quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Portuguese nightmares-8

Uma expressão que demonstra bem a capacidade visionária - de vidente, mesmo, a Maya que se cuide -  do nosso português é:  "É pá, o tipo está cheio de massa!". Inventada há séculos, previa já a situação actual do tuga! Vejam: estar cheio de massa, hoje, é estar cheio de esparguete à mesa. Não tem mais nada, mas tem esparguete ( com "r" porque é um esparguete muito maior do que o italiano!). Não chega, não? Com imaginação, até cheira a tomate, a Mozarela, a azeite, a oregãos! Porque depois há os que estão "cheios de  pasta". Ah, esses, são diferentes. Esses têm massa italiana mesmo italiana e pasta de dentes.  Não confundamos as coisas. E nada de misturas com a expressão "está cheio de dinheiro". Porque está mesmo. E tem direito a esparguete, massa italiana e pasta de dentes. Adiante.
Outra expressão visionária, mas de "visão + sufixo "ionária" mesmo, é "Tens um coração de ouro!". Passo a explicar: há muita roubalheira por aí, certo? Não se pode confiar nos bancos, certo? Temos de fazer poupanças, certo? E o ouro é uma poupança, certo? Então qual a solução proposta pelos nossos antepassados? A cirurgia. Qual é o espanto? A cirurgia, sim. É muito fácil. Tira-se o coração batente, substitui-se por um de ouro, fecha-se e já está! Até nisso eles foram visionários! Quem é que pode taxar um coração de ouro? Quem é que sabe que a gente o tem? Hã? É-se obrigado a declarar um coração de ouro? É inconstitucional, por acaso? Ainda por cima pode-se ir acrescentando umas arteriazitas sem ser preciso offshores!
O único problema, que não previram, foi a lista de espera para as cirurgias. É um abre e fecha que eu sei lá!

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