terça-feira, 4 de junho de 2013

A fama em 3D

É giríssimo como se consegue fama hoje em dia. Giríssimo e facílimo. Basta seguir um de três passos simples. O primeiro é dizer mal do governo. À bruta ou a puxar ao sentimento. À bruta dá muito resultado, sobretudo se for para dizer mal do Gaspar. Ou se fazem umas montagens giras, a puxar ao máximo o ridículo - tipo ao colinho da Merkle a mamar, ou a fazer cócó e a limpar-se num papel com a cara do Zé Povinho - ou põe-se o tipo a dizer baboseiras e palavrões, ou contam-se anedotas ou piadas secas...bem, é tiro e queda. Ele é por mail, ele é facebook, ele é jornais, revistas, programas radiofónicos...parece uma gripe das aves. A malta farta-se de rir e intimamente - eu pelo menos às vezes penso - pensamos "Toma lá que já levaste!" ( no mínimo..). Até há pouco tempo era o Relvas. Era Relvas por tudo quanto é sítio, mas infelizmente o homem foi-se embora, há que malhar noutro. Este até que é um bom substituto, confesso, bastava compará-lo com o meu querido Mr Bean para dar logo pica.
Mas, dizia eu, uma das formas de ter sucesso fácil é dizer mal do governo. Dizer mal, ponto. Quanto pior, melhor. Até me faz lembrar o triste do Pacheco que utiliza a palavra "governo" ou "o governo" pelo menos umas 50 vezes de cada vez que fala. Mas, portanto, qualquer pessoa que queira hoje em dia ter direito a um "Ena pá, viste o que o tipo escreveu, disse, leu sobre tal e tal? Ena pá, valente, hein?" ou se quiser ser famosa, notada, apreciada, falada, comentada, citada, levada ao colo, é só dizer mal do governo. É um must. È giro, é actual, é politicamente correcto e símbolo de mente sadia, bem pensante, solidária, muuuuuiiiiiiiiiiiiito preocupada socialmente, sobretudo com os velhinhos e as crianças.
O segundo passo para a fama é desrespeitar qualquer coisa, qualquer pessoa, qualquer instituição. Mas tem de ser aos berros, se for em local público. Pode ser em pé ou sentado, mas tem de ser sempre duma falta tão grande de educação que provoque imediatamente a reacção de lhe darem uma palmadinha nas costas "Força, pá, é assim mesmo! Ah, valente, sem papas na língua. Ganda cena, meu!". É que a pessoa não é mal educada...é transparente ou, melhor um pouco, é frontal.
 Se for por escrito, tem de forçosamente dizer palavrões, se possível a "bold" para se ver bem, e metendo lá umas coisitas relacionadas com sexo. Ui, aí então, é tiro e queda mesmo. Quanto mais picante melhor, porque parece mal chamar a atenção e realmente ninguém chama para não ser tido por cota ou parvalhão que tem a mania ou "mal resolvido nessas questões". Então a malta acha muito giro e mostra por baixo da mesa o mail ou a foto ou o texto ou o filme,  meio envergonhada mas tremendo de riso e de gozo.  
E finalmente (por hoje..) há outra forma de obter fama rápida. É entrar num show qualquer com as mamas quase de fora, ou o rabo quase todo ao léu e dizer que a maldade e a pouca vergonha está é na mente das pessoas, que são umas maldosas, rais as partam. Salta logo para a ribalta. Tem direito a títulos, subtítulos, facebooks, rabobooks, tudo.
 
Agora.......... a forma como estes "requisitos" se fazem notar nas redes sociais.....bem, é de gritos. Fica para depois. Garanto-vos que é um tratado.

Sem comentários: