sábado, 29 de setembro de 2012

Coisa de lagarta "velha"

Bem, rabugenta já eu sou de nome. E rabugenta, porque cada vez mais não aceito ir na onda, ir em modas, comer e calar. Mas, para além disso, parece-me que estou também a ficar cada vez mais sem paciência para certas coisas e certos comportamentos. Por exemplo: vi a "melhor fotografia" da manifestação de sábado passado. Não me estou a referir à da rapariga com o polícia. Estou a referir-me à de uma criança empunhando um cartaz que dizia:" Não faças do meu pai um ladrão como tu, que ele vai para a cadeia e tu não". De imediato sorri. Confesso que achei piada, sobretudo por o cartaz estar nas mãos de uma criança. Mas depois...disse cá para comigo: ka raio, acho piada porque está nas mãos de uma criança porquê? Porque ela escreveu aquilo? Não. Porque ela sabe o que está ali escrito? Não. Porque ela é o símbolo dum futuro negro e porque um adulto - o pai possivelmente - lhe colocou o cartaz na mão para mostrar que se preocupa com esse mesmo futuro? Bem, aí é que já não acho graça nenhuma, mesmo. Bem pelo contrário. Eu estou-me nas tintas que "o não faças do meu pai ladrão" se refira ao Primeiro Ministro ou ao catuntas mais velho. O que eu considero preocupante é que aquela criança se habitue a desrespeitar para alertar, se habitue ao à vontade de ser insolente, se habitue a participar pelo insulto. É um passinho até julgar que pode chegar à escola e chamar "estúpido" ao professor (é real) ou "burra" à mãe (também já ouvi), ou "tolo" ao pai (é frequente) ou dizer a um funcionário "não me chateie"(to say the least) ou andar num balouço para 3 anos e já ter treze, estragá-lo todo e borrifar-se para isso, ou abrir as embalagens de cereais todas até encontrar o tal boneco,  etc, etc. Será que esta é a melhor forma de preparar crianças para o futuro, mesmo sendo negro?? E vejam ainda. "que ele vai para a cadeia e tu não". Ou seja, o chato de roubar é que uns vão para a cadeia e outros não. Ele vai e o outro não.
Não estou a fingir que não sei do que o cartaz fala e não estou a "armar-me aos cágados". Estou a reflectir. Sobretudo sobre o que não quero que os meus netos sejam "amanhã". Quero que sejam cidadãos activos, participantes, esclarecidos, inconformistas, argumentativos, exigentes, duros, mas..............respeitadores e  educados.
Isto dos valores deve ser coisa de "velhos".

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