...onde já se viu "cara de cão"? Cara de cão com fome, com raiva, com mimnho, qual, qual? Homessa! E não me venhas cá com essa de "cara de rainha," pá! A pobre da Isabel está no hospital, com uma gastroenterite, achas que a cara dela é toda sorrisos, e nhã nhãs?' Achas? Espero que fique boa, é? "Olhe, ponha aí uma cara de Rainha!". E se for a Letícia? Essa parece que está sempre mal dos figados! Livra! Tem cara de fuinha mesmo. Por isso nem preciso de esperar pela noite para saber o que é cara de fuinha. Só mentirosices. E já agora, ó senhor Março, o que é essa de "Março virado do rabo é pior do que o diabo"? Mas tu julgas que vou agora a andar a olhar para o teu rabo, julgas? Na não, não sou uma ranhosa qualquer e também prefiro não conhecer o diabo para saber se és pior do que ele. Deixa-o lá estar sossegadiho, já há por aí muita malta a fazer de diabo. Mais um? Já chega! E não me venhas também dizer que " Em Março tanto durmo como faço" porque vocemecê não manda em mim, se me apetecer, só durmo, óbiste? Não faço nada. Toma! Mas confesso-te que fiquei preocupada com aquela do "Páscoa em Março, ou fome ou mortaço"! Pelo sim, pelo não, vou já comprar um cabritito e umas amêndoas. Fica o mortaço para ti. Ofereço-te. Ñão sei quando to vou entregar porque como "Em Março chove cada dia um pedaço", não sei quando me apetecerá fazer-te uma visita. Sim, porque tu és malandro. Malandreco mesmo. Primeiro dizes esta e depois é só fofuras, só miminhos, né? "Março amoroso faz o ano formoso". Não vejo nada. Despacha-te, hein? Queremos ver esse teu lado amoroso, como tu dizes. Dava jeito ter o ano formoso, sabes? Andam por aqui nuvens para caramba! Anda lá, deixa-te de politiquices e fala verdade. Ao menos tu! Pá!

( curiosidade: há, pelo menos, 29 provérbios sobre Março)

Palhaçada

Ando cá com uma nervoseta que nem queiram saber. Não gosto, nunca gostei, de ir na onda, de não ter voz própria. E detesto sentir que, ou penso como a maioria das pessoas, ou levo na cabeça. Sou mal vista. Provavelmente apelidada de vários nomes . Provavelmente, não. Sou mesmo. Mas estou-me nas tintas. Já não tenho saco para Relvas e afins. Já vomito Victores e Vitinhos e Grândolas. Já não suporto piadas ao Sócrates e à Troika. O problema é que ouço dizer o mesmo a muita gente, mas sinto no ar um autêntico medo de o dizer. É que não me faltava mesmo mais nada! Já aqui disse que acho que este governo está a fazer coisas muito boas e coisas muito más. Sofro na pele porque sou reformada e sinto-me roubada. Preto no branco. Mas também acho que o governo anterior não fez tudo mal, não foi um descalabro, apesar de nos ter metido num buraco donde não sei quando saimos. E aqui está o problema. É que não tenho memória curta e não gosto que me façam de parva. Por outro lado, só se for burra é que não quero que "se lixe a Troika", mas pergunto sempre:  e quem me paga? Há dinheiro? Ainda não obtive resposta. Só "achos que". Só palavreado translúcido e desmiolado. Cmo detesto cada vez mais os políticos e a politica, tanto me faz este ou aquele. São todos iguais. Quero é que me paguem. A mim e aos restantes funcionários publicos, porque não houver dinheiro para esses quero ver, quero.
Por outro lado, revolta-me cada vez mais a hipocrisia reinante nos meios de comunicação. As reportagens feitas na ultima manifestação foram o cúmulo. Mais pareciam manifestantes do que "jornalistas"! É isso que aprendem ou é isso que lhes dá jeito? Nunca se sabe quem vem atrás, não é? E convém manter os "carritos", perdão, andam todos de bicicleta. Bastava ter ido assistir à gala de suas excelências da TVI ! Que solidariedade para com a pobreza!
Que tempo este! Que falta de valores! Que falta de dignidade! Sete cães a um osso, é o que é. É tão mau ser politico e viver da politica que ninguém quer! Até aquele senhor que escreve cartas me começa a meter nervos. Apareceu agora. Deseja tudo e mais alguma coisa. Cara de pau. Onde andou ele para impedir este descalabro? Cheira-lhe a poder. Pudera. Não haverá por aí um palhaço que faça as vezes desta gente toda? Voto nele.