Lá venho eu outra vez. Não resisto. O que é que querem? A culpa é da nossa língua! Ao menos o tio Afonso fez alguma coisa de jeito, já agora. "Fogo! Também não há mais nada?". Ora aí está, viram? Quantas vezes ouvem "Fogo! Estás tola ou quê?". É muito vulgar o Fogo entrar em um qualquer diálogo mais" jovencito", menos avançado na idade. É ou não é? É como o "bué". E eu pergunto-me bué de vezes donde isto veio. Ouviram em casa? Na escola? Nos Big Brothers ou faz parte do novo acordo ortográfico? Se calhar era "Folgo", mas como agora há menos folgas, não se lia o "l" e passou a "fogo". Será? Ainda não consegui uma resposta e isso tem-me consumido. Consumido, mesmo. Assim, como hei-de dizer? Consumido, pronto. Será que é porque andamos há anos a apagar fogos? Será que veio da vontade de muitas vezes mandar tudo dar uma volta (Fogo!) e começar de novo? Será que tem a ver com a necessidade de distrair a malta, tipo "olhó fogo! enquanto só se fazem asneiras ou nos vão ao bolso? Não sei. É um mistério. Um dia destes pergunto directamente a quem disser "Fogo", embora receie que logo a seguir diga eu Fogo! e me ponha a andar! Cheira-me.
Mas não fico por aqui! Então e a água?! Ora essa! A água, pois. "Estás a fazer uma tempestade num copo de água!". Ah, viram? E até é bem importante! Quantas línguas se podem gabar de ter tempestades num copito de água? Ele é furacões- se mexerem a água com uma colher; ele é ondas altíssimas- se meterem o dedo para provar; ele é relâmpagos - se de repente o deixarem cair... estão a ver? E mais. Nós nem precisamos da mãe natureza para nada! Somos nós que fazemos as tempestades. Ah, pois é!
Julgavam que tinha acabado? Não senhor. Ainda faltam dois: a Terra e o Ar. A nossa língua não se fica por metades. "Nós temos os pés bem assentes na terra e somos muito simples, muito terra à terra". Certo? Também não sei onde raio queriam que tivessemos os pés bem assentes, mas tudo bem, concordo, podia ser em água e aí já tinhamos ido ao fundo e assim não vamos e sempre é um alentozito nos dias que correm. Agora "terra à terra" soa-me um bocado a Star Wars, deve ser um estrangeirismo. Até porque senão não andavamos tantas vezes "com a cabeça no ar" ou "na lua". Sim, porque agarrada ao pescoço é coisa vulgar, todo o mundo tem. É muito mais "posh", mais "in", mais "tia"(ou tio) responder à pergunta "Onde é que tinhas a cabeça?"com "Olha, estava com a cabeça na lua!". Não é para todos ou é? Tinhamos que ter algo de diferente! Ah, ganda Afonso!
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