quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Pró-crise

Entro já a matar que é por causa das coisas. Sou do Movimento Pró-crise. Não quero cá misturas com os que são contra a crise. E dirão vocês: "Estás maluca ou fazes-te?". Faço-me. Ah, pois. Que eu preciso de ganhar o meu ordenadito. E dirão vocês: "Mas estás maluca ou fazes-te?". Faço-me. Ou vocês já viram alguém ganhar alguma coisa em falar da crise? Não viram, pois não? Pois não. E então eu vou ser burra e falar da crise e não ganhar nada com isso, bem pelo contrário, ainda tenho de ouvir a Fedúncia a queixar-se e o Agapito a limpar os suores e a Escolástica a moer-me o juízo que vai passar a andar de autocarro porque o motorista é jeitoso e "pode ser que" e não sei quê? Na, não. Acabou-se. Em vez de dizer "Ai esta crise! Que horror!", passo a dizer "Ai esta crise! ka linda! Ka bem que a desenharam!" e tal. Vai ser uma maravilha. A Fedúncia vai julgar que estou doida e ainda me marca consulta no Centro e ainda a paga porque eu aceito que estou maluca e ainda trago um rol de remédios à borla porque vai ser ela que os avia e os paga enquanto eu vou indo para casa porque ela julga que eu estou maluca e eu aceito que estou maluca! Ena pá! Só benefícios! O Agapito vai ser pior. Julga-se sexy a limpar os suores e vai ser difícil para o pobre homem arranjar outra forma de encher o olho aqui da lagarta. Mas eu oriento-o. Pode sempre trazer-me um arrozito de feijão ou uns rebuçados ou fazer-me um cházinho enquanto descanso de estar maluca. Ou seja, não há nada como estar já maluca, assim não se fica maluco mais tarde. Já se está. Por exemplo, também ainda não percebi quanto é que vou ganhar no final do mês. Olho para a televisão e só vejo contas e "Se..". Ora eu não sou "Se". Eu sou eu, e de cada vez que olho para lá é uma chatice! Umas vezes ganho mais, noutras ganho menos!Agora já não tanto, que  já sei qual é o canal onde ganho mais e só vejo esse! Ah, pois. Aprendam aqui com a lagarta. De cêntimo a cêntimo enche a lagarta o papo. Não sei quando fica cheio, mas vou chocalhando, chocalhando e adoro o tilintar do papo. Faz-me lembrar dinheiro, não sei porquê, o que me dá uma grande alegria porque ao menos sei que ainda não perdi a memória. Sempre é menos um remédio, gaita! E a Escolástica que se cuide! Uma pessoa assim como eu pró-crise não se arranja todos os dias e o tal motorista vai ficar mais preso a mim do que a ela, ora toma, não há quem não goste de uma novidadezita na vida, não é? Então eu acho que já expliquei bem porque sou pró-crise. Sou mesmo uma lufada de ar fresco, não sou? Já sabia. Constipei-me de tal ordem que nem sei o que disse. Atchim! (santinha!).

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