quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Ida aos mercados

Pronto. Só me faltava esta. Em má hora comprei o computador da Fedúncia, livra! Não basta ter ficado de lhe pagar um tanto por mês e ela todos os dias me atazanar o juízo - "Já só faltam 29 dias para a próxima", "Já só faltam 28", "Já só faltam 27" ( ai ca nerbios!!!) - e ainda tenho que a aturar todos os dias cá em casa para lhe ler os mails dela. Olhem que sina! Qualquer dia mando-a dar uma volta. O problema é que ela vai, mas volta. Enfim, seja tudo pelo amor da Santa. Qualquer uma serve.
Hoje então passei-me. Passei-me! Então não é que resolveu aparecer aí com o Agapito sem me avisar? Vai uma pessoa à porta toda descansadinha, chinelitos, roupãozito (tem um buraquito à frente, mas a Fedúncia também tem um com um buraco no mesmo sítio, copia tudo, aquela sarna, por isso nem fazia mal) e uma máscara de beleza nas fuças ( é iogurte com açucar, mas sempre dá um ar de descontração e de futilidade útil, não é?) e um caneco com café, que eu bem vejo a malta nos filmes americanos sempre com um caneco de café na mão porque não sabem o que fazer às mãos e eu também não, e, dizia eu, abre uma pessoa a porta da casa e dá de caras com um Agapito naqueles preparos! Acham bem? Pois é. O que vale é que esta cabeça é tipo pepe rápido e disse logo "Ai que corrente de ar, credo! Venho já abrir!". e pumba. Porta na cara. Literalmente, porque ainda ouvi a Fedúncia a dizer "Ai". Ai, disse eu. Foge! Tenho a impressão que nunca me aperaltei tão depressa! Ah, valente! E quando abri a porta depois de a fechar por causa da corrente de ar que não era corrente de ar mas podia ser porque estava uma ventania dos diabos, já estava uma lagarta apresentável, digna, segura (quer dizer, segura, segura não, pus uns sapatos tão altos que até se me fugia o chão!). "Então, amigos? O que vos trouxe por cá?". "Nada. Viemos a pé". disse a Fedúncia (sarna..). E o Agapito: "Dona Lagarta, queriamos perguntar-lhe se queria vir connosco aos mercados, sabe?". Ainda tive uns segundos de paragem de raciocínio...mas não gosto de fazer de burra. "Ai, sim? Ca linda ideia! E quais, quais? São longe? São...". A Fedúncia tinha que me interromper, até morria! "Não sabemos, prima, mas vamos descobrir! Estou tão excitada!". Eu dizia-lhe as excitações..mas enfim. "Então e porquê? O que é que lá estão a vender? Há saldos? Promoções? Talões? Prestações? Leve 3 e pague 2? Diga, diga!". Mas foi o Agapito que falou. Ainda bem. Pode ser que se afixe na blusa de flores. " Não, dona Lagarta. Não se vende nada! Vai-se lá buscar, é de borla! Pelo menos não ouvi dizer na televisão que tinha de se pagar alguma coisa. Não ouvi, não. Juro-lhe!". Mau. Borla? O homem disse "de borla"? Ouvi bem? De...borla?? "Ó senhor Agapito. Explique-se. Explique-se-se!". E ele: "Explicarei. Disseram na TV que o ministro das Finanças tinha posto dois mil milhões de euros nos mercados!! Hojinho mesmo! Dois mil milhões! Já viu?". "Ah pois não vi não. Às vezes nem dois euros, quanto mais! Mas isso é verdade? É mesmo verdade?". E a Fedúncia:" Ui, repetiram não sei quantas vezes, Até gravei e voltei a ouvir! Já viu? Se ele os lá pôs, gaita, é só saber quais são os mercados e vermos se ainda apanhamos algum! Já viu?". "Não vi, não. Mas vou ver! É para já! Mesmo que já não haja nenhum, fica com certeza lá o cheirinho a nota! E olhe que eu noto que já quase não sei o que é uma nota! Vamos, vamos! Vou só pôr um casaquito! Ou melhor, nem vou. já se me subiram uns calores!". E lá fomos aos mercados. Lisos, mas de cabeça erguida! Eu depois conto-vos.

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