quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Eu acho que...outra vez

Há tempos disse aqui que o "Eu acho que.." era um desporto nacional. Continua a ser. Não se pagam impostos, não se pagam quotas, não se pagam taxas, é porreiro, basta praticar um pouco todos os dias. Eu não disse é que emagrecia. Ah pois não disse. Malandrice. É que, de facto, até engorda. A gente fica a modos que inchada, com um ego muita grande, muita grande, às vezes até tem dificuldade em entrar no carro ou sentar-se na cadeira do cinema. É certo que também passa depressa. Passa, pois. Basta alguém dizer que  aquele que disse "Eu acho que..." é um ranhoso mal encarado. Por isso eu também "Acho que...", mas o meu Acho que...é mais lindo, menos pagodeiro e foi muito pensado, muito mesmo. Ui, foi cá um pensamento!! Até doeu. Então:  Eu acho que devia ser proibido as pessoas andarem em compras de Natal de trombas. Já nem os elefantes têm trombas, só têm nariz, são muito espertos, ai são, são, porque não se querem arriscar a levar nas trombas, sim, porque hoje em dia é o que se ouve mais e eles deixaram de usar trombas. Estão congeladas. Não mudam para trombas maiores tão depressa. Por isso, nem as pessoas deviam andar de trombas. As pessoas deviam andar de cara alegre, sorriso arreganhado, até deviam segurar os cantos da boca às orelhas com um cordel, mesmo com dentes amarelos. Amarelo  é a cor da moda, logo, sorriso amarelo. "Ora põe lá um sorriso amarelo, pá!". Já tenho. Ando sempre com ele. E também acho que devia ser proibido gastar dinheiro em prendas, é uma chatice porque ficam embrulhadas, ninguém as vê. Ou então compravam-se e ficavam para nós, a vida está cara e escusavamos de ouvir " ai que giro!" e ser um "Ai que porcaria!", ao menos ouviamos um "Ai que giro!" mas era mesmo giro porque fomos nós que quisemos comprar aquilo e era o que faltava que a gente não gostasse daquilo que comprou para a gente. Era estranho. E a música de fundo também não devia ser de Natal, quais Jingle Bells nem meio Jingle Bells, devia ser " Chamó António!" porque assim a malta talvez comprasse menos, que a gente não sabe o que o António vai fazer e ainda ficamos mal da nossa vida. E também devia ser proibido o Pai Natal  chatear as criancinhas nos chopingues. Aliás eu acho que é inconstitucional e até perigoso, sabe-se lá donde veio, pode ser um espião vindo do frio para ver se a malta anda a comprar prendas. Então tirar fotos com ele nem pensar, só se fôr sem a barba para termos a certeza que não é alguma flausina estrangeira loura e de olhos azuis. Nã, não. Comigo não. E também deviam ser proibidos os enfeites. Ainda ontem o meu vizinho senhor Armandrino, mais conhecido por Rino pois segundo dizem tem um par de chifres na cabeça, não percebo porquê, nunca os vi, valha verdade, o senhor caiu-lhe uma bola de Natal em cima e até lhe estragou a popa de gel que tinha feito e ainda se estatelou no chão quando lhe pôs o pé em cima. Por isso, para quê os enfeites? Merry Christmas? Isso é English, não é nosso; para ser nosso devia-se pôr em todo o lado "Merry Austérity" . Assim a gente sabia a quantas anda, ora essa. E também  não devia haver à venda bolo-rei, devia ser bolo-podre, porque não estamos em monarquia nenhuma e porque precisamos de poupar, comprava-se já podre para o estômago se habituar. Quer dizer, às tantas até dava jeito um reizito. Sempre havia torneios e tudo e a gente podia deitar os cavaleiros ao chão e tudo. Era muita giro. Eu acho que era muuuuita giro. E saudável para a mente. Tumba, já levaste. Ihih, era giro. Eu acho que era giro.

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