sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Portuguese nightmares- 34

É que não faço mesmo. Não faço, pronto. Onde é que já se viu alguém fazer uma coisa "por dá cá aquela palha?". Para já, não se tratam assim as pessoas por "tu" sem mais nem menos. Quanto muito devia dizer-se "por dê cá aquela palha". Não há cá confianças dum pé para a mão, ainda pode ser algum jornalista disfarçado a reportar (vem do inglês "to report", é mais fino) sobre a forma como a gente anda a viver este Natal e ainda vai dizer "Ah, ah, eu sabia! Palha! Palha ! Bem me cheirava a burros!". E eu não sou burra. "Olha, dá-me aí uns trocos, se faz favor!". "Não te vou dar uns trocos por dá cá aquela palha, não achas?". "Mas não me pediste palha nenhuma, quanto mais "aquela" palha. Ao menos especifica". Que isto de especificar torna as coisas mais transparentes, não é? Por isso, ou especificam ou não há nada para ninguém. E também não acho piada nenhuma quando me dizem "não te vou dar isso assim sem mais nem menos" porque também é muito vago. Sem mais o quê? O "nem menos", borrifo-me, já estou habituada. Tem sido um fartato de "menos" ultimamente- Aqui há uns tempos, o "menos" funcionava benzinho - dez menos dez igual a zero - e pronto,  mas agora tecnologiou-se, modernizou-se e passou a ser "dez menos dez igual a 00", é giro, é digital, parecem uns olhinhos, ou uns óculos a ver navios. O "Sem mais" também não é especificado. Se não há "mais" como é que se fica "sem mais", hein? Ou seja, não é transparente. E também não gosto que me digam "Não te vou agora dar isso do pé para a mão"! Era o que faltava! Ainda apanho algum fungo! E por outro lado, valha-me Deus, como é que alguém equilibra alguma coisa num pé e atira para a mão? Só no circo. Ainda se fosse de mão para mão, enfim, ainda podia ser, mas também talvez  seja um risco, que eu sei lá por onde andaram as mãos. Nem toda a gente é como Pilatos. Nem toda a gente lava as mãos antes de fazer uma trapalhada qualquer, podem estragar os anéis ou as unhas ou apanhar sarna. Embora haja cada vez mais as pessoas a assobiar pró ar e a dizer  "lavo daí as minhas mãos". Lavam do daí e do dali e do daqui. Lavam tudo. Menos as mãos. E andam por aí muitas mãos sujas. Ó se andam! De quem é a culpa, de quem é? Do Afonso. Claro.

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