Hoje deu-me cá uns fernicoques quando acordei que nem queiram saber. E já estou calma! Agora imaginem se fosse ontem! Ainda bem que já roí as unhas até ao sabugo, rasguei uns papéis, atirei com pratos e panelas barulhentamente para dentro dos armários, repeti baixinho, vezes sem conta, asneiras inconfessáveis, lavei os dentes até estragar a escova, deitei-me a ranger os dentes e contei para aí umas mil e dez ovelhas até dormir para aliviar a massa cinzenta. Sim, porque a tenho. E isso é que me chateou. Detesto que façam de mim parva. Até posso ser, mas pronto, a gente não gosta que nos tratem como se fossemos, não é? Eu, pelo menos, fico piurça. Aparecer-me ali no ecrã um sujeito vestido de padre como comentador político, é demais. O homem misturava o FCP(fê, quê, pê) com pobres, falava da Simone de Beauvoir como quem fala de bacalhau à Brás (deve ter sido a última coisa que leu na net; chegou tarde), e outra vez pobres e Igreja e pobres e governo e partidos e fome e futebol e Beauvoires e almoços e governo e pobres....Ouça: eu sei o que lá foi fazer. Não sou parva. E sei porque o lá levaram. Não sou parva. Mas, para a próxima, importa-se de ir vestido como os vendilhões do Templo? Obrigada.
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