Ainda estou para saber como é que caí nesta. A Fedúncia tem realmente grandes poderes de persuasão, sendo que um deles é, como vos tenho dito, os sequones que faz à 5ª feira para a tal reunião em que decidimos quem lava as escadas e leva o lixo na semana seguinte. Sempre dá para guardar alguns e congelá-los. A vida está cara, não é? Pois. Então vai daí que a Fedúncia lá me convenceu a comprar o computador dela (o do trabalho chegava-lhe bem porque havia pouco que fazer e mesmo que houvesse muito também não eram agora umas horitas a ver os mails que iam atrasar alguma coisa porque já toda a gente está habituada a que as coisas sejam feitas com calma. Bem diz o ditado "Não faças hoje o que podes guardar para amanhã". E os ditados existem para alguma coisa.) . Claro que lhe disse logo "Olhe que eu não tenho tuste. Não lhe posso pagar. Talvez lá para 2016, sei lá!". Mas ela foi manhosa, lembrou logo: "Ora essa! Então, paga-me com duodécimos, é facil, os 5 cêntimos que recebe a mais dá-mos a mim! Passa a ser uma PPP!". E eu: "Uma quê? Mau, mau. O que é que você...?". "Calma, só estou a dizer que passa a ser um Pagamento Previsivelmente Póstumo! Percebe? Você não lê jornais nem nada!". " Jornais? Leio as grandes na 1º página e imagino o resto. Ou não imagino. E prefiro não imaginar. Senão como é que eu dormia? Assim ainda durmo umas horitas, na dúvida do desfecho. É por capítulos, sabe? Uns dias fico logo irritada com o 1º episódio, noutros, sonho com um final que me agrade. Percebe agora? Raios! Sempre a explicar tudo!". " Pronto, pronto. Cada um é como é. Você é palerma mas é uma palerma que não é bem palerma. Ok. É pré-totalmente-palerma. E qualquer coisa que é "pré", não é "pós" e fartos de levar com pós nos olhos estamos nós. Faz bem. Bem. E então, aceita??". Tive de lhe dizer: "Mas ó Fedúncia, eu ainda nem sei se recebo a mais ou a menos!". E ela: "Não faz mal. Se fôr a menos aí paga-me com boa disposição, com umas anedotazitas, uns chistes,uns molhos picantes.. nessa altura bem preciso, senão não como, não durmo, não tomo café, nem nada. Assim a modos que até me distraio!". Deve estar doida, mas tudo bem. Deixa-me lá aproveitar. Assim nem maço mais a Lulu e ainda lhe posso atirar à cara as coisitas que me andam aqui a moer por dentro há que tempos. Por exemplo, que estou farta da vida dela. Da vida dela, sim, porque sei tudo o que ela faz lá em cima, desde que se levanta até que se deita. E até depois de se deitar! São barulhos que se tornaram familiares e odiosamente chatos comá potassa. "Está bem, traga lá o computador. Pronto. Trabalha a pilhas? É que não tenho nenhuma. Gastei-as todas ontem a ver televisão!". " Ó Lagarta. Psst. Acorda. Televisão não leva pilhas, dãã..!". " Eu sei, Fedúncia. Mas leva um boneco que eu tenho que fala. É muito giro. Está sempre a dizer "Estão mexendo no meu bolso. Estão mexendo no meu bolso!". Tem de comprar um. Assim escusa de ficar sem voz. E sem nós no estômago.". E a Fedúncia concluiu: " Dê-me o boneco, dê, dê, que eu ......o computador...até lho dou!!". Não percebi.
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