segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Portuguese nightmares- T2-Ep.8

Hoje foi o Agapito que teve a culpa. Hoje não foi o Afonso. Foi o Agapito. Aquele fulano persegue-me. Ele e a palerma da dona Lagarta. Dona! É cá uma dona! É mas é uma triste. Mas enfim, às vezes aqueles dois têm a sua piada. Ainda há pouco estavam para ali a falar da ida do Agapito a uma entrevista para um emprego. Para um emprego, leram bem. O homem deve estar mesmo sem tuste porque detesta trabalhar, nem para o bronze trabalha, prefere o sofá a qualquer tipo de areia. Então estavam os dois na conversa e nunca ouvi tamanhos disparates!. Dizia ela:
 "Ai credo, o senhor parece uma barata tonta! Pare lá quieto e conte lá isso da entrevista, homem!".
"Ai dona Lagarta, a senhora bem me tentou abrir os olhos!"
" Eu? Abrir-lhe os olhos? Homessa! Eu não sou violenta! Ás vezes passo-me da cabeça, mas caio logo em mim e fico que nem carneirito, é só mé, més e fofices e tal"
" Não é isso, valha-lhe Deus! Tentou avisar-me, percebe? Que eu não devia ir de cabeça perdida e que isso era mau ir assim para uma entrevista. Devia ir calminho, muito senhor do meu nariz, para não me passarem a perna por dá cá aquela palha!"
" Lá isso foi. Disse sim senhor. Mas afinal o que é que se passou? Bateu com o nariz na porta? Trataram-no mal? Fizeram de si gato sapato? Conte lá, homem!".
" Ai, dona Lagarta, credo! Eu conto. Cheguei lá e pus logo as cartas na mesa! Tinha-as tirado duma caixita que lá tinha em casa por trás da sanita no caso de lá ir algum ladrãozeco e.."
" Alto aí! Aguente os cavalos, homem! Você levou cartas? Que cartas? Não era isso que eu quis dizer!"
" Pois já vi que não, já percebi que meti a pata na poça logo de início! Levei as cartas da minha falecida, sabe? Julguei que era para dar uma de pessoa assim a modos que de confiança, de bom trato, sim, que ela faleceu porque teve de falecer, não fui eu que a faleci, morreu sózinha. Sózinha não, eu estava lá!"
" Ui credo! Credo, homem! Então você não percebeu que eu queria dizer que não estivesse com rodeios, que fosse logo direito ao assunto??"
" Não. Mas também estiveram pouco tempo em cima da mesa, sabe? Que a menina que me atendeu - que, não desfazendo, era toda jeitosa e "não me toques" - olhou-me com uns olhos que enfiei logo a argola no saco, mais propriamente as cartas no bolso! Mas depois é que foram elas!"
" Elas quem? E foram aonde??Conte lá, mas abstenha-se de pormenores, tipo jeitosas e não sei quê, tá?"
" Tá. É que a menina começou a perguntar-me em que é que eu já tinha trabalhado e que experiência eu tinha e em quê....e eu olhe, fiquei assim a modos que a pensar "e agora Agapito? Tás feito ao bife. Mas arregacei as mangas e disse para comigo mesmo "aqui vai disto!" Só que a menina, como eu demorei a palavrear, perguntou-me "Está a pensar na morte da bezerra?" e eu aí disse-lhe "Da Bezerra? Não conheço. Não estou assim a ver, sabe?"
" Valha-lhe Deus, homem. E depois?
" E depois ...olhe, como ela tem a faca e o queijo na mão, pumba, mandou-me dar uma volta. E eu lá estive a tentar ainda convencê-la, a engolir sapos para caramba, que ela foi assim a modos que mal educada, fuínha mesmo, uma porca, sabe? E ainda lhe gritei a plenos pulmões "Vá lamber sabão, sua desaustinada! Sua política!"

Desta vez fui eu que me fui embora.......

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