quarta-feira, 5 de junho de 2013

Ou entra mosca ou sai asneira

Tenho de confessar que estou a ficar mal educada. Mal educada mesmo. Aqui há poucos anos apenas as palavras "gaita" e bolas" faziam parte do meu vocabulário de mal educadice. E até eram ditas apenas em momentos de extrema ansiedade ou arrelia ou desaforo. Agora não. Entraram no meu vocabulário várias palavras impróprias para consumo doméstico. Uma delas é "m**a. Não há dia nenhum que não diga "mas que grande m***a" ou " olha, vai mas é à m***a". Ora isto é chato. Para já tenho de estar sempre com um mata moscas na mão porque como diz o ditado popular "ou entra mosca ou sai asneira". Ora eu prefiro que entre mosca, não quer dizer que goste de comer moscas mas não tenho outro remédio se não quero que me saia asneira.
Mas o problema, o grande problema mesmo, é que por enquanto há poucas moscas, só lá mais para o verão é que há mais moscas, o que leva a que eu diga mais asneiras do que coma moscas. E outro problema ainda, grave, gravíssimo, é que vimos do inverno - primavera viste-la, logo por azar - e portanto habituei-me à falta de moscas. Logo, aprendi a dizer cada vez mais asneiras. O problema começou a ser tão grave que cheguei a pensar em encomendar moscas cá para casa. Caramba, se andam prali moscas no computador e ratos e aranhas e sei lá mais o quê ( ainda por cima com direito a prémio se se acertar nos ditos bichos), achei que poderia encomendar algumas. O lógico seria ir ao Zoo, pensei eu, deve haver por lá muita mosca e não se devem importar de me venderem algumas. Mas enganei-me. Não havia moscas disponíveis para venda, todas já tinham dono. E aí começou a minha desgraça. Não havendo mosca...começou-me a sair asneira. E foi logo lá no Zoo, claro. Como me mandaram para um sítio que não quero confessar, comecei logo ali a dizer " Mas que grande m***a, já nem moscas se arranjam neste país de m***a". Estão a ver? foram logo duas vezes numa só frase. Ora uma pessoa que é pessoa e não é bicho - é o caso - ganha hábitos num instante. Vai daí e apesar de ter feito um grande esforço para não me irritar, vim-me embora de mata moscas na mão e um olho negro porque houve lá um palerma que não gosto que eu o mandasse à m***a, não sei porquê, nem percebeu que até estava a olhar pelos interesses dele, menos moscas menos asneiras, logo, melhor atendimento ao publico.
Seja como for, desde então, e já lá vão uns tempos, que toda a gente me pergunta "Tu estás mal educada, não estás?", o que me chateia porque estão a dizer que os meus pais me educaram mal, ora eu não fui mal educada, eu tornei-me mal educada. Não é a mesma coisa. Podiam perguntar "Tu ficaste mal educada, não ficaste?" e aí eu já podia dizer "Fiquei, porquê?". este "porquê" traz água no bico, claro, que eu não sou burra, na não. O que eu quero é que me dêm um pretexto para dizer uns impropériozitos, porque me sinto tão, mas tão aliviada quando digo " vai à m***a que nem queiram saber. Ponho-me em frente à TV a ver os telejornais e tenho poupado imenso dinheiro em psicólogos ou psiquiatras, garanto-vos. É só zappingar de um canal para outro e dizer a cada 5 segundos "olha, vai à m***". É óptimo, até porque se aplica a quase toda a malta que por ali pulula no falatório. Ultimamente até me tenho esquecido do mata moscas e deixo sair a asneira ou finjo que não acertei na mosca ( tenho uma guardada num frasquito, que isto até para as moscas está mal, é tanta porcaria que as tristes nem sabem para onde se virar e andam sempre a despedir-se, ou a pedir aumento de cláusulas de contrato, credo, é um horror!) e sai-me asneira. Tenho outras para alem de m***a, mas esta, apesar de tudo, encaixa em qualquer circunstância que nem ginjas.
E agora, se quiserem, podem-me mandar a mim que eu não me importo. É que nem preciso de emigrar.

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