sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Portuguese nightmares mesmo-26

Quem me chamou a atenção foi a Fedúncia. Quer dizer, foi antes a falta da Fedúncia ( a minha prima sarna, lembram-se?). Ela costuma-me ligar logo pela manhã, bem cedo, rais a partam, porque me apanha quase sempre no banho ou a vestir-me e faz-me apanhar um frio do caraças porque tenho de atender logo o telefone senão chama logo a polícia como da outra vez que tive de atender um senhor muito simpático de toalha enrolada e e cabelo a pingar porque ele queria mesmo ver se eu estava bem e viva e tive de abrir a porta e tive de lhe dizer que sim, que estava viva que podia ir sossegado embora me apetecesse era ir-lhe às trombas quando soube que tinha vindo a pedido da Fedúncia que lhe disse que eu devia estar no banho e fosse ver e tréu, tréu, que me podia ter dado um treco. Mas não deu. Apanhei foi uma grande constipação! Mesmo assim, prefiro levar o telefone para debaixo do chuveiro ou atá-lo à cintura enquanto me visto porque se não é a polícia é ela e é bem pior, passa-me ali um tempão a explicar que isto não se faz, que devo atender logo, que uma pessoa fica preocupada, e eu "Ó prima, deixe lá, avance, avance!", mas nada. Sendo assim, como hoje ela não me ligou, eu estranhei. Uma estranhesa meia satisfeita, mas estranhesa. Que a Fedúncia não é de esquecimentos. "Mau", pensei eu. "Mau, mau", pensei outra vez eu. O melhor será eu ligar. Ainda me aparece no café meia esbafurida ou se não aparece, então aí é que o dia me vai correr mal. Dia sem Fedúncia não é dia. É dia, mas não é um dia. É como o cigarro: mata, mas sabe bem. Vai daí, lá fui eu bater-lhe à porta. Só me faltava esta! E não é que a parvalhona não queria abrir? "Ó prima, está tudo bem, pode seguir!", gritava ela atrás do ralo. "Não, não sigo, abra a porta, que diabo!", dizia eu. E ali estivemos no abra e não abro algum tempito até que perguntei "E porque não abre?". E diz ela: "A prima já não se está a armar?". "A quê, prima?". " A armar!". "EU?", perguntei eu com um EU muito muito longo. "Eeeuuu?". "Sim, a prima ontem disse que se estava a armar quando falou no perú e eu fiquei com medo, sabe? Palavreado é uma coisa, aqgora armas, ah isso não, né?". E disse-lhe eu: "Você está maluca ou quê? e disse ainda "Quais armas quais carapuça, mulher! Você tem miolo? Então não vê que eu me estava a gabar do meu perú estufado com feijão ser melhor do que o daquela palerma da vizinha Escolástica só para a chatear? É burra, apre!". "Ah, então quando me disse que se estava a armar para ela queria dizer  que se estava a armar mas não era com armas? Era armar de armar.Ah". E abriu a porta. "Ai, prima, que susto!", disse ela. E disse-lhe eu: " Você acha que eu tenho dinheiro para comprar armas? Nem para comprar pasta de dentes que ando aqui moidinha que não me posso chegar às pessoas!".  "Ah, prontos, já cá não está a Fedúncia que falou". E lá fomos as duas embora rua abaixo, ela toda contente pelas armas que não eram armas e eu toda contente por hoje não ter tido nem polícia nem telefonadela de manhã.

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