"Este bife está muito duro, não achas?"
"Não, por acaso não acho".
E esta, hein? Dizemos coisas destas constantemente e nunca nos apercebemos - eu, pelo menos, não - de que é um bocadito esquisito. O quê? O dizer "não achas?", "acho". Então....mas eu não perdi nada, como é que posso achar alguma coisa? Um triste dum fulano ou fulana em trânsito pelo nosso país deve ficar um bocado baralhado. Ou pergunta logo pelo vocábulo e fica esclarecido quando lhe dizem que quer dizer "não concordas?"(por exemplo) ou vai ao dicionário de bolso e quando vir a tradução (encontrar) anda de certeza à procura do bife ou de outra coisa qualquer, caladinho que nem um rato, para não dar parte fraca. O pior é quando ouve dizer "acho", porque o triste não viu aparecer nada por magia, nem vê nada à frente do nariz que não estivesse lá antes. Isto não se faz.
O mesmo acontece quando ouve "sai já daí para fora!". Então havia de sair dali para dentro? Era bonito, era. E o "pôe-te no olho da rua?". Bem, essa é de mais. Então a rua tem olho? Lá na terra dele não! Mas aí até é bom para nós, porque ainda vai para lá dizer que estamos tão avançados, tão evoluídos, que até temos olhos na rua. Ao menos isso. Qualquer coisita a mais é bom. Até porque também temos cadeiras com costas, braços e pernas. E temos "paredes com ouvidos". E temos "garrafas com gargalos". E temos "unhas de fome". E "pés de barro". E metemos "o nariz onde náo é chamado" . E apanham-nos com a "boca na botija"ou com" a boca no trombone" (francamente!). E temos "dentes de alho". E línguas de sogra (hum..). E maçãs do rosto" . E aquele é "burro que nem uma porta" e tem "pés de chumbo" a dançar( irra!). E estamos constantemente com a "cabeça na lua"( olha se fosse Marte!). E usamos "rabo de cavalo" e pomos "as unhas de fora"(??) quando "perdemos a cabeça" (Ó valha-me Deus!).
Mas o pior está para vir. E a esta nenhum vacaciones resiste. Já imaginam o que é dizer : "vou fugir a sete pés"??? É que vão logo, logo embora. Livra!
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