Bem...eu nem sei como é que isto ainda não deu batatada da grossa. Não sei não. Tem sido uma sorte! Daquelas sortes que são mesmo sortes, não são cunhas como a que meti há pouco para pagar o café a sessenta cêntimos porque o café era a sessenta cêntimos e eu só tinha sessenta cêntimos e lá consegui com jeitinho que me deixassem pagar só sessenta cêntimos senão estava lixada e tinha de pedir só meia chávena e depois não perdia sono nemhum; nem são falcatruas como as que se fazem para aí e que depois dizem não sei quê, é legal, é normal, não vale a pena a gente chatear-se por tão pouco. Não, não é dessas sortes. É assim: então uma pessoa chega ao café e diz "Queria um queque, se faz favor!" e não leva troco? Quer dizer, não é troco troco, carcanhol, tlim-tlim, é antes uma resposta torta ou um revirar de olhos ou um "enfim, esta tem a mania" ou "Um queque? Não temos. Só temos saloios. Quer?". Olhem que realmente! O outro dia até a minha amiga Fedúncia que estava comigo no café quando pedi um queque se virou para mim com ar apalermado (não admira, ela já é palerma desde pequena) e me questionou, vejam só, me questionou sobre a necessidade de pedir um queque, que não via a diferença, nem no sabor nem na forma nem no trato. "Lá estás tu", disse eu, " E estou", disse ela. "Olha vê lá a grande coisa", disse eu. "E vejo" disse ela. E aí, para além de me vir outra vez com o palavreado do costume, que a minha Mãe não me educou assim, que não era nada dada a queques, só gente fina desmanienta, etc,etc, aí é que ela concluiu com algo que até se me fez parar a digestão do café que o bolo ainda o estava a meter na boca e até deitei logo fora e sujei a mesa toda e mais uns senhores que iam a passar já para não falar do bocado que entrou para o olho da minha amiga Fedúncia que até lhe arrancou as pestanas postiças que ainda ontem tinha comprado na feira com desconto! Então não é que me perguntou "Já viste se um estrangeiro qualquer se engana e pede o queque no feminino, que eu nem te digo qual é que até se me coram as faces??". Bem. Aí, sim, aí dei algum valor à Fedúncia. Ela afinal pensa. E diz coisas acertadas. Passa a ser uma grande Fedúncia. E eu nunca mais peço um queque, livra! Pastel de nata é mais seguro. Não há cá pastela de nato, nem coisa que o valha. É aquilo e pronto. Que grande mulher, eu sempre disse que ela ia longe. Também assim tão longe.....não, pode ser só até Sete Rios.
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