Há várias coisas que me incomodam ultimamente. Destas, para ser sincera, destaco três. Primeiro: para ser digno dum "Ah!!" ou de um "Ena pá!" ou de um "Bem dito!" é preciso dizer mal do governo. Segundo: para ter um "Ah"Ah" ou um "Ena pá, pá!" ou um "Muito bem dito", é preciso dizer mal do Pedro. Terceiro: para ouvir um "Ah!Ah!Ah!" ou um "Ena! Ena pá, pá!" ou um "Muito, mas muito bem dito!" é preciso dizer mal do Gaspar. Obrigada, mas não alinho. E o grande problema é que, se eu disser isto, sou de imediato ou rica, ou de direita, ou burra. Aí o comentário habitual "Pois, estás bem na vida, não é? Se estivesses a passar fome ou desempregada, já não falavas assim. Tens é o rei na barriga!". Não tenho. Mas tenho a noção da quantidade dos que têm realmente o "rei na barriga" e fingem que não, armando-se em estandartes de preocupação social. Em alarves seguidores dos comentários da moda e em moda. Cataventos que mudam com os temporais. O que não quer dizer que não mude as minhas opiniões, bem pelo contrário. Mudo. Muitas vezes. Tenho orgulho nisso. Mas o que me aflige é que se chegou perigosamente a um ponto em que parece já não se poder ter opinião própria, em que quase se tem medo de dizer "não". Cheira-me a "outros tempos" e estremeço. Liberdade de expressão, hoje? O tanas! Até porque a introdução que fiz já deve ter dado bronca. Não me digas que estes "gajos" não são uma m*, não me digas que o Pedro e o Gaspar não são uns f*da p*, não me digas que isto não está uma m*? Está! Repito: está!! São asneiras atrás de asneiras. Mas o que me irrita é não poder dizer ou falar no que não está uma m*. E sobretudo, irrito-me por não ter memória curta. O que quer dizer que vou continuar a divertir-me a assistir ao jogo no tabuleiro de xadrez. Só que neste, ninguém "come" ninguém. Só trocam de posição. Observem. Rei preto por Rei branco. Torre preta por Torre branca,.... e os peões lá andam. Sempre no mesmo sítio. Só se lembram deles quando precisam de ganhar o jogo.
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