Não. O Agapito fica para depois. Hoje venho falar de partes baixas. Daquela que a gente tem ao fundo das costas. Estão a ver? Nem consigo articular o nome senão os meus vizinhos cá do prédio que são uns manientos do caraças deixam logo de me falar. Não é que isso me importe, o que me chateia é depois não poder pedir um bocadito de açúcar aqui, uma pernita de frango acolá, um golito de café que depois devolvo, uma chouricita, enfim, coisas sem importância mas cruciais prá minha bolsa que está cada vez mais leve, rais a partam. Vinha isto a propósito de quê? Ah, da parte baixa. É que ontem perguntei ao taxista mais conceituado aqui da rua onde ficava a Assembleia, se ficaria muito caro levar-me lá, sim que não vamos agora aparecer lá no meu carro - nem podiamos porque o outro dia deu um estoiro e ainda não percebi donde veio e tem estado parado numa rotunda que tem sido uma confusão do caramba - nem vamos no do Agapito porque apesar de só ter vinte anos e estar como novo, tem um terço pendurado à frente juntamente com o emblema do Sporting(isso era o menos) e um cão de peluxe atrás que até mexe a cabeça e ladra e uma manta da qual desconfio muito porque é onde costuma andar o cão dele, o Pio, e quando pára dá um estoiro que se ouve do lado de lá do rio e sai fumo por todos os lados que até parece um foguetão e provoca sempre o caos onde quer que eu vá com ele. Antes que julguem que vamos para alguma coisa que não apenas mamar um luxemenu, não vou naquela gaita. Táxi é o melhor, nem que se pague a viagem a prestações. E vai daí, o senhor Cusco, o taxista, disse-me: "Ui, isso fica lá para o cú de Judas!". "Para onde, senhor Cusco?" (quis confirmar aquela do cú, que nem sou da família dele nem nada). E ele: "Para o cú de Judas, dona Lagarta. Vai-se endividar, ai vai, vai!". E vou. Vou é endividar-me por ter de lhe pagar o hospital onde vai parar com uma murraça no olho que aquilo não se diz a uma senhora quanto mais a uma Lagarta com pedigri. Sem tuste, mas orgulhosamente pedigrada. "Olhe lá, ó seu Cusco, mas já chegámos à Madeira ou quê? Isso é coisa que se diga?". "Ó dona Lagarta, não é preciso irmos à Madeira para ir ao cú de Judas! Eu...". "Ó sua besta, você não me tire do sério! Que é isso do cú e de Judas e o caraças? Que intimidades são essas? Olhe que eu vou-lhe à cara, ai vou, vou!". " Dona Lagarta, acalme-se. Eu estou só a empregar uma expressão popular para dizer que é longe, diz-se no cú de Judas!". "E você a dar-lhe! Pode ser popular mas então eu sou impopular, ouviu?". E disse ele: "Ouvi, sim. Já cá não está quem falou. Onde disse que disse aquilo, digo que não disse. Disse é longe e pronto!". Bem, acalmei-me. eu preciso do Cusco, preciso das prestações, até porque já lhe devo uma porrada delas. E, pensando bem, que culpa tem o Cusco da tal expressão popular? Não tem.
1 comentário:
Girissimo!
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