Bem. Nós iamos os dois tão contentes, tão contentes que vocês nem imaginam! Ainda por cima quando eu e o Agapito saímos do prédio, Jesus!, foi uma festa. Tudo à porta, a bater palmas, a dizer"Força, comam pela gente! Afifem-lhe!" e com cartazes muito elaborados! " Comam antes predis!", "Coube de Bruxelas, viva!", " Acima a Truta!"!". Lindo! Tomem que não é só o Passos que tem cartazes, viram, viram?. Só não gostei de me pedirem para trazer uma garrafita de champanhe ou de tinto, mesmo que fosse aberta e também não gostei de terem dito para não palitar os dentes, que eu sei que ali ninguém palita dentes, ninguém tem buracos, só arranjam buracos para a malta e são muito altruístas porque eles não os querem. Eu também não ia agora palitar dentes, olha quessa, ali a comida deve ser tão fina e tão elegante que nem dá confiança a dente nenhum. Além disso, eu e o Agapito caprichámos na indumentária! Bem, o homem até conseguiu ficar apetitoso. De gravata e tudo. E meia branca branca como a neve! Vá lá que eu também não estava mal. Até pus uns brincos a dizer Merry Christmas. E pintei a boca. Ah pois pintei! Não que quando começar por lá nos cumprimentos toda a gente vai saber que está lá a Lagarta e não vão esquecer tão depressa porque o baton é à prova de àgua e custou um dinheirão porque disseram-me que só saía depois de beijocar praí umas cem pessoas! Tomem! E lá fomos no nosso táxi, quietinhos que eu sei lá, para não amarrotar nada e para eu não borrar a pintura. Foi uma viagem silenciosa mas com grande abundância de pensamentos! Alguns um bocadito tortos depois do senhor Euclídio nos relembrar que ainda deviamos a última viagem e que só nos levava agora porque queria dizer a toda a família que tinha levado uns clientes à Assembleia, para não lhe andarem sempre a azucrinar o juízo a dizer que só leva pategos sem dinheiro. Quer dizer...Bem, adiante. Lá chegámos. Foi uma chegada em beleza. Parámos e tudo. E a subida da escadaria? Nem vos conto! O fru fru do meu vestido por ali acima é inesquecível! Foi pena o Agapito espirrar a meio, ia caindo o pobre. Valeu-lhe segurar-se a mim. Só não percebo porque se segurou com tanta força mas isso é uma coisa para eu tirar a limpo depois. E agora...agora...pasmem, estamos à porta. E se é uma porta! Porta de Assembleia não é uma porta, é uma senhora porta! Vem aí alguém ter connosco. Apruma-te Lagarta! "Senhor Agapito, fale o senhor que é homem". " Pois se acha que sou, dona Lagarta, aí vai".
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