quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Portuguese nightmares- T.2- Ep. 7

Eu continuo a dizer que o Afonso é que tem a culpa. Não se faz isto a uma pobre pessoa que nos venha visitar, não se faz não. Já imaginaram a cara do triste se lhe dissermos "voltando à vaca fria..". Para já, é má educação, parece que nos estamos a referir a alguém com que já se esteve e parece que lhe estamos a chamar vaca. Eu não arriscava. Pode dar sarilho. Por outro lado, para que é o "fria"? Não tenho propriamente conhecimentos com nenhuma vaca, mas enfim, dá-me a entender que as vacas não são frias, são vacas só. Não sei qual a temperatura normal duma vaca mas não percebo porque é que temos de dizer "vaca fria" e não "vaca quente" ou " hot vaca" ou " vaca-assim-assim". Esta do fria moi-me o juízo. Mas mal o triste do homem ou mulher se recompõe e decide fingir de contas que não ouviu nada, atiramos-lhe com esta " Já deu com a língua nos dentes". "Olha lá, ó Marquelina, não sabias estar calada? Já deste com a língua nos dentes, mulher!". Puxa. Devo ser anormal. A minha língua juro que está sempre juntinha aos dentes, nem preciso de a atirar para eles, tipo, toma lá que já comeste. Alguma vez isso quer dizer que ando praqui a denunciar isto ou aquilo ou a quebrar segredos ou falar do que não devo? Não quer. Pois é. Viram? Tenho razão. Tal como tenho razão em me arrepiar todinha quando ouço dizer "Olha que me custou os olhos da cara!". Valha-nos Deus. Eu sei que está tudo muito caro mas daí a ficarmos sem os nossos olhinhos, vai uma grande distância, gaita. Prefiro não comprar. Prefiro "dar-me ao luxo" de dizer que não quero. Fico na mesma bem vista porque utilizei a palavra "luxo" que é uma palavra que se utiliza agora para descrever coisas muito muio caras e portanto luxuosas e portanto que- não -são -para -todos,  tipo pão, leite, peixe, carne, arroz..e se fôr, por exemplo,  um sumito então, ui, nem há palavra que descreva, é coisa das arábias mesmo. Aliás, no que respeita a dinheirito, a trocos, a tlim-tlim, até na nossa língua somos uns tristes. Quando há uma expressãozita qualquer que  inclua qualquer referência a quantidade, xi, credo, é sempre uma miséria! "Vou ter dois dedos de conversa contigo" ou " Olha lá, não tens dois dedos na testa, pá? estás maluco?", são exemplos dessa fatalidade. Dois dedos. Só dois. Não podia ser "vou ter três dedos de conversa?", não? Custava muito, custava? Até um simples pau "tem dois bicos!". Quer dizer, aqui é conforme a perspectiva, até pode ser bom, sei lá, mas se fosse um pau de três bicos, ao menos já era uma forquilha e já se espetava melhor no rabo de alguém, dava era muito trabalho a tirá-lo outra vez. Não tinha pensado nisso.....está bem, Afonso, pronto, ficas com o pau de dois bicos.

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