quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Porquê portuguese nightmares?

Apesar de ter leccionado a língua inglesa durante muitos anos - 38 - e apesar de continuar a fazê-lo, sempre achei que a língua portuguesa é um "apetite" no que diz respeito a expressões e ditos populares. Dei alguns exemplos nas aulas e esses momentos sempre foram hilariantes. Era uma autêntica "descoberta" e até os alunos contribuiam com algumas expressões que, depois de escritas em inglês, provocavam enorme brincadeira. Uma brincadeira útil.  Aprendia-se sempre qualquer coisa. Era de gritos. E tenho saudades desses momentos (também). Talvez por isso me tenha aventurado nos "portuguese nightmares". O termo surgiu do programa do Gordon Ramsey, achei-lhe piada, até porque algumas expressões são realmente um "pesadelo" . Ponham-se na situação dum estrangeiro e logo verão o que quero dizer. Mais, quase todos os dias as dizemos. Nem damos conta. Nem eu dava. Mas agora, mais atenta, ouço-as por todo o lado e farto-me de rir. Para quem também estudou outras línguas, posso-vos garantir que a nossa é, neste aspecto, incomparável.
Por isso me divirto imenso a fazer estas "paródias" com a nossa língua. Claro que o Agapito, a Fedúncia e Companhia Limitada, me ajudam nesta tarefa. São uns chatos. Não me largam. E "ainda a procissão vai no adro!".

portuguese nightmares-T2-Ep 4

Já vos falei da Dona Pancreática? Não? Falha minha. Vive no último andar e quase ninguém a vê. Pertence a uma classe absolutamente privilegiada porque cá no prédio não há ninguém que tenha um emprego fixo. Por isso a fulana, logo de manhã raspa-se, só para não ter que nos ouvir. Também não sei porquê. A gente só queria saber onde trabalha, com quem, quanto ganha, quanto desconta, quanto gasta, quanto poupa, onde almoça, com quem almoça, como vai para o trabalho, com quem, como, quanto demora...essas coisitas pequenas. Mas ela é uma chata impertigada. Até parece que a gente não faz nada. Até faz, mas faz pouco porque não há mais, ora essa. É mesmo ranhosa. Bem, adiante. Hoje resolvi fazer-lhe uma espera. "Espera que já vais ver. Não saio daqui até entrares. Toma!". E tomou mesmo. Pumba, apanhei-a a entrar eram umas seis horas. Apanhou cá um susto, a pobre. "Ai credo, que susto! Que coisa!". "Que coisa não. Eu sou a Lagarta, que mora no 1º. Lembra-se?". "Então não lembro! Claro. E agora se me dá licença...". "Pois não dou, não. Estou aqui há que tempos que até se me doem os calos e as varizes e ia deixá-la ir sem lhe fazer umas perguntitas? Nem pensar! E estive que tempos a pensar nas perguntas!". "Olhe ó dona...qualquer coisa. A pensar morreu o burro. Ninguém lhe mandou, sabe?". "Diz muito bem, morreu um burro, não a burra. Não quer dizer que eu seja burra, mas pelo menos sou feminina, né? Não sou burro. ". "Já é alguma coisa, viu? Então com sua licença...". "Alto aí. Altoo! Mau. Nem pense em ir embora. Eu não a deixo passar no 1º, como é que quer ir para o 3º?". " Olhe que você está a arranjar lenha para se queimar!!". " Ai estou? E onde é que você vê a lenha, hein? E onde é que eu me queimo, hein? E como? Mau, mau. estou a ver que você não bate bem da bola!". " Agora pergunto-lhe eu: qual bola? É maluca?".
Bem, esta últma parte já foi dita um bocadito em tom mais elevado, mas também, "quem não se sente não é filho de boa gente", não é? E eu prezo muito os meus paizinhos e tios e tal, para deixar passar desaforo! O pior é que o palerma do Agapito - que deve estar sempre com o ouvidos colados à porta, o bisbilhoteiro - ouviu uns sons acima do normal e veio logo com as coisas dele: "Ai, vejam só que eu estava a passar pela porta de casa e ouvi um barulhito, julguei que era o carteiro. Então o que se passa? Boa tarde, donas". Bem...se o Agapito não existisse, tinha de ser inventado.. "Ó senhor Agapito. Alguém o chamou? A conversa ainda não chegou à cozinha!", disse eu. E ele: " Pois olhe que é pena! Assim sempre iam fazendo o jantarito". Aqui a Pancreática perdeu um pouco a compostura, coitada, e disse-lhe "Chiça, penico, chapéu de coco! Só me faltava este!". E o Agapito: "Pois não vai faltar mais, não senhor. Estou aqui à sua disposição!".  Bem, para ver se acalmava as coisas até porque ela coitada não sabe o emplastro com que está a lidar, lá tive que dizer . " Bem, dona Pancreática, pode ir. Já cá não está quem falou!". E ele: " A senhora é uma brincalhona, dona Lagarta. Então não está? Olhe eu. Aqui vivinho da costa!". " Aí eu disse :"Pois se quer continuar vivinho e da Costa ou de Almada ou do Barreiro, tanto faz, fuja da minha vista! Fuja! E a dona Pancreática....Mau. Ké dela? Ké dela? Viu...seu..seu...coiso. Fugiu-se-me a mulher! Viu? Nem dei conta! Ó Ceús, vinde cá baixo ver isto!". " Já cá não moram, dona Lagarta! Só se forem...".  Ó pernas! Aí vou eu escada acima! Livra!!!

E eu a ver

Credo! Que coisa tão confrangedora! O homem até me deu pena. Juro. Ou melhor, os dois. Um tentava por todos os meios obter respostas, o outro tentava por todos os meios fugir às respostas. Agora começo a entender as "movimentações". Realmente aquele fulano fala, fala, fala , mas não diz nada. Ontem até parecia um carrinho de choque, brummm por ali fora, pára, arranca aos engulhos, brummm por ali fora! Mas não consigo embirrar com ele. Parece um menino de côro. Só que, até para "arrumar ideias", precisava de ter ouvido coisas concretas, preto no branco e não banalidades repetidas já por outros tantas vezes que até já chateia. O pobre do J. Gomes Ferreira bem tentava arrancar-lhe alguma coisa, mas a cara dele era o suficiente para vermos o que estava a pensar. Deve ter dito para ele" pronto, fala, mais te enterras, mas está bem, pronto". E enterra, porque apesar de julgar que não se comprometeu com nada, comprometeu e muito. A falta de sugestões, planos, objectivos, concretos amarram-no a nada e a tudo. E adorei ele ter dito que também faz contas, tem dois filhos, tréu, tréu. Ora viste? Julguei que não. Ou será como o outro que até pede ajuda aos Pais? Tenham santa paciência, já não tenho saco. Digam-me assim, por exemplo: olha, eu vou fazer isto e isto e isto. Logo, os vossos vencimentos e reformas passam a ser estes e estes. Ah, não podem? Porquê? Assim é fácil.
E continuo a passar-me com a forma como as notícias são tratadas pelos senhores jornalistas. Ora vejam lá se alguém mais falou "do escurinho"? Ora vejam lá o destaque que foi dado à senhora que foi apanhada com excesso de alcool? Ora vejam lá como a reunião de 3ª feira à noite foi rapidamente esquecida. Crise? Qual crise? Debate de ideias, pois então. Normalíssimo. E o discurso daquele suposto representante dos Professores? Alguém falou nele? Aquele malcriadão não representa uma classe que merece respeito, uma classe que sabe e deve utilizar outro discurso que não o de "trafulhas", "ladrões" e "bandidos". Que exemplo é este para os jovens? Julgam que eles não se apercebem disso? Estão enganados.
Realmente, nunca gostei de "política", mas cada vez gosto menos. Porque cada vez mais são todos iguais. E eu a ver.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Portuguese nightmares- T.2-Ep3

Já tinha saudades de falar com o Afonso.
"Oha lá, pá, tens pancada? Então em vez de podermos dizer "à grande e à portuguesa, temos de dizer "à grande e à francesa??". O que é que tu andaste a fazer, hein? Depois queixa-te que a malta foge de cá, queixa-te. Até eu me apetecia ir ver essa  grandiosidade francesa! E só não vou porque sei que eras malandreco. Prefiro ficar por cá e esperar até "vir a mulher da fava rica"!. Da fava rica...Só tu. Por mim,  olha, " mandava já  tudo à fava", mas vou confiar em ti. Vou esperar pela tal mulher. E daí não sei. Quem é que se lembra de inventar que "Carne de hoje, pão de ontem e vinho de outro verão fazem um homem são"? Quem? Foste tu? Não acredito, pá. A gente olha para ti e vê logo que é mentira, de saudavel não tens muito, mas também, que se há-de fazer? Já naquela altura devia estar em uso a aldrabice, não era? Ou queres que te lembre outra? Com que então "Assim como vive o Rei, vivem os vassalos". Pois, pois. espertinho. Ainda hoje é assim, come tudo igual. Ó comes. Os reizitos que andam por aí, bem que te seguiram os passos! Os passos e os outros.
Mas pronto. Eu até acho que a culpa não foi tua, homem. Não sei de quem foi, mas também não faz mal, já estamos habituados a não ser de ninguém. Agora, não duvido que a mais recente descoberta económico-financeira do nosso rectangulozito plantado à beira mar, foi inspirado na tua herança galinácea. Vê lá tu os anos que passaram e ainda continuamos a pensar que "grão a grão enche a galinha o papo"! A sério, pá. Ninguém te mandou não esclareceres o pessoal. Faltava-te o "a alguns!". Era ou não era?

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Queijo a mais tira a memória

-Ó Fedúncia, importa-se de me desamparar a loja? Tenho muito que fazer!".
" A loja? Você também saiu-me cá uma amiga de Peniche. Só lhe vim pedir que me emprestasse um bifito para o jantar e umas batatitas e um pãozito e um bocadito de margarina e um dentito de alho e uma alface e um pouco de azeite e vinagre e já está praí a dizer que isto é uma loja! Que ingrata, bolas!"
- Ó mulher, era uma força de expressão, caramba! Mas..espere aí. Ingrata, eu? In-gra-ta? Essa agora!"
- "Pois ingrata, sim, eu estive a fazer-lhe companhia enquanto lhe pedia aquelas coisitas de nada. Ora veja se me agradece, veja! Não volto cá!"
- "Olha que bom, viu?"
- Que gracinha! Pois fique a saber que volto, sim, para ver se já melhorou no tratamento que me dá!Até me ofende!"
- "Então ofenda-se! Olha questa! Quero lá saber. Quero é que se raspe, se pisgue, rápido, tá? Tenho de ir ver o meu blogue!"
- Ah, vê como é mázinha? Porque é que não posso ver o berloque, porquê?"
-" Ih Jesus! Ó mulher, eu não disse berloque, disse blogue! Be-lo-gue, percebeu?"
-" Lá está você com a mania das importâncias! Não podia ter um cãozito ou um gato. Tinha logo de ser um bloque. "
-" Gue! Gue!"
- "Gue, gue, o quê? Agora está gaga??"
- " Não, mas vou ficar! Olhe para mim: um be-lo-gue. Repita, ora repita lá".
- " Não posso repetir aqui? Sempre via se estava certo!"
- " Apre! que mal fiz eu! Pronto. Já chega. Vá andando. preciso de ir escrever uma carta. Ponto final"
"- " Parágrafo! também sei essa, viu? E vai escrever a quem? Posso saber?"
- " Pode. Vai ser uma carta aberta".
- " Aberta? E consegue arranjar envelope para isso? Não sei não. "
- " Não sei, não sei não. Cale-se! Uma cara aberta é uma carta que toda a gente pode ler apesar de ser dirigida só a uma pessoa, percebeu?"
- " Claro. Sou burra ou quê? E a quem vai escrever? Posso saber?"
- "Não, não pode!"
- "Mas disse que era aberta! "
- "Pois disse. E como você é uma chata, até lhe digo já, para ver se se vai embora de vez! Está-se-me a fugir a inspiração!"
- "Não se preocupe! Tenho lá em cima uma bomba para quando tenho asma..."
- " Desisto. Pronto. Fique sabendo que vou escrever ao senhor Costa. Do Castelo."
- " Qual Castelo? "
" O castelo onde eu a devia meter!! Que gaita! Vou escrever a oferecer-lhe os meus préstimos! Tenho muito jeito para fazer sobremesas, o que é que julga?"
- "Não julgo nada. Nunca comi nenhuma! Mas vai-lhe mandar algum bolinho, umas natas, ..o quê?"
- " Vou, sim, senhor. E depois? O homem anda a comer queijo demais e está a ficar desmiolado, ou melhor, desmemorizado. "
" Ena pá! Ka lindo! Desme...ado...pois. Então faz bem. Ajude o homem, pois. Ajude. Faz muita falta a memória, ó se faz! Eu também já não me lembro do que fiz há dois anos, nem onde estava, nem do que não disse, nadinha! É chato!"
- " Até que enfim que disse uma de jeito! E agora importa-se de ir andando? Preciso de ir rever uns artigos. Umas receitas. Coisitas sem importância! Mas que tenho de lhe enviar para lhe avivar a memória! Percebe?"
- "Percebo! De tal modo que até vou embora. Já vi que está numa de doideira. Mas julga que alguém a lê? Bem, vou indo".



domingo, 27 de janeiro de 2013

Comentadores de comentários de comentadores

Assim já está melhor! Caramba, estava a ver que não havia uma novididadezita que me alegrasse! Sempre mais do mesmo, sempre previsíveis, os comentadores televisivos estavam a ficar chatos, bolas!! Até já nem achava graça nenhuma quando ganhava apostas. "Aposto que este ou esta vai dizer isto assim assim". E dizia. Pumba, lá vão mais cinco pró bolso. É incomodativo, já enchi um porquito e tudo. Mas felizmente algo de novo surgiu. Agora temos os comentadores a comentaram comentadores! É giríssimo. Uau! E reparem que os tristes agora têm o dobro do trabalho. Estou cheiinha de pena! Não devem fazer mais nada! "Deixa-me cá ver o que este fulano disse para poder comentar o que ele disse e dizer que o comentário dele foi um comentário que não merece comentário porque foi um comentário descabido e o meu é que é bom! Mas também há comentadores que citam o comentário de outro comentador porque assim já não precisam de comentar porque o outro comentário do outro comentador já disse tudo e não vale a pena comentar o que já foi bem comentado. Irra! Tanto comentário! Mas se virem bem, há dias em que estão os três canais com comentadores a comentarem a mesmíssima coisa à mesma hora e chega-se ao ponto de haver "dança de cadeiras", sai um e entra outro para comentar o mesmo! É muito giroo! Ao menos podiam fazer tipo estafeta. "Olha, toma lá o que eu comentei, podes continuar a partir daí"; ou então, "toma lá o que eu comentei para poderes dizer o contrário, senão não tem piada!". Embora este jogo não funcionasse com todos. Há alguns que dizem sempre o mesmo, caia chuva ou faça sol. "Olha lá, então hoje vais ter de dizer que é branco!". "Não, é preto. Eu só vejo preto. O branco é o preto sem tinta!". E lá vai todo contente. Provavelmente apetecia-lhe pintar a cara de preto mas só lhe deram um balde de tinta branca. Mesmo assim, como vos digo, isto melhorou. Já não faço apostas. Quer dizer, até faço, mas agora não é sobre o que alguém vai comentar e como, mas sobre quem ele vai comentar e como. Passei a apostar nas citações. Que mundo aquele!

sábado, 26 de janeiro de 2013

Sinónimos

De vez em quando tenho ideias. É só de vez em quando, mas quando as tenho, ui, são de estalo! Por exemplo, hoje, depois de vir do café e de ouvir mais uma vez falar na austeridade e de ouvir mais uma vez dizer "que isto está uma "m**", comecei a pensar que realmente já é altura de alguém fazer alguma coisa! Estou a referir-me à "m**" e não à austeridade, embora sejam praticamente a mesma coisa. É que começa a ser cansativo dizer sempre as mesmas asneiras. "Olha lá, então como vai isso?", "Olha, uma m***!". Não pode ser. Cria habituação e tudo o que cria habituação deixa de fazer efeito e daqui a pouco já só se diz "Olha, está como tu sabes". Não pode ser. Assim a gente esquece e acomoda-se. Na, não. Podemos muito bem variar o asneiredo, até parece que vai haver um congresso sobre isso, sobre como mudar os impropérios habituais da malta, que o resto depois logo se vê, é melhor não mexer que depois ainda dá bronca porque é um bocadito mais difícil mudar a palavra austeridade sem falar em austeridade. Também tinha sugestões, mas prefiro ficar-me pelos improprérios. Por exemplo, quando alguém disser que isto "está uma m**", porque não dizer "isto está uma diarreia"? Estão a ver? Vai dar ao mesmo. E quando se fala em corrupção e se diz são todos uns corruptos porque é que não se diz "Ui, são todos uns espertalhaços!". Também é um sinónimo apropriado. E mais popular, mais terra a terra, pode dizer-se acompanhado de "Ui" e estalar os dedos. Ou mesmo dizer-se "UI, Ui", ainda é melhor! E até a palavra "corrupção" começa a ser vulgar. Não tem graça. Está muito batida. Podiamos dizer "ena pá, é só sabão por todos os lados!". Sabão, sim, ou não lavam as mãos quando apertam a mão a alguém? "Ó pá,  toma lá!", Então dá cá!", aperto de mão e já está? Ai valha-vos Deus! Ainda apanham alguma bactéria.  E também podiamos deixar de dizer que isto está "uma porcaria". Dizia-se "isto está uma pocilga", era mais melhor e desanuviava-se na mesma. E outra com que não concordo porque já cheira mal é com a palavra "porcos". Dizia-se "chispes". "Já viste? São uns chispes!". Estão a ver? Até lembra comidinha e a gente não se pode esquecer que, de vez em quando, tem de comer. E "os filhos da.."?`Ah, pois. esta é mais difícil. É que não consigo mesmo substitui-la. Mas também não seria muito correcto. Tem tantos anos que já ninguém passava sem ela. E adivinho-lhe um futuro próspero no nosso vocabulário diário. Por isso, fica assim.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

O meu Portuguese nightmare. 31

Ora toma lá, ó lagarta! Tens a mania e depois só fazes estronice. Quer dizer, ando para aqui a rir-me das expressões que abundam na língua-que-já-não-sei-se-é-do-camões e a seguir, pimba, uso-as como os outros, sem dar conta! Aqui há dois dias disse na minha saga do Agapito que a Feduncia "tinha que ir meter o bedelho", lembram-se? Ah, não, não leram? O mal é vosso. Dizia eu: escrevi isso. E quando fui ler, interroguei-me mesmo de interrogação : ca raio é "o bedelho?". Deve ser nariz, não? Só pode. Cheiinha de curiosidade de confirmar a minha categoria pensante, fui ver ao dicionário. Ai, fui, fui, Quem sabe se andava praqui a dizer uma asneira sem saber? Na, não. Ainda me sujeitava a alguma critica do prof. Marcelo ou do ganda nóia. E, eis senão quando, o meu ego inchou, inchou, inchou que nem queiram saber! Era mesmo sinónimo de nariz! " Ah, grande coisa, olha ela a armar-se!"- ai é? E se eu vos disser que também pode querer dizer fedelho, rapazote, pequenote, pirralho(adoro esta) e, pasmem!, badameco e taramela? Taramela sim, leram bem. Eu fiquei de boca aberta. Mas já a fechei. E já decidi: não vou dizer a ninguém! Da próxima vez que um fedelho me chatear vejam só a categoria "Ó seu taramela! Seu badameco!".  Hein?". Lindo! Suave e incisivo! Bem, incisivo não, lembra-me logo um dente que me anda aqui a incomodar há uns tempos. Mas suave e deleitoso, que tal? E sabem que também pode querer dizer "trinco"? Não, não é os trincos do futebol que eu até nem sei o que são mas se o caracolitos diz que fazem falta ao meu Sporting eu aceito como aceito qualquer coisinha que ajude aquela gente e os encaminhe para a baliza de preferência dos adversários como antigamente quando marcavam golos que é uma palavra que eu espero dizer ao menos duas vezes na próxima 2ª feira em que parece que vamos jogar com uma equipa que até já jogou com a B dos catalães e nem deu conta. Adiante. Pois é. Também pode ser trinco ou ferrolho. Vou passar a dizer que fechei o bedelho da porta. "Ó Fedúncia, tens um bedelho?". Ih, ih, vai ser de morte! Fica roída de inveja! Mas, a modos que a concluir, a verdade é que aprendi hoje mais uma coisa. Essa é que é essa! Mas isso só uma lagarta com categoria é que podia dizer isto. Há lagartas e lagartas. Ó se há!.

Tipos de e-mails

Hoje vou falar de mails. Ou melhor, de e-mails. Acho que os e-mails merecem que sejam tratados porque começam com um "e" e nunca ninguém lhes deu atenção nenhuma. Se começassem com um "m" às tantas já não tinham escapado a uma investigação apurada. Mas também quem ia ligar a um mi-mail? Ninguém. Até porque depois a malta vinha logo dizer "tens a mania, porque é que não há-de ser um hi-mail ou um shi-mail ou um wi-mail?". Lá isso é verdade. Mas também é verdade que eu não vou falar de e-mails assim por dá cá aquela palha. Não. Eu vou falar de vários tipos de e-mails Por exemplo, há os mails hipertensos. É isso mesmo. Hipertensos. São diferentes da espécie "vulgaris" porque provocam hipertensão. Pelo menos a mim provocam. E depois também temos os e-mails "sarnis". São os que provocam comichão, sobretudo na cabeça. Depois temos os mails hipotensos. São os que a malta lê e fica logo tão abananada que perde a consciência por momentos e tem que se esbofetear e tudo para voltar a este mundo. Finalmente há os mails "corruptus". São uma espécie muito chata porque uma pessoa fica sempre na dúvida de se deixar corromper ou não. Aqueles "Ses" matam-me. E moem-me. E amofinam-me. Às vezes lá olho para o lado, escondo o teclado não vá o diabo tecê-las e pumba, não me corrompi. Mas às vezes corrompo-me. Enfim. Fraquezas. Portanto, quanto a tipos de mails, estamos falados. E porque é que eu fiz este apurado estudo, perguntarão? Pois é fácil. É que ontem hiperventilei e fiquei chateada. Uma pessoa não pode agora hiperventilar porque leu um mail hipertenso, é descabido, tem de lutar contra isso, nem que seja com uma murraça no ecrã ou um roer de unhas ou um palavrão qualquer. Ora foi o que eu fiz ontem. As três coisas ao mesmo tempo e mesmo assim hiperventilei. Aliás, ainda estou hiperventilada. Ou melhor passei dum estado inicial de hipo para hiper num instante, detendo-me um bocadito num outro estado que se chama de "estupefactus". Ora isto faz-me mal. E até liguei para um psicólogo amigo que teve o desplante de me aconselhar a enfrentar o problema. "Você só acalma e não hiperventila mais se olhar de frente o mail hipertenso outra vez. Até o pode imprimir e pendurar num local visível para ultrapassar essa coisa. Vai ver que passa!". O tanas é que passa. Já li hoje outra vez o mail hipertenso sobre as mordomias na assembleia da república e não me passou coisa nenhuma! Mais, cada vez que leio o bocadito, a linhita, sobre os subsídios, pumba, hiperventilo. Por isso, um aviso. Não leiam este mail hipertenso se o receberem. Tá?

A Baixa

Eu e a Fedúncia andamos tremeliques. Até se nos cai o café na porcaria das saias, porcaria porque se as lavamos, encolhem e não gostamos nada de calças, gostamos de um bocadito de perna a ver-se que o tempo urge e qualquer dia é só varizes. É que esta dos carros com mais de doze anos não poderem ir para a baixa está a deixar-nos muito preocupadas, mesmo muito preocupadas. Uma preocupação das grandes. "Ó prima", disse a Fedúncia num arremesso de pensamento estúpido que nem uma porta porque eu estava sossegadinha no meu canto e até estava sem grandes pensamentos, "Ó prima, e se ele se lembra de proibir a gente com mais de cinquenta, vá lá, cinquenta e um, de ir até à baixa? Já viu? Nós..". Irritei-me. "Ó Fedúncia, que raio de observação! Credo! Essa agora! Para já, não tem que dizer a nossa idade, nem em particular, alguém pode ouvir, que este prédio é de construção muito duvidosa, sabe bem que eu sei quem toma banho no prédio e a que horas, quem vai fazer o seu xixi e a que horas, quem..". "Prima, chega, eu não falei em idade nenhuma, era um exemplo para exemplificar. Mas já pensou? E se ele se lembra disso??". " Porque é que havia de se lembrar, ora diga-me lá, vá, diga!". E disse ela: "Então, o bafo duma pessoa mais...menos nova, tem mais bactérias, tem muitos mais anos de tabaco ou de vinho ou de vinagrete, também faz mal ao imbiente, não acha?". "Imbiente? Ã..âmb..". E ela: "Hã o quê, prima?". " Livra! eu ia a dizer que é ambiente e não imbiente, raio!". " Ou isso. Têm a mesma terminação e não é cautela! AhAh, disse uma graça!!". " Ai disse? Disse uma gracinha? Olhe, esqueci-me de rir! Bem, entao acha que ainda vão impedir os ...os...ai, como é que diz o filho da Escolástica? Já sei! Cotas! Acha que vão obstaculizar os cotas de ir à Baixa? Dava um trabalhão! Ora veja: "Pare: mostre CD ou BI. Siga. Pare: mostre CD ou BI. Para trás". Nem pensar!!!! Então é que eu entrava nessa da corrupção, havia de ver!". " Co-rru-pe-ssão? Puxa, você sabe cada palavrão, prima!". "Isso, chame-lhe palavrão, chame. Dá mas é muito jeito. Vai ver os BIs e CDs falsos, vai ver. Tu dás-me 35 anos e eu dou-te umas férias no campo. Ou botoxas-me toda e dou-te um lugar na assistência da Casa dos Segredos. Vai ser lindo, vai.!". " Prima Lagarta, vá sonhando, vá. Se fosse só as faces, agora o resto... quero ver como é!". " Olha questa! Não há por aí tanta criatura com cara de vinte e o resto ao Deus dará? Quero lá saber! O que eu quero é ir à Baixa. Ma nada." . E diz-me ela: "Então e os gases?". E eu: "Os gases? Fedúncia, Fedúncia,! Evitam-se, filha! Evitam-se. Contêm-se. Suprimem-se.Dia de baixa é dia de dieta!Combinado?".

Portuguese nightéfes e Erres- 36

É pá, Afonso, tu hoje estás com sorte. Sorte mesmo. Então não é que te venho agradecer por teres deixado à malta uma expressão que nos dá tanto, tanto jeito, hoje em dia? A sério, é que foste mesmo porreiro, pá. Tu nem queiras saber a quantidade de vezes que a gente diz que "isto" está uma grandessíssima "porcaria", com todos os "efes e erres". Quer dizer, também não queiras agora que eu vá dizer aquela palavrita rasquita que pensaste. Calma aí, né? Mas tu entendeste. E também não estejas à espera que te diga quais os "efes" que se usam, só te posso dizer que não são da família de faneca nem de fanico. São mais arraçados da "F- word" do Ramsey. Ai estás-te a rir? Não vejo a graça. És mas é um malcriadão, eu estava a falar em "food", viste? Comidinha, tremoços, grelos, sabes o que é? Que paciência. Mas ainda não te contei dos "erres". Também são giros. Ora vê:  "raios os partam", "rais parta isto", roubalheira, rapinar, ..podes escolher. E às vezes juntam-se, sabes? " Que merda esta, vao roubar para outro lado!". Faz-se uma frase. Fraseia-se, já que não se pode frazer mais nada. Ou canta-se, ou estrofeia-se qualquer coisita como " Se me sinto assim tão F..ula / E sinto que me R..oubaram, / Só pode ter sido algum mula / Que tem uma grande pancada!". Vais ver se não é este ano que ganhamos o festival da canção, vais ver. Quer dizer, vais tu ver, que às tantas nessa altura, com o preço da luz, só se vê televisão a espaços: uma hora, fecha, uma hora, fecha duas, uma hora, fecha três, uma hora, fecha quatro, é giro, tem ritmo. É hip-hop, meu. Mas em que estarias tu a pensar quando investaste isto, hein? Nalguma fulana que te roubou, não? Olha lá, arranjas por aí outra Padeira?

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Carrega no botão

Isto está-se a tornar outra vez chato, ou, como diria a prima Fedúncia "Isto está-se a tornar outra vez chato". Não quer dizer que alguma vez tivesse deixado de o ser totalmente, mas era uma chatice menos chata, era uma chatice pequenina, tipo, menina-chatice. Agora não. É uma grandessíssima chatice. Não sei se já viram que hoje estou muito comedida, muito "politicamente correcta". Ai credo, agora já não se pode dizer isto, puxa! Não há nada politicamente correcto.Ou há? Vou perguntar ao TC. Mas estava eu a dizer que estou muito comedida, e estou. Apetecia-me dizer que isto está uma porcaria, mas é feio, digo antes, uma merda. Também ninguém me manda comer a ver televisão! É bem feita. A Fedúncia já se deixou disso e até já comprou uma almofada para o sofá com o dinheirito que poupou na electricidade e até deixou de tomar uns cházes para os nervos, anda muito mais calma, é um gosto vê-la, até remoçou. Bem, tanto também não, senão é que eu já tinha feito como ela, olarila! Mas realmente já não posso com isto. Até já tenho artrite nos ossos da mão, mais propriamente no dedo do meio, que está ficar todo torto. Senão vejam: garfada sim, garfada não, mudo de canal! Não consigo ver nada, com receio de ficar tonta, ou raivosa, ou histérica, ou tonta, ou raivosa, ou histérica, ou, simplesmente, maluca. Um fala, eu mudo; o outro fala, eu mudo; os números falam, mudo; os preços falam, mudo; vislumbro ao longe tabelas disto e daquilo, mudo; ouço promessas, mudo; ouço promessas, mudo; ouço promessas, mudo; vejo os troicos, mudo; vejo os fmis, mudo; vejo os ex- qualquer coisa, mudo. E por aí fora! Passo a vida a dar ao dedo. Ora, ou trinco ou mudo. Agora até já tenho tudo partido aos pedacinhos porque é incomodativo estar sempre tira faca, carrega no botão, tira faca, carrega no botão, era incomodativo e porco, ficava sempre com o chão sujo, o que também é incomodativo e sobretudo perigoso e despesista porque escorreguei várias vezes na comida e lá vai mais um penso no rabo e até os pensos estão caros, nem pensar. Por isso já viram que eu não sei o que fazer. Ou sigo o exemplo da Fedúncia, não há cá TV às refeições, ou mudo de hora de comer, ou sigo o conselho do Agapito. " Dona Lagarta, a senhora tem de estar a par do que se passa! Não pode meter a cabeça na areia, salvo seja, que até nem tem areia na cabeça, tem muito que se lhe diga! Ó se tem! Eu, por exemplo, gravo tudo, para ver tudo. Tudinho. A gente sente-se mais à vontade e mais potente. É! Assim não se sente impotente! Pelo menos para mim, isso é importante! Dou cada berro que não faz ideia! Até ladro mais alto do que o Pio! Ão, Ão, está a ver? Assim, desopilo, desentranho-me todo. Percebe?". Pois percebi. Mas ainda estou cá a pensar. Não sei, não. Às tantas vou só ver o canal da AR. E assim não preciso de carregar no botãozito! Tenho a impressão de que os aguento melhor todos juntos. Não sei porquê.

Ida aos mercados

Pronto. Só me faltava esta. Em má hora comprei o computador da Fedúncia, livra! Não basta ter ficado de lhe pagar um tanto por mês e ela todos os dias me atazanar o juízo - "Já só faltam 29 dias para a próxima", "Já só faltam 28", "Já só faltam 27" ( ai ca nerbios!!!) - e ainda tenho que a aturar todos os dias cá em casa para lhe ler os mails dela. Olhem que sina! Qualquer dia mando-a dar uma volta. O problema é que ela vai, mas volta. Enfim, seja tudo pelo amor da Santa. Qualquer uma serve.
Hoje então passei-me. Passei-me! Então não é que resolveu aparecer aí com o Agapito sem me avisar? Vai uma pessoa à porta toda descansadinha, chinelitos, roupãozito (tem um buraquito à frente, mas a Fedúncia também tem um com um buraco no mesmo sítio, copia tudo, aquela sarna, por isso nem fazia mal) e uma máscara de beleza nas fuças ( é iogurte com açucar, mas sempre dá um ar de descontração e de futilidade útil, não é?) e um caneco com café, que eu bem vejo a malta nos filmes americanos sempre com um caneco de café na mão porque não sabem o que fazer às mãos e eu também não, e, dizia eu, abre uma pessoa a porta da casa e dá de caras com um Agapito naqueles preparos! Acham bem? Pois é. O que vale é que esta cabeça é tipo pepe rápido e disse logo "Ai que corrente de ar, credo! Venho já abrir!". e pumba. Porta na cara. Literalmente, porque ainda ouvi a Fedúncia a dizer "Ai". Ai, disse eu. Foge! Tenho a impressão que nunca me aperaltei tão depressa! Ah, valente! E quando abri a porta depois de a fechar por causa da corrente de ar que não era corrente de ar mas podia ser porque estava uma ventania dos diabos, já estava uma lagarta apresentável, digna, segura (quer dizer, segura, segura não, pus uns sapatos tão altos que até se me fugia o chão!). "Então, amigos? O que vos trouxe por cá?". "Nada. Viemos a pé". disse a Fedúncia (sarna..). E o Agapito: "Dona Lagarta, queriamos perguntar-lhe se queria vir connosco aos mercados, sabe?". Ainda tive uns segundos de paragem de raciocínio...mas não gosto de fazer de burra. "Ai, sim? Ca linda ideia! E quais, quais? São longe? São...". A Fedúncia tinha que me interromper, até morria! "Não sabemos, prima, mas vamos descobrir! Estou tão excitada!". Eu dizia-lhe as excitações..mas enfim. "Então e porquê? O que é que lá estão a vender? Há saldos? Promoções? Talões? Prestações? Leve 3 e pague 2? Diga, diga!". Mas foi o Agapito que falou. Ainda bem. Pode ser que se afixe na blusa de flores. " Não, dona Lagarta. Não se vende nada! Vai-se lá buscar, é de borla! Pelo menos não ouvi dizer na televisão que tinha de se pagar alguma coisa. Não ouvi, não. Juro-lhe!". Mau. Borla? O homem disse "de borla"? Ouvi bem? De...borla?? "Ó senhor Agapito. Explique-se. Explique-se-se!". E ele: "Explicarei. Disseram na TV que o ministro das Finanças tinha posto dois mil milhões de euros nos mercados!! Hojinho mesmo! Dois mil milhões! Já viu?". "Ah pois não vi não. Às vezes nem dois euros, quanto mais! Mas isso é verdade? É mesmo verdade?". E a Fedúncia:" Ui, repetiram não sei quantas vezes, Até gravei e voltei a ouvir! Já viu? Se ele os lá pôs, gaita, é só saber quais são os mercados e vermos se ainda apanhamos algum! Já viu?". "Não vi, não. Mas vou ver! É para já! Mesmo que já não haja nenhum, fica com certeza lá o cheirinho a nota! E olhe que eu noto que já quase não sei o que é uma nota! Vamos, vamos! Vou só pôr um casaquito! Ou melhor, nem vou. já se me subiram uns calores!". E lá fomos aos mercados. Lisos, mas de cabeça erguida! Eu depois conto-vos.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Tabuleiro de xadrez

Há várias coisas que me incomodam ultimamente. Destas, para ser sincera, destaco três. Primeiro: para ser digno dum "Ah!!" ou de um "Ena pá!" ou de um "Bem dito!" é preciso dizer mal do governo. Segundo: para ter um "Ah"Ah" ou um "Ena pá, pá!" ou um "Muito bem dito", é preciso dizer mal do Pedro. Terceiro: para ouvir um "Ah!Ah!Ah!" ou um "Ena! Ena pá, pá!" ou um "Muito, mas muito bem dito!" é preciso dizer mal do Gaspar. Obrigada, mas não alinho. E o grande problema é que,  se eu disser isto, sou de imediato ou rica, ou de direita, ou burra. Aí o comentário habitual "Pois, estás bem na vida, não é? Se estivesses a passar fome ou desempregada, já não falavas assim. Tens é o rei na barriga!". Não tenho. Mas tenho a noção da quantidade dos que têm realmente o "rei na barriga" e fingem que não, armando-se em estandartes de preocupação social. Em alarves seguidores dos comentários da moda e em moda. Cataventos que mudam com os temporais. O que não quer dizer que não mude as minhas opiniões, bem pelo contrário. Mudo. Muitas vezes. Tenho orgulho nisso. Mas o que me aflige é que se chegou perigosamente a um ponto em que parece já não se poder ter opinião própria, em que quase se tem medo de dizer "não". Cheira-me a "outros tempos" e estremeço. Liberdade de expressão, hoje? O tanas! Até porque a introdução que fiz já deve ter dado bronca. Não me digas que estes "gajos" não são uma m*, não me digas que o Pedro e o Gaspar não são uns f*da p*, não me digas que isto não está uma m*? Está! Repito: está!! São asneiras atrás de asneiras. Mas o que me irrita é não poder dizer ou falar no que não está uma m*. E sobretudo, irrito-me por não ter memória curta. O que quer dizer que vou continuar a divertir-me a assistir ao jogo no tabuleiro de xadrez. Só que neste, ninguém "come" ninguém. Só trocam de posição. Observem. Rei preto por Rei branco. Torre preta por Torre branca,.... e os peões lá andam. Sempre no mesmo sítio. Só se lembram deles quando precisam de ganhar o jogo. 

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Contos improváveis-2

Marvila com dois "ll"
Bateu à porta, algo tombado, mas muito distinto, de cravo na lapela, as faces coradas, sapatos reluzentes. - "A menina está?". Era a empregada que tinha na frente. Moçoila guedelhuda, espantadiça, a modos que desconfiada. "Vou saber. Como é que se chama?". "Essa é boa! Eu sou o Marvila...". Ela retirou-se e ele ficou encostado ao portão do jardim a cheirar as trepadeiras. Cortou um botão e queria enfeitar a lapela mas reparou que já lá tinha um cravo. Admirou-se muito, não atinava donde tinha vindo o cravo, mas acabou por se lembrar e desatou a rir, com a mão na boca para não fazer barulho. "É verdade! Eu venho do casamento do Tricas!".
O Tricas era o velho tricas das farras, um solteirão até ao momento, que não queria prender-se mas tinha cedido, derretendo-se com as falas mansas da Alzirinha borbulhosa e dissera o "sim", e enfiara a aliança no dedo roliço, todo ele um noivaço; que bonito aquilo era!Tão bonito que ele próprio, Marvila, também se resolvera a casar e saíra do copo de água direitinho até ali.
- "A menina não está. Saiu com a Avó a comprar tremoços". Diante dele, novamente a guedelhuda espantadiça, que trazia o recado. Marvila, um pouco mais tombado, mas aguentando-se bem, com um braço apoiado no portão, um olho aberto outro fechado, achou estranho aquilo dos tremoços. Desatou a rir outra vez. Apetecia-lhe rir, não sabia porquê.
-"Ela demora muito?".
-"Se calhar demora. É capaz de pedir à Avó para passar no jardim para andar no baloiço". "Baloiço?!?". Marvila espantou-se, ficou mesmo embasbacado, porque achou raro aquilo dos tremoços e do baloiço. 
- "Ela gosta assim de andar de baloiço?Mas ainda não mo tinha dito!".
"Tem 6 anos, não havia de gostar?"- disse a moça espantadiça, a querer espantar-se mesmo, porque tinha mais que fazer. E retirou-se, porque apareceu um sujeito de bigode que vinha indagar, pôr tudo a limpo, sem o menor constrangimento.
-"Mas quem é o senhor?"
-"Sou o Marvila. Marvila com dois ll".
-"Dois ll? E o que deseja o senhor Marvila com dois ll?"
Marvila endireitou-se, indignou-se e disse que aquilo já estava a passar a mais, que queria falar com a menina, mas que não era a que tinha 6 anos, era a outra...
-"Com a outra? Mas aqui não há outra, meu caro senhor..."
Marvila espantou-se, apontou um dedo em direcção ao sujeito de bigode e garantiu que todos os dias costumava estar ali a namorar, ela na janela, ele encostado ao portão.
-"Janela? Qual janela? Aqui não há janela nenhuma, dão todas para o outro lado...!"
O olho aberto do Marvila escancarou-se, fitou em cheio o bigode do outro. Admirou-se de não se lembrar do bigode e admirou-se de não haver janela. Mas não se convenceu. Teimou. Teimou que havia janela e que não a deviam ter mudado de sítio, pelo menos sem avisarem. O outro esboçou um sorriso. Começou mais ou menos a perceber. Virou divertido e disse-lhe que não se tinha mudado janela nenhuma, que pensasse bem que já via que se tinha equivocado.
O Marvila ofendeu-se! Ofendeu-se e ficou todo irritado. "Eu sei muito bem o que digo!"- gritou-lhe. "Eu vim do casamento do Tricas para falar com a minha namorada, percebeu?".
-"Mais ou menos" - disse-lhe o do bigode - mais ou menos. Mas, se me dá licença, e como aqui não mora a sua namorada, eu vou para dentro que tenho mais que fazer."
A porta fechou-se. O Marvila ficou de boca aberta, encostado ao portão, furioso. "Ele paga-mas!"- resmungava - ele paga-mas!". Mas não lhe apetecia mexer-se. Tinha uma soneira maluca, quase não se tinha em pé. Começou a resmungar sózinho, que não se fazia aquilo da janela, mudarem-na para o outro lado sem avisarem, que a namorada havia de ouvir das boas, não se esqueceria de lhas cantar.
Ele a falar em cantar e um grupo barulhento a aproximar-se, um punhado de jovens alegrotes que vinha estrada fora cantando, desafiando e rindo por tudo e por nada. Um deles reconheceu logoo Marvila. Avisou os outros, espetou um dedo na direcção dele e gritou-lhe:"Eh! Marvila! O que estás aqui a fazer? Tens medo que o portão caia ou que caias tu se largas o portão??".
Conheciam-se todos, afinal. O grupo vinha também do casamento do Tricas. Só de o verem a algazarra redobrou. Mas o Marvila, sorumbático, irritado, não quis responder. Aliás não podia mover-se. O portão aguentava-o, tropeço e sonolento. "Explica-te homem!" - disseram-lhe todos - "Não queres por aí uma ajuda?". Desataram a rir à gargalhada e foram-se chegando a ele, não estivesse por acaso a sentir-se mal disposto. "Mas que ideia tiveste tu de te vires agarrar ao portão? Conheces este portão?".
Troçavam e começaram a pensar por ele. Marvila acabou por dizer o que se tinha passado. Contou da namorada, dos tremoços, do baloiço e queixou-se sobretudo da janela, que a tinham mudado sem lhe dizerem.
-"Forte bebedeira a tua!"- exclamaram no meio da risota - "vem connosco que a gente é que te vai ensinar onde é a casa da tua namorada!".
Marvila deixou-se conduzir. Tem-te não cais, amparado neles, lá foi seguindo pela estrada, cravo ao peito, todo distinto, mas completamente embriagado.
Através duma talada da porta, que abrira sorrateiramente, o homem do bigode ficou a rir-se e a repetir com troça: "Marvila, com dois ll"..

Santa paciência!

Estou de boca aberta. De boca aberta do que vi, li e ouvi e de boca aberta comigo própria por ainda ficar de boca aberta com certas coisas neste país, nesta altura. Já não devia ficar de boca aberta, estou mesmo chateada comigo. Já devia estar habituada à hipocrisia reinante nalgumas mentes brilhantes desde sempre. Mas, pelos vistos, não tenho cura. Fui ver - porque gosto de pensar pela minha cabecinha - o tal video da "mala Chanel". Devo ser fútil ou não ter mais que fazer ou as duas coisas, mas fui ver. Fui. E fiquei esclarecida. Afinal, como diria o meu amigo Shakespeare, "much ado about nothing" - tanto barulho para nada. Que a rapariga tem uma forma de falar esquisita, tem, mas posso julgá-la por isso? não creio. Teria de ter uma forma "padrão" de falar para dizer "vês, devias falar assim". Quem sabe se eu falo "normalmente"? O que é o normalmente? A tua? porquê? E qual o mal tão grave que a rapariga disse? Que quer uma mala Chanel? Porquê? É fútil? E o que é "fútil"? Não será futil desejar ir às Maldivas? Ou ter um carro grande, um BMW, um iPhone, um iPad, etc? Claro que é. Sobretudo no momento que o país vive. Claro. É uma vergonha. Se me sair o Euromilhões amanhã, eu estou proibida de sonhar com coisas futeis. Vou a correr pôr o dinheiro à disposição de quem precisa. Claro, claro. Qualquer pessoa fará isso. É que está-se mesmo a ver! Aliás, ninguém joga para ganhar dinheiro para ter coisas futeis, é só para comida, educação, prestações, rendas, água, luz, gás, electricidade. As coisas mais básicas. Asseguradas estas, deitam-se fora os outros milhões. Não há cá sonhos nenhuns. Nem direito a eles. Somos todos assim. Todos.É só compaixão e caridade e solidariedade por esse país fora. Ora tenham santa paciência!

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Portuguese nightmares-T2, Ep.2

Olhem quisto, palavra de honra!( ai, quisto não, cruzes!). Então não há ninguém que defenda o pobre? São 12, bolas, porque é que se hão-de meter só com ele? É injusto. É, pois. Será por ser o 1º? E depois, ele tem culpa, tem? Ah, esperem lá. Pois é. Ainda não disse de que pobre estava falar! Seus malandrecos! Estavam a pensar noutra coisa, estavam, estavam. Mas não podia ser, né? Nem são 12, nem o 1º é pobre. Aliás, se fosse falar dessa malta, em duzentos e tal, onde é que eu encontrava um pobre? Viram? Eu estou a referir-me aos meses! Aos me-ses! É que o triste do mês de Janeiro é muita mal tratado nos ditados populares!! Não há direito! Eu, se fosse a ele, escrevia já uma carta ao PR a queixar-me. Caía em saco roto, mas escrevia. Ora vejam: "Bons dias em Janeiro enganam o homem em Fevereiro". Isto é coisa? Ainda bem que tem chovido muito mas, mesmo assim, admite-se que os poucos dias bons andem agora a enganar a malta? Ou pior: a enganar "o homem". Isto é discriminação! Quem me diz a mim que também não enganam a mulher? Vou mas é ter cuidado, que isto agora é um engano pegado. Mas há mais. "Calças brancas em Janeiro, sinal de pouco dinheiro". Francamente. Ainda não vi ninguemzinho com calça branca e vejo é pouco dinheiro! E se as calças encolhem na lavagem? Ó valha-me Deus. O melhor é não as ter. Pode ser que inventem outra, sei lá, calça verde em Janeiro, sinal de nota verde, por exemplo. Eu disse: por exemplo! Mau. E também quem é que se lembrou de dizer "Vinho verde em Janeiro é mortalha no telheiro", hein? Que sinistro! Até se me deu um aperto. Então ninguém pensou nas exportações, não? Na economia do país, não? Passa-se um mês inteiro sem mandar o dito lá para fora ou cá para dentro? E olhem que aquela das telhas tem que se lhe diga, para já nem falar da mortalha. Nem vou por aí que fico mal disposta e depois já não falo noutra afronta ao pobre do Janeiro. Querem ver? "Chuvas em Janeiro e não frio, vão dar riqueza ao estio". Estão a ver? É sempre o mesmo. O triste manda chuvas, coibe-se do frio e, pumba, quem ganha, quem ganha? O estio, o Verãozinho, ah, pois, é sempre isto. Até o triste do Janeiro entra na dança do "eu faço, e tu enriqueces". Que ignomínia! ( fica aqui bem, rima com "estás-a-vê-lo-por-um-canudo"). Mas há mais! "Em Janeiro, pega na escada e vai ao fumeiro". Pois, pois, é só mandar. Pega aqui, leva acolá, trabalha e...depois vou ao fumeiro? Para quê? Ver o fumo? Ai, tão lindo! Olha a fumarada! Eu não queria o fumo. Queria a "substância", olha quisto(outra vez. Cruzes). E também não me digam que "Da flor em Janeiro ninguém enche o celeiro", que eu começo-me a passar! Então gastei um dinheirão em flores para quê? Como é que eu encho o celeiro? Quer dizer, não tenho celeiro nenhum, mas tenho uma despensa grandita. Pronta a encher. Faço o quê? Caramba! O que vale é que, enfim, lá há um ditadozito que me anima um pouco. Um pouco! "Em Janeiro os dias têm um salto como um carneiro, quem bem souber contar, hora e meia lhe há-de achar". Ora viram? Já entusiasma mais uma pessoa. Está bem que aquela do carneiro era escusada, não gosto de carneirada. Mas ao menos, finalmente, acha-se qualquer coisinha! E até pode ser feito tipo aeróbica: salta, acha; salta, acha; salta, acha. Como andamos todos aos saltos todos os dias, ao menos uma recompensazita: toma lá hora e meia! Mesmo assim, vou mudar de mês. Este está-me a deixar perturbada e mole.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

O boneco

Ainda estou para saber como é que caí nesta. A Fedúncia tem realmente grandes poderes de persuasão, sendo que um deles é, como vos tenho dito, os sequones que faz à 5ª feira para a tal reunião em que decidimos quem lava as escadas e leva o lixo na semana seguinte. Sempre dá para guardar alguns e congelá-los. A vida está cara, não é? Pois. Então vai daí que a Fedúncia lá me convenceu a comprar o computador dela (o do trabalho chegava-lhe bem porque havia pouco que fazer e mesmo que houvesse muito também não eram agora umas horitas a ver os mails que iam atrasar alguma coisa porque já toda a gente está habituada a que as coisas sejam feitas com calma. Bem diz o ditado "Não faças hoje o que podes guardar para amanhã". E os ditados existem para alguma coisa.) . Claro que lhe disse logo "Olhe que eu não tenho tuste. Não lhe posso pagar. Talvez lá para 2016, sei lá!". Mas ela foi manhosa, lembrou logo: "Ora essa! Então, paga-me com duodécimos, é facil, os 5 cêntimos que recebe a mais dá-mos a mim! Passa a ser uma PPP!". E eu: "Uma quê? Mau, mau. O que é que você...?". "Calma, só estou a dizer que passa a ser um Pagamento Previsivelmente Póstumo! Percebe? Você não lê jornais nem nada!". " Jornais? Leio as grandes na 1º página e imagino o resto. Ou não imagino. E prefiro não imaginar. Senão como é que eu dormia? Assim ainda durmo umas horitas, na dúvida do desfecho. É por capítulos, sabe? Uns dias fico logo irritada com o 1º episódio, noutros, sonho com um final que me agrade. Percebe agora? Raios! Sempre a explicar tudo!". " Pronto, pronto. Cada um é como é. Você é palerma mas é uma palerma que não é bem palerma. Ok. É pré-totalmente-palerma. E qualquer coisa que é "pré", não é "pós"  e fartos de levar com pós nos olhos estamos nós. Faz bem. Bem. E então, aceita??". Tive de lhe dizer:  "Mas ó Fedúncia, eu ainda nem sei se recebo a mais ou a menos!". E ela: "Não faz mal. Se fôr a menos aí paga-me com boa disposição, com umas anedotazitas, uns chistes,uns molhos picantes.. nessa altura bem preciso, senão não como, não durmo, não tomo café, nem nada. Assim a modos que até me distraio!". Deve estar doida, mas tudo bem. Deixa-me lá aproveitar. Assim nem maço mais a Lulu e ainda lhe posso atirar à cara as coisitas que me andam aqui a moer por dentro há que tempos. Por exemplo, que estou farta da vida dela. Da vida dela, sim, porque sei tudo o que ela faz lá em cima, desde que se levanta até que se deita. E até depois de se deitar! São barulhos que se tornaram familiares e odiosamente chatos comá potassa. "Está bem, traga lá o computador. Pronto. Trabalha a pilhas? É que não tenho nenhuma. Gastei-as todas ontem a ver televisão!". " Ó Lagarta. Psst. Acorda. Televisão não leva pilhas, dãã..!". " Eu sei, Fedúncia. Mas leva um boneco que eu tenho que fala. É muito giro. Está sempre a dizer "Estão mexendo no meu bolso. Estão mexendo no meu bolso!". Tem de comprar um. Assim escusa de ficar sem voz. E sem nós no estômago.". E a Fedúncia concluiu: " Dê-me o boneco, dê, dê, que eu ......o computador...até lho dou!!". Não percebi.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Portuguese nightmares- 2ª temporada (??)-Ep.1

Ora aí está uma coisa que me preocupa. Fartei-me de andar à procura dum bilhar grande e não encontrei. Fui a casas especializadas e tudo! Juro-vos! E agora como é que eu "vou dar uma volta ao bilhar grande?". Vou perguntar. "Olhe, faz favor! Há por aqui mesas de bilhar?". "Há sim". " E tem mesas grandes?". "Não, são todas iguais, todas têm o mesmo tamanho". " Mas eu queria uma grande, para poder dar uma volta!". " Pois, pois. Olhe, e se fosse bugiar?". E eu: " Bugiar? Ah vou com certeza! Há lá bilhares grandes?". E disse o fulano: "Livra, sabe uma coisa? Vá plantar batatas!". Não gostei. Mas não gostei mesmo. Está uma pessoa assim com dúvidas acutilantes e mandam-nos plantar batatas. Ainda se me tivesse dito " Olhe, deixe lá o bilhar grande e vá antes dar uma volta a um parque grande ou a Badajoz ou a Cacilhas". Pronto. Aí até que pensava duas vezes. Assim, não. Nem me ajudou e ainda me deixou angustiada. Realmente se fosse plantar batatas, ajudava a economia do país, mas tenho a coluna num oito e não posso andar ali no baixa, planta, baixa, planta. E disse-lhe " Porque não vai você? Fazia-lhe bem .Tem cara de fome!". E não é que o fulano me disse "para baixar a bolinha"?? Ele há cada gente indiscutivelmente maluca. Qual bolinha? Eu nem o bilhar encontro, bolas! E não vou agora baixar uma bola, vou? Quando muito, bato, pontapeio, cabeceio, atiro, uma bola. Baixar bolas só no futebol, eles é que andam muitas vezes a olhar pró ar a ver se apanham a bola que um tolo qualquer mandou para o ar em vez de a levar para casa e acabava-se a brincadeira. Conclusão. Não me fiquei. " Olhe, baixe você, seu artolas" . Não sei lá muito bem o que é artolas, mas estavamos a falar em bolas, portanto "tólas" devia estar adequado. Mas não estava. E não gostei nada nada do que ouvi, nada!. E é que eu, tadita,  só lhe disse " Sabe uma coisa! Vou perguntar a outra pessoa!". E vejam o que o fulano me disse: "Então vá. Acertou na mosca! É que também já não estava para a aturar!". Ia caindo dos saltos, perdão, dos peep-toes. O homem é doido. Doido varrido mesmo. Agora diz que eu acertei na mosca! Primeiro não havia mosca nenhuma, juro, nenhuma! Segundo, como é que eu matava a mosca, como? À mão? Ficava com a mão suja e posso apanhar bactérias e virus e tal. Com spray? o meu sprayzinho de perfume? Nem pensar. Podia ser uma mosca muito máscula e não gostar. E sempre disse que não faço mal a uma mosca! Ou seja, vou ver se encontro mas é a pessoa que me mandou dar a volta ao bilhar grande e pedir-lhe que mude para outra coisa, que eu entenda. Ele que puxe pela cabeça, ora essa. (ai credo! Também não é preciso tanto!).

domingo, 13 de janeiro de 2013

Massa a feijões

A culpa é do dinheiro.Diria mesmo que quem inventou o dinheiro devia ser preso. " Olha, tens ai algum dinheiro que me emprestes?". "Não, não tenho dinheiro nenhum!". Evitava-se isto. Se não houvesse dinheiro era muito melhor. "Olha tens aí feijões?". "Tenho. Montes deles.Queres?". Viram? Há uma grande diferença entre "nenhum" e "montes". A malta sentia-se sempre recomfortada, estimada, era uma auto-estima, não era uma estima sem auto, até porque a gente precisa de se deslocar. Claro que podem perguntar-me: "Então e como é que se pagam as coisas? A comidita, as roupitas, os livritos, a águita, a luzita, o gázito, a rendita, e os bilhetes pró futebol? ". É fácil. Não se pagavam. Não havia cá "Olha paga isto", era mais " Olha, dá cá uns feijões", "Encarnados ou brancos ou manteiga?". Estão a ver? Até havia possibilidade de escolha! Assim, não há. Eu não posso dizer "Paga-me aí só com notas de 500", posso dizer? Não posso. Isto para já não falar das coisitas que temos de pagar. Não se compravam. Não havia dinheiro, não havia tentações. A comida era fácil, feijões para todos ( até a igualdade era maior, viram?) e já está. Roupa também não sei para quê. Cada vez há menos estações. e as crianças crescem muito e mais cedo. Comprava-se logo em pequenos o tamanho de adultos, sapatos e tudo, era só encher de algodão ou jornais. A luz..para quê  luz? As velas não dão luz, não? E a lenha não substituia o gás? Há por aí tanto mato e andam sempre a dizer que não limpam, ora assim limpava-se o mato e havia menos incêndios. Só vantagens. A água é das mais fáceis. Era só escolher o rio ou o mar ou o riacho ou a poça mais perto de si. De si e de mim. Rendas não havia, nem prestações. Qual quê. Para quê ter casa? Com as velas e a lenha, ainda se lhe pegava fogo! Ah, pois é. O problema eram os bilhetes para o futebol ou o cinema, mas também, vivendo de feijões, se calhar era melhor evitar locais fechados, não? Ninguém tinha de saber a qualidade dos feijões. e não me venham cá com as netes, e faces, e tuitéres. Bastava um quiosque com isso tudo. Fazia-se fila e pronto. "Já se serviu da net?". "Já. Faça favor". Até as relações entre as pessoas eram mais amistosas. "Olhe, deixou o feice aberto!". "Não faz mal. Pode usar". Isto é que era! E é por isso que eu não entendo porque anda tudo histérico com o dinheiro.´Ou melhor, com a falta de dinheiro. Não entendo. Vai haver cada vez mais falta, é evidente,  porque estamos numa transição, valha-me Deus! Estamos a passar de dinheiro para feijões. Por isso, cada vez vai havendo menos dinheiro e mais feijões. Puxa, é assim tão difícil de entender? Adeus massa, olá feijões. Ambos alimentam, caramba! De que é que se queixam, hein, hein?? Ai ca paciência!

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Resmas

Eu nem sei como é que ainda consigo escrever. É certo que teclo só com um dedo, por isso não tenho muita noção de como os outros estão a funcionar, ou se estão a funcionar. Podem estar tremeliques ou gelados ou com formigueiro, sei lá, mas assim sempre é uma coisa a menos com que me incomodo. Incomodo, não. Aflijo, encuco, introspecto. Da outra mão também só uso um dedo, o das letras maiusculas e vá lá, esse também funciona bemzinho. Ainda não me deu para ver os outros, mas o melhor é ir trocando para testar o manuseamento. Fora isso, já perdi a conta às doenças que posso ter ou vir a ter, desde depressões, diabetes, problemas de próstata (o que é que foi? Fui confirmar se a tinha, não fosse o diabo tecê-las!), gripes, constipações, obstipação, diarreias...e tudo ao mesmo tempo. Ainda não me tinha assegurado de que, afinal, não tinha uma e pumba, toma lá outra. É que isto de uma pessoa estar a tomar o seu cafézinho logo de manhã - 8 e pouco -  sossegadinha, até com um certo ar de quem dormiu benzinho e está pronta para começar a dizer umas asneiritas com as notícias, tipo uns grunhidos de "rais parta isto", "seus camelos", e "bolas", e aparecem sempre ali uns fulanos no ecrã a estragarem tudo. O cigarrito passa a cigarrão e fico logo com menos uns anos de vida no café e com falta de ar, o café alevanta-me a tensão e sinto o coração na boca, o espirro que o vizinho da mesa ao lado tinha dado passa a gripe C ou D e sinto logo comichões no nariz e pego logo no telemóvel para marcar consulta, a má disposição que tive demanhã que deduzi que era resultante do menu de três pratos gordurentos e saborosos, daqueles que fazem mesmo mal mas a gente até deixa porque sabem bem como o caraças, essa má disposição depois do jantar festivo da véspera,  passa a princípio de uma gastroenterite e até me dá logo vontade de ir à casa de banho, a dor de cabeça, do mal estar da comida, que era só uma dor de cabeça, passa a coágulo e é preciso ver os sintomas e tal,  o acúcar que pus no café porque na véspera ouvi que o adoçante era perigoso, passa a potencial malefício e nem sei como me contenho de não o mandar pesar para ver se durante o dia não ultrapasso as gramas devidas, a chávena que acabei de levar à boca passa uma bandida transmissora de bactérias porque pode ter sido mal lavada à mão ou ter sido lavada na máquina com um detergente que contém resíduos de não sei quê, o jornal sabe-se lá por que mãos passou, a tinta do jornal pode entrar na corrente sanguínea e provocar alergias e pode ter substâncias de não sei quê, a mesa e a cadeira têm milhões de bichinhos travessos que comem à minha custa e que podem provocar-me não sei quê...Puxa, para começo de dia, digo-vos, é obra. Apalpo-me toda logo de manhã, joelhos, braços, figado, costelas; vejo os olhos, o nariz, a pele, os sinais, as varizes,  ao espelho que passei a trazer comigo, tusso para um lenço, assoo-me a um lenço branco para ver se fica verde, ponho o dedo no pulso, conto os dentes, puxo pelo cabelo a ver se cai, questiono-me sobre se tenho vontade de andar à lambada a alguém ou a mim própria, eu sei lá! Eu sei é que fico com os sintomas todinhos . Não dá jeito nenhum, depois fico sem forças para desancar nas notícias. Deve ser coisa da troika. Hum, manobras de diversão! Cheira-me.Eu já pensei em pedir para mudarem de programa, mas para isso tenho de chamar a funcionária e quem me diz que ela não está a chocar rubéola ?

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Contos improváveis-1

-"Se é para falar com o Doutor tem que esperar um bocadinho..."
O Pimenta disse logo que sim, que esperava o tempo que fosse preciso, ora essa, e sentou-se onde o mandaram sentar, com o boné entre os dedos e o cabaz encostado às pernas. Mas o cabaz não devia estar ali, tinha dentro um borrego, uns queijos da serra e umas maçãs e tudo aquilo podia desatar a cheirar mal, com o calor que estava. E, cheirando, mal, impestava a casa, uma casa daquelas, só luxos por todos os lados, que ele nem sonhava que houvesse casas assim. Então pediu à empregada que levasse para dentro o cabaz e que pusesse tudo ao ar, que era um presente para o senhor doutor. A empregada pegou no cabaz, mas logo ouviu chamar por ela, que era o doutor a dizer que já podia mandar entrar o Pimenta. Acanhadíssimo, o Pimenta seguiu a empregada, corredor fora, a pisar a alcatifa com todos os cuidados. Entrou num gabinete cheio de livros, candeeiros que só visto e sentado à secretária o doutor à espera dele, todo sorridente, de mão estendida para o cumprimentar, que se lembrava muito bem do Pimenta, tinham andado os dois na escola quando eram pequenitos. " Como é que vai o Pimenta, a família como anda e o que é que o traz por cá? Sente-se, Pimenta, esteja à sua vontade". O Pimenta sentou-se no sofá, que era mole e comfortável, mas encafuou-se demais, que não se sentia à vontade. Fez um esforço para se endireitar e disse o que pretendia, sim senhor, que era um empregozito, porque as terras não davam nada, os filhos tinham emigrado e ele sózinho não abarcava com o trabalho todo. Muito trabalho e nenhum proveito. O doutor admirou-se, complicou tudo, que isto de empregos estava mau e ele sem habilitaçoes, ainda pior, ainda mais difícil, que não via jeitos de arranjar fosse o que fosse. O Pimenta lembrou que talvez um lugar de contínuo, tinham-lhe falado nisso, se pudesse ser era bom.
"Porque não se faz criador de gado?"- lembrou o doutor a despachar. O Pimenta torceu o nariz, confessou que isso dava um trabalho maluco, que até meia dúzia de ovelhas lhe custavam a aturar, quanto mais um montão de cabeças, que só quem sabe o que é gado é que avalia o que isso custa. Mas, a propósito de falar em gado, falou do presentezinho, que desculpasse, que era uma vergonha, mas já tinha entregue à empregada um cabaz com um borrego, uns queijos da serra, daqueles que se esborrachavam em manteiga, e umas maçãs. Que era uma lembrançazita, que não reparasse, que não levasse a mal a insignificância.
O doutor arregalou o olho, doido por queijo da serra, doido por borrego e por maçãs e fingiu ralhar com ele, que tolice estar a incomodar-se, "ora o Pimenta", isso não se faz.
Daí começou a ter outra opinião. Realmente os empregos escasseavam, quando aparecia algum era logo apanhado, mas havia de se ver, ora essa, que para o Pimenta até se inventava um lugar de contínuo se não houvesse, que ele estava muito interessado em ser-lhe agradável, disso podia ter mesmo a certeza. E que fosse descansado lá para a aldeia, que o pedido estava feito, não se esqueceria, até ia tomar nota numa agenda: "urgente, arranjar emprego ao Pimenta". Depois disso levantou-se, que desculpasse não estar mais tempo, mas os afazeres eram tantos, "nem o Pimenta faz ideia!".
O Pimenta realmente não fazia ideia. Mas estava contente com a promessa de emprego, que não sabia como havia de lhe agradecer e até teve uma ideia veloz, daquelas que empolgam, que surgem mesmo na altura. Se o doutor lhe arranjasse um lugar de contínuo, viria por aí abaixo com um boi para lhe oferecer. Em vez dum borrego, seria um boi, que mesmo assim nem pagava os favores, mas já era um pouco mais e tinha nisso o maior empenho.
O doutor, sorridente, tornou a estender-lhe a mão, que não queria boi nenhum, nada de estar com despesas com ele. "E você desculpe, ó Pimenta, não estar mais tempo consigo, recomendações à sua senhora, eu depois mando dizer do emprego". O Pimenta, desvanecido, tornou a falar no boi. "Trago um boi. Trago-o comigo!...Mas o doutor saiu rapidamente, estava cheio de pressa. Apesar de tudo, o boi ficou-lhe na ideia, mas entre um boi e um borrego...se calhar preferia o borrego!.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Portuguese nightmares-37

Eu disse que ia acabar com os mails e passar às cartinhas e envelopes, mas foi só por raiva. Vocês perceberam isso, não foi? Ia lá agora deixar de ter mails. Nem pensar. Não posso é voltar a mandá-los para a Lulu, que a barulheira lá em casa foi de tal ordem que até me caiu um bocado de estuque no pudim de bacalhau que tinha para o jantar. É certo que ficou giro, parecia queijo ralado, mas nem com tempero consegui emborcar aquilo. Conclusão: recorri ao Agapito. O que uma pessoa faz para se alimentar! Enfim, lá fui. Pé ante pé, para a Fedúncia não ouvir, não vá ela também ter estuque no prato e vir logo atrás de mim, a fazer-se ao bife. Ao bife ou ao empadão ou seja lá o que fôr que o Agapito tiver para comer. Se é que tem. Mas aí entra o plano B. Toda a gente tem um plano B, por isso também posso ter. Mas a verdade é que não foi preciso. Tive uma sorte do caraças, o homem estava a comer uma sopita e ofereceu-ma logo, logo. Foi simpático. Simpático e burro, porque ficou sem comer, claro, mas uma pessoa não pode recusar ofertas destas, não é? Parece ingratidão. Então lá fui comendo a sopita (ainda não percebi é porque é que ele se lambia todo quando eu levava a colher à boca, mas deve ser tique, coitado) e lá lhe fui explicando o que se tinha passado com a Lulu e porque não podia voltar a pedir-lhe que me recebesse os meus mails que são os dela mas que são meus porque vão para ela. E disse ele: "Porque é que a dona Lagarta não lhe canta o fadinho? Pode ser que, com jeitinho, consiga que ela a receba outra vez!". "Senhor Agapito, cantar o fadinho? Eu? Nem chamar a polícia sei, homem!". " Não era cantar mesmo um fadinho, era cantar "o" fadinho, percebe?". E eu: " Não. Deve ser da sopa". E ele: " Veja se me entende. Ora pouse a colher". Pousei (mas não larguei a colher, tá queta!). " A dona Lagarta tem de se fazer ao piso. Tem de lhe cantar..pronto, eu digo doutra maneira, tem..." "Espere aí. Falou em pizza?". " Falei em piso. Piso!". " Então pise, é alguma barata? Olhe, eu vou comendo". " Dona Lagarta, o que eu quero dizer é que se a senhora lhe cantar a canção de bandido pode ser que ela se convença a recebê-los outra vez!". Até me engasguei. Lá se foi um pinguito de sopa pró galheiro. Bolas! "Ó senhor Agapito! Tenha juízo! Eu não conheço bandido nenhum! A coisa mais parecida com um bandido que eu conheço é o senhor e não me parece que seja muito bandido, é meio-bandido, porque se fosse bandido não me dava a..."(cala-te boca!)...a gentileza de me receber, né?". E disse ele. " Muito obrigado pelo elogio, mas concentre-se no que lhe disse. Cante-lhe a canção do bandido!". O que vale é que a sopa já era. Já podia abespinhar-me. "Ó homem, não não e não. Não vou agora à procura desse tal bandido nem aprender canção nenhuma, gaita! Sou alguma Ágata? Já agora podia dizer uma canção do Festival, mas também, de Abril a Maio..". " Dona, senhora, Lagarta. O que eu quero dizer é que deve tentar convencê-la com falinhas mansas, assim com jeitinho, uns versos, uns bolinhos, "ai que gosto tanto da sua vizinhança, ai que lindo talher", qualquer coisa, percebe?". "Percebo. Ah, pois percebo. Percebo que por hoje ficamos por aqui. Percebeu?". E ele: " E vai uma sobremesazita?". E eu: " Sobremesa...zita ou não, pode ser. Mas amanhã voltamos a falar da Lulu. Hoje não. A comer não raciocino. Tem de ser separado. Ou como, ou raciocino. Hoje...como".

sábado, 5 de janeiro de 2013

"Ais" agudos

 De vez em quando vou até casa da Lulu. É a minha vizinha do andar de cima. Chama-se Euclídia, mas quer que a chamem assim . Deve ser algum trauma. É nome arraçado de gato mas enfim, também acho piada quando ela me chama Gagá em vez de Lagarta, sempre é nome de artista e até que dá bem comigo, com aqueles saltos e tudo. Bem.  E vou lá porquê? Ora perguntem-me. " E vai lá porquê?". Porque ela tem computador e eu não. " Então e depois?". Então eu não quero fazer figuras tristes quando me mandam mails. Não vou agora dizer "Não me mandem mails que eu não tenho computador", vou? Não vou. Então mandam para a Lulu e eu vou lá lê-los. Só ler, que não sei mexer numa tecla, nem quero, sei lá se ela lavou as mãos ou não? Anda sempre a pôr óleo nas portas porque anda sempre a atirar com elas quando o pobre do Gugu ( o marido, o Gustalves) entra em casa. É capaz de ser por isso que ele cada vez está mais tempo em serviço, seja lá o que isso fôr e aonde, mas também não me admirava nada que não fosse propriamente serviço militar porque o homem borra-se todo mal abre a porta de casa e atira-se para baixo da mesa mal faço clik no isqueiro. Nunca vi coisa semelhante. Mas então lá fui a casa da Lulu. "Ó Lulu, pode-me ler o mail?". "Posso. Mas não quero". "Não quer, Lulu? Porquê?". "Porque a amiga Gagá não vai gostar. Eu também não gostei. E se me parte a outra chávena de chá, estamos mal. Havia duas, parti uma depois de ver os mails, olhe, estamos mesmo mal. Fico sem nenhuma.". "Mau", disse eu, "É assim tão grave?". "Não, não é grave, Gagá. É agudo. É um "Ai" que sai mesmo das entranhas! Um "Ai" de ópera!". Fiquei curiosa e insisti. "Ah, mas eu até gosto da ópra. É aquela fulana americana, não é? Até gosto!". E a Lulu: " E se se calasse, era giro, não era? Então quer mesmo, mesmo ver, não quer? Espere um pouco que vou pôr a chávena a salvo. Já está. Quer mesmo ver? ". "Quero!". "Então veja". Olhem, tenho que deixar aqui um espaço em branco porque durante um tempo perdi a visão, o cérebro, o som, a compostura, tudo. Aí vai o espaço.                                   " O que é que estes gajos estão a fazer no meu mail, hein, hein?? Eu não disse que já não os podia ver??? Onde é que está a chávena? Onde é que está a chávena?? AAAiiii (bem agudo)". E ela: " Dona Gagá. Chávena eu sesse. Tome lá. Vingue-se. Que se lixe o chá!". E vinguei-me. Até voaram bocados! E disse-lhe: " Pronto. Desopilei. Vou embora. Chega!". E ela: "E deixa-me aqui com o Relvas e o Sócrates? Nem pensar! Ainda fico sem o serviço de jantar! E o mail é seu, bolas!". "Pois fique com ele, E com eles. Que desaforo. Que impertinência!(esta foi linda!)". E atirei com a porta. Mas ainda disse: " Cuidado com a carteira!". Assim como assim, ela que ponha óleo outra vez. E da próxima vez, envelope e carta. Está dito.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Pró-crise

Entro já a matar que é por causa das coisas. Sou do Movimento Pró-crise. Não quero cá misturas com os que são contra a crise. E dirão vocês: "Estás maluca ou fazes-te?". Faço-me. Ah, pois. Que eu preciso de ganhar o meu ordenadito. E dirão vocês: "Mas estás maluca ou fazes-te?". Faço-me. Ou vocês já viram alguém ganhar alguma coisa em falar da crise? Não viram, pois não? Pois não. E então eu vou ser burra e falar da crise e não ganhar nada com isso, bem pelo contrário, ainda tenho de ouvir a Fedúncia a queixar-se e o Agapito a limpar os suores e a Escolástica a moer-me o juízo que vai passar a andar de autocarro porque o motorista é jeitoso e "pode ser que" e não sei quê? Na, não. Acabou-se. Em vez de dizer "Ai esta crise! Que horror!", passo a dizer "Ai esta crise! ka linda! Ka bem que a desenharam!" e tal. Vai ser uma maravilha. A Fedúncia vai julgar que estou doida e ainda me marca consulta no Centro e ainda a paga porque eu aceito que estou maluca e ainda trago um rol de remédios à borla porque vai ser ela que os avia e os paga enquanto eu vou indo para casa porque ela julga que eu estou maluca e eu aceito que estou maluca! Ena pá! Só benefícios! O Agapito vai ser pior. Julga-se sexy a limpar os suores e vai ser difícil para o pobre homem arranjar outra forma de encher o olho aqui da lagarta. Mas eu oriento-o. Pode sempre trazer-me um arrozito de feijão ou uns rebuçados ou fazer-me um cházinho enquanto descanso de estar maluca. Ou seja, não há nada como estar já maluca, assim não se fica maluco mais tarde. Já se está. Por exemplo, também ainda não percebi quanto é que vou ganhar no final do mês. Olho para a televisão e só vejo contas e "Se..". Ora eu não sou "Se". Eu sou eu, e de cada vez que olho para lá é uma chatice! Umas vezes ganho mais, noutras ganho menos!Agora já não tanto, que  já sei qual é o canal onde ganho mais e só vejo esse! Ah, pois. Aprendam aqui com a lagarta. De cêntimo a cêntimo enche a lagarta o papo. Não sei quando fica cheio, mas vou chocalhando, chocalhando e adoro o tilintar do papo. Faz-me lembrar dinheiro, não sei porquê, o que me dá uma grande alegria porque ao menos sei que ainda não perdi a memória. Sempre é menos um remédio, gaita! E a Escolástica que se cuide! Uma pessoa assim como eu pró-crise não se arranja todos os dias e o tal motorista vai ficar mais preso a mim do que a ela, ora toma, não há quem não goste de uma novidadezita na vida, não é? Então eu acho que já expliquei bem porque sou pró-crise. Sou mesmo uma lufada de ar fresco, não sou? Já sabia. Constipei-me de tal ordem que nem sei o que disse. Atchim! (santinha!).

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Mudança de horário

Sou absolutamente contra a passagem de ano à meia noite. Gosto de me deitar cedo. Há anos que ando à espera que o nosso ditado "deitar cedo e cedo erguer, dá saúde e faz crescer" não seja uma grande aldrabice! Mas é ! Às vezes acordo que parece que levei uma grandessíssima tareia e deitei-me com as galinhas, salvo seja; quanto ao crescer, que vá dar uma volta porque não vi nada, nadinha, palavra de lagarta que o risco que fiz na parede para confirmar o aumento de uns centrimetozitos, um que fosse, até me parece cada vez mais longe e não há Danoninho que me valha! Por isso a passagem de ano devia ser à meia noite menos cinco, assim já era aceitável, mas melhor, melhor, era de manhã, ainda tinhamos o dia todo para festejar! "Olha que já é tarde, é melhor ir embora, que amanhã temos um almoço e depois não podemos ir tarde, parece mal!" . Ora se a passagem de ano fosse de manhã ainda podiamos festejar pelo menos três vezes, ao almoço, ao lanche e ao jantar, com toda a poupança inerente aos croquetes e aos amendoins e às sandes que iamos acuumulando durante o dia e que seriam facilmente transportaveis numa caixita para comer no dia seguinte, sobretudo agora que que a gente sente que nos andam a mamar e isto é um grande incentivo para a gente também mamar em qualquer ocasião e não concordo nada que o ladrão faz a ocasião porque não vejo ladrões em lado nenhum, só ocasiões. Quero dizer, ladrões vejo, mas não são ladrões, são só concorrentes dos que roubam e a vida está dificil e a concorrência é grande. De maneiras que venho aqui insurgir-me contra o horário da passagem de ano. Não está certo. Devia ser fiscalizado sucessivamente, pelo menos, até porque os senhores do SNS andam preocupados com a nossa saúde e sobretudo em acabar com tudo aquilo que ainda dá saúde a grande parte da malta, como o tabaco e o vinho, poderosos anti-depressivos e pro-sanidade mental nos tempos que correm mas que custam muito dinheiro ao estado porque a malta pode falecer e antes de falecer, adoece, o que é estúpido, porque se é para falecer não tinha que adoecer, falecia e pronto. Sempre se poupavam uns tustes. e não havia cá renhónhó nenhum. e comprava-se mais um aparelho de medir a tensão, mais um estetóscópio, mais uns pensos rápidos, que os vagarosos também não interessam, curam devagar, logo, mais consultas, mais chatices. "Olhe, tenho aqui uma ferida!". "Ai tem? Tome um penso rápido. " " Mas eu não posso tomar pensos!". " Pode. Engula com um pouco de água que ele incha e dá para muitos dias e "pensa" tudo duma vez. E é rápido. Diz aqui na embalagem!". Então vou escrever uma carta ao PR a solicitar a mudança do horário da passagem de ano. Por exemplo, a esta hora está quase tudo a dormir. Isto é produtivo? Não é.