Ó valha-me Deus! Então não é que andei toda a vida a ser enganada e nem me tinha apercebido? Mas enganada mesmo, não é só meio enganada. Não é como quem entra numa loja que tem na montra "Tudo a 50%" e depois chega à caixa com uma carrada de coisas na mão e de alma cheia e lhe dizem uma soma exorbitante e pergunta porquê baixinho para que a palerma que está atrás e que lhe gamou a camisola tamanho S que não havia mais nenhuma, não ouvir, e lhe dizem que é só nos artigos assinalados que até está na montra ao cantinho em cima em letras bem visíveis para quem tiver binóculos e que não têm culpa que eu não os tenha e lá vou eu com tudo outra vez para trás e só me apetece arrancar botões e etiquetas e folhos e o caraças pela raiva miudinha que vendo bem não é miudinha é grande pra caramba! Dizia eu, aqui sou meia enganada, estão a ver? Toma, primeiro devias ter vistos as letritas e segundo, julgas que isto hoje em dia é assim ó quê? Ainda não, lá chegaremos (salvo seja) mas ainda não. Ainda vai havendo alguma decência. "E então porque é que tens andado toda a vida enganada mesmo?"- perguntarão vocês. Porque fui pedir um bolo de arroz pró lanche. "Ah. Um bolo de arroz. E daí??"- perguntarão vocês. Daí que nem bolo nem arroz, ora essa!! Primeiras: aquilo não é um bolo, é o filho dum bolo, é pequeno, não é um boooolo, é um bolito, uma coisita que se come em duas dentadas. Logo, sou enganada. Pensei que ainda ia levar para casa umas fatias pró jantar que hoje tenho lá os vizinhos de cima a ver o futebol porque os convidei para ver o meu Sporting e se a malta não ganha outra vez eles fazem outra vez tanto barulho tanto barulho lá em cima que prefiro tê-los cá em baixo. Assim, fatias, viste-las. Vai ser lindo, só lá tenho metade de uma gelatina de morango que abri ontem. Enfim, por aí logo se vê. E em segundo lugar, sou enganada porque não vi arroz nenhum, só farinha e ovos e quando perguntei ao empregado pelo arroz ainda tive de me conter e bem para não lhe dar uma lamparina quando o fulano tem o desplante de me perguntar "Qual arroz?". "Isto não é um bolo de arroz?", disse eu. "É", disse ele. "E onde está o arroz?", disse eu. "Pois, o arroz não está". "Ah, não? Então porque lhe chamam bolo de arroz?". "Pois isso não sei". " E porque não lhe põem arroz, hein?". "Pois isso não sei", repetiu ele. "Então o que é que você sabe, homem?". " Pois isso não sei. Só sei que já deu uma dentada nesse e tem de pagar", disse ele. Olhem, deu-se-me cá um esgananço que nem queiram saber!! E disse-lhe:"Como é que você sabe que fui eu que dei a dentada, hein??". E ele: "Pois isso não sei".
Vim-me embora. Bolo de arroz, hein? Anda meio mundo a enganar o outro, é o que é.
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