terça-feira, 18 de setembro de 2012

Portuguese nightmares-7

-"Então, como vai isso? Tudo a andar?".
- "Tudo".
Já nem me lembrava desta. Ouvi-a hoje outra vez. É gira. Tão gira como a resposta. Sim, porque podia estar só uma coisa a andar, mas não, está tudo. Aliás, quem é que se atreve a parar e a dizer que não? Embora já tenha ouvido dizer "Nem por isso", o que é bem pior, porque uma coisa anda ou não anda e se não anda, engonha. Mas enfim, o melhor é não dar conversa. Até porque há sempre os chamados profissionais da desgraça, aqueles que estão sempre a ver se alguém lhes diz que não, que as coisas não correm bem e aí lá vem a pergunta "Ai sim? Coitado! Então porquê?" . E segue-se uma resma de explicações deprimidas, sombrias, amarfanhantes, que vão dar muito jeito à noite para calar a boca de alguém que se queixe lá em casa, tipo, "Está mas é caladinho que o fulano tal, coitado, está bem pior.Queres saber o que me contou, queres?".
Mas já que estamos a falar de "andar", outra expressão muito fixe é "Tu para mim vens de carrinho". Ora toma! Pode até ser um Smart que é caro para burro, mas é pequeno, é um carrinho. Ou seja, a gente só mete medo ou respeito se fôr num carro grande. E o que é um carro grande ? É um carro grande. Por isso, deixa-me cá ir medir o meu, porque se me disserem o mesmo, pego logo na fita métrica e só depois de medir o do outro é que vejo se respondo.
E mais ou menos na mesma "onda", aí vai outra preciosidade. "Tu tens é o rei na barriga!". Bem, com franqueza! Para já o D. Duarte não é cosmetível e, mesmo que fosse, ainda não é rei. Segundo, para o meter na barriga teria de o enfiar por algum lado e não tenho nenhum orifício onde ele caiba. E porque é que não há-de ser a rainha, já agora? Que língua machista, livra!
Agora vejam - como já disse anteriormente - o que é que um pobre dum fulano que visita o nosso país vai dizer! Quer logo vir para cá e trazer a família! Aqui temos tudo a andar e até comemos reis. O pior é o carrinho, mas não chove lá dentro, ou chove?

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