O grande problema com a vinda da senhora Merquele vai ser a comida ao almoço. Ai vai, vai. Eu soube de fonte fidedigna, ou seja, o cozinheiro, que coitado ainda pediu baixa para esse dia alegando dores nos rins e palpitações e uma grande infecção urinária mas não lha deram porque já devia ter pedido antes e agora já não tinham mais ninguém porque já todos estavam de baixa e só tinham auxiliares de limpeza que não iam servir para nada porque ninguém ia emporcalhar nada porque não havia ninguém para cozinhar ou pelo menos empratar nem que fosse um hamburguer mas não iam agora servir um hamburguer porque era chato ainda podiam confundir com alguma cidade alemã e dizerem que estavam a gozar e arranjar para aí algum incidente diplomático o que era chato já bastam os incidentes que incidem nas questões referentes ao tlim-tlim. Adiante. O homem vai mesmo ter de cozinhar. Então não é que o triste se lembrou de fazer feijoada? Ui! Tem havido para lá discussões que nem queiram saber! Até a Joana Pamplona, a minha prima que anda lá pelos corredores a limpar vidros só para ver se consegue ouvir alguma coisa para vender aos jornais que a reforma dela são cinco euros e nem pró tabaco dá , não teve dificuldade nenhuma em pôr-se a par dos acontecimentos porque ouviam-se bem os berros e até ia levando com um tacho em cima que ninguém lhe mandou espreitar na porta dos acontecimentos. E porquê tanta algazarra, perguntarão vocês? Feijoada é bem bom e é bem português! Ah pois é! O problema é que a senhora almoça e não vai logo embora para donde veio. Não. Ainda cá fica umas horitas depois disso. Agora vocês estão a ver: a feijoada provoca certas...certas coisas sonoras um pouco embaraçosas, às vezes até acompanhadas de certa outra coisa que pode muito bem ser difícil de suportar e ,com a crise, nem sequer há dinheiro para molas pró nariz ou ambientador pró ar. Está tudo caro. A única hipótese é arranjar uns leques e também pôr uma musica de fundo, para ver se a coisa passa despercebida. Parece simples, mas não é! Então e os outros? Também comeram feijoada, bolas! Já viram o concerto? E não há ambientador que chegue! Por outro lado, tudo isto pode ser mal interpretado. Ah, não pensaram nisso, não é? Andam distraídos, pois pois...E se ela interpreta isto - sim, que ela é uma grande interpretadora, daquelas mesmo interpretadoras, doras - se pensa que isto acontece todos os dias no nosso país? Porquê, perguntem-me, qual é o mal? è que vai pensar que afinal a malta ainda tem que comer, também não está assim tão mal. Queriam o quê? Arrotar a postas de pescada? Isso é lá pró norte, aqui não há mar nem rios nem praias! E tem de se proteger a agricultura, no feijão e nos pepinos e nas maçãs e na carne de porco é que está o futuro. As vacas que foram gordas, olhem, morreram todas de enfarte do memorandocárdio! ainda não há antídoto. Só bofatadas, mas nem isso as reanimou.
Portanto, vocês preparem-se. Se virem tudo a falar muito alto e a coçar desmesuradamente o nariz, já sabem que a feijoada se manteve no menu. Tenho a impressão que a visita vai demorar menos.
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