Olhem quisto, palavra de honra!( ai, quisto não, cruzes!). Então não há ninguém que defenda o pobre? São 12, bolas, porque é que se hão-de meter só com ele? É injusto. É, pois. Será por ser o 1º? E depois, ele tem culpa, tem? Ah, esperem lá. Pois é. Ainda não disse de que pobre estava falar! Seus malandrecos! Estavam a pensar noutra coisa, estavam, estavam. Mas não podia ser, né? Nem são 12, nem o 1º é pobre. Aliás, se fosse falar dessa malta, em duzentos e tal, onde é que eu encontrava um pobre? Viram? Eu estou a referir-me aos meses! Aos me-ses! É que o triste do mês de Janeiro é muita mal tratado nos ditados populares!! Não há direito! Eu, se fosse a ele, escrevia já uma carta ao PR a queixar-me. Caía em saco roto, mas escrevia. Ora vejam: "Bons dias em Janeiro enganam o homem em Fevereiro". Isto é coisa? Ainda bem que tem chovido muito mas, mesmo assim, admite-se que os poucos dias bons andem agora a enganar a malta? Ou pior: a enganar "o homem". Isto é discriminação! Quem me diz a mim que também não enganam a mulher? Vou mas é ter cuidado, que isto agora é um engano pegado. Mas há mais. "Calças brancas em Janeiro, sinal de pouco dinheiro". Francamente. Ainda não vi ninguemzinho com calça branca e vejo é pouco dinheiro! E se as calças encolhem na lavagem? Ó valha-me Deus. O melhor é não as ter. Pode ser que inventem outra, sei lá, calça verde em Janeiro, sinal de nota verde, por exemplo. Eu disse: por exemplo! Mau. E também quem é que se lembrou de dizer "Vinho verde em Janeiro é mortalha no telheiro", hein? Que sinistro! Até se me deu um aperto. Então ninguém pensou nas exportações, não? Na economia do país, não? Passa-se um mês inteiro sem mandar o dito lá para fora ou cá para dentro? E olhem que aquela das telhas tem que se lhe diga, para já nem falar da mortalha. Nem vou por aí que fico mal disposta e depois já não falo noutra afronta ao pobre do Janeiro. Querem ver? "Chuvas em Janeiro e não frio, vão dar riqueza ao estio". Estão a ver? É sempre o mesmo. O triste manda chuvas, coibe-se do frio e, pumba, quem ganha, quem ganha? O estio, o Verãozinho, ah, pois, é sempre isto. Até o triste do Janeiro entra na dança do "eu faço, e tu enriqueces". Que ignomínia! ( fica aqui bem, rima com "estás-a-vê-lo-por-um-canudo"). Mas há mais! "Em Janeiro, pega na escada e vai ao fumeiro". Pois, pois, é só mandar. Pega aqui, leva acolá, trabalha e...depois vou ao fumeiro? Para quê? Ver o fumo? Ai, tão lindo! Olha a fumarada! Eu não queria o fumo. Queria a "substância", olha quisto(outra vez. Cruzes). E também não me digam que "Da flor em Janeiro ninguém enche o celeiro", que eu começo-me a passar! Então gastei um dinheirão em flores para quê? Como é que eu encho o celeiro? Quer dizer, não tenho celeiro nenhum, mas tenho uma despensa grandita. Pronta a encher. Faço o quê? Caramba! O que vale é que, enfim, lá há um ditadozito que me anima um pouco. Um pouco! "Em Janeiro os dias têm um salto como um carneiro, quem bem souber contar, hora e meia lhe há-de achar". Ora viram? Já entusiasma mais uma pessoa. Está bem que aquela do carneiro era escusada, não gosto de carneirada. Mas ao menos, finalmente, acha-se qualquer coisinha! E até pode ser feito tipo aeróbica: salta, acha; salta, acha; salta, acha. Como andamos todos aos saltos todos os dias, ao menos uma recompensazita: toma lá hora e meia! Mesmo assim, vou mudar de mês. Este está-me a deixar perturbada e mole.
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