Deixou de ter piada. Como está sempre a chover, qual é a piada de dizer "Vai ver se chove?". Nenhuma. Ora isto dificulta o trabalho duma triste que quer gozar com a língua de Camões. Quer dizer, gozar, não. Mas é que realmente há expressões de partir a rir. Ainda há pouco ouvi dizer "Vou rápido. Corto caminho e chego lá num instante". Pois. Corta caminho. Com quê? Uma tesourita? Não é um pagode? E quando queremos dizer que estão a falar mal de nós ou de alguém? "Olha que te estão a cortar na casaca!". Eu gosto é do pormenor da casaca. Não é casaco, é casaca. Mais fino. Ai, valha-te Deus, Afonso! Sempre tiveste a mania das grandezas! Mas só a mania, infelizmente! Porque logo a seguir dizes-me que "Não me posso dar ao luxo" de fazer ou ter qualquer coisa! Achas bem? Que não me posso dar ao luxo de nada, sei eu e sabe toda a gente. Escusavas é de nos obrigar a relembrar isso quase todos os dias. Não tens vergonha na cara! Não tens mesmo. Já viste? Vergonha na cara. Homessa! Então e podes ter vergonha aonde, hein? No rabo? Na cabeça? É tudo aos pingos, homem. Tu valha-me Deus. E já agora, que é isso de "dar a cara" quando queres dizer que não nos importamos que saibam que fomos nós? Que é isso? Agora sou eu que te digo: hoje em dia não se dá nada a ninguém. Óbiste? A cara! Olha que tu. Nem sequer o nariz! Até porque não podemos "meter o nariz" onde não somos chamados! Lembras? Ai, lembras? E podes-me dizer como é que eu meto o nariz numa coisa que nem sei qual é e ainda por cima para a qual não fui chamada? Não percebo bóia. Mesmo que me chamem, meto o nariz onde, onde, dizes-me?? Malandro, hein?
Olha: vai ver se chove.
Olha: vai ver se chove.
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