Bem...quando eu, moi je, com estes olhinhos meus, vejo escrito por - pasme-se! - Pacheco Pereira que "a comunicação social, que entrou em comício durante o sábado, deu cobertura a estes números absurdos de manifestantes, que só servem para desprestigiar a inciativa", eu fico mais sossegada, porque ás vezes chego a pensar que sou eu que tenho a mania de ver para além do que me impingem. Claro que ele se refere à manifestação do 2 de Março e ao "absurdo" dos números que sairam cá para fora pela boca daqueles "jornalistas", bem como à sua atitude inqualificável, que me tinha deixado de cabelos em pé! E claro que tudo isto não tira importância nenhuma a essa manifestação, mas fragiliza-a. Concordo.
Mas há mais. Nessa mesma revista, sob o título "O que são 1,5 milhões", li um artigo que me deixou completamente de cara à banda. Sobretudo porque não tinha pensado nisso. 1,5 milhões de pessoas corresponde a um sétimo da população portuguesa. Como seria realmente possível que àquela hora um sétimo da população portuguesa tivesse saído à rua contra a troika? Nem pensei nisso. Comi o que me deram. Felizmente que ainda vai havendo quem questione as coisas, porque chegar-se à conclusão que em Lisboa, por exemplo, dificilmente o número de pessoas terá chegado às 100 mil, é obra!
Volto a repetir que não menosprezo essa manifestação. Claro que não. Mas tenho um sonho. Que um dia, nem que seja por um dia, as pessoas sejam honestas. Só têm a ganhar, podem crer.
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