quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Espiral recessiva de trombas

Isto assim não pode ser! Não pode, pronto. Sou contra. Ninguém devia estar contente por trabalhar. Que é lá isso de eu ir a algum lado e ser recebida com um sorriso? "Olá, está boazinha? Muito gosto em vê-la!". Mas qué isto? Primeiro: boazinha??? Porque não "boa"? É por ser pequenina, é? E se eu não estiver boazinha nem boa? É uma ratoeira, de certeza. Devia era dizer "Olá, tudo mal?", sempre podia responder "Tudo" e acabava-se ali a bisbilhotice. E depois, olha questa! Muito gosto em vê-la. "Muito gosto" não é "muito muito gosto" em vê-la, é um gosto pequeno, não é assim um gostão! E devia ser. Mas também pode ser outra ratoeira. Pode querer dizer muito gosto em vê-la daqui para fora, é só uma questão de tempo, de certeza... se eu ficasse mais um bocadinho, quem sabe?!. Ora isto tudo evitava-se se ninguém nos cumprimentasse,  ou dissesse antes "Que é que queres, pá? Andas às compras? Andas? E eu a trabalhar, né?". Assim é que era. Devia estar tudo mal disposto por ter trabalho, até porque há muita gente sem trabalho, infelizmente, e estes desgraçados que têm trabalho não deviam ter, por solidariedade. É uma chatice. Trabalham. Ganham dinheiro. Onde já se viu? Por isso eu digo que devia ser proibido ainda haver quem goste de trabalhar. Só à bofetada! " Ai, ao menos tenho emprego!". Pumba! Lambada! Mas a culpa não é deles, não é não. É de quem inventou essa coisa do trabalho para ganhar dinhiero, muito ou pouco. Não havia cá trabalho para ninguém. Ou então só iam trabalhar quando precisassem de trabalhar, mas enquanto não precisassem de trabalhar, só ganhavam dinheiro. Há por aí alguns assim. De qualquer modo, sou absolutamente contra o arreganharem-me os dentes seja onde for. Trombas. Apenas trombas. Uma espiral recessiva de trombas. Era assim. Ao menos eu sabia com o que contava. E não tinha que assistir a poucas vergonhas como a que se passou comigo o outro dia em Balouço, ao pé da fronteira com Badajoz. "Bom dia! Deseja alguma coisa?". E a menina arreganhou a tacha. Olhem, veio logo o encarregado e disse para mim : " A senhora desculpe a delicadeza, sim? esta funcionária é muito delicada. Desculpe o incómodo". E logo a seguir: "Ó Melinda! Rua! Não se recebe assim um cliente! Sua bem educadona!". Eu bem que a defendi,  mas o homem foi inflexível. O que vale é que foi muito educado logo a seguir. "Deseja alguma coisa ou só quer ver?", isto com umas trombas do caraças. Ah, assim, sim.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Multas

Hoje vou falar de multas. Ou melhor, da falta de multas. Há muitas multas, lá isso há, mas algumas ainda não foram inventadas e deviam ter sido. Aliás, a malta devia até ser consultada sobre isso. "Olhe, que multas é que acha que faltam?". E aí a gente sempre se podia pronunciar, nem que fosse para dizer "Vá-se lixar". Mas não, não perguntam nada. É uma coisa que me transtorna. Olha eu, por exemplo, se me perguntassem sobre as multas que faltam inventar, já tinha uma debaixo da língua, salvo seja, claro. Eu acho que devia haver uma multa para peões atravessantes nas passadeiras. Multa por desexcessiva velocidade. Eu explico. Há pessoas que atravessam as passadeiras a 1dcm por hora e a gente fica ali à espera, à espera, é uma ralação. Ás vezes até parece que fazem de propósito! "Para aí, filho, calminha, eu vou a pé e tu vais aí de rabinho sentado, na maior, a ouvir uma musiquinha, a laurear a pevide, por isso aguenta, que eu já passo". Já apanhei muitos assim e já me deu vontade de sair do carro, pegar na pessoa ao colo e colocá-la no passeio com grandes cumprimentos. O outro dia, um até teve o desplante de parar a meio a falar ao telemóvel e quando ouviu uma buzinadela - juro que foi só um toquetito com os dedos, a medo - ainda ouvi "O que é? Estou na passadeira! Tens pressa ou quê?". Tinha. E apeteceu-me responder-lhe ao "ou quê" com uma qualquer palavrita menos própria, mas ainda podia levar na cara e calei-me. Esperei calmamente a ferver por dentro que sua excelência se resolvesse a transitar para o outro lado, quando acabou a conversa. Ora, como vêem, falta uma multa. Devia ser posto um sinal nas passadeiras. " Proibido circular a menos de 2 passos por segundo". E até punham umas marcações no chão e tudo. Ao fim dum segundo os pés já deviam estar naquele traço senão, pumba, multa. Toma. Mas para conseguir isso, e como o civismo é coisa que não abunda e alguns nem sabem o que quer dizer, o melhor era haver aulas para peões crónicos. Daqueles que andam sempre a pé, não é daqueles que de vez em quando andam de rabo sentado porque esses compreendem melhor as trombas do condutor que até tem tempo para tirar cera dos ouvidos enquanto espera. Essas aulas eram muito boas, muito úteis e até concordo que aprendessem também alguns palavrões e alguns gestos, tipo " Já vai", " O que foi, hein?" ou " Então?" ou um olhar desmoralizante, ou um sobrolho franzido, sei lá, qualquer coisa mais educadita. Mas isto leva-me a outra multa que eu acho que também faz falta. A multa para o condutor de trás. Ele apita e a gente é que ouve.logo, faz falta outro sinal nas passadeiras. " Proibido o apito a condutores de 2ª". Eu sei que era chato, diziam logo, tréu, téu, porque é que nem aqui há igualdade, tréu, téu, mas evitava-se muita poluição sonora. E verbal. Certo? Ah, mas ainda há outra multa severa que não existe. É para o peão brincalhão. Aquele que está junto à passadeira, a gente pára, espera...e o tipo vai-se embora! Dá-me cá uns nervios!! Deviam trazer um cartaz a dizer "pode passar, não sou peão atravessante, sou só peão". Aí nós diziamos "Ah" e seguiamos. Devia lá estar outro letreiro: "Passadeira só para peões que atravessem a passadeira". Ou "Proibido não atravessar". Mas não, não há nada disso. Conclusão: o melhor é parar sempre. Roer as unhas nunca fez mal a ninguém.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Mistura de carnes

"O quê? Você vem-me maçar por causa da carne de cavalo em Portugal, mulher?"
" Ó Feduncia. Pense bem. Você já viu que temos andado a comer gato por lebre? Já viu bem?"
" Mau. Decida-se. Veio falar comigo por causa do cavalo ou do gato? Já não entendo! E a lebre está aí a fazer o quê?"
" Chata. Não é nada disso. Eu quero dizer que temos andado é a comer cavalo e afinal era vaca, percebe?"
" Ouça, ó Lagarta. Você actualize aí os neurónios, tá? Agora confunde-me vaca com boi?"
" Ou isso! Em vez de cavalo é boi".
" E depois? Está admirada? Eu não. Há muito tempo que vejo por aí muito cavalo a fazer de boi. Ou muito boi a fazer de cavalo, se preferir. Até entram em concursos e tudo. O problema é quando a gente julga que é boi e sai vaca. Aí sim é que está o busilis, aí..."
" Busilis? Ai essa não ouvi. É o quê? Boi com bilis ou algum espécime novo?"
" Você hoje está nhurra. O que eu quero dizer é que há uma perseguição indecente, diria mesmo, indecentíssima, aos cavalos. Eu sei que com as vacas não é preciso tanto queixume, são mais fáceis de distinguir. "Olhe ali uma vaca". E você olha logo para a  vaca porque já sabe que é uma vaca, tem tetas e tudo. Agora com os cavalos e os bois é mais dificil. "Olhe, um cavalo!". "Onde?" Tá a ver. Não é logo às primeiras até porque não se vai agora a andar para certos sítios menos próprios a medir o tamanho do..do..apêndice. Percebe? Além disso, acho isto tudo muito machista. Muito mesmo! Só se preocupam com os cavalos e bois. Então e as vacas? Não têm direito a serem examinadas, não? Daqui a pouco até já nem sei se estou a beber leite de vaca ou de boi, pelo andar da carruagem ainda sobra para o cavalo. Mas como os cavalos não dão leite, sei lá donde veio o leite, o melhor é começar a beber chá. "
" Já se calou, já? Posso falar?"
" Pode. Se lhe apetece, avance."
" Pois eu acho que você não está a ligar nenhuma a uma coisa bem grave, percebe? Bem grave! Então andamos aqui a comprar carne cem por cento de bovino e sai-nos uma misturaça do caramba? Até porco já encontraram!"
" Não admira! Adimira-se porquê? Não há por aí tanto porco? Fazer o quê? Mistura-se com os conterrâneos ou idênticos ou afins ou lá o que é. Os porcos até têm um rabo mais pequeno e encaracolado, são bem melhores para feijoada, olha quessa! Mas vê? Lá estamos outra vez. Os porcos, os porcos. Então e as porcas? Nada? Não podem dar um gostinho ao cavalo e ao boi, não? Sempre teria menos colesterol, homessa! Têm pouca gordura e quando têm, tiram-na. Põe-se só a febra. Só a febra"
" E pronto. Agora vem-me com febras. O que é que isso me interessa?"
" Interessa e muito! Já a minha tia Sacrista dizia" Olha que vaca leiteira!" e agora já só diz "Olha que vaca! Será boi? ". Já não há decência. E com as febras a mesma coisa. "Dê-me aí umas febras", "Concerteza. Quer de boi ou cavalo?" Está a ver? É uma maldição. Já não se sabe o que se põe numa feijoadita, gaita! E as almôndegas? Nem lhe digo! Dizem que podem ter salmonelas, já viu? Agora até o peixe se mete com a carne. E são logo salmonelas, aquelas doidas. Podia ser uma faneca ou coisa assim, mas não, tem logo que ser à grande! Salmonela! Onde já se viu?"
" Olhe, viu-se na carne picada, Fedúncia, sabe bem que foi na carne picada!"
" Picada..... pois pois, amassada é o que é! Tudo ali ao molhe, na máquina, tudo moidinho junto...Olhe, sabe uma coisa? Afinal concordo consigo, Lagarta! Afinal até fico preocupada. Já só vou comer frango e perú e o caraças."
" Tem a certeza que não é pomba e avestruz? Olhe que..."

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Contr. Ext. Solid. (??)

Nem tudo está a ser feito mal, nem tudo está bem, tal como nem tudo estava a ser mal feito antes e nem tudo estava bem. Procuro ao máximo não ter uma visão curta do que passa, sempre fui assim. Ensinaram-me a ser assim e gosto de ser assim. Daí que deteste as pessoas que só vêem para um lado, que encontram sempre, sempre, defeito em tudo e em todos. Está no Governo? É mau. Ponto final. Seja qual for o Governo. Há tanta gente assim. Mas assim não se vai a lado nenhum, é a minha opinião.
Muita coisa está a ser feita que está bem feita. Mas mexer em lobbies é terrível e apercebemo-nos bem de que o polvo tem imensos tentáculos, imensos. Talvez por isso me continue a interrogar como é possível estar a contribuir com o meu dinheirinho para as PPPs de má memória e nada ser feito, praticamente nada. Que interesses se movem ali? O que está por detrás daquele misterioso mundo? o que leva a que nada avance?
Agora, das coisas que mais me revolta neste momento não são os Relvas e afins. É a insultuosa, descabida, maquiavélica, ingrata, estúpida taxa de solidariedade que os reformados como eu têm de pagar. Solidariedade com quem? E porquê? Trabalhei uma vida sem solidariedade de ninguém. Paguei os meus descontos para a Caixa Geral de Aposentações. Como é possível alguém ter o desplante de me roubar o dinheiro que lá pus? É que aqui não vejo outro nome. Dei o meu dinheiro todos os meses, anos a fio. Onde anda? Que outros bolsos se encheram com ele? E estou a ser solidária com essa gatunagem? Creio que o iluminado que fez, pensou, executou isto, Victor Gaspar ou o raio que o parta de quem foi, devia estar doido. E preso. Contribuição Extraordinária de Solidariedade uma ova! De extraordinário não tem nada. Só de pouca vergonha.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Sabão azul

Não sei se já vos falei da dona Cesaltina, mas acho que não. Vive mesmo ao lado da Fedúncia e quase todos os dias se pegam. É uma barulheira nas escadas que nem queiram saber! "Sua esta" e "Sua aquela" são só dois dos palavrões que até fazem corar o cão do Agapito. E porqûe é que elas se pegam? Variadíssimas coisas. Hoje foi por causa de sabão. Segundo percebi, a Fedúncia foi pedir sabão emprestado à Cesaltina e esta pegou-se-lhe o fogo quando ela lho foi devolver. Mas isto só ouvido.

" Ó seu traste redondo! Sua engolirodora de sabão! Já viu o que fez, já?"
" Ouça, Cesaltina. Você não me exalte, ouviu? O que é que tem o sabão? Não foi esse que me emprestou, não, sua finória? Olha-me esta."
" Não, não foi. Este sabão é uma minúscula partícula do sabão que lhe emprestei, percebe? "
" Claro. Queria o quê? O sabão gasta-se, ou não? Se me lavei com ele e aproveitei a lavar os interiores íntimos e a louça e os vidros da sala e o chão e a carpete, queria o quê, hein? Que viesse inteiro?"
" Queria. Ah, pois queria. Não tinha nada que usar o meu sabão para isso tudo. Era a mãozita e chega. Você disse-me "Ò Cesaltina, empresta-me o sabão para lavar as mãos que se acabou o meu?". Foi para lavar as mãos, não foi para mais nada. Sua vigarista sabonetária!"
" Ai é? Só as mãos? Só? Então e depois de lavar on interiores, não lavei as mãos? E depois de lavar os vidros e o chão e a carpete não se lavam as mãos, não? Lavei. Viu? Lavei as mãos. Viu? Não menti coisa nenhuma. Você é que é uma ingrata. Uma ingrata!"
" Ingrata, eu? Essa agora! Então eu empresto o sabão e sou uma ingrata? Porquê? É que não descortino nada que a possa levar a dizer tal disparate! Ingrata porquê? Vá!"
" Porque lhe entrego o sabão lavadnho, olha quessa! Ora veja. Veja! Lavadinhooo! E bem cheiroso, ora cheire, cheire!"
" Cheiro coisa nenhuma! Quer que cheire essa coisa minuscula que me está a dar? Quero é o meu sabão de volta! Era um sabão azul da melhor qualidade, sua porcalhona! Se não tivesse coisas para lavar não precisava de ter gasto o meu rico sabão azul. Ponha os olhos em mim, ponha. Ando porca, por acaso? E não uso sabão!!"
" Por acaso até anda porca, mas isso nem vem ao caso. Mas agora disse-me uma que eu nem sei, nem sei como não lhe vou às fuças! Sabão azuuull? Azul? Azul porquê, hein?"
"Ora esta! Porque é sabão azul."
" Ai é? Azulinho? Ah você é das que tem a mania que lá nos nortes é que é tudo bom, não é? Pois, pois, vá indo, faça as malas e desloque-se. Ide indo! Sua nortista! Sua infiltrada!"
" Acabou-se a conversa. Acabou-se. Dê cá a porcaria do naco de sabão e saia da minha vista. Vá lamber sabão!"
" Ora aí está finalmente uma coisa acertada! Então empreste-me lá outra vez o sabão, sim?"

Vocês não calculam o estrondo. A Cesaltina atirou-lhe com a porta com tanta força que até se me cairam os copos da cristaleira. Não é que eu tenha cristaleira, mas sempre me fica melhor dizer assim. Para manter o nível. Se não for eu, este prédio é uma bandalheira.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Irrita-me

Escolhi realmente o nome certo para este "blog". estou a ficar cada vez mais rabugenta.
Irrita-me o meu Sporting. Creio que a única solução é cortar nos ordenados àquela malta toda. Ou ganham, ou ....não ganham. E duma vez por todas ponham lá um presidente com eles no sítio, porque o crime compensa! Cada vez mais!
Irrita-me o uso e abuso da canção de Abril. Nem escrevo o nome. A banalidade mata qualquer coisa importante. E a maioria dos fedelhos que a cantam estão de barriga cheia. Faz-me lembrar os hippies. Não queria era recordar os tempos em que não podiamos falar e nem era preciso cantarem nada. Eu vivi esse tempo. É isso que querem? Democracia uma ova.
Irrita-me o tempo de antena dado ao menino de côro. Irrita-me a falta de memória das pessoas. De tal modo que vou começar a apontar o que dizem agora para me rir depois. A bom rir.
Irrita-me que digam "Que se lixe a Troika" e não me digam claramente como é que eu vou continuar a receber a minha reforma se os mandarem embora. Realmente preferia não os ter cá, mas alguém assinou um acordo com eles. Quem foram? Porquê? Memória curta.
Irrita-me que Victor Gaspar ainda não tenha percebido que é preciso mudar de discurso, ser mais humano, menos números e mais pessoas. Muda, homem!
Irrita-me que ninguém toque nos senhores jornalistas de papo cheio. Há tantos.
Irrita-me não saber quanto ganha e quantas aulas dá o senhor professor do ISEG que vai à televisão cascar no governo. Virá de taxi? 
Irrita-me saber o número de contribuinte do Passos Coelho porque tremo só de pensar que podem descobrir o meu.
Irrita-me contar carneiros para adormecer. Tantos.
Irrita-me que os meus netos cresçam num mundo de hipócritas, desonestos, mentirosos e fanfarrões.
Irrita-me a riqueza escondida dos arautos da mudança.
Irrita-me a falta de respeito por tudo e por todos. Hoje eu, amanhã tu. As pessoas esquecem.
Irrita-me ter de me irritar. Espero que dure pouco tempo. Prefiro mudar para o verbo "gozar". Não tarda.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Não percebi muito bem...

Ai que grande gaita! Olha-me esta! parece que não tenho mais nada que fazer senão aturar aquela fulana! Livra! Agora é por causa da Gala da TVI.
"Ai, dona Lagarta, que gala! Viu aquilo, viu? Ca lindo! Ca luxos!"
" Eu? Mais que fazer! Estive nos mails."
"Nos mails? Nos maiiils?? Você perdeu uma festa daquelas, mulher?"
" A bem dizer, não perdi. Mas perdi. Só pus a imagem, sabe? Tirei-lhe o som. Assim que vi aquela fulana com voz de cana rachada e aquele fulano amalucado, pumba, tirei logo o som. Os otorrinos estão muito caros, sabe? e os sicólogos e os pesquiatras e isso. "
" Ui, então não sei. Eu também outorrindo outouchorando. É um horror. Já tive que ir a um. Mas também foi por isso que vi a Gala todinha, todinha. É que o pesquiatra disse-me para eu me distrair, sabe? "
" E você distraiu-se, por acaso? "
" Nem queira saber! Aquilo é que foi, xiii, aquilo é que foi! Só vestidos lindos, e grandes decotes, e grandes canções e grandes planos e grandes botoxes e grandes..."
" Planos? Botoxes? Pois olhe, eu só olhei de esguelha. Via um mail, esguelha, via outro mail, esguelha. Percebe?"
" Essa da esguelha não percebo muito bem, mas como você tem a mania das originalidades, já não digo nada! Não se está a referir ao cabelo, pois não? É que realmente está com uma guedelha que só lhe digo!"
" E eu só lhe digo que você tem de emigrar, sabe? Está a ficar atrofiada, mulher! O que eu quis dizer é que lia um mail daqueles que só falam em crises e mais crises e eu dizia cá para mim " Ca raio, se aquilo é crise vou ali já venho. Estou a ver bem?" e lia outro mail e voltava a olhar, até se me ficou aqui um torcicole para uns dias! Uns dias!"
" Ai um torce e cola! Olhe que bom! E ficou aonde? Ainda dá para mim?"
" Então não dá? Chegue-se aqui, chegue-se! Não lhe garanto é a cola!"

Devaneios

Hoje apetece-me pôr aqui uns "devaneios" meus. De vez em quando dá-me para isto.

- António Costa, ontem, na "Quadratura do Círculo": " Até parece que de nós os três eu é que votei neste governo". Citei. Agora já percebem o que tenho dito sobre aquele programa, em especial daquele ressabiado do Pacheco Pereira?

- Porque é que Marcelo Rebelo de Sousa se refere tantas vezes a outros comentadores e nunca a Pacheco Pereira?

- Porque é que não se pode considerar uma afronta à crise - a crise que aqueles fulanos da TVI tanto dissecam - a ostentação da Gala de domingo de suas excelências?

- Porque é que suas excelências aplaudiram de pé o J. Eduardo Moniz e a Manuela Moura Guedes? Hipocrisia? Medo? Gozo?

- Estou a começar de gostar de ouvir Marques Mendes. Está mais "solto". Elogia e critica, concorde-se ,ou não, com os elogios e com as criticas. E chamou mais uma vez a atenção para o tabu das discordâncias dentro do PS. Mas para o pobre do jornalista que com ele conversa deve ser uma "ganda nóia" porque às vezes ele "foge-lhe" do controle.

- Porque é que a minha pensão de reforma continua a sustentar os pançudos das PPPs? Porque é que ninguém vai mesmo ao fundo da questão saber que gente se move ali??

- Porque é que recebo mails e mails sobre os Institutos e Observatórios e afins, que nos comem o nosso dinheirinho e elas continuam lá? Que gente se move ali??

- Porque é que ainda não vi nenhum, mas nenhum, membro da AR prescindir de algumas das suas regalias? A minha taxa de solidariedade também vai para eles?? Que revolta!




quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

"Negócios da Semana"

Se não tenho possibilidade de ver no dia, gravo. Aliás, até prefiro ver depois, porque posso saborear bons momentos de debate, de discussão de ideias, de opiniões, com um pormenor que me faz gostar deste programa particularmente. Trata-se de "Negócios da Semana. " E esse pormenor é a educação. A ele têm ido pessoas de todas as áreas políticas, todas, mas nunca vi nenhum descontrolar-se ou elevar a voz ou dizer algo mais brejeiro. Na minha opinião, aquele Jornalista (pus com letra grande de propósito, para o distinguir dos fedelhos que por ali andam nas televisões) impõe um tipo de entrevista/debate claro, útil, agradável de seguir, onde expõe as suas opiniões, ouve a dos outros, questiona, provoca, aprofunda, duvida, mas sempre com educação. E o curioso é que as pessoas que entrevista parecem ser contagiadas por esse pormenor, de tal modo que também se mantêm numa postura composta, mas livre. Adorei o debate de ontem. Gosto de ouvir as opiniões de toda a gente, toda, mesmo que me contorça na cadeira ou roa as unhas. Claro que todos nós temos defeitos e ele não foge à regra, mas é realmente um exemplo daquilo que eu acho que deve ser um jornalista.
Ouvir e deixar ouvir, falar e deixar falar, está-se a tornar coisa do passado. Deixa-me lá ir saboreando estes momentos. Humm.. 

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Portuguese nightmares- T2-Ep.8

Hoje foi o Agapito que teve a culpa. Hoje não foi o Afonso. Foi o Agapito. Aquele fulano persegue-me. Ele e a palerma da dona Lagarta. Dona! É cá uma dona! É mas é uma triste. Mas enfim, às vezes aqueles dois têm a sua piada. Ainda há pouco estavam para ali a falar da ida do Agapito a uma entrevista para um emprego. Para um emprego, leram bem. O homem deve estar mesmo sem tuste porque detesta trabalhar, nem para o bronze trabalha, prefere o sofá a qualquer tipo de areia. Então estavam os dois na conversa e nunca ouvi tamanhos disparates!. Dizia ela:
 "Ai credo, o senhor parece uma barata tonta! Pare lá quieto e conte lá isso da entrevista, homem!".
"Ai dona Lagarta, a senhora bem me tentou abrir os olhos!"
" Eu? Abrir-lhe os olhos? Homessa! Eu não sou violenta! Ás vezes passo-me da cabeça, mas caio logo em mim e fico que nem carneirito, é só mé, més e fofices e tal"
" Não é isso, valha-lhe Deus! Tentou avisar-me, percebe? Que eu não devia ir de cabeça perdida e que isso era mau ir assim para uma entrevista. Devia ir calminho, muito senhor do meu nariz, para não me passarem a perna por dá cá aquela palha!"
" Lá isso foi. Disse sim senhor. Mas afinal o que é que se passou? Bateu com o nariz na porta? Trataram-no mal? Fizeram de si gato sapato? Conte lá, homem!".
" Ai, dona Lagarta, credo! Eu conto. Cheguei lá e pus logo as cartas na mesa! Tinha-as tirado duma caixita que lá tinha em casa por trás da sanita no caso de lá ir algum ladrãozeco e.."
" Alto aí! Aguente os cavalos, homem! Você levou cartas? Que cartas? Não era isso que eu quis dizer!"
" Pois já vi que não, já percebi que meti a pata na poça logo de início! Levei as cartas da minha falecida, sabe? Julguei que era para dar uma de pessoa assim a modos que de confiança, de bom trato, sim, que ela faleceu porque teve de falecer, não fui eu que a faleci, morreu sózinha. Sózinha não, eu estava lá!"
" Ui credo! Credo, homem! Então você não percebeu que eu queria dizer que não estivesse com rodeios, que fosse logo direito ao assunto??"
" Não. Mas também estiveram pouco tempo em cima da mesa, sabe? Que a menina que me atendeu - que, não desfazendo, era toda jeitosa e "não me toques" - olhou-me com uns olhos que enfiei logo a argola no saco, mais propriamente as cartas no bolso! Mas depois é que foram elas!"
" Elas quem? E foram aonde??Conte lá, mas abstenha-se de pormenores, tipo jeitosas e não sei quê, tá?"
" Tá. É que a menina começou a perguntar-me em que é que eu já tinha trabalhado e que experiência eu tinha e em quê....e eu olhe, fiquei assim a modos que a pensar "e agora Agapito? Tás feito ao bife. Mas arregacei as mangas e disse para comigo mesmo "aqui vai disto!" Só que a menina, como eu demorei a palavrear, perguntou-me "Está a pensar na morte da bezerra?" e eu aí disse-lhe "Da Bezerra? Não conheço. Não estou assim a ver, sabe?"
" Valha-lhe Deus, homem. E depois?
" E depois ...olhe, como ela tem a faca e o queijo na mão, pumba, mandou-me dar uma volta. E eu lá estive a tentar ainda convencê-la, a engolir sapos para caramba, que ela foi assim a modos que mal educada, fuínha mesmo, uma porca, sabe? E ainda lhe gritei a plenos pulmões "Vá lamber sabão, sua desaustinada! Sua política!"

Desta vez fui eu que me fui embora.......

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Satisfeitos da vida

Vá lá, vá lá. Afinal o homem não é tão burro quanto parece. Não senhor. E eu sou testemunha. Ouvi-o a ligar para as televisões e acho que até se saiu bem. Estou a falar do Agapito, claro! Ora vejam.

" Boa tarde. É da televisão? É da 1?"
"É sim. Faça favor de dizer."
" Eu sou o Agapito Pinto. Às suas ordens. Olhe, é para aí que posso fazer uma reclamação? É consigo?"
" Talvez. Se for uma reclamação que tenha pouca reclamação, pode ser. Se for uma graaande reclamação, assim daquelas que as pessoas usam para reclamar, então já não é. Tem de ser com outro".
"Ah, não, é coisa pequena. Um desagrado, sabe. E também uma sugestão".
" Uma sugestão? Bem, uma sugestão ou uma reclamação ? Ou ambas as duas?"
" Quer dizer, é um desagrado sobre uma coisa que me desagrada e uma sugestão que eu sugiro por causa do desagrado. Portantos..é uma ...uma..sugerência. Mas sem urgência nenhuma. Entende?"
" Não. É melhor desenvolver para ver se entendo. Comecemos pela reclamação, ou desagrado ou lá o que é. Comecemos.".
" Comecemos. Olhe, eu desagrada-me muito que estejam sempre a dar reportagens tristes. As pessoas choram, amofinam-se, queixam-se e isso está-me a dar cabo da vesícula porque quanto mais choram mais eu como, de nervos, sabe? De nervos! Unhas e tudo!"
" Está bem, senhor Agapito, mas as pessoas andam assim, sabe, e..."
" Ah, ah, pois aí é que se engana, viu? Não andam nada, viu? Nada. Ora pergunte-me se eu ando satisfeito, pergunte!"
" Anda satisfeito?"
" Ando. E muito. Estou feliz da vida! Agora pergunte porquê"
" Então porquê?"
" Porque ando eu e a dona Lagarta e a malta toda que eu conheço absolutamente radiantes por estarmos a contribuir para a melhoria do país! Percebe? E a seguir vem a reclamação, está a ver?"
"Não, não estou a ver nada, só estou é a ficar baralhado. Ora repita porque andam todos satisfeitos, repita. Devo ter ficado sem rede, sabe. Não encaixei muito bem o que disse"
" O que disse e o que repito, estamos muito contentes! Andamos alegremente a ajudar a pagar o BPN, as PPPs, as Fundações, os Observatórios, as reformas de milhares de euros, os subsídios vitalícios de alguns deputados, as mordomias da AR, as..."
" Espere aí. Não entendi bem. Disse que vocês...andam contentes? Ou percebi mal? Barulhitos, sabe?.."
" Não percebeu mal, não. Andamos delirantes por ajudar a pagar isto e muito mais! Delirantes! Até deliramos em grupo, assim, tipo delirioterapia. Percebe? E é por isso que também tenho uma reclamação-sugestão a fazer! Reclamo e sugiro. É giro. Reclamo porque ninguém nos dá uma medalhita, gaita, tipo bronze e tal, sempre se vendia na feira, né? E a sugestão? Ui, é mesmo sugestiva! Que tal fazerem uma reportagenzita em Paris? E que tal fazerem uma na AR para acabarmos de vez com este diz-que-diz? Que tal ver como passam lá o dia? Que tal fazer uma reportagem sobre as pessoas que fazem as reportagens? Que tal fazer uma reportagem sobre os vencimentos, as licenciaturas, os carritos, as fériaszitas, as ajudas de custo, das pessoas que reportam as reportagens? Que tal? Nunca fizeram, pois não? Porquê?. São intocáveis? Não são pessoas como a gente? Não? Deviam fazer, eu gostava de ver o que saía dali....Ei, ei!! está-me a ouvir?? Tá? Tá lá??"

"Dona Lagarta. O homem desligou. Disse alguma coisa que não devia, disse?"
" Não senhor. Disse tudo tudo como lhe escrevi aí. Deixe lá. Vamos ligar para outro canal. Não lhe garanto é que não lhe façam o mesmo! Já não se pode andar satisfeito, livra!".

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Resmas de facturas

"Ai ,estou tão tão cansado, dona Lagarta!Tão cansado! Nem imagina! Tenho os meus pés duma maneira que até parecem ferraduras, salvo seja!"
(olha-me este a armar-se. Deve estar é cansado de não fazer nada todo o dia)
" Ó senhor Agapito, credo, homem. Nunca o vi assim. Anda sempre tão jovial, tão pé-leve, tão aluado. Que se passa? Foi a Fátima a pé, foi ao Jardim Zoológico, esteve na fila do desemprego, conte lá, homem"
" Nada isso. Ai os meus pés, valha-me Deus. Espere aí que vou tirar os sapatos, se não se importa"
"Ah importo importo. Com essa maleita toda é melhor tirá-los em casa, não? Ainda agora borrifei as escadas com anti-moscas. Não é grande cheiro....mas quase que apostava que é melhor do o que das suas meiinhas, não?
" Não sei. Mas podemos ver. Eu..."
"Ei, espere aí. Calminha com os chanacos. Conte mas é porque está nesse sofrimento, homem. E até pode encostar-se a mim, se quiser, veja lá, não caia!"
( encosta, encosta..anda lá, pode ser que hoje te dês conta da minha beauty interior ..)
"Pois encostarei. Então com licença. Ai, que alívio, credo!"
(se chamas a isso encostar, filho da mãe. Ó sorte a minha ,macaca)
" Sabe, dona Lagarta. É que eu estive todo o santo dia em pé no café ali do Potássio. Todo o santo dia! Livra! Já não aguentava mais. Já nem esperei pelos jantares. É falta de hábito, sabe, estar em pé não é muito do meu feitio. É mais para o sofázito, sabe? Enroscadito e coisa e tal."
" Isso sei eu. Vá, agora diga qualquer coisa que eu não saiba, vá lá"
" Gosto muito de coelho assado com.."
" Ó senhor, que paciência. Diga-me o que se passou para estar todo o dia em pé, homem, ande lá, não tenho o dia todo!"
" Ah, pois, isso é verdade. Já são quase oito horas e o dia..Bem, vamos lá então. Eu conto. Tive uma grandessíssima ideia durante a noite quando me levantei para ir fazer um xi-xi que depois redondou noutra coisa o que até foi bom senão não tinha estado sentado naquele sossego algum tempito o que fez com tivesse tempo para pôr aqui umas coisas em ordem na minha cabeça que anda meio tonta por causa da vida que levo que não é vida que se leve porque só faço biscates e assim não vou a lado nenhum e.."
"Irraaa! Pare aí homem. Até estou ofegante. Vamos lá: xixi. Tudo bem E nos afters? Ou nos entrementes? O que é que pensou então?"
" Nas facturas, dona Lagarta.Nas facturas!"
" Logo vi que uma ideia dessas só lhe podia dar na casa de banho. Facturas...quais facturas, homem?"
" Dona Lagarta. Pense. Pense comigo. A gente tem de pedir factura de tudo o que consome, não é?"
" Quer dizer...eu hoje estou consumida por não ter nada para jantar mas não pedi factura a ninguém, né?"
" Sua brincalhona. Sabe bem do que estou a falar. E então é assim. Enquanto lá estava sentadito e tal e coisa fui pensando, fui puxando - pelas ideias, claro - e lembrei-me desta maravilha. Como quase toda a gente recebe a facturita disto e daquilo e a deita logo para o lixo ou finge que a leva na mão até ao próximo caixotito, lembrei-me - pasme, minha senhora dona - lembrei-me de ir para ali para o café do Potássio que até serve refeições e tudo e resolvi perguntar às pessoas" Olhe, quer a factura?" "Eu não", "Então dê cá!". Bem, nem queira saber o montante que devo aqui ter, nem queira saber! E assim, se fizer isto todos os dias, ena pá, vou poder apresentar os tais vinte e não sei quantos mil euros para o IRS. Tá a ver? Genial, hein? Só esta cabeça a pensar assim enquanto se aliviava!. Não acha?"
" Acho, acho. Acho que é altura de aliviar aí a encostadura a mim porque o senhor esteve a perder tempo e eu também" ( nem para o meu batonzito novo olhou, raios o partam!)
" A perder tempo, eu? A senhora está é com inveja, está, está. Sua marota.."
" Marota era a sua avó. Se é que teve avó. às tantas é filho do valha-me Deus! Ó homem, você não vê que não vai conseguir fazer tanto dinheiro, não? Cafés, bifitos a cavalo, arroz de polvo, alheira, maçãzita, ...está doido. Você precisa é duma coisa em grande, homem. Muita comida, muita viagem, muita roupita upa upa, muita cultura, muita..."
" Tenha calma, dona Lagarta. Isto foi hoje. Hoje foi o Potássio. Amanhã será num daqueles restaurantes onde se come pouco mas se paga balúrdios, tá a ver? E por aí fora, pecebe?"
" Pecebo. Então não pecebo. Aí nesses você não entra, ó, ó. Viste-los!"
" Detesto quando a senhora me desmoraliza. Fico sem moral nenhuma. Agora sou eu que lhe digo: apre!. Um apreçozinho não lhe ficava mal de vez em quando. Olhe, vou andando. Agradecido pelo apoio".
" De nada. Pode-se apoiar quando quiser!".
( não sei o que é que eu tenho....mas mais um que se raspou a correr. Estranho...)

"

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Portuguese nightmares- T.2- Ep. 7

Eu continuo a dizer que o Afonso é que tem a culpa. Não se faz isto a uma pobre pessoa que nos venha visitar, não se faz não. Já imaginaram a cara do triste se lhe dissermos "voltando à vaca fria..". Para já, é má educação, parece que nos estamos a referir a alguém com que já se esteve e parece que lhe estamos a chamar vaca. Eu não arriscava. Pode dar sarilho. Por outro lado, para que é o "fria"? Não tenho propriamente conhecimentos com nenhuma vaca, mas enfim, dá-me a entender que as vacas não são frias, são vacas só. Não sei qual a temperatura normal duma vaca mas não percebo porque é que temos de dizer "vaca fria" e não "vaca quente" ou " hot vaca" ou " vaca-assim-assim". Esta do fria moi-me o juízo. Mas mal o triste do homem ou mulher se recompõe e decide fingir de contas que não ouviu nada, atiramos-lhe com esta " Já deu com a língua nos dentes". "Olha lá, ó Marquelina, não sabias estar calada? Já deste com a língua nos dentes, mulher!". Puxa. Devo ser anormal. A minha língua juro que está sempre juntinha aos dentes, nem preciso de a atirar para eles, tipo, toma lá que já comeste. Alguma vez isso quer dizer que ando praqui a denunciar isto ou aquilo ou a quebrar segredos ou falar do que não devo? Não quer. Pois é. Viram? Tenho razão. Tal como tenho razão em me arrepiar todinha quando ouço dizer "Olha que me custou os olhos da cara!". Valha-nos Deus. Eu sei que está tudo muito caro mas daí a ficarmos sem os nossos olhinhos, vai uma grande distância, gaita. Prefiro não comprar. Prefiro "dar-me ao luxo" de dizer que não quero. Fico na mesma bem vista porque utilizei a palavra "luxo" que é uma palavra que se utiliza agora para descrever coisas muito muio caras e portanto luxuosas e portanto que- não -são -para -todos,  tipo pão, leite, peixe, carne, arroz..e se fôr, por exemplo,  um sumito então, ui, nem há palavra que descreva, é coisa das arábias mesmo. Aliás, no que respeita a dinheirito, a trocos, a tlim-tlim, até na nossa língua somos uns tristes. Quando há uma expressãozita qualquer que  inclua qualquer referência a quantidade, xi, credo, é sempre uma miséria! "Vou ter dois dedos de conversa contigo" ou " Olha lá, não tens dois dedos na testa, pá? estás maluco?", são exemplos dessa fatalidade. Dois dedos. Só dois. Não podia ser "vou ter três dedos de conversa?", não? Custava muito, custava? Até um simples pau "tem dois bicos!". Quer dizer, aqui é conforme a perspectiva, até pode ser bom, sei lá, mas se fosse um pau de três bicos, ao menos já era uma forquilha e já se espetava melhor no rabo de alguém, dava era muito trabalho a tirá-lo outra vez. Não tinha pensado nisso.....está bem, Afonso, pronto, ficas com o pau de dois bicos.

Dia Mundial da Rádio - fomos invadidos....

Imaginem que não têm acesso a qualquer tipo de media com imagem. Imaginem-se a ouvir rádio. Só som. Vozes. Música. Agora imaginem que começam a ouvir dois locutores a descreverem um cenário de guerra. Guerra bem perto. Por exemplo, em Lisboa. Houve um ataque, algo enorme caiu no centro da cidade, há pânico, gritos, som de âmbulâncias, pessoas que descrevem horrorizadas a invasão a que estão a assistir, os locutores aos gritos, etc,etc. Acreditavam? Sentiriam medo?
Estou convencida de que hoje em dia quase ninguém dirá que teria medo. Estão habituados à imagem. É natural. Tão natural como o pânico que Orson Wells gerou quando num programa de rádio relatou a invasão de marcianos. Estão-se a rir? Houve pânico mesmo, houve pessoas que nem esperaram pelo fim do programa de notícias e fugiram de casa. Nos estados Unidos. No Canadá. E não só. O realismo era tal que milhões acreditaram nessa invasão (baseada no livro de H.G.Wells "A Guerra dos Mundos). É que ainda por cima aquele programa nem sequer teve intervalos para anúncios - o que era habitual - e tornou-se, portanto, numa sucessão de notícias cada vez mais angustiantes e "realistas". Como foi possível?
Hoje em dia isto seria impensável. Ligavamos logo a televisão ou o computador ou o telemovel, certo? Pois. Mas naquela época a rádio era o companheiro quase único de muita gente. Foi o tempo da "vila global". Foi um tempo giro, que recordo da minha infância e adolescência. Ainda me lembro do romance do Tide (por alguma coisa  novelas em inglês diz-se "soap operas"..- é, soap é sabão.., vale a pena pesquisar o motivo, digo-vos), dos relatos do hoquéi em patins, daqueles diálogos absolutamente loucos que nos faziam rir às lágrimas, dos relatos de futebol, dos concertos, das poesias e narrativas que nos faziam sonhar,...tanta coisa. Só som. Sem imagem. A única imagem era a que existia dentro de nós, na nossa imaginação.
Foi muito bem vinda a televisão e todos os meios de comunicação que fazem parte do nosso dia a dia. Foram bem vindos. Adoro. Mas a rádio tem sabido lutar contra o esquecimento. Ainda é insubstituivel, por exemplo,  em lugares remotos, onde não é difícil imaginar alguém ligado ao mundo ou apenas ao "seu mundo" com um rádiozito nas mãos.
Como diriam os Queen :"You´re yet to have your finest hour".

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Sugestões de soluções práticas

Desculpem, mas não é todos os dias que se ouve a Escolástica a descer as escadas, valha-me Deus. E ainda por cima a cantarolar. Então disse cá para comigo: Ca raio!Aquela fulana já devia ter saido para o trabalho..e anda-me aqui lálálá às 10 da manhã?? Querem ver que perdeu o emprego?! Não, isso não, não pode ser, senão não ia prali a descer as escadas tipo canguru com fogo no rabo. Humm, aqui há gato. Ora então deixa-me cá fingir que ia sair e ainda a apanho de certeza. Corre!
"Ó dona Escolástica. Que coincidência! Também ia a sair, sabe? "
"Ai ia? Então era melhor tirar os chinelos e os rolos da cabeça, não?" (rais a parta..)
" Ah, não, só vou ali ao lixo, ver se lá pus ontem o lixo, é rápido. Mas então diga-me, já agora, se não é incomodar, se não leva a mal, não é? que raio está a dona Escolástica aqui a fazer a esta hora? Já costuma estar no trabalho, desculpe o reparo, não repare."
" Não reparo e nem paro. Então com licença.."
" Toda a licença, claro. Deve ter alguma coisa a esconder, mouro na costa e tal.., está no seu direito e eu vivo no esquerdo, portantos.."( deixa ver se pega...)
" Segredo? Eu?" (ihih, pegou!). Eu não tenho segredos. Se tiver é tabus, tabus, entende?"
" Tabus? Tá bem. E qual é o seu tabu, ou..isso?" (queres ver que há mouro na costa??Uiui..)
" Nenhum, homessa! Não sabe que hoje é terça feira de carnaval, não? Estou aqui porque me deram o dia livre, viu?"
" Não vi, não tenho dias livres, só tenho dias desocupados, sabe? Mas vê-se que está muito alegre!"
" Pois estou, ai não. Mas não é por isso que vinha a trautear o Carreira. É porque vou ter mais dois, olarila!"
" Mais dois dias livres? Dona Escolástica, pelo amor da santa, desembuche, adiante-se. estou em pulgas!"
" Não admira, anda sempre atrás do Agapito e o homem só dá banho ao cão quando falta a água. Enfim. "Está bem. Como estou numa grande satisfação, até lhe conto! Sabe que o meu patrão deu hoje feriado a todos prá gente ir gozar o carnaval que é como quem diz pra gente ir passear ou dormir ou ir às compras que carnaval viste-lo, é tanta a chuva e o frio que nem com mantas e ver de dentro do carro também não tem piada, perdem-se os gigantones, só se vêem as pernas, falta a parte melhor e só se vêm as rodas dos carros do cortejo e por aí fora. Por isso a malta barafustou, sabe? Já no domingo passado, néspias. E foi aí que tivemos uma ideia muito boa. No próximo domingo é feriado outra vez e adia-se o domingo para 2ª feira e como hoje também não vimos nada, na proxima terça também é outra vez feriado, está a ver? Pecebe? É só folgas! Quer melhor?"
" Melhor? Ah, não, quem sou eu, valha-me Deus. Mas...dona Escolástica, e se volta a estar frio e chuva? "
" É facil. Volta-se a fazer o mesmo! E por aí adiante. Está a ver porque é que eu estou tão contente, está?"
" Quer dizer, a modos que não estou não. Deve ser falha minha. É muito cedo ainda, são 10 horas"
" Pois, pois. Chame-lhe nomes"
" A quem?"
" A ninguém, bolas. É uma força de expressão" ( que mania das finuras, gaita!)
"Ah, dessa não tenho. Ás vezes tenho é força de vontade, mas é raro, sabe, dá muito trabalho"
" Pois olhe, a mim deu-me agora uma força de vontade enorme de ir embora para não a aturar mais. Livra! Então bom dia e fique-se com a sua força de vontade, irra!"
" Até ficava, mas hoje ainda não a vi"
Não percebi porque é que a Escolástica me olhou com olhos de carneiro mal morto. É parva, pronto.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Carnaval enxuto

Há inteligências e há inteligências. A minha é fora do normal. É uma inteligència que está à beira da excelência, não digo mesmo mesmo na excelência, mas à beira. Até me assusto. Credo! Sendo certo que hoje tive mais uma ideia também perto da genialidade, bem perto, pertíssimo,  pouco falta para ser genial. Eu conto. Foi por causa da chuva. Chuva a potes. Já não a posso ver nem ouvir. Assim tipo Relvas e tipo "Qual é a pressa?". E então lembrei-me dos tristes que devem estar com o nariz colado à janela e o ouvido colado ao rádio a ver se amanhã, pelas santas almas, não chove. É que está uma pessoa ali a treinar os sambas e a fazer carros e bonecos e fatos e tudo para depois só poder sair de casa com mantas e um calorífero no rabo. É injusto. Já basta o Brasil se adiantar no calendário e já estar no verão e toda a gente poder andar com as partes que lhe apetecer à mostra e nós ainda temos de aguentar com o inverno e com a chuva e com um frio do caraças. São demasiados "coms", não acham? Também. Por isso deu-se-me aqui um tlique ou um clique ou lá o que é e lembrei-me que se podia combinar que toda a gente ficava em casa a gozar o carnaval que entretanto era organizado na assembleia, com máscaras e serpentinas e tudo. Havia variadíssimas vantagens. Primeiro e segundo, como toda a gente ficava em casa, não havia cá tolerâncias de ponto para uns e outros não. Vais para casa e pronto. Mas não quero ir aturar a mulher! Aturas, sim, tens de ter tolerância, ora essa. Portantos..não havia cá desigualdades, tudo para casa e acabou. Terceiro e quarto, não se gastava dinheiro quase nenhum a organizar a festa. Para já, a festa já está montada há muito tempo, não são cá precisos ensaios, nem nada. Olha, agora dança tu. Agora danço eu. Toda a gente sabe já de cor as marcações no recinto. E depois, máscaras para quê? Não é preciso. A malta ri-se na mesma. Podiam era fazer uns combóios com uns atrás dos outros, cantar umas cançoeszitas tipo "Mamã eu quero mamar" ( também sabem a letra de cor), deitar serpentinas, bombinhas de mau cheiro, sei lá, coisas novas, originais. Portanto, como viram, era um poupanço do caramba. E sempre eram úteis à malta, ao menos um dia por ano. E a malta ficava em casa, no quentinho, sem chuva, lanchito partilhado, ...Não era genial?

A Provinciana Rechonduda

Outra carta. Susana baixou-se para lhe pegar e, embora sorrisse com indiferença, tremia um pouco. Precisamente igual à primeira, com a mesmíssima letra e tudo. Tinham-lha metido por baixo da porta. Quando? Gostaria imenso de ter ouvido. Teria sido muito rápida e talvez conseguisse enfrentar-se com a pessoa que se prestava a tão baixas manobras. Foi lê-la junto à janela da sala onde, momentos antes, tinham tomado o pequeno almoço, ela e o Alípio. A prima Vitória saíra mais cedo do que o habitual, porque tinha que provar umas roupas. De caminho seguia para a lição e, o Alípio ia ter com ela para ser prestável, como das outras vezes. A carta, com uma letra propositadamente bem legível, dizia: "torno a preveni-la. O seu marido continua com a loura rechonchuda, coradinha e bonitona, tipo provinciana e você não faz ideia como eles andam derretidos. Porque não vai dar uma olhadela? Se é que isso lhe interessa!".
_ Que estupidez!- disse Susana em voz alta, como se estivesse a responder à pergunta - iria sim, se a provinciana não fôsse a prima Vitória. Quanto a andarem derretidos - deu uma gargalhada - parece-me que o Alípio tem realmente sido amável como eu lhe pedi. Às vezes ele é tão sorumbático e tão pouco atencioso! São feitios! Mas com a prima Vitória tem-se portado bem.
Dobrou a carta, foi guardá-la com a outra e, quem lhe visse a expressão sorridente e galhofeira, diria que estava muito divertida. Depois começou a levantar a mesa do pequeno almoço, recordando, com ironia, aquela história da prima Vitória. Coitada! Se ela soubesse das cartas anónimas e como interpretavam as saídas dela com o Alípio! Uma pessoa tão encantadoramente simples como a prima Vitória ser tomada por uma qualquer!!
Tempos antes ela tinha-lhes escrito da aldeia e dizia que estava com muita vontade de tirar a carta de condução, mas que, por ali, não havia jeitos disso. Não sabia de nenhum instrutor e toda a gente lhe dizia que procurasse um meio grande, onde há tudo o que se pretende. " Lembrei-me" - acentuava na carta -" que a prima Susana e o primo Alípio me poderiam ajudar, isto se não é abusar da vossa amizade, caso soubessem de algum instrutor competente e educado, mandavam-me dizer, porque eu iria para uma pensão o tempo que fôsse necssário para tirar a carta. Sei que estou a maçá-los, mas esta informação é muito útil para mim, que sou uma provinciana ignorante e acanhada".
-"Vamos ser simpáticos com a prima Vitória" - dissera imediatamente a Susana. "Ela merece . E eu gosto muito da prima Vitória!".
Depois foram as necessárias recomendações ao Alípio. Que procurasse ser muito amável para a prima, ajudando-a no que fôsse preciso. E, até para lhe dar segurança, deveria levá-la às lições, todas as vezes que pudesse. "Se me apetecer!"- tinha ele dito.
Quanto à pensão, nem pensar nisso! A prima Vitória vinha para casa deles, porque tinham o maior gosto em ser prestáveis e simpáticos.
Tinham já passado umas semanas. As cartas anónimas vinham, a espaços. Agora até falavam na maneira como a provinciana rechonchuda se vestia, e se penteava, quais as côres dos fatos, tudo muito preciso, o que mais divertia Susana, em vez de a provocar. E, de acordo consigo própria, nem uma palavra ao Alípio, nem uma palavra à prima Vitória àcerca daquelas cartas acusadoras. Para quê? Para chocar e deprimir? Concerteza que a prima Vitória não ia achar graça nenhuma, nem a sério nem a brincar. E o Alípio também iria irritar-se muito! Ele que se esmerava em atenções por causa dela, Susana, lhe ter pedido e não por vontade própria! Não diria nem uma palavra! Talvez um dia, se a ocasião fosse oportuna e o momento fosse de risota, se resolvesse a mostrá-las.
Entretanto, a prima Vitória estava prestes a fazer o seu exame de condução. Dissera-o o Alípio, elogiando-lhe a inteligência e a facilidade de aprender. A prima Vitória, muito modesta, não achava que ele tivesse razão. Mas desejava, isso sim, tirar a carta quanto antes, porque, expressão sua, já estava a maçá-los demasiado.  Susana teimava que não. Aliás, a prima Vitória estava tão pouco em casa! Não dava maçadas nenhumas! Ela é que já devia andar um pouco saturada com as constantes saídas1
-"Faz amnhã o seu exame de condução!" - avisou o Alípio, com uma pontinha de nervosismo. "Saímos muito cedo. Não tens que pensar no pequeno almoço, porque tomamos fora. Isto se a prima Vitória achar bem" - acrescentou. A prima Vitória achou bem. "É que estou muito ansiosa, a pensar no exame!.
Susana compreendeu o nervosismo, porque ela própria estava nervosa. Era uma parvoíce. Mas realmente estava nervosa. E foi quem se levantou primeiro no dia seguinte. Se não tinha que dar o pequeno almoço, tinha concerteza que dar um almoço festivo como felicitação à prima Vitória. Fazia muito gosto nisso.
Mas, nem a prima Vitória nem o Alípio regressaram a casa nesse dia. Em vez deles, outra carta anónima apareceu, como de costume, igualzíssima por fora mas diferente por dentro. Susana, desorientada, já enfastiada do palavriado que conhecia, foi, como habitualmente, lê-la em frente à janela da sala. E foi nessa altura que notou que o palavriado era diferente, embora a letra fosse precisamente igual.  Dizia:" Creio, Susana, que mais carta anónima menos carta anónima, para ti é igual. Tens guardado as outras, não tens? E não te ralaste com o que diziam, pois não? Pensei que ficavas alvoroçada, mas viu-se que não ligaste. Gosto da prima Vitória , a rechonchuda provinciana e vamos raspar-nos. Será que agora dás mais atenção às cartas anónimas? Podes guardar esta também."
o

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Alfaces e milhões

Ao que uma triste mortal chega, bolas! Para comer uns sconezitos e tomar um cházito e já não ter que fazer nada para o jantar(também não tinha nada em casa, mas a minha imaginação não tem limites quando se trata de pedir empresta-dado qualquer coisita aos meus vizinhos..) , lá tive eu de ir ao lanche que o Agapito decidiu dar hoje,  a pretexto de debatermos a situação do país, sim que nós também debatemos a situação do país, o que é que julgam? Se fica mais a norte, ou mais a sul, se está acima do Brasil ou ao lado, etc, etc. Cultura. E lá vamos mastigando alguma coisa nos entrementes. Só que desta vez a palerma da Fedúncia estragou tudo. Desatou para ali a falar em fraudes e bancos e milhõeses e ófechores e não sei quê e até me ia engasgando porque não queria que ninguém percebesse que eu não estava a perceber nada e queria entrar na conversa e não sabia como. Por isso, como não sabia como, comi. Lá fui dando conta dos scones, orelha no ar e mão nos ditos, até que ouvi algo que felizmente me disse alguma coisa. "Cadeia, Fedúncia? Falou em cadeia? Ah, pronto. Estavam a falar ali do Ti Cósmico que apanhou dois anos por tirar uma folha murcha da alface no supermercado? Fizeram bem, ora essa. Tirar assim uma folha murcha. Não se faz. Ou murcha ou marchas. E marchou." Quando acabei , ui, foi cá um silêncio! Nem já se ouvia o sorvedoro da Fedúncia a beber o chá, nem os pequenitos arrotos da Escolástica e muito menos o som de máquina de cimento que sai da boca do Agapito que a gente até vê o interior todo enquanto ele come! Parou tudo. Pareciam tolinhos. Eu até nem fiquei muuuito preocupada porque o outro dia vi um anuncio na televisão em que paravam todos e a certa altura dava uma música e pumba, lá andavam outra vez. Mas já estava a demorar muito. E aí, à falta de música, resolvi trincar ruidosamente o último scone! E não é que deu resultado? Aquilo é que foi uma catadupa de "ais" e "óis" e "uis" e outros palavrões indecorosos que nem revelo! Por exemplo, o Agapito, quando se conseguiu fazer ouvir, o triste, disse esta coisa incrível de má educação e insensibilidade: " Credo! Onde é que a dona Lagarta tem andado?". Isto diz-se? Não gostei. Não se pergunta assim a uma senhora fina como eu onde tem andado porque toda a gente sabe que só ando por ali, não ando por sítios escuros ou com rufiões! "Senhor Agapito! Olhe como fala!". " Ah, pois olho! Olho sempre à volta antes de falar, lá isso é verdade!". Mas foi a Fedúncia que me salvou, benza a Deus. " Ó mulher, então você não viu a reportagem sobre aquele banco e aquela malta e aqueles milhões? Não anda a par dessa pouca vergonha?". "Ó Fedúncia, poucas vergonhas não é comigo e como vos ouvi falar em roubar associei ao Cósmico". " Pois - disse ela -  mas esse foi dentro, estes não". E eu : " Mau. Foi dentro como?". E vai ela: "Então não disse que foi preso?". E vou eu: "Foi, e daí?". E ela outra vez, a sarna. "É que estes não. Está a perceber? Estes não. Amarfanharam-se com  milhões e andam por aí, mulher!". Não me fiquei! " Olha a grande coisa, Fedúncia. Não se chamam Cõsmicos ou chamam? Olhem questa!". Toma, que já levaste.
Mas tenho a impressão que é melhor rever a minha cultura geral. Houve aqui qualquer coisa que me escapou.

Luas, nuvens e cabelos

 Como calculam, há montes, resmas de ingleses a ler o meu blogue. É uma canseira. E para os fulanos não se ficarem a rir dos meus "portuguese nightmares", vou pôr aqui alguns mimos da língua deles, que é para aprenderem. Por exemplo: "I´m having a bad hair day!". Vê-se logo que querem dizer que estão a ter um mau dia. Ok. Mas , cum caramba, eu posso estar a ter um mau dia e ter o cabelinho arranjado, ou não posso? Só se se referem a andar de cabelos em pé com o que vêem ou ouvem e aí, meus filhos, não nos batem. Se fosse por isso a malta aqui andava sempre numa rica figura! Mas, enfim, aqueles fulanos para falarem que estão "em baixo" ( vou esconder esta para eles não se rirem..) têm cada uma. Alguém se lembraria de dizer que "hoje estou por baixo do tempo"? (I´m under the weather) ou que "estou-me a sentir azul?"??(I´m feeling blue). Azul? Essa agora! Porque não vermelho - de raiva, por exemplo - ou amarelo - de pálido - ou verde - de agoniado? Azul. Aquela malta deve ser daltónica..Eu sei que deve estar relacionado com os "blues", com a melancolia a eles associada, mas assim a seco uma pessoa fica meio perplexa. Mas o fascínio pelo azul não pára aqui. Para dizerem que uma coisa acontece muito raramente sabem como eles dizem? " Once in a blue moon", uma vez em cada lua azul. Olhem-me esta! Nunca vi a lua azul. Juro. Jurinho. Será que a lua deles é diferente da nossa? Ás tantas! Estão lá mais para cima, pois é. Já me calo. Ou melhor, não calo. Já que falei em luas e tal, lembrei-me do "papel" das nuvens e da lua em ambas as línguas. Nós dizemos muitas vezes "Parece que estás com a cabeça nas nuvens" ou "parece que andas na lua" ou "Estás meio aluado hoje". Tudo bem. Mas tem sempre uma conotação negativa, às vezes até dá vontade de dar um berro "Estás com a cabeça na lua ou quê?". Pois é. Mas eles utilizam-nas para o oposto. Se estão satisfeitoa da vida, sabem como dizem? Eu digo: "I´m on cloud nine!". É. Estou na nuvem nove! Não é de riso? Eu nem sabia que havia as outras oito..Aqui vai ser mais difícil para um qualquer portuga por terras de sua majestade não lhe dar logo vontade de se pôr a milhas porque não quer admitir que nunca contou as nuvens, só os tostões, ou, à "moderna", os euritos. No entanto, se falamos em tlim-tlim, então estamos milhas acima! Ó se estamos! A malta vive muito melhor do que eles. Quando alguma coisa é muito cara, dizemos que é "caríssima", "custa montes de dinheiro", e por aí fora. Mas eles dizem que "costs an arm and a leg!" Um braço e uma perna! Livra! Ah, esperem aí. Afinal...estamos bem uns para os outros. Nós também dizemos "custa couro e cabelo". Outra vez "Livra!".

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Se não reencaminhares este mail...

Tenho que ir a correr chamar a Fedúncia. Ai credo, estou tão nervosa que não posso estar sózinha, não posso, ainda me dá praí alguma e eu hoje não posso perder as novelas à noite. Acho que vai haver pancadaria, não sei já em qual, mas também não faz mal, são todas iguais, é só maus fígados e faz-me bem saber que ainda há muita gente com maus figados porque o meu tem-me dado cabo dos chouriços e das morcelas. Ou é o contrário? Adiante. Vou lá acima chamar a Fedúncia.
" Boa tarde, Fedúncia, tudo nos conformes?"
"Conforme o que você quiser. Para vir aqui bater à minha porta..ui, deve estar ou sem açúcar ou sem batatas ou sem televião ou qualquer coisa assim!"
"Olhe que você é fogo. Já não posso cá vir só por vir, não?"
" Poder pode, mas não vem. Então diga lá. Deseja entrar?"
"Não, não, eu quero é que você venha comigo lá a casa. Mas tem de ser já, jázinho!"
" Ai tem? Porquê? Soltou-se-lhe o varão das cortinas? Matou uma barata? Fugiu ao fisco?"
" Nada disso. Vê, vê, como se enganou! Não, eu quero que partilhe comigo um momento de grande, grandíssima sorte que eu vou ter!"
" Partilhar.... já gosto mais. E partilho o quê?"
" Ah pois isso vamos a ver, vamos a ver!"
" Mau. Então não sabe o que vai acontecer?
" Sei e não sei. Eu explico. Recebi um mail a dizer que se eu passasse aquele mail a vinte pessoas, que hoje às 17 e 15 iria receber uma boa notícia, assim, um telefonema, uma cautela premiada, um impresso para um lugar no parlamento, ...logo se verá! Tem de vir depressa, bolas!"
" Humm, você tem a certeza disso?
" Eu vi com estes olhinhos que Deus me deu, mulher. Vi pois. Ande lá. Estou tão nervosa!"
"Mas você já viu que horas são? Já? São quase seis horas. Deve-se ter enganado! Ou tem o relógio atrasado?"
"Eu, relógio atra....hein? O quê? A porcaria do relógio parou? Ó valha-me Deus. Logo hoje. Pronto. Lá se me foi um momento de glória. Pronto. Estou feita"
" Deixe lá, mulher. Deixe lá. Hão-de aparecer mais desses mails, que diabo!"
"Eu sei, mas o problema está no que acontecia se eu não mandasse o mail para as vinte pessoas, percebe? Percebe? Nem me quero lembrar! Já não vou dormir!!"
" Caredo. Acalme-se. O que é que vai acontecer? Casa com o Agapito? Cai da janela abaixo..o quê?
"Não, bem pior! Bem pior! E eu que tive tanto cuidado e tanto trabalho para arranjar vinte pessoas. Valha-me Santa Ingrácia!"
" Ó mulher, desembuche, caramba!"
"Então eu digo-lhe: dizia lá que se eu não enviasse aquele mail ficava sem poder pedir emprestado nada, nada, nada, durante um ano! Um ano!"
Atirou-me com a porta. É mesmo saneável, esta Fedúncia.

Portuguese nightmares- T2- Ep 6

Ísto é que é uma fixação pela água! Puxa vida, já viram que andamos a "meter água" há que séculos! E continuamos a meter, o que é um bocado chato porque com as chuvas que têm caído, daqui a pouco não há pedacinho de terra que sobre, livra! Agora, dizerem-me "Olha que já estás a meter água" é que já não acho graça nenhuma. Nenhuminha. Para já onde é que eu metia água? Ok. Pela boca. A beber. E mais, mais, vá, digam lá. Por onde? Pelos ouvidos, pelo nariz? E depois? Saía por onde? Por "ali"? Está bem. Mas não dava vazão de certeza e nao tenho mais buraquinho nenhum por onde ela saia, juro, e não tenciono andar praí a fazer furos, senão depois pareço um repuxo. Ora esta! E também "não trago água no bico", não tenho bico, ou tenho? Embora já comece a duvidar porque ontem ouvi "Cala o bico!" e fartei-me de dar voltas à cabeça a ver se se me lembrava de ter ou ter tido algum papagaio ou piriquito em casa, mas não me lembro de nada e por isso também não calei bico nenhum. Ainda pensei no bico do fogão, mas até ver os fogões não falam e ainda bem porque às tantas ainda se revoltavam de estarmos a pôr tachos em cima deles e os tachos têm uma conotação um bocado duvidosa, ninguém os quer, não vá o diabo tecê-las, mas como o diabo anda um bocado à solta ultimamente também não vale a pena ser esquisito e a gente continua a usar tachos e os bicos do fogão até que perceberam que só assim se faz farinha, ou melhor, comida ,ou melhor,  tlim-tlim. Pois. 
E também que raio de coisa é essa de me dizerem que "estou a tentar levar a água ao meu moinho?", hein? Mas eu tenho algum moinho, por acaso? Não tenho. E se tivesse também ninguém tinha nada a ver com isso, podia ter necessidade de ter um moinho para quando quisesse moer o juizo a alguém, sempre tinha um sítio apropriado para o moer, não andava aí a pôr os juízos numa batedeira qualquer. Mas o que me incomoda ainda mais, assim um incomodar mesmo incomodativo, é ouvir dizer que fulano ou beltrano se "afogou em pouca água!". Olhem quisto. É mesmo chamar burro a alguém. Se a água era pouca bastava não ter enfiado a tola lá, ou pôr uma mola no nariz e fechar a boca, era ou não era? Mas também, um país onde se põem "as barbas de molho".., valha-me Deus.. De manhã acorda-se e diz-se "Hoje vou sem barba, vou pô-la de molho" . Em água? Em leite? Em cerveja? E para quê? O bacalhau depois de demolhado fica bom para comer, está bem, mas as barbas? Ficam boas para quê? Hein? Para comer não, puxa, ainda não chegámos a esse ponto! Então só se fôr para as pôr no lixo, devem ficar com um cheirete que só vos digo! Mas vai valia deitá-las logo pró lixo. Mas aqui temos outro problema. Cadê o caixote para barbas?`Há para o papel, o vidro, as pilhas...mas há algum para barbas há? Não há. Ou seja, mais poluição ambiental. Só asneiras, Afonso, só asneiras!

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Ele há cada um!- 1

Vamos ter um mês lindo. Ai vamos, vamos. Para já, se eu levar à letra o ditado "Quem andar a gosto, não sai de casa em Fevereiro", estou feita ao bife. Não vou agora estar sem sair um mês inteiro! Era o que mais faltava. Hoje, por exemplo, está um dia lindo. Fico em casa? Alguém me diz porquê? Até porque se vamos falar do tempo, então ainda fico mais confusa! Querem ver? "Fevereiro quente, não vejas tu nem parente". Olha que lindo, viste? Então quer dizer que este mês tenho de enfiar a familia toda em casa se estiver calorzinho como está hoje! Bonito serviço. Só saímos à noite, é? Ou de manhã cedinho? E depois para voltar para casa, hein? Uma pessoa sai com uns grauzitos miseráveis de manhã e ao almoço já está um quentinho do caraças e faço o quê? Espero que fique frio? Só visto. Mas pronto, está bem, aceito, é um provérbio e os antigos lá deviam saber o porquê de dizer que o mês de Fevereiro não devia ser quente. Mas ao mesmo tempo dá-me vontade de lhes dizer "decidam-se, caramba" porque logo a seguir descobri este outro: Quando chove em Fevereiro, não há bom prado nem bom celeiro". Ok, meninos. Então não pode estar quente nem pode chover. Bonito serviço. Os tristes da meteorologia devem andar num badanal pegado. "O que é que a gente diz para amanhã?". "Olha, diz que chove!". "Não posso. Vou dizer que está quente". "Não, nem pensar, fica tudo em casa, pá. Diz que neva!". "Ui, pior um pouco. Não sabes que "neve em Fevereiro, presságio de mau celeiro?". " Lembraste bem. Já me esquecia. Então o que é que eu faço? Falo nalgum anti-ciclone?". "Boa ideia. A malta antiga ainda não tinha televisão e portanto ainda não tinha anti-ciclones. Aliás, não havia "antis" ou "contras" nenhuns, só havia "prós". Nem sequer podiam ter um programa "prós e contras", nem que fosse na rádio. Se é que tinham rádio. Já havia era cataventos e vê lá se havia tempestades como agora, ó havias, vinham os ventos, pumba, toma lá que já levaste.".
Já viram, portanto, a grande confusão que vai naqueles pobres coitados. É natural. E se eu lhes disser que "Em Fevereiro chuva, em Agosto uva" pior um pouco. Então vai-se-nos o vinho? Põe lá chuva, homem. Não tenhas problema "Janeiro geoso e Fevereiro chuvoso fazem o ano formoso!". Viste, viste? Manda lá a chuva, paciência. "Então e o tal do celeiro?". Esquece. Ignora. Metade do que se diz agora é para esquecer, porque não faz sentido. Por isso..
( uma curiosidade: há 23 provérbios sobre o mês de Fevereiro! Sabiam? Eu não.)

Vá lá. E vão dois.

Cum caramba! Até "inchei". Afinal não fui só eu a achar aquela entrevista ao "menino de côro" uma autêntica perda de tempo. No mínimo. O professor Marcelo disse ontem praticamente o mesmo. Mas disse também o que eu não fui capaz de pôr em palavras aqui, apenas pensei para os meus botões. " Nunca vi uma entrevista em que o jornalista sabe mais para ser Primeiro Ministro do que o entrevistado". E realmente foi mesmo isso que aconteceu. E  estou convencida, tal como Marcelo, que ele até deve ter ficado agradecido por algumas ideias que o J. Gomes Ferreira lhe deu, uma vez que as dele eram zero. E aproveito a dizer que já mais de uma vez noutros programas em que este entrevistador entra, houve pessoas a dizer que julgavam que ele era economista. E ele sempre respondeu que não, que era licenciado em Comunicação Social, era jornalista. Pois eu acho que ele dizer que é jornalista é um insulto a si próprio, não pelo curso, mas pela forma como encara e define o que é ser jornalista. Já disse há muito tempo que detesto 98% dos jornalistas que por aí andam, 98% porque considero o José Gomes Ferreira e o Paulo Garcia dois casos absolutamente à parte. Tanto um como o outro cortam a torto e a direito, dizem bem quando têm de dizer bem e dizem mal quando têm de dizer mal. Não usam visieras. Claro que preferia que o Paulo Garcia dissesse melhor do meu Sporting...mas, se nem eu consigo, que se há-de fazer? E recordo aqui o programa O Dia Seguinte da semana passada em que este jornalista enfrentou com enorme categoria e bom senso e boa educação,um Dias Ferreira que às vezes me envergonha como sportinguista, num momento particularmente difícil para qualquer pessoa que conduza um programa. Foi impecável!
Agora dizem-me assim: "O quê? Misturas o Gomes Ferreira com o Paulo Garcia, um homem do futebol?. Que falta de categoria. Que estupidez." Misturo. Tenho pouca categoria.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

O mundo virtual

Fazia - e faz - parte do programa de Inglês do 11º ano o tema "The Internet and global communications". Quando leccionava este tema, lembro-me que era costume falarmos dos prós e contras do uso da internet. E, como é obvio, falávamos sempre dos chatrooms, dos emails, do Messenger, do Skype, dos blogs e do Facebook. Ainda me lembro de grandes discussões à volta da utilização do Facebook. Uns absolutamente a favor, não passavam sem ele, era um vício, outros absolutamente contra, era uma perda de tempo, era perigoso, era falar para a parede. Ainda me lembro também de perguntar "Mas o que é que te atrai no Facebook?" e no final , argumentar  sempre sempre o mesmo: "Não tenho e não faço tenção de ter, mas respeito a tua opinião". Havia ainda os que preferiam os chats, mas curiosamente estavam a cair em desuso, a ser substituídos rapidamente pelo Twitter. E havia, claro, os que eram completamente contra qualquer uso da internet a não ser para estudo e pesquisa. Preferiam as mensagens por telemóvel ou, pasme-se, preferiam fazer desporto. Havia grandes "pegas" entre eles, "Pois, tu és mas é um cobarde, na net dizes o que te apetece e ninguém te vê, fazes-te passar por quem não és, é um convite à mentira...", "Ah, não, depende da forma como utilizas, e não podes isolar-te das tecnologias, podes sempre conciliar o desporto com a net, não tem nada a ver, "Ah, eu levanto-me às 5 da manhã e vou logo para o Face ou para os chats", etc, etc. Era um "apetite". Nem queiram saber o gozo que me dava "moderar" aquelas discussões. Mas, nessa altura, punha aquele ar de adulto sabedor, de Velho do Restelo, de "ai, credo, Faces e chats e blogs, credo, com que esta gente perde tempo, credo", mas ficava sempre com uma duvida. Afinal, que mundo é aquele que tanto atrai esta malta nova? O que tem de especial? E será só malta nova que o usa? Será que os "cotas" também se entregam a esses devaneios e perdas de tempo?
Bem, demorei a fazê-lo, mas resolvi falar e discutir com conhecimento de causa e não apenas com o habitual "Eu acho que". Entendi que podia ser mais útil assim, "Ver para crer, como S. Tomé"...E aqui estou eu, num blogue, e lá tenho eu uma conta no Face (nem sabia o que isso era, julguei que tinha de se pagar...). Em boa hora o fiz. Estou mais atenta ao mundo virtual e cheguei à conclusão que, como em tudo, é preciso bom senso e sobretudo acompanhar os mais novos bem de perto, fazendo o que eles fazem para os orientar e aconselhar. Já aprendi imenso! Aprendi pelo menos que tudo isto nem é tão mau como o pintam mas é bem pior do que o pintam. Depende das côres com que o pintam. 

domingo, 3 de fevereiro de 2013

O fim da semana

Hoje apetece-me falar sobre os domingos. Aé porque não gosto dos domingos. Por exemplo, ao sábado, a gente pode perguntar "Então, vais descansar?", "Não, descanso amanhã que é domingo". Pois é. Nós não podemos perguntar hoje "Então vais descansar?" porque a pessoa não pode responder "Não, descanso amanhã que é domingo", não pode, estão a ver? Claro que pode sempre responder "Não, descanso amanhã que é 2ª feira" mas não convém, senão ainda nos tiram a 2ª feira. Passamos direitinhos à 3ª e é menos um dia de trabalho, menos uns euritos. Agora podiamos era propôr o adiamento de 2ª feira para 3ª, e o prolongamento de domingo para 2ª, mas depois o sábado chateava-se e pedia também para se prolongar por domingo dentro e era um problema porque os sábados foram feitos para ser sábados, não é a mesma coisa com os domingos porque os domingos foram feitos para preparar as pessoas para 2ª e como as pessoas não ficam preparadas, bem pelo contrário, os domingos têm de se manter aos domingos porque quanto mais domingos, mais as pessoas treinam para se habituarem a ir trabalhar à 2ª. É tudo uma questão de treino, sobretudo mental. "O que é que fazes amanhã?". "Amanhã? Não sei". Volta-se a perguntar "O que é que fazes amanhã?" e só se pára quando a pessoa diz "Amanhã? Vou trabalhar". E assim acabavam-se as depressões de fim de semana. Mas o melhor ainda era não haver semana, porque assim não havia Fim de semana, só havia sábados e domingos, não andava a malta de trombas toda a semana e a dizer "Ai nunca mais chega o fim de semana!". Evitavam-se gastos ao SNS, andava tudo oralilolela, sem precisar de consultas nem comprimidos. Mas também se podia pôr o fim de semana como opção, como fazem agora com os subsídios. "Quando é que deseja o fim de semana? À 2ª, à 4ª, quando?". Era muito mais democrático. É certo que depois dava bota porque depois era uma confusão com os patrões. "Olhe que você vem trabalhar no próximo fim de semana!". "Ai não venho não". O meu fim de semana é à 4ª e5ª". " Mas precisamente por isso, homem!". " Mau. Então se eu gozo o fim de semana à 4ª e 5ª, como é que sábado é o meu fim da semana?". Bem, estão a ver a confusão. Por isso, apesar de tudo e antes que se lembrem de acabar com os sábados e domingos, o melhor é estar quietos e calados. Não confiando... Ainda me refundam para aí o calendário. Afinal, até gosto dos domingos a seguir aos sábados no final da semana.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Daqui a pouco piro de vez

Vá lá, vá lá. Até que ainda não pirei de vez. Ainda ´tenho a massa cinzenta num estado aceitável. Como as coisas andam e tal e coisa, é preciso um grande esforço para não deixar queimar os fusíveis da cachimónia! É por isso que eu acho que cada um de nós deve fazer uma introspecção diária para ver se ainda não perdeu faculdade nenhuma, assim uma coisa tipo meditação ou ioga ou saltar à corda ou comer pevides. " Deixa-me ver se ainda sei como me chamo. Deixa-me ver se ainda sei a tabuada do treze. Deixa-me ver se ainda tenho auto-domínio suficiente para não dar uma murraça naquele fulano do banco não-sei-quê". Vêem? Aqui têm de parar. Já estão a perder o tino. Já não se lembram do nome do banco. Vêem? Só se lembram que querem partir a cara ao homem. Não pode ser. Dá uma confusão do caraças. Quer dizer, também não é assim tanta confusão, se a gente pegar num pauzito e andar à roda com ele, quase tudo o que vem à rede é peixe, são poucos os que não nos apetecia abocanhar. Mas, enfim, eram precisas desculpas e desmentidos e tudo, dava um trabalhão. "Olhe, desculpe lá, sim? Levou na tola sem querer. Era para o outro ao lado". "Qual outro?". Pois, eu sei que é difícil, mas merece um esforço. É como meter gasolina. Também exige esforço de meditação. "Quer gasóleo ou gasolina?". "Quero água!". " Vá gozar com outro!". Estão a ver? Não podem. Têm de meditar. "Mas porque é que eu não posso meter água se todos os dias tanta gente gente diz "Pronto, lá estão eles a meter água!!". Eu não posso porquê? Homessa! E também se passa o mesmo quando me apetece pegar num carro que não é o meu. "Olhe lá, esse carro não é seu! Onde é que julga que vai?". Eu não julgo nada, mas tenho de ir logo logo meditar. " Ca raio. Por todo o lado se vê malta a andar em carro alheio e ninguém lhes pede satisfações. Até se lhes dá motorista. Isto abana-me os fusíveis! O que me tem realmente valido é a meditação. Sento-me num colchãozito, penduro na parede em frente os recibos de vencimento e reformas e afins dessa malta que anda por aí e depois medito, medito, ui se medito! Faz-me muito bem. Ao menos uma vez ao dia sou só eu e eles. E não é que venço sempre?? Que visão! Que alívio! Acerto sempre no alvo com as setitas. Tumba, tumba. Ca bom!